O território do Equador abrange uma notável diversidade de paisagens, que vão desde a Costa do Pacífico até os picos dos Andes, passando pela vasta extensão da floresta Amazônica e pelas vulcânicas Ilhas Galápagos. Cada região do país apresenta características singulares, refletidas em seus variados contextos ambientais, culturais e sociais. Embora a arquitetura latino-americana esteja enraizada em ricas tradições ancestrais, técnicas construtivas nativas e materiais locais, a arquitetura equatoriana contemporânea expressa uma identidade em evolução que combina esses elementos com as demandas atuais. Tradição e inovação, recursos locais e técnicas modernas, somados à responsabilidade social e à estética, interagem com o meio ambiente natural, as condições urbanas e os contextos sociais.
A inteligência artificial inseriu-se em praticamente todas as etapas dos fluxos de trabalho profissionais, levando o setor de arquitetura a repensar sua forma de atuar. Para se adaptarem a essa mudança, os escritórios agora enfrentam os limites de um modelo que pouco mudou nas últimas décadas.
O que mudou, e de forma notória, foi a pressão por produtividade. Espera-se que os escritórios atuais entreguem mais trabalho de forma mais rápida e com maior precisão, ao mesmo tempo em que gerenciam orçamentos mais enxutos, regulamentações complexas e expectativas crescentes por parte dos clientes. Na prática, isso se traduz em cronogramas reduzidos e em uma demanda constante por precisão que deixa pouco espaço para erros. Frequentemente, grande parte dessa pressão recai sobre um pequeno grupo de pessoas que detém o conhecimento crítico do projeto.
Cortesia de SolarLab, Foto por doublespacephoto.com. Imagem RRC Polytech Manitou a bi Bii daziigae / Diamond Schmitt Architects & Number TEN Architectural Group
À medida que a responsabilidade ambiental se incorpora à cultura do projeto, o envelope do edifício passa a ser reconsiderado não apenas como uma pele protetora, mas como uma superfície ativa de produção de energia. Tratar a tecnologia solar como um material, e não como um mero acessório, reformula a maneira como a arquitetura é concebida e detalhada. Cor, textura, ritmo e montagem tornam-se inseparáveis do desempenho. Os sistemas fotovoltaicos integrados a edifícios (BIPV, na sigla em inglês) operam dentro dessa definição ampliada de materialidade. Ao integrar a tecnologia solar em fachadas e fachadas ventiladas desde as etapas iniciais do projeto, profissionais de arquitetura podem reduzir redundâncias, alinhar metas energéticas com a intenção do design e repensar a composição dos envelopes. Contudo, traduzir essa ambição em sistemas construtivos viáveis exige precisão técnica e inteligência construtiva.
Os ambientes de trabalho contemporâneos prometem colaboração, mas enfrentam cada vez mais dificuldades para oferecer espaços de privacidade. Em uma era dominada por layouts em plano aberto, pequenos espaços acústicos, como cabines telefônicas e nichos de foco, tornaram-se essenciais para manter a produtividade e a privacidade. Contudo, o paradoxo dos "conflitos de reserva" somado a "espaços subutilizados" transformou essas áreas em desafios operacionais. Diante disso, a questão é como os ambientes de trabalho podem equilibrar eficiência, produtividade e experiências de uso individualizadas dentro de contextos cada vez mais complexos.
Em um momento no qual a arquitetura é impelida a responder de forma mais direta às pressões ambientais e sociais, o pavilhão da Espanha para a Capital Mundial do Design Frankfurt Rhein-Main 2026 posiciona-se como mais do que uma instalação temporária. Embora a materialidade esteja no centro de seu projeto, a proposta explora como uma infraestrutura cultural reversível pode ativar o espaço público sem a necessidade de construções permanentes. Discussões sobre o uso de materiais, circularidade e reutilização na arquitetura estão intimamente ligadas a contextos culturais, condições ambientais e influências históricas que revelam como o tempo molda o ambiente construído. Além de sua dimensão construtiva, o pavilhão espanhol expressa identidade ao reinterpretar o método arquitetônico de Antoni Gaudí, criador da Sagrada Família e do Parque Güell. O projeto também demonstra como os setores criativo e industrial da Espanha enfrentam os desafios atuais com soluções construtivas inovadoras.
Além de ser uma fonte de vida, o poder do sol na arquitetura está há muito tempo atrelado à necessidade humana de aproveitá-lo e controlá-lo como um recurso vital. Desde a Antiguidade, a energia solar tem sido utilizada para medir o tempo, apoiar o plantio e a colheita, e oferecer proteção contra o calor e o frio. Hoje, a radiação solar desempenha um papel significativo no consumo global de energia. Soluções arquitetônicas baseadas em materiais, tecnologias e análises ambientais são desenvolvidas a partir da compreensão da capacidade da energia solar de transformar o ambiente interno das edificações. Mas como os edifícios podem ser transformados em fontes de energia limpa?
Soporte oculto para vigas - CBH. Image Cortesía de Simpson Strong Tie
No campo da arquitetura, a madeira foi um dos primeiros materiais utilizados pelos seres humanos na construção, evoluindo e enfrentando vários desafios ao longo dos anos. Desde a incorporação de novas tecnologias nos processos de produção industrial até técnicas e materiais ancestrais reinterpretados de forma contemporânea, a construção em madeira continua despertando interesse entre profissionais da arquitetura e do design. Além de sua versatilidade, resistência, aparência e sustentabilidade, a madeira contralaminada, conhecida como CLT, apresenta um cenário promissor para o futuro da indústria.
O papel da reabilitação do patrimônio na paisagem arquitetônica contemporânea é moldado por uma ampla gama de pesquisas, crenças, memórias e esforços que buscam redefinir e fortalecer nosso ambiente construído. Ao assumir um projeto de transformação, renovação ou preservação, arquitetos/as podem empregar diversas estratégias e ferramentas para incentivar uma coexistência significativa entre o existente e o novo. Junto a três escritórios de arquitetura sediados em Madri — SOLAR, Pachón-Paredes e BA-RRO —, propusemo-nos a dialogar e explorar seus processos criativos e ideais, reconhecendo a complexidade e o valor dos edifícios históricos como repositórios de materiais, estruturas e técnicas construtivas de outras eras.
De sistemas de revestimento acústico e térmico a blocos de alvenaria e têxteis feitos de resíduos agrícolas, a experimentação com materiais de base biológica continua a impulsionar soluções sustentáveis para a indústria da construção civil. Diante da necessidade urgente de repensar como concebemos e interagimos com os materiais que moldam o ambiente construído, profissionais, pesquisadores/as e educadores/as estão abordando diferentes escalas de projeto e fases de desenvolvimento, reconhecendo a importância de reduzir as emissões de carbono e o impacto ambiental do setor. Em parceria com o Projeto Bagaceira, o protótipo de painel acústico e térmico Sugarcrete®, desenvolvido pela University of East London (UEL), demonstra como o design de baixo carbono pode transformar resíduos agrícolas em materiais de construção de alto desempenho.
O que acontece quando a materialidade se torna a força motriz do design? Como uma infraestrutura cultural pode expressar sua própria identidade? O Pavilhão de Design da Espanha para a Capital Mundial do Design Frankfurt Rhein-Main 2026 reúne a inovação criativa do país para enfrentar desafios contemporâneos por meio de uma releitura do legado arquitetônico de Gaudí. Concebido como uma infraestrutura cultural reversível, o projeto ativa o espaço público ao mesmo tempo que amplia o debate sobre o uso de materiais, a circularidade e o reúso. Em vez de reproduzir formas históricas, o pavilhão adota uma abordagem contemporânea e operacional, destacando a colaboração entre a indústria, o design e a cultura espanhola aoexplorar princípios estruturais e construtivos enraizados na geometria, na eficiência material e na relação entre forma e sistema.
As coberturas dos edifícios estão avançando por meio de um processo de otimização multidimensional que abrange inovações tecnológicas, novos materiais, eficiência energética e métodos construtivos mais rápidos. De coberturas verdes e sistemas de captação de água da chuva a painéis solares, profissionais da arquitetura contemporânea buscam equilibrar estética, desempenho, durabilidade e impacto ambiental em seus projetos. A reforma de coberturas não apenas prolonga a vida útil dos edifícios, mas também reflete um compromisso ecológico ao melhorar a eficiência e a sustentabilidade.
A cozinha evoluiu de um espaço puramente funcional para um ambiente compartilhado e o coração de muitos lares. Servindo de cenário para os rituais diários de inúmeras famílias — e até mesmo para práticas coletivas na vida urbana —, a comida aproxima as pessoas, tornando o projeto de espaços que atendam a essas necessidades essencial para a vida cotidiana. Para além dos diversos layouts, estéticas e configurações de cozinha, a integração de eletrodomésticos e equipamentos desempenha um papel fundamental no suporte ao armazenamento, à conservação e ao uso diário exigidos pelo ato de cozinhar. De tecnologias inovadoras a materiais avançados, esses elementos moldam os espaços de cozinhas contemporâneas, unindo costumes e culturas de diferentes origens.
Primer Premio. Image Cortesía de Difuso Arquitectura – Proa Montevideo
Organizado pela Intendência de Montevidéu em conjunto com o Município B, e com o apoio da Sociedade de Arquitetos do Uruguai e o apoio institucional da Faculdade de Arquitetura, Design e Urbanismo, foi realizado o Concurso de Anteprojetos de Arquitetura para o Centro Cultural Mariano Arana (CCMA), visando transformar uma área emblemática da Ciudad Vieja de Montevidéu, a Rambla Portuaria e a Diagonal Fabini.
Ao projetar espaços de dimensões reduzidas, a adoção de uma configuração e distribuição eficientes é determinante para a experiência de seus/suas usuários/as e para o desenvolvimento fluido das atividades e tarefas a serem realizadas. No caso de bares e restaurantes, profissionais de arquitetura e de design de interiores buscam, diariamente, atender às necessidades de clientes, funcionários/as e proprietários/as, levando em consideração desde as instalações e tecnologias necessárias até os serviços, ambientações e mobiliário adequados ao tipo de gastronomia oferecido.
Ao investigar a envoltória da edificação e como o interior se relaciona com o exterior, a figura das estufas surge como uma oportunidade de gerar vida em um espaço interno a partir de fatores externos (ou não). Conhecida como o espaço revestido por vidro ou qualquer outro material plástico transparente, a estufa permite cultivar hortaliças e plantas ornamentais em épocas cujas condições climáticas externas não permitiriam o cultivo ao ar livre. No entanto, o que envolve projetar para plantas? O clima, as espécies, o projeto estrutural e o tipo de cobertura são apenas algumas das considerações a serem levadas em conta.
O que é a simetria na arquitetura? Por que ela é utilizada para projetar espaços? Que vantagens e desvantagens ela apresenta em relação a outras ferramentas de projeto, como a rotação, translação e/ou repetição? A arquitetura contemporânea evolui dia após dia, implementando diferentes estratégias para criar espaços habitáveis onde as pessoas possam realizar suas atividades cotidianas, atender às suas necessidades, entre outras funções. Considerando a simetria como um possível meio de organização, distribuição e movimento no plano, a arquitetura se expressa e se comunica em grande parte por meio de recursos gráficos (planimetrias, volumetrias, fotografias, etc.) em uma relação que busca a convivência harmoniosa, na maioria dos casos, entre espaços, proporções e escalas.
De acordo com as condições climáticas de cada região e o seu entorno de implantação, os fechamentos externos desempenham um papel fundamental ao proporcionar aos espaços internos as condições de climatização e ventilação necessárias para torná-los habitáveis e confortáveis. Embora existam diversas estratégias e projetos bioclimáticos que podem ser aplicados para alcançar a eficiência energética, a definição da materialidade, a escolha das ferragens e a determinação das tecnologias de abertura e fechamento contribuem para o desempenho das fachadas, aportando funcionalidade e um alto grau de adaptabilidade aos usos contemporâneos, entre outros fatores.
Como parte da Bienal Design Doha 2024, Glenn Adamson e Péter Tamás Nagy apresentam a exposição “Colors of the City: A Century of Architecture in Doha” (Cores da Cidade: Um Século de Arquitetura em Doha), que investiga a evolução arquitetônica da capital do Catar com base nas diversas influências globais que a caracterizam. Em cartaz até 30 de março de 2024, a mostra propõe uma viagem pela história da arquitetura de Doha, apresentando estilos variados como o Classicismo, o Art Déco e o Modernismo, além de contemplar as adaptações cataris dessas linguagens desenvolvidas por arquitetos e arquitetas da Europa, das Américas, do Oriente Médio e do Sul da Ásia.