Recentemente, o arquiteto Cristián Castillo Echeverría recebeu o Prêmio Nacional de Arquitetura 2024, uma distinção que reconhece e valoriza sua contribuição para a sociedade e para o habitar no Chile. Concedido pela Diretoria Nacional do Colégio de Arquitetos do Chile, o Prêmio Nacional de Arquitetura reconhece profissionais de arquitetura cuja trajetória e desempenho ético e profissional representam um exemplo para os demais colegas, atuem eles no campo da execução de obras arquitetônicas, em atividades acadêmicas, de classe, de serviço ou de gestão pública.
“Em diversas regiões do planeta, a natureza impõe condições adversas ao corpo humano. Nesses locais, projetar um edifício é quase como criar uma vestimenta: um artefato que protege e oferece conforto. Esse desafio exige um desempenho tecnológico que deve estar aliado à estética. Fazer o ser humano sentir-se bem envolve mais do que apenas atender às noções de conforto e segurança; é também uma questão de trabalhar os espaços em suas dimensões simbólicas e perceptivas.” Este é o início da descrição para o projeto da Estação Antártica Comandante Ferraz, do Estúdio 41, localizada na Península Keller, onde o mar ao redor congela por cerca de seis a sete meses do ano, em que tudo e todos chegam por avião ou navio e a loja de ferragens mais próxima está a dias de distância. Se projetar uma edificação já apresenta inúmeras complexidades, não é difícil imaginar os desafios adicionais ao desenvolver algo em um ambiente extremo, como temperaturas muito altas ou baixas, ou em locais suscetíveis à corrosão, radiação, entre outros. Neste artigo, vamos explorar as dificuldades, as principais soluções e os materiais utilizados nesses contextos.
Edifício do Museu Squama visto do rio Aura. Imagem cortesia de Sigge Architects
O escritório finlandês Sigge Architects foi anunciado como vencedor do concurso internacional para o projeto do Museu da História e do Futuro, na cidade mais antiga da Finlândia, Turku. A proposta, selecionada entre mais de 400 inscrições, cria uma estrutura permeável ao longo da orla, atuando como um catalisador para a regeneração da área. O museu tem como objetivo apresentar as pesquisas científicas mais inovadoras por meio de uma grande variedade de exposições, instalações audiovisuais e espaços educativos. A previsão é que a construção comece em 2027 e seja concluída em 2029, com a abertura ao público programada para 2030.
A pedra, como material de construção, tem sido fundamental desde os primórdios da sociedade humana, estando presente de diversas formas em nosso ambiente. Desde estruturas arquitravadas até robustos muros de pedra seca, sua presença enraizada em nosso entorno e nas primeiras construções sempre foi evidente. Alvar Aalto destacou esse fato ao afirmar que essa arquitetura primitiva poderia ser considerada a "genialidade da descoberta", uma vez que, naquela época, a natureza era a única fornecedora de materiais de construção.
Com o passar do tempo e o aprimoramento dos processos de transporte, manipulação e beneficiamento da pedra, este material tornou-se muito mais nobre e fácil de manusear. Embora preserve suas características fundamentais, hoje é possível ampliar sua aplicação como revestimento — principalmente em banheiros e cozinhas — utilizando pedras de menor tamanho, conhecidas como *pebbles* (seixos). Isso as transforma em um elemento de design que agrega interesse visual e uma nova experiência tátil, adicionando, assim, uma dimensão extra ao seu uso.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140223/malhas-de-pedra-natural-mesclando-tradicao-e-inovacao-no-design-de-interioresEnrique Tovar
A 7ª Bienal de Arquitetura de Tallinn (TAB 2024) terá início em 9 de outubro de 2024, em diversos locais da cidade. Organizada pelo Centro Estoniano de Arquitetura, esta edição da exposição global de arquitetura explora o tema “Recursos para um Futuro” (Resources For a Future), com o objetivo de incentivar o diálogo, o trabalho interdisciplinar e a inovação na arquitetura. O evento é voltado tanto para arquitetos/as quanto para o público em geral, contando com uma programação abrangente que inclui workshops, painéis, seminários e o Open House Tallinn.
“O carbono incorporado representa de 75% a 95% das emissões de gases de efeito estufa em projetos de arquitetura da paisagem”, afirmou Chris Hardy, ASLA, PLA, associado sênior na Sasaki, durante o terceiro webinar de uma série organizada pelo Comitê de Biodiversidade e Ação Climática da ASLA. No entanto, ao selecionar materiais locais de baixo carbono, profissionais de arquitetura da paisagem podem reduzir significativamente os impactos climáticos de seu trabalho.
As emissões de carbono incorporado são geradas a partir da extração, fabricação, transporte e construção dos materiais de paisagismo. A outra parcela das emissões de um projeto provém da operação e manutenção do espaço paisagístico.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140505/acao-climatica-significa-escolher-materiais-locais-e-de-baixo-carbonoJared Green
A flexibilidade é a palavra de ordem do nosso tempo, confrontando-nos em todos os aspectos e desafiando diariamente tanto a nós quanto aos nossos espaços. Os ambientes de vida e trabalho atuais são definidos por layouts fluidos e adaptáveis, em vez de estruturas rígidas — desde a residência urbana multifuncional até o escritório flexível em plano aberto que opera de forma tão ágil quanto nossa própria filosofia de trabalho.
Nesse âmbito, muito se fala sobre as diferentes técnicas vernaculares empregadas na arquitetura, seja a produção dos tijolos em adobe, os telhados de palha, as paredes trançadas de bambu, entre muitas outras. No entanto, enquanto a técnica vernacular concentra-se em ações ou habilidades específicas, seu significado difere das tecnologias vernaculares.
Cidades nos Estados Unidos estão adotando as Unidades Habitacionais Acessórias (ADUs, na sigla em inglês) para enfrentar a crise habitacional que afeta o país. Frequentemente construídas em lotes de residências unifamiliares já existentes, as ADUs oferecem uma alternativa acessível para aumentar a oferta de moradia em bairros consolidados. Contudo, assim como ocorre com qualquer novo desenvolvimento habitacional, uma regulamentação eficaz é fundamental para que haja uma ampla adoção. Los Angeles despontou como um laboratório urbano no uso de ADUs para mitigar seu déficit habitacional, oferecendo lições valiosas para outras cidades. A experiência do município evidencia os desafios de se estabelecer uma regulamentação, ao mesmo tempo em que promove os benefícios dessas unidades como uma solução de moradia acessível.
Os resíduos são um tema central nos debates sobre as mudanças climáticas, e o conhecido apelo para reduzir, reutilizar e reciclar continua sendo um imperativo válido que se aplica a todos, em qualquer escala. Ainda assim, alguns setores precisam prestar atenção especial aos materiais utilizados, e a construção civil é certamente um deles. Com os resíduos de construção e demolição (RCD) representando aproximadamente 25% a 30% de todos os resíduos gerados na União Europeia, este é um setor desafiador que necessita urgentemente de reinvenção no que diz respeito aos materiais. Como parte de uma abordagem holística, as membranas de EPDM (Terpolímero de Etileno-Propileno-Dieno), como a RubberGard EPDM da Elevate, podem ajudar a reduzir significativamente o impacto ambiental das edificações. Entenda o porquê a seguir.
Cortesia de SITELAB urban studio e Field Operations
O escritório SITELAB urban studio e o Field Operations apresentaram uma proposta de projeto para reimaginar a icônica Powell Street, em São Francisco. A via costumava ser um dos corredores de pedestres mais movimentados de seu distrito e uma atração turística popular, com os tradicionais bondinhos subindo e descendo a rua para conectar a Union Square e a Hallidie Plaza. Ao longo do trecho mais popular de três quarteirões, a maioria das fachadas de lojas ficou vazia. De acordo com o San Francisco Chronicle, um dos motivos foi a pandemia de Covid-19, que resultou em uma redução ainda maior do turismo e das atividades comerciais. Agora, um novo projeto liderado pelas equipes de design do SITELAB urban studio e do Field Operations busca revitalizar esse corredor de transporte atualmente subutilizado e catalisar um interesse renovado pela área.
Os edifícios brutalistas são um componente marcante da identidade arquitetônica de Washington, D.C. Na nova exposição do National Building Museum, intitulada Capital Brutalism, essa identidade é explorada em detalhes. Coorganizada com o Southern Utah Museum of Art (SUMA), Capital Brutalism é a exposição mais abrangente sobre a arquitetura brutalista em Washington, D.C. realizada até hoje, permanecendo em cartaz até 17 de fevereiro de 2025.
Nicolás Valencia conversa esta semana no podcast TERRAZA com a arquiteta peruana Michelle Llona, coautora do premiado livro “Catálogo Arquitectura Movimiento Moderno Perú”, publicado pela Universidad de Lima em 2016.
“Catálogo de Arquitectura del Movimiento Moderno del Perú” (CAMMP) é o resultado da pesquisa de mesmo nome que, com o apoio do Instituto de Investigación Científica da Universidad de Lima, Llona desenvolveu junto a Alejandra Acevedo entre 2013 e 2015. Trata-se da primeira iniciativa no Peru que se propôs a inventariar e documentar os edifícios mais importantes da produção peruana no período moderno.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140665/michelle-llona-a-arquitetura-moderna-no-peru-esta-desaparecendoArchDaily Team
O Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais de áreas criativas em conversas espontâneas que dão espaço a reflexões profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e bom humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações informais sobre o cotidiano e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Nesta semana, David e Marina, da FAME Architecture & Design, recebem Deborah Riley, designer de produção de Game of Thrones e O Problema dos 3 Corpos (3 Body Problem), para discutir sua trajetória profissional; os motivos que a levaram a estudar arquitetura; a transição de carreira para a cenografia; a evolução de cenógrafo/a a designer de produção; a experiência de se tornar designer de produção em Game of Thrones; suas responsabilidades no cargo; a relação entre cenários físicos e digitais (CGI); os desafios de trabalhar em diferentes projetos, e muito mais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140535/the-second-studio-podcast-deborah-riley-designer-de-producao-de-game-of-thrones-e-o-problema-dos-3-corposThe Second Studio Podcast
A massa térmica é a capacidade de um material de absorver, armazenar e liberar calor. Utilizado para moderar as temperaturas internas dos edifícios ao atenuar as oscilações térmicas, esse conceito é crucial para aumentar a eficiência energética. Materiais com massa térmica relativamente alta, como pedra, concreto, taipa de pilão e tijolo, conseguem absorver uma quantidade significativa de calor durante o dia e liberá-lo lentamente quando a temperatura cai à noite, reduzindo a demanda por sistemas de climatização. Propriedades como capacidade calorífica, condutividade térmica e densidade são fundamentais para avaliar a massa térmica de um material.
Uma abordagem holística do design e da arquitetura torna-se evidente ao explorarmos o trabalho do NO ARCHITECTURE, escritório com sede em Nova York fundado por Andrew Heid em 2014. O portfólio e as pesquisas do escritório revelam uma forma integradora de construir, por meio de projetos que demonstram uma forte conexão entre o ambiente edificado e seu entorno imediato, seja em paisagens naturais ou em contextos urbanos. Seus programas priorizam a flexibilidade, as possibilidades e a inclusão, colocando o bem-estar humano acima de tudo.
3XN GXN apresentou o projeto do Mahler 1, um edifício corporativo de uso misto com 15 pavimentos. Desenvolvida em colaboração com a Victory Group, Icon Real Estate e Erik Dhont Landscape Architects, a estrutura conta com um sistema construtivo híbrido de madeira que gera um volume escalonado, suavizando a massa edificada. No nível da rua, o empreendimento oferece uma ampla gama de comodidades públicas, com o objetivo de se tornar um polo dinâmico tanto para moradores quanto para profissionais de escritórios. As obras devem começar no primeiro semestre de 2025, com conclusão prevista para o final de 2027.
Localizada no coração do Central Business District (CBD) de Pequim, a torre Z6, projetada pelo escritório Foster + Partners, tornou-se o primeiro edifício de escritórios em altura da China a obter a certificação "Net Zero Carbon Outstanding" (Carbono Zero Excepcional). O projeto recebeu esse reconhecimento após ser aprovado no "Net Zero Carbon Building Evaluation System", desenvolvido pela Building Research Establishment (BRE) e pela TÜV Rheinland Greater China, com base nos padrões BREEAM.
Em Londres, onde moro, existem 23 universidades. Juntas, essas instituições abrigam uma população de quase meio milhão de pessoas. Em uma cidade com quase 10 milhões de habitantes, 5% pode parecer pouco, mas é um número expressivo — equivalente, grosso modo, à população de Atlanta. Se reduzirmos a escala da cidade, essa proporção aumenta drasticamente. Nas vizinhas Oxford (150 mil habitantes) e Cambridge (125 mil habitantes), essa população acadêmica representa 40% e 33% do total, respectivamente. Nesses locais, o campus e o tecido urbano estão tão integrados que planejar um significa, quase que obrigatoriamente, planejar o outro.
Embora a abordagem sensorial no ambiente construído seja frequentemente baseada, em primeiro lugar, em aspectos visuais como a cor e a luz, à medida que nos aprofundamos na relação da arquitetura com os sentidos, surgem outros elementos essenciais, tais como aromas, texturas, sons e até sabores. Esses componentes são fundamentais para criar uma experiência profunda entre o/a usuário/a e o ambiente onde ela ocorre, demonstrando que o design e a experiência sensorial estão intrinsecamente conectados.
Dessa forma, o design sensorial oferece uma atmosfera imersiva para um espectro completo de sentidos, cuja percepção se estende além dos limites físicos. Um exemplo disso é o Vertical Panorama Pavilion, localizado em uma região da Califórnia (EUA) com uma forte identidade ligada à tradição vinícola. Esta estrutura, com uma cobertura de vidro composta por intercalares de PVB colorido, serve de abrigo para a hospitalidade. Inspirada na natureza, a cobertura do pavilhão desperta todos os sentidos: desde a textura do cascalho no caminho de pedestres até as correntes de vento locais e os aromas característicos da região.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140784/uma-cobertura-de-vidro-multicolorido-para-os-sentidos-abrigo-e-hospitalidade-o-pavilhao-panorama-verticalEnrique Tovar
A história do uso da cal na indústria da construção civil remonta a milhares de anos, atravessando culturas e comunidades em âmbito global. De fato, por volta do ano 4000 a.C., os antigos egípcios já empregavam cal virgem misturada com água como material de construção para suas pirâmides. Embora a cal apresente múltiplas aplicações nas indústrias alimentícia, agrícola, química, mineradora, siderúrgica, entre outras, na arquitetura ela representa um dos principais materiais de construção. Isso se deve à sua versatilidade, aderência, impermeabilidade, trabalhabilidade, rendimento, tempo de pega e durabilidade, que permitem a elaboração de argamassas de alvenaria, rebocos internos ou externos, entre outras funções.
Projeto desenvolvido por Revit. Imagem gerada por IA: VERAS. Image Cortesia de ZIGURAT
No âmbito da arquitetura, observa-se um crescente interesse dos consumidores por soluções integradas que ofereçam suporte abrangente em todas as fases de um projeto, que simplifiquem e otimizem cada fase do ciclo de vida dos projetos de construção, proporcionando maior eficiência e precisão. Isso perpassa etapas como a orçamentação, o planejamento e gerenciamento da obra, a gestão orçamentária de recursos e suprimentos, a compra de materiais e chega até a venda do imóvel.
Heatherwick Studio revelou o projeto de uma nova cobertura de vidro em grande escala que se tornará uma das principais atrações do Olympia, um ambicioso projeto de revitalização urbana que visa transformar os pavilhões de exposição de 138 anos em Londres em um destino global de cultura e entretenimento. Com projeto original de Sir Henry Edward Coe, o Olympia oferecerá aos visitantes uma ampla gama de espaços e atividades, incluindo dois hotéis, mais de 30 restaurantes, bares e lanchonetes, uma casa de shows para 4.400 pessoas, um teatro e instalações para a Wetherby Performing Arts School, além de mais de um hectare de espaços públicos acessíveis. O projeto de revitalização é assinado em conjunto pelo Heatherwick Studio e pelo SPPARC.