Arquiteta baseada em Buenos Aires. Desde 2019, faz parte da equipe de conteúdo da ArchDaily. Como editora, tem estado envolvida no desenvolvimento de narrativas e críticas arquitetônicas, bem como na curadoria, comunicação e entrevistas no campo da arquitetura, colaborando com arquitetos de todo o mundo para exibir seu trabalho online.
Há muito tempo, os pátios constituem um aspecto fundamental da arquitetura tradicional chinesa, atuando como espaços centrais em torno dos quais a vida doméstica se organiza. Esses locais desempenham um papel vital na criação de um ambiente residencial harmonioso, oferecendo benefícios que vão desde a regulação da temperatura interna até o estímulo às interações sociais e a promoção de uma estreita conexão com a natureza.
É quase impossível falar de Madri, a capital espanhola, que, além de seu evidente apelo turístico e de sua liderança como a cidade mais visitada do país — seguida por Barcelona —, é indissociável de sua longa história e evolução até os dias atuais. Em 2024, Madri recebeu mais de 11,2 milhões de visitantes, o que representou aproximadamente 11,9% do total de turistas que chegaram à Espanha naquele ano. Grande parte da identidade da cidade, a singularidade de cada um de seus bairros e as novas áreas desenvolvidas ao longo dos anos estão profundamente ligadas a um crescimento que, embora planejado e modernizado em muitos aspectos, conseguiu preservar o caráter diverso que define sua essência urbana.
A Espanha conta com uma vasta diversidade de paisagens, tanto naturais quanto urbanas, onde o espaço público desempenha um papel protagonista. Nos últimos anos, sua relevância cresceu, consolidando-se como um eixo fundamental para o encontro. Para além de suas qualidades arquitetônicas e paisagísticas, o espaço público oferece aos visitantes e cidadãos ambientes de qualidade que contribuem para melhorar as condições de vida, seja em um parque urbano, em um eixo de pedestres dentro da cidade ou em um espaço para simplesmente estar em um entorno natural e em conexão com o território.
A crise habitacional, a necessidade de políticas eficazes de gestão do solo e a crescente demanda por auxílio à habitação são desafios globais, e a Espanha tem dado passos significativos para enfrentar essas questões nos últimos anos. Embora esse esforço esteja intimamente ligado à reabilitação de edifícios obsoletos, ele também aborda os desafios do adensamento e da gentrificação. Esses fatores impulsionaram a exploração de novos modelos de habitação e modos de vida, resultando no desenvolvimento de edifícios residenciais acessíveis, projetados para acolher um grande número de habitantes, sem abrir mão de padrões elevados de qualidade de vida.
Local Comunal San Martín de Orúe, en La Balanza, Comas. Image Cortesía de BIAU
Em meio ao dinamismo e à velocidade que caracterizam a nossa vida no mundo contemporâneo, especialmente em relação às nossas cidades e ambientes construídos, torna-se inevitável reconhecer a importância de preservar espaços de pausa e reflexão, essenciais para abordar e debater os temas fundamentais da arquitetura e do urbanismo de que a nossa sociedade necessita com urgência hoje. A última edição da XIII Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo, realizada de 2 a 6 de dezembro em Lima, no Peru, propiciou um encontro único para esse tipo de reflexão e diálogo. Sob o lema 'CLIMAS: Ações para o bem viver', o evento reuniu arquitetos/as e referências do setor, que durante uma semana participaram de mesas-redondas e palestras, nas quais a discussão se concentrou nos desafios do habitar contemporâneo global, especialmente naqueles compartilhados entre a Espanha e a América Latina, atuando, assim, como uma ponte de conhecimento entre ambos os contextos.
A Bienal de Arquitetura Latino-Americana (BAL), evento que conquistou significativa relevância no cenário arquitetônico contemporâneo, celebrará no próximo ano a sua nona edição. O encontro reúne em Pamplona, na Espanha, escritórios de arquitetura latino-americanos emergentes com o objetivo de compartilhar e divulgar seus trabalhos, fomentando o diálogo e o debate sobre o estado atual da disciplina, além de funcionar como uma ponte entre a América Latina e o contexto espanhol. Nesta edição, a Costa Rica será o país convidado, acompanhada por Honduras, El Salvador, Panamá, Guatemala e Nicarágua. Como parte deste convite, a programação incluirá uma exposição e seminários específicos dedicados a analisar o panorama da arquitetura nesses países.
A arquitetura do Studio Muoto abrange infinitas definições do que a arquitetura deve ser, mas, acima de tudo, do que ela pode vir a se tornar. O escopo de trabalho do escritório sediado em Paris, fundado em 2003 por Gilles Delalex e Yves Moreau, abrange projetos nas áreas de arquitetura, design de exposições, planejamento urbano, ensino e pesquisa. Tudo isso resulta em uma arquitetura de estruturas mínimas que envelhecem com elegância, que evolui e se adapta com o tempo, e que é econômica e ambientalmente sustentável.
O Aedes Architectural Forum, em Berlim, apresenta ao longo dos próximos dois meses a trajetória e as obras de Christoph Hesse Architects. A exposição, intitulada "Rural Rebellion", concentra-se nos projetos arquitetônicos do escritório que abordam os desafios de se trabalhar em áreas rurais, especialmente em Korbach — cidade natal de Hesse — e em outros vilarejos da Alemanha. A mostra destaca como a prática reimagina e reinterpreta métodos construtivos tradicionais, traduzindo-os para contextos contemporâneos e enfatizando uma abordagem coletiva e colaborativa da arquitetura.
O IR Arquitectura não é apenas um escritório, mas se define como uma plataforma de exploração que integra a prática arquitetônica a temas tangenciais, como a cidade, a paisagem, a tecnologia e a sustentabilidade. Fundado por Luciano Intile e Enrico Cavaglià, com sede em Buenos Aires, Argentina, o IR Arquitectura é um coletivo interdisciplinar formado por profissionais de arquitetura, design e diversas outras áreas, que abordam projetos de diferentes escalas e naturezas, aproveitando cada oportunidade para explorar novas soluções e estratégias no que se refere ao habitar contemporâneo, urbano e em estreita relação com o entorno.
De 2 a 6 de dezembro, será realizada em Lima, Peru, a XIII Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo (BIAU), sob o tema CLIMA: Ações para o bem viver. Desde 1998, a BIAU — promovida pelo governo da Espanha por meio do Ministério da Habitação e Agenda Urbana (MIVAU), em colaboração com o Conselho Superior dos Colégios de Arquitetos da Espanha e com o apoio da Fundação ARQUIA — tem como objetivo difundir boas práticas de arquitetura e urbanismo na Ibero-América, fomentando um espaço de debate em torno dos desafios contemporâneos compartilhados entre a Espanha e a América Latina. Ao construir pontes de conhecimento entre ambos os continentes, a BIAU abre suas portas mais uma vez, agora em Lima.
Carl Pruscha é um arquiteto austríaco que dedicou a maior parte de sua carreira profissional a investigar e trabalhar de perto com a arquitetura regional no Oriente — um território negligenciado em uma época em que o movimento moderno na arquitetura e no resto do mundo estava em plena expansão. Através de uma retrospectiva de sua vida, destacamos algumas de suas obras mais relevantes no Nepal e no Sri Lanka, compreendendo como Pruscha conseguiu imprimir sua visão singular de arquitetura e de cidade em seus projetos construídos.
A relação entre a arte e a humanidade remonta às origens da civilização. Os museus tornaram-se espaços onde vastas coleções de arte e artefatos narram a história do tempo, do ser humano, das cidades e de inúmeras narrativas sobre culturas e sociedades. Ao longo dos anos, o papel do museu evoluiu, assumindo diferentes formatos e escalas, incluindo a galeria de arte contemporânea. A importância da arte e da cultura nas cidades e bairros contemporâneos é inegável. No entanto, as galerias desempenham múltiplos papéis ao integrar a arte e a cultura na vida cotidiana. Por que esses espaços são valiosos para as comunidades? Como eles apoiam artistas emergentes? De que maneira as galerias podem revitalizar os bairros?
Em cidades densamente povoadas, a demanda por mais espaço habitável impulsionou uma tendência crescente de ampliações residenciais. Diante das oportunidades limitadas para novas construções e do desejo de preservar a malha urbana histórica, proprietários(as) buscam cada vez mais maneiras inovadoras de expandir suas casas. As ampliações oferecem uma solução prática para as necessidades modernas, permitindo que os(as) residentes permaneçam em bairros familiares e mantenham seus laços com a comunidade.
Existem diversas abordagens para essas reformas. As ampliações residenciais assumem várias formas, desde cômodos isolados com funções específicas próximos à casa principal até volumes diretamente conectados à estrutura original. Essas ampliações podem ser construídas no térreo ou aproveitar o espaço vertical por meio de acréscimos de pavimentos sobre a edificação existente.
Exposición central en Faena Art Center . Image Cortesía de La Bienal
No último sábado, 12 de outubro, foi realizada a cerimônia de premiação da 19ª Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires. Nesta edição, foram concedidos prestigiados prêmios e reconhecimentos em diversas categorias, destacando os projetos e obras de arquitetura mais relevantes em nível internacional dos últimos anos. Com a participação de um júri internacional, o Comitê Diretivo da Bienal, integrado por Carlos Sallaberry, Roberto Converti, Miguel Jurado, Daniel Muñiz, Carlos Dibar, Matías Glusberg, Lorenzo Shakespear e Claudia Faena, avaliou tanto as propostas exibidas quanto os projetos previamente selecionados por meio de convocatória aberta.
Marie Combette e Daniel Moreno Flores fundaram em 2019 o La Cabina de la Curiosidad, um estúdio de arquitetura e território com sede em Quito, Equador. Sua abordagem arquitetônica baseia-se em um exaustivo trabalho de campo, com um olhar urbano e territorial que prioriza o uso de recursos disponíveis, a gestão da água e a reciclagem. Utilizam o desenho e as cartografias como ferramentas essenciais para plasmar suas ideias e transformá-las em espacialidades. O nome do estúdio evoca um "baú" convertido em uma cabine cheia de curiosidades que convidam a explorar diversas possibilidades. Esse baú se alimenta de experiências cotidianas, derivadas da simples interação com a cidade ou o entorno, o que desencadeia um processo criativo continuamente nutrido pela experimentação e pela descoberta diária, sem medo do desconhecido.
Nesta quarta-feira, 9 de outubro, abre ao público a 19ª edição da Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires. O evento, que será realizado novamente no Faena Art Center, se estenderá até o domingo, 13 de outubro. Durante cinco dias, a cidade será palco de reflexões sobre sustentabilidade, meio ambiente e novas tecnologias aplicadas à arquitetura e ao design. Além da exposição central, a programação incluirá conferências internacionais, workshops e diversas instalações distribuídas por vários pontos estratégicos de Buenos Aires.