Laab Is More / Sifah Studio. Tailândia. Imagem cortesia de NS BlueScope
Embora a arquitetura frequentemente responda a um programa de necessidades específico, considerando áreas, contextos e diversas condicionantes econômicas e técnicas, os edifícios raramente permanecem os mesmos ao longo de sua vida útil. Programas, dinâmicas espaciais e as necessidades dos/as usuários/as se transformam, assim como as condições ambientais, econômicas e tecnológicas, exigindo intervenções que provavelmente não foram previstas no início do projeto. Estruturas de aço tornam possível conceber uma arquitetura capaz de crescer, se transformar, ser desmontada e remontada. Sua precisão dimensional, componentes industrializados e o potencial de conexões mecânicas viabilizam o projeto de sistemas abertos preparados para futuras intervenções.
Ondas de calor estão se tornando cada vez mais frequentes em todo o mundo, levando arquitetos e arquitetas a reconsiderarem como as envoltórias dos edifícios são concebidas e projetadas. O foco não está mais apenas em limitar a perda de calor durante os meses mais frios, mas também em controlar a quantidade de calor que entra nas edificações durante períodos de radiação solar intensa. Ao compreender o sombreamento solar como uma decisão de projeto — e não como um elemento meramente decorativo ou de condicionamento interno —, ele passa a integrar as estratégias passivas de eficiência energética, que podem contribuir para o conforto térmico e visual ao mesmo tempo em que reduzem a demanda por resfriamento.
Diante da crise climática e no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, o reuso de materiais ganhou destaque nos campos da construção e da arquitetura nos últimos anos. Da "mineração urbana" às avaliações de ciclo de vida (ACVs), profissionais, organizações e pesquisadores/as exploram diferentes soluções e estratégias para enfrentar esse mesmo desafio global. O Project (Un)Build é uma iniciativa de pesquisa que desenvolve métodos de construção reversível em madeira com o uso de cintas e placas de fricção para facilitar o reuso de materiais. A iniciativa contribui para o debate e a reflexão contínuos sobre o próprio ato de construir.
O projeto acústico é frequentemente associado a elementos construtivos permanentes, como paredes, coberturas, forros e sistemas de isolamento, que ajudam a controlar a propagação do som pelo espaço. No entanto, nem todas as fontes de ruído ou ambientes são permanentes. Um canteiro de obras muda à medida que o trabalho avança; o maquinário é substituído ou realocado de uma área para outra; um espaço industrial pode incorporar novos equipamentos; e uma área de trabalho temporária pode surgir em um espaço que nunca foi projetado para acomodá-la. As condições acústicas não são estáticas—elas mudam ao longo do tempo e exigem soluções capazes de responder a essas transformações. O que acontece, portanto, quando o controle acústico se torna uma estratégia flexível?
"Afinal, o tempo é um ingrediente fundamental da minha profissão", afirma Francis Kéré em seu livro Francis Kéré: Building Stories. A arquitetura está em constante evolução e se transforma ao longo do tempo. Tijolos, portas, janelas, paredes, escadas e outros elementos tornam-se protagonistas de um processo que começa com um esboço e, eventualmente, ganha forma como obra construída.
Considerando que a arquitetura começa quando seus habitantes passam a se apropriar de um espaço, Francis Kéré desenvolve seus projetos de forma progressiva, continuando a trabalhar no desenho mesmo durante a fase de construção. À medida que sua arquitetura cresce com o tempo, integra-se ao entorno, adapta-se às necessidades de seus usuários e usuárias e responde às mudanças de maneira flexível e experimental, ela busca se tornar parte da vida de quem a habita.
Superfícies contínuas e juntas mínimas tornaram-se uma assinatura marcante da arquitetura contemporânea, valorizadas pelas linhas limpas e pela uniformidade que conferem ao envelope do edifício. No entanto, na engenharia de fachadas, essa busca raramente se resume à aparência. Independentemente do material utilizado, o aumento das dimensões dos painéis pode influenciar a durabilidade, a reciclabilidade do material, o desempenho contra agentes externos e outros aspectos, como a resistência a impactos e a manutenção a longo prazo. Ao aliar a facilidade de instalação e a eficiência no transporte à flexibilidade projetual, os sistemas de fachada monomateriais utilizam painéis de grande formato enquanto solucionam desafios práticos relacionados à planeza, movimentação térmica e suporte estrutural. Contudo, que outros fatores relacionados aos materiais por trás dos painéis de grande formato podem fazer a diferença na construção de envelopes prediais hoje em dia?
Apesar de estarem entre as formas estruturais mais antigas da arquitetura, as cúpulas continuam a oferecer possibilidades para criar grandes espaços livres de pilares e trabalhar com geometrias circulares ou de formas livres, indo além das tipologias edilícias retangulares convencionais. Sua evolução esteve estreitamente ligada a mudanças nos materiais, nos métodos construtivos e nas ferramentas de projeto. Hoje, as plataformas digitais agregam uma nova camada a esse processo, permitindo que decisões tradicionalmente tomadas em etapas mais avançadas do projeto sejam exploradas muito antes.
A alvenaria é frequentemente percebida por seu peso, profundidade, textura e sensação de permanência. No entanto, essas qualidades físicas também trazem diversas implicações para o desempenho do envelope do edifício. Da espessura da junta de assentamento ao peso do material, cada decisão de alvenaria está associada a considerações de durabilidade, estabilidade e desempenho a longo prazo, ao mesmo tempo em que preserva o caráter material de solidez e permanência. No projeto Summer Street Apartments, o tijolo fino ofereceu uma maneira de manter essas qualidades, atendendo simultaneamente aos requisitos de isolamento e de envelope de um edifício totalmente elétrico e com consumo de energia líquido zero. De igual relevância, a solução ajudou a conferir ao projeto o caráter residencial que a equipe de arquitetura buscava.
Ao longo da história da arquitetura, o círculo esteve associado a múltiplos significados — desde a geometria cósmica dos templos antigos e o óculo dos edifícios clássicos até as rosáceas das catedrais góticas e as escotilhas dos navios. No entanto, no século XX, o círculo adquiriu um novo significado cultural. À medida que a aviação, a exploração espacial e a inovação tecnológica transformavam a maneira como a sociedade imaginava o futuro, as formas circulares passaram a evocar máquinas, naves espaciais, cápsulas e até mesmo novas formas de habitação.
Que narrativas os materiais carregam e como os "rastros" visíveis dos/as artesãos/ãs podem dialogar com os processos de fabricação e com a industrialização?Entre a concepção e a construção, o ato de pensar através do fazer pode se tornar o princípio norteador de uma filosofia de projeto. Combinando madeira, materiais industriais e objetos reaproveitados, a abordagem do Atelier CRAFT está enraizada na arquitetura reversível, guiada por seu manifesto: "Transformar o projeto através do fazer". Sediado em Saint-Ouen, Paris, o escritório explora as relações entre o ser humano e a matéria, o ato de fazer e os processos de fabricação.
O vasto território da Argentina revela múltiplas formas de construir moldadas por sua diversidade geográfica, climática e cultural. Ao projetar residências unifamiliares em Córdoba, Mendoza, Santa Fe e Buenos Aires, diversos escritórios jovens de arquitetura do país respondem a diferentes condições materiais, paisagísticas e culturais, trabalhando com os recursos, sistemas construtivos e ofícios artesanais disponíveis em cada região. A casa torna-se, assim, um meio de interpretar seu contexto, dialogar com as tradições locais e incorporar novas abordagens à produção arquitetônica.
Como cenário da vida cotidiana, a casa faz parte de uma experiência contínua, agindo como um organismo complexo e sutil que responde não apenas ao modo de vida das pessoas que a habitam, mas também às paisagens em que se insere. Após apresentar diferentes perspectivas e definições de figuras como Le Corbusier, Ernesto Rogers e Lewis Mumford, o arquiteto argentino Eduardo Sacriste enfatiza em seu livro Qué es la casa seu papel como reflexo do passado, que compartilha o presente e ilumina o futuro.
O trabalho artesanal carrega os vestígios de quem o moldou, revelando como os materiais reagem a diferentes técnicas e oferecendo pistas sobre as ferramentas utilizadas em sua criação. Na experiência arquitetônica, contudo, esse fazer pode se expressar não apenas por meio de materiais e estruturas, mas também pelo próprio espaço. Buscando aprofundar e extrair aprendizados das conexões entre projeto e execução, o amass studio tem explorado a tradução de métodos construtivos informais e cotidianos em sistemas espaciais em diversos de seus projetos. Ao integrar mecanismos, materiais, estruturas e mobiliário, o estúdio cria novas narrativas espaciais nas quais o diálogo entre o artesanal e o industrial se fortalece mutuamente. Para além do fazer artesanal em si, por que não tornar visíveis também os processos que o trazem à existência?
Como pilares da nossa paisagem cultural, muitas obras-primas do Movimento Moderno são frequentemente demolidas, abandonadas ou alteradas, independentemente do contexto em que estão inseridas. Preservar esse legado arquitetônico destaca o papel dos/as profissionais de arquitetura e design na configuração de ambientes construídos onde a continuidade entre o passado e o presente reforça o senso de lugar das comunidades. Em Long Island, uma coalizão de defensores uniu forças para salvar a Casa A. Conger Goodyear, projetada em 1938 por Edward Durell Stone. Considerada um dos exemplos mais notáveis do Estilo Internacional nos Estados Unidos, a residência atraiu grande atenção ao longo da década de 1940, figurando em periódicos especializados, livros e publicações de grande circulação.
Ao analisar a evolução do morar ao longo da história, percebe-se que os conceitos de espaço, tempo, identidade e lar vão muito além da arquitetura em si. Do início do século XX até os dias atuais, o desenvolvimento humano tem sido moldado por transformações econômicas, sociais, culturais e tecnológicas cada vez mais aceleradas. Os avanços nas tecnologias de informação e comunicação promoveram um mundo de conectividade constante — um fenômeno que, por vezes, acaba distanciando os indivíduos dos espaços físicos que habitam. Em meio a um fluxo crescente de estímulos, interações e plataformas digitais, a vida compartilhada em múltiplas escalas e programas arquitetônicos surge tanto como um desafio quanto como uma oportunidade para reconectar as pessoas com seu entorno, por meio de estratégias de projeto que favorecem a liberdade de movimento e a flexibilidade exigidas pela vida contemporânea.
Soporte oculto para vigas - CBH. Image Cortesía de Simpson Strong Tie
No campo da arquitetura, a madeira foi um dos primeiros materiais utilizados pelos seres humanos na construção, evoluindo e enfrentando diversos desafios ao longo dos anos. Desde a incorporação de novas tecnologias nos processos de produção industrial até técnicas e materiais ancestrais reinterpretados de forma contemporânea, a construção em madeira continua despertando interesse entre profissionais de arquitetura e design. Para além de sua versatilidade, resistência, aparência e sustentabilidade, a madeira laminada cruzada, conhecida como CLT, apresenta um cenário promissor para o futuro da indústria.
Como um direito humano fundamental, a inclusão exige que todas as pessoas — independentemente de sua origem, habilidades ou circunstâncias — sejam reconhecidas e respeitadas, com igual acesso aos mesmos recursos e oportunidades. Para muitas pessoas com deficiência e seus cuidadores e cuidadoras, os banheiros acessíveis ainda deixam de oferecer o que há de mais essencial: um local seguro, privado e digno para a troca assistida. Embora muitas instalações cumpram as normas de acessibilidade da ADA e do ICC, os layouts de banheiros convencionais frequentemente não acomodam usuários e usuárias que necessitam de mais espaço, tempo e apoio de assistência. Essa lacuna tem contribuído para a crescente adoção de trocadores para adultos, instalações que expandem a acessibilidade para além dos requisitos convencionais de banheiros e respondem a necessidades que os equipamentos padrão não conseguem atender.
Sob as superfícies, atrás das estruturas ou mesmo entre as instalações, inúmeros sistemas de fixação e elementos adesivos compõem as conexões necessárias em fachadas, acabamentos e fechamentos de nossos edifícios. À medida que o passar do tempo evidencia a idade das construções e as tendências se modificam em ritmo acelerado, a atualização dos edifícios exige atenção ao seu desgaste, manutenção e melhoria de desempenho. Independentemente de suas metodologias de instalação, tecnologias ou ferramentas, os sistemas de fachadas ventiladas continuam transformando, hoje, a maneira de abordar o projeto e a estética dos edifícios.
Jardim Botânico Guangzhou Yunxi / AECOM + Architectural Design & Research Institute of SCUT + Guangzhou Landscape Architectural Design & Research Institute. Imagem cortesia de Yunxi Botanical Garden
Embora a vida humana dependa fortemente das plantas para medicamentos, materiais de construção e combustíveis, elas também desempenham um papel vital em diversos processos ecológicos. Da regulação climática por meio da absorção de dióxido de carbono à fertilidade do solo e purificação do ar e da água, a diversidade vegetal oferece oportunidades para enfrentar alguns dos desafios mais urgentes deste século, incluindo a segurança alimentar, a disponibilidade de energia, as mudanças climáticas e a degradação de habitats. Nesse contexto, os jardins botânicos atuam como refúgios vivos que fomentam a inovação, a adaptação e a resiliência humana. Mas o que a prática arquitetônica pode aprender com a botânica e seus métodos?