
Quanto pesa uma casa? Em seu ensaio de 1965, A Home Is Not a House, Reyner Banham observou que as habitações americanas modernas estavam se tornando estruturalmente mais leves, ao mesmo tempo em que ficavam mais complexas em suas instalações prediais, como encanamento, fiação, aquecimento e resfriamento. O verdadeiro peso da arquitetura, argumentava ele, não estava mais nas paredes e telhados, mas nos sistemas de alto consumo de energia que garantiam o conforto.
Décadas mais tarde, a questão foi atualizada na 7ª Trienal de Arquitetura de Lisboa. A curadoria de Ann-Sofi Rönnskog e John Palmesino perguntou: quanto pesa uma cidade? A escala mudou do interior doméstico para o território. A tecnosfera, materializada nas estimadas 30 trilhões de toneladas de matéria produzida por seres humanos na Terra, reformula inteiramente a discussão. Cidades, data centers, campos de petróleo, polos logísticos, satélites, cabos e fluxos de resíduos formam um sistema planetário no qual a arquitetura não é objeto nem pano de fundo, mas participante.































