Compreender o gradiente de temperatura em uma edificação é essencial em climas frios ou temperados, onde envoltórias herméticas e isolamento contínuo são utilizados para evitar a perda de calor. No entanto, essa abordagem não é adequada para regiões tropicais como a América Central, onde o clima é marcado por uma alternância constante entre as estações seca e chuvosa, em vez de quatro estações bem definidas. Fatores como a proximidade do mar, a altitude e a topografia local influenciam os microclimas em distâncias curtas, mas a alta umidade continua sendo um desafio comum. Paredes vedadas, herméticas e sem ventilação podem rapidamente se tornar focos de mofo, tornando problemáticas as estratégias térmicas dos climas temperados. Em resposta, profissionais de arquitetura da região desenvolveram abordagens alternativas que acolhem, em vez de resistir, o ambiente externo, permitindo que o fluxo de ar e a evaporação regulem o conforto interno.
Ellisse, local: Armando Cose, Designer: Philippe Malouin
Comunicar uma ideia utilizando apenas o essencial é um desafio muito maior do que costuma parecer. Dos haicais japoneses às esculturas refinadas de Constantin Brâncuși, muitas expressões artísticas têm buscado condensar o máximo de significado com o mínimo de elementos. Essa economia de forma não é um sinal de escassez, mas de intensidade: cada traço, cada palavra, cada silêncio ganha peso. Há algo de intrinsecamente atraente naquilo que se apresenta de forma simples e bem resolvida, seja um texto que não desperdiça palavras, um/a tenista que se move com gestos intencionais ou uma melodia que é ao mesmo tempo direta e inesperadamente profunda.
Esse mesmo princípio, que transcende diferentes linguagens artísticas, reverbera profundamente no design contemporâneo. Ao serem reduzidos ao essencial, móveis ou objetos cotidianos revelam uma beleza que surge da precisão e transcende sua própria função. Isso fica evidente em HUM, a nova coleção de torneiras desenvolvida pelo designer Philippe Malouin para a QuadroDesign, na qual um simples gesto se transforma em uma linguagem completa.
40 viviendas públicas sostenibles en Sant Feliu de Llobregat, Barcelona. Image Cortesía de AMB Área Metropolitana de Barcelona
Por meio do IMPSOL (Instituto Metropolitano de Promoção de Solo e Gestão Patrimonial), a Área Metropolitana de Barcelona (AMB) deu início à construção de uma nova série dehabitações de interesse social(VPO) na rua Anselm Clavé, em Sant Feliu de Llobregat (Barcelona, Espanha). A elaboração do projeto e a direção da obra estão a cargo de Guillermo López, do MAIO Architects.
Museu Asaan, Renderização por Specto-Digital. Imagem Cortesia de ZHA
Com projeto do escritório Zaha Hadid Architects, as obras de construção do Museu Asaan foram iniciadas recentemente. Localizado no distrito histórico de At-Turaif em Diriyah, na Arábia Saudita, o Museu Asaan pretende ser uma nova instituição cultural concebida para preservar e celebrar o patrimônio do país. Com o nome derivado da palavra árabe que significa "herança transmitida através de gerações", o Asaan reforça seu papel de conectar o passado e o presente. Situado em um local renomado por sua arquitetura de adobe e sua malha urbana secular, o museu se inspira nas técnicas construtivas tradicionais najdi. Planejado para ser construído com tijolos de argila obtidos localmente, o Museu Asaan marcará o primeiro projeto do escritório Zaha Hadid Architects a utilizar a construção em adobe.
Fundada em 1997, a gad é uma empresa de design integrado que reúne projeto de arquitetura, consultoria e serviços técnicos de engenharia. Seu portfólio abrange diversas tipologias, incluindo edifícios residenciais, corporativos, hotéis, centros de pesquisa, universidades, espaços comerciais e complexos multiuso, com filiais estabelecidas em Hangzhou, Xangai, Qingdao, Xiamen e Chongqing. Como uma das referências do design nacional com mais de 20 anos de trajetória, a gad busca constantemente a excelência e a inovação em suas práticas, pautando-se por uma filosofia de projeto de caráter humanista. A empresa dedica-se a alcançar o equilíbrio ideal entre impacto social, demandas comerciais e o espírito arquitetônico, indo além do valor iminente do design para influenciar ativamente a renovação e o desenvolvimento urbano e rural.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130626/vagas-em-hangzhou-gad-lider-de-projeto-arquiteto-a-lider-arquiteto-a-juniorMilly Mo
Após ler e compilar todas as mensagens recebidas, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, chegou a hora de apresentar os principais posicionamentos. Agradecemos imensamente por suas opiniões!
Segundo os planos do executivo, este ano serão construídas mais de 500 escolas no Peru para suprir o déficit de infraestrutura enfrentado pelo setor. São 30 bilhões de soles em investimentos que representam, além disso, um incentivo para a indústria da construção nas diversas regiões do país.
Como uma homenagem à riqueza e diversidade cromática do México, o Museu do Objeto do Objeto (MODO) apresenta sua nova exposição temporária: “México a COLOR”, com curadoria de Ana Elena Mallet e Mariano Marroquín. Esta exposição é uma revisão cultural da percepção da cor no México e de seus desdobramentos nas artes e no design. Uma das primeiras abordagens que cada visitante irá vivenciar é a conceituação da cor nas artes populares para a criação de identidade. Em seguida, este elemento é retomado como um traço distintivo nas artes e, por fim, como um agente de modernização do país.
De 30 de setembro a 7 de outubro, Madri será a capital protagonista da XVI Semana da Arquitetura 2019, organizada pelo Colegio Oficial de Arquitectos de Madrid (COAM) por meio da Fundación Arquitectura COAM.
Escola de Design e Meio Ambiente da NUS / Serie Architects + Multiply Architects + Surbana Jurong. Imagem cortesia de Serie Architects + Multiply Architects + Surbana Jurong
Este artigo faz parte da nossa nova seção de Opinião, um espaço para ensaios argumentativos sobre questões críticas que moldam o nosso campo de atuação.
Antes de se tornarem autores e autoras do espaço, estudantes de arquitetura são primeiramente submetidos a ele. Durante anos, trabalham dentro de um edifício que ensina sem se anunciar como um educador. Ele organiza seu esgotamento, sua ambição, sua visibilidade, sua solidão, suas amizades, sua noção de escala e sua relação com o julgamento alheio. Muito antes de um/a estudante conseguir articular uma posição teórica sobre a arquitetura, a escola já lhe ofereceu uma em seu ambiente construído implícito.
Isso não significa sugerir que os edifícios determinem a atuação de arquitetos e arquitetas. A influência é mais lenta e menos direta que isso. O edifício de uma escola de arquitetura opera mais como um currículo oculto: uma disciplina espacial que atua em conjunto com o corpo docente, as ementas, a cultura institucional e a vida estudantil. Ensina por meio do acesso e da obstrução, das adjacências programáticas, da exposição à luz natural e da escala. Produz hábitos de atenção antes mesmo de gerar crenças explícitas.
Historicamente, a arquitetura é uma disciplina que durante muitos anos foi território masculino, até que, em 1939, María Luisa Dehesa se tornou a primeira arquiteta mexicana. No entanto, apesar de termos a percepção de termos alcançado a paridade de gênero na formação de arquitetas e arquitetos no México, o conceito de masculinidade (que pode ser exercido tanto por homens quanto por mulheres) continua permeando a arquitetura. Isso se reflete nos processos de projeto, na figura do “arquiteto inalcançável”, no senso de competição, na ordem hierárquica e, nos casos mais lamentáveis, na ideia de que as mulheres projetam interiores, enquanto os homens projetam arquitetura de verdade.
Quando se vive em uma pequena cidade da Nova Inglaterra, um cemitério nunca está longe. Se eu caminhar por uma hora pelas ruas locais, passarei facilmente por dois ou três, ou mesmo por dentro deles. Há muito tempo esses locais servem de refúgio para o consolo, a paz, a tranquilidade — e até para uma irônica soberba.
https://www.archdaily.com.br/pt/1127139/elogio-aos-cemiteriosMichael J. Crosbie
Zhuhai, conectada aos centros internacionais de finanças e turismo de Hong Kong e Macau pela maior ponte marítima do mundo, recebeu recentemente o título de cidade mais habitável da China. Com o objetivo de desenvolver ainda mais esse crescente polo tecnológico, o escritório Skidmore, Owings & Merrill (SOM) transformará a orla da cidade, criando um modelo para o desenvolvimento futuro.
A pandemia de COVID-19 transformou a nossa maneira de trabalhar. Enquanto profissionais de design repensam rapidamente os fluxos de trabalho tradicionais para manter a conectividade, em São Francisco, o Studio BBA adapta sua rotina de trabalho para garantir o atendimento às necessidades de seus clientes. Defendendo uma arquitetura que inspira a conexão humana, o escritório cria espaços e lugares a partir da alquimia entre inspiração, local, materiais, visão e forma.
Como parte de uma nova colaboração entre os escritórios mexicanos Dellekamp Arquitectos e Rojkind Arquitectos, é apresentada a Casa Roca, em Puerto Los Cabos, San José del Cabo, México. Um projeto inspirado nas formações rochosas no topo do terreno, que faz parte de um desenho radial cuidadosamente organizado em relação à sua topografia. A casa, implantada em um lote de 5.000 m², organiza suas funções ao longo da paisagem natural dentro de uma área construída de 1.200 m², minimizando o impacto de sua projeção e criando uma inter-relação com a natureza como a principal experiência de vida.
De 25 de abril a 1 de maio de 2024, Logroño sedia a décima edição do Concéntrico, uma celebração da inovação e da transformação urbana. Este ano, o festival explora o futuro das cidades ao incorporar novos formatos, engajar públicos diversos e enfrentar desafios urbanos sob a perspectiva do tempo como um catalisador de mudança no design. Com 20 intervenções e atividades que envolvem mais de 100 profissionais de 17 países, a programação abrange processos como a renaturalização de espaços públicos, a reinvenção de estruturas urbanas e a integração de materiais reciclados de edições anteriores.
Além disso, parcerias com centros educacionais garantem um impacto duradouro para além do festival, fomentando novas práticas coletivas nos espaços públicos. Projetos especiais, como "A rua em 10 anos", ou iniciativas que envolvem estudantes de escolas e centros de ensino locais enriquecem ainda mais o engajamento do festival com as comunidades em toda a Espanha.
Um vendedor ambulante vendendo balões ao longo da La Séptima na Plaza de Bolívar. "Bogota, Colombia" por szeke está licenciado sob CC BY-SA 2.0
É época de chuvas, mas o temporal desta manhã pouco afeta o ritmo ao longo da La Carrera Séptima. Ciclistas e pedestres desviam de comerciantes ambulantes com seus carrinhos de abacates, doces de gengibre e capinhas de celular. Carrinhos de brinquedo, lâmpadas e joias de miçangas feitas à mão brilham com as gotas de chuva, organizados meticulosamente sobre lonas que demarcam os territórios dos/as vendedores/as. Policiais se aproximam de um/a catador/a que recolhe garrafas; um/a turista pechincha o preço de uma jaqueta; duas mulheres se encontram no meio da rua, abraçando-se enquanto seus casacos ficam pesados sob a chuva.
La Séptima, ou a Sétima Avenida de Bogotá, é a via mais emblemática de Bogotá, percorrida por mais de dois milhões de pessoas todos os dias. Ao longo desta única via — que é em parte mercado, rota de protesto e polo de transportes — a história de Bogotá se desenrola. Por quase um ano, acompanhei seus ritmos como pedestre, usuário/a do transporte, habitante e pesquisador/a. Em todos esses momentos e em suas encarnações históricas, uma imagem persistiu: a rua é um corpo vivo. Ela é imaginada como a espinha dorsal de Bogotá, sua artéria vital, seu coração. Sangra, carrega cicatrizes e exige cuidados.
A maior parte das futuras habitações da Europa já existe; no entanto, a renovação continua ocorrendo de forma muito lenta para responder aos desafios climáticos, habitacionais, de saúde e de recursos na escala necessária. O Re:Living explora como a renovação pode deixar de ser uma série de projetos isolados para se tornar uma abordagem escalável de transformação de edifícios existentes. No cerne da iniciativa está um novo projeto de pesquisa, The Housing We Need for the Future We Want, que examina como o melhor aproveitamento do parque imobiliário existente pode abrir novas oportunidades para profissionais de arquitetura, cidades e comunidades.
O projeto desenvolvido por CRA-Carlo Ratti Associati, Park Associati, Politecnica Building for Humans, Openfabric, DOTDOTDOT, Studio Mattioli e Eckersley O'Callaghan foi selecionado para projetar o novo Hospital Geral e o Hospital Infantil em Brescia, na Itália. O mandato do concurso internacional previa a requalificação de um hospital existente, preservando e ampliando a planta radial concebida pelo engenheiro Angelo Bordoni no início do século XX. O complexo de saúde existente, Spedali Civili di Brescia, segue um plano diretor hexagonal e uma disposição radial que orientam o novo desenho das instalações. A geometria é reinterpretada para atualizar o campus voltado a futuros modelos de assistência à saúde, desenhando em seu entorno um novo anel de serviços (CareRing) que conecta pessoas, natureza e saúde por meio dos princípios da "One Health" (Saúde Única) — a ideia de que a saúde humana, a saúde ambiental e o bem-estar social são indissociáveis.
Uma rebelião experiencial ganha destaque no quarto episódio do podcast Room For Dreams, tocando diretamente no cerne da cultura de design contemporânea, obcecada por imagens e pela superficialidade das telas. Gravado ao vivo na Milan Design Week 2026 em parceria com a INDX|GLOBAL, a apresentadora Claire Broadka conversa com quatro profissionais da arquitetura indiana — Indrajit Kembhavi, Manish Gulati, Sanjay Singh e Sidhartha Talwar — para discutir uma questão crucial: teríamos sacrificado a alma da arquitetura em prol de um post perfeito no Instagram?
Acontecimentos recentes destacaram as diversas maneiras pelas quais a arquitetura responde às transformações nas condições ambientais, sociais e culturais. Grandes terremotos na Venezuela, no Japão e no norte da Califórnia renovaram a atenção para o papel do planejamento, da infraestrutura e das práticas construtivas na promoção da resiliência a desastres naturais. Enquanto essas questões seguem moldando o ambiente construído, a abertura do Congresso Mundial de Arquitetos da UIA 2026, em Barcelona, reuniu profissionais e pesquisadores/as para debater clima, habitação, espaço público e o futuro da profissão. Anúncios recentes de projetos, iniciativas de preservação, obras concluídas e novas ferramentas de projeto também refletiram a diversidade de abordagens que moldam a prática arquitetônica atual, desde a conservação do patrimônio e o reuso adaptativo até o desempenho ambiental e o planejamento de longo prazo.
A 15ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (BIAsp), programada para ocorrer em setembro e outubro de 2027, anunciou a dupla de profissionais da arquitetura Gabriela de Matos e Pedro Rossi na curadoria-geral do evento. Dando continuidade à edição anterior, sob o tema Extremos: Arquiteturas para um mundo quente, espera-se que a dupla traga perspectivas críticas sobre arquitetura, cultura e cidade para o tema Arquitetura, Cultura e Soberania. O papel de ambos/as será coordenar o desenvolvimento conceitual da Bienal, definir a equipe de curadoria e realizar uma chamada pública para co-curadores/as.