Arquiteta baseada em Buenos Aires. Desde 2019, faz parte da equipe de conteúdo da ArchDaily. Como editora, tem estado envolvida no desenvolvimento de narrativas e críticas arquitetônicas, bem como na curadoria, comunicação e entrevistas no campo da arquitetura, colaborando com arquitetos de todo o mundo para exibir seu trabalho online.
A cidade de Buenos Aires possui uma extensão territorial vasta e uma malha urbana heterogênea e de escalas variáveis. Grande parte dos bairros residenciais é constituída por um tecido de uso misto, onde as construções predominantes de décadas atrás são a chamada "casa chorizo" e as habitações em propriedade horizontal, comumente denominadas PH. É interessante observar como, ao longo dos anos, essas edificações foram modificadas devido às mudanças nos códigos de obras, que permitiram a criação de novas tipologias para responder, principalmente, a novas formas de habitar a cidade. A renovação dessas construções, muitas delas destinadas ao uso residencial, também tem sido uma resposta consciente para evitar a sobreedificação em uma cidade já densamente povoada. Embora esse tipo de projeto seja uma prática recorrente em Buenos Aires há vários anos, muitos/as jovens arquitetos/as das novas gerações assumem esses desafios, gerando uma tendência que parece não ter fim e na qual encontramos novas soluções a cada reforma.
A Bienal de Arquitetura Latino-Americana (BAL), evento que conquistou significativa relevância no cenário arquitetônico contemporâneo, celebrará no próximo ano a sua nona edição. O encontro reúne em Pamplona, na Espanha, escritórios de arquitetura latino-americanos emergentes com o objetivo de compartilhar e divulgar seus trabalhos, fomentando o diálogo e o debate sobre o estado atual da disciplina, além de funcionar como uma ponte entre a América Latina e o contexto espanhol. Nesta edição, a Costa Rica será o país convidado, acompanhada por Honduras, El Salvador, Panamá, Guatemala e Nicarágua. Como parte deste convite, a programação incluirá uma exposição e seminários específicos dedicados a analisar o panorama da arquitetura nesses países.
Parque Aquático da Universidade do Sudeste / SEU-ARCH Zhou Qi Studio. Imagem Cortesia de SEU-ARCH Zhou Qi Studio
A infraestrutura esportiva tornou-se um aspecto fundamental da vida contemporânea, atendendo à crescente necessidade de atividade física e espaços de lazer para mitigar o estresse da vida urbana. Nesse contexto, a arquitetura, especialmente no âmbito das instalações esportivas, desempenha um papel crucial na configuração desses ambientes. A arquitetura esportiva, em particular, evoluiu para uma disciplina altamente especializada que não apenas atende aos aspectos funcionais e técnicos — como integridade estrutural, normas de segurança e os requisitos específicos de diferentes modalidades —, mas também enfatiza a importância de um projeto cuidadoso. Um complexo esportivo bem projetado não apenas aprimora a experiência de quem o utiliza, mas também se integra perfeitamente ao seu entorno urbano ou natural, contribuindo para o valor estético e social geral do espaço. Ao aliar funcionalidade com inovação e criatividade, a arquitetura esportiva tem o potencial de impactar positivamente tanto o bem-estar individual quanto a coesão comunitária.
O mundo pós-pandemia passou por transformações em diversos aspectos, entre os quais o turismo urbano e as novas modalidades de viagem. Com a ascensão do trabalho remoto e freelance, muitas pessoas agora têm a liberdade de se deslocar entre cidades sem a necessidade de estabelecer uma residência fixa. Isso transformou bares, restaurantes e cafés em mais do que simples espaços de consumo: agora eles funcionam como escritórios temporários e, em muitas ocasiões, cenários para as mais diversas atividades.
Por outro lado, as lojas e espaços de varejo evoluíram para oferecer mais do que a simples venda de produtos ou serviços. Eles se tornaram parte de uma experiência de consumo integrada, que se conecta emocionalmente com o público.
O IR Arquitectura não é apenas um escritório, mas se define como uma plataforma de exploração que integra a prática arquitetônica a temas tangenciais, como a cidade, a paisagem, a tecnologia e a sustentabilidade. Fundado por Luciano Intile e Enrico Cavaglià, com sede em Buenos Aires, Argentina, o IR Arquitectura é um coletivo interdisciplinar formado por profissionais de arquitetura, design e diversas outras áreas, que abordam projetos de diferentes escalas e naturezas, aproveitando cada oportunidade para explorar novas soluções e estratégias no que se refere ao habitar contemporâneo, urbano e em estreita relação com o entorno.
Em cidades densamente povoadas, a demanda por mais espaço habitável impulsionou uma tendência crescente de ampliações residenciais. Diante das oportunidades limitadas para novas construções e do desejo de preservar a malha urbana histórica, proprietários(as) buscam cada vez mais maneiras inovadoras de expandir suas casas. As ampliações oferecem uma solução prática para as necessidades modernas, permitindo que os(as) residentes permaneçam em bairros familiares e mantenham seus laços com a comunidade.
Existem diversas abordagens para essas reformas. As ampliações residenciais assumem várias formas, desde cômodos isolados com funções específicas próximos à casa principal até volumes diretamente conectados à estrutura original. Essas ampliações podem ser construídas no térreo ou aproveitar o espaço vertical por meio de acréscimos de pavimentos sobre a edificação existente.
Muitas das principais cidades dos Estados Unidos estão lidando com grandes edifícios industriais em desuso. Essas edificações possuem relevância histórica e arquitetônica e, frequentemente, são protegidas por leis de preservação. Diante disso, profissionais de arquitetura enfrentam o desafio e a responsabilidade de adaptar esses edifícios às funcionalidades contemporâneas. A opção por evitar a demolição reflete uma abordagem sustentável na construção civil e destaca a importância de valorizar o patrimônio edificado.
Há muito tempo, os pátios constituem um aspecto fundamental da arquitetura tradicional chinesa, atuando como espaços centrais em torno dos quais a vida doméstica se organiza. Esses locais desempenham um papel vital na criação de um ambiente residencial harmonioso, oferecendo benefícios que vão desde a regulação da temperatura interna até o estímulo às interações sociais e a promoção de uma estreita conexão com a natureza.
Narrar uma obra de arquitetura é sempre um desafio. As imagens de um projeto, por mais precisas ou espetaculares que sejam, muitas vezes deixam de fora todo o processo que as tornou possíveis. O registro desses processos — os bastidores da arquitetura — é, sem dúvida, parte fundamental de qualquer obra. E torna-se ainda mais essencial quando tanto o projeto quanto sua metodologia de execução se afastam dos caminhos convencionais. Este é o caso da obra realizada por Susana, responsável por uma propriedade rural sem nenhuma experiência prévia em construção, que assumiu o desafio e o executou por conta própria, guiada unicamente pelas instruções que o arquiteto do projeto, Manuel Ocaña, lhe enviava pelo WhatsApp.
Era necessária uma mudança na maneira de fazer arquitetura na Colômbia, e o Taller Síntesis surge para materializar essa transformação, combinando uma profunda compreensão do território e de seu contexto com soluções arquitetônicas que se traduzem em materialidade e espaços construídos. Suas obras se destacam por sua forte identidade cultural local, alcançando um equilíbrio preciso entre o preexistente, o novo e a harmonia com a paisagem.
Entre as 45 propostas concorrentes para o Pavilhão do Chile na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025, o projeto vencedor foi anunciado recentemente. Trata-se de 'Reflective Intelligences', proposta curatorial de Serena Dambrosio, arquiteto/a, pesquisador/a e docente na Universidad Diego Portales; Nicolás Díaz Bejarano, arquiteto/a, pesquisador/a, docente e doutorando/a em Arquitetura e Estudos Urbanos na Pontificia Universidad Católica de Chile; e Linda Schilling Cuellar, arquiteto/a, designer urbano/a, educador/a e doutorando/a no Centre for Research Architecture da Goldsmiths University.
Recentemente selecionado para participar da próxima edição da Bienal de Arquitetura Latino-Americana em Pamplona em 2025, o Práctica Arquitectura se consolida como um jovem e promissor escritório da região, especificamente no México. Sua produção arquitetônica centra-se na materialização de projetos que alcancem um alto nível de sensibilidade, tanto para quem os habita quanto para seu entorno imediato, seja ele qual for. Em estreita sintonia com as paisagens e terrenos, seus projetos ganham vida por meio de um desenho meticulosamente pensado em termos de materiais, estruturas e detalhes, garantindo, ao mesmo tempo, uma experiência sensorial e emocional nos espaços que criam.
Já consolidada internacionalmente, a Bienal Pan-Americana de Arquitetura de Quito (BAQ2024) realizou sua mais recente edição em novembro de 2024, no centro histórico da capital equatoriana. O evento reuniu especialistas do campo da arquitetura de todas as partes do mundo em um espaço de diálogo e reflexão sobre o futuro de nossas cidades, a arquitetura e a paisagem urbana contemporânea. Esta última edição, sob o tema CONVERGÊNCIAS: arquiteturas paisagem, propôs uma reflexão profunda sobre o papel da arquitetura na transformação da paisagem urbana — um debate especialmente relevante em tempos de desafios ambientais, urbanos e sociais.
A arquitetura do Studio Muoto abrange infinitas definições do que a arquitetura deve ser, mas, acima de tudo, do que ela pode vir a se tornar. O escopo de trabalho do escritório sediado em Paris, fundado em 2003 por Gilles Delalex e Yves Moreau, abrange projetos nas áreas de arquitetura, design de exposições, planejamento urbano, ensino e pesquisa. Tudo isso resulta em uma arquitetura de estruturas mínimas que envelhecem com elegância, que evolui e se adapta com o tempo, e que é econômica e ambientalmente sustentável.
Carl Pruscha é um arquiteto austríaco que dedicou a maior parte de sua carreira profissional a investigar e trabalhar de perto com a arquitetura regional no Oriente — um território negligenciado em uma época em que o movimento moderno na arquitetura e no resto do mundo estava em plena expansão. Através de uma retrospectiva de sua vida, destacamos algumas de suas obras mais relevantes no Nepal e no Sri Lanka, compreendendo como Pruscha conseguiu imprimir sua visão singular de arquitetura e de cidade em seus projetos construídos.
Exposición central en Faena Art Center . Image Cortesía de La Bienal
No último sábado, 12 de outubro, foi realizada a cerimônia de premiação da 19ª Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires. Nesta edição, foram concedidos prestigiados prêmios e reconhecimentos em diversas categorias, destacando os projetos e obras de arquitetura mais relevantes em nível internacional dos últimos anos. Com a participação de um júri internacional, o Comitê Diretivo da Bienal, integrado por Carlos Sallaberry, Roberto Converti, Miguel Jurado, Daniel Muñiz, Carlos Dibar, Matías Glusberg, Lorenzo Shakespear e Claudia Faena, avaliou tanto as propostas exibidas quanto os projetos previamente selecionados por meio de convocatória aberta.
Marie Combette e Daniel Moreno Flores fundaram em 2019 o La Cabina de la Curiosidad, um estúdio de arquitetura e território com sede em Quito, Equador. Sua abordagem arquitetônica baseia-se em um exaustivo trabalho de campo, com um olhar urbano e territorial que prioriza o uso de recursos disponíveis, a gestão da água e a reciclagem. Utilizam o desenho e as cartografias como ferramentas essenciais para plasmar suas ideias e transformá-las em espacialidades. O nome do estúdio evoca um "baú" convertido em uma cabine cheia de curiosidades que convidam a explorar diversas possibilidades. Esse baú se alimenta de experiências cotidianas, derivadas da simples interação com a cidade ou o entorno, o que desencadeia um processo criativo continuamente nutrido pela experimentação e pela descoberta diária, sem medo do desconhecido.