Nos últimos anos, as Parcerias Público-Privadas (PPPs) tornaram-se um modelo significativo para a viabilização de projetos de infraestrutura em grande escala em todo o mundo. Essas parcerias reúnem os pontos fortes tanto do setor público, representado por governos ou municípios, quanto do setor privado, combinando seus recursos, especialização e poder de investimento. No contexto da arquitetura e do desenvolvimento urbano, as PPPs vêm sendo cada vez mais utilizadas para atender às complexas demandas de cidades em crescimento, ajudando a financiar, construir e manter projetos fundamentais que seriam difíceis de realizar de forma isolada por qualquer um dos setores. Mas o que são exatamente as PPPs e como elas funcionam no ambiente construído? Este artigo explora o conceito de PPPs, trazendo exemplos globais para ilustrar como essas parcerias estão moldando o futuro dos espaços urbanos, por vezes indo além dos ganhos comerciais. Além disso, ao analisar diferentes projetos, o artigo busca desenvolver uma estrutura de reflexão sobre os potenciais impactos positivos e negativos das PPPs.
No vale do rio tcheco Berounka, próximo a Praga, o escritório Stempel & Tesař Architekti projetou uma residência privada extraordinária. A estrutura alongada, construída principalmente de aço e vidro, apresenta janelas de correr monumentais da air-lux. Todo o volume se projeta na paisagem como um píer.
Villa Sidonius materializa a forma mais pura de contemplação e amplitude visual. E não é por acaso: a paisagem ao longo do rio Berounka é caracterizada pela flora e fauna de diversas reservas naturais. A cidade de Černošice, localizada na periferia sudoeste de Praga, também está imersa em meio ao verde. Esse entorno inspirou a equipe do escritório Stempel & Tesař a projetar esta residência unifamiliar, que se assemelha a um píer que se estende da encosta em direção à paisagem.
"A história da arquitetura está incompleta. Não errada, mas incompleta", disse Lesley Lokko ao anunciar o Laboratório do Futuro, tema da Bienal de Arquitetura de Veneza 2023. Ecoando o enunciado da curadora, um novo estudo publicado pelo Studio Autonoma, liderado por Paulo Tavares, revela disparidades profundas na representatividade do pavilhão do Brasil no maior evento de arquitetura do mundo.
Intitulada Censo Histórico do Pavilhão Brasileiro na Bienal de Arquitetura de Veneza (1980-2021), a pesquisa revela uma discrepância significativa no perfil dos curadores e participantes ao longo dessas três décadas, com um predomínio de homens brancos, oriundos da região sudeste do Brasil, particularmente de São Paulo.
Dos desenhos a nanquim em papel vegetal aos modelos digitais 3D altamente detalhados, o papel do/a arquiteto/a evoluiu, e os softwares de projeto de última geração estão capacitando os/as profissionais de hoje com dados valiosos e flexibilidade projetual. No passado, o trabalho era meticuloso e exigia um enorme esforço manual, com cada linha e detalhe desenhados à mão com o auxílio de réguas e outros instrumentos. Com o tempo, programas como o Revit revolucionaram o campo ao permitir a criação de desenhos precisos e organizados digitalmente, simplificando edições e a replicação de componentes.
Ao longo dos últimos vinte anos, o Holcim Foundation Awards destinou USD 20 milhões para dar visibilidade a projetos de profissionais de arquitetura, design e engenharia que vêm transformando o setor ao defenderem práticas inovadoras em design e construção sustentáveis.
Para melhor narrar essas trajetórias de sucesso, a Fundação lançou uma série de curtas-metragens intitulada 'Words with Winners'. A série inclui uma conversa com Loreta Castro Reguera, cofundadora do escritório Taller Capital na Cidade do México, sobre o projeto do altamente inovador Parque Hídrico La Quebradora, que recebeu o Holcim Foundation Award em 2018.
Todos os anos, mais de mil pessoas concluem a Trilha dos Apalaches, com seus 3.528 quilômetros (2.192 milhas) de extensão entre a Springer Mountain, na Geórgia, e o Mount Katahdin, no Maine. Outros milhões de pessoas percorrem trechos menores, aproveitando os inúmeros mirantes, caminhando por cumes arborizados ou passeando pelos centros de pequenas cidades, o que torna essa rede um dos corredores de trilhas mais visitados e reconhecidos do mundo. No entanto, a proposta para esse imenso corredor de trilhas, originalmente apresentada em um artigo de 1921 no Journal of the American Institute of Architects por Benton MacKaye, estava longe de ser um mero recurso de lazer ao ar livre. Esse "projeto de planejamento regional" consistia em uma crítica radical à modernidade industrializadora, que acentuava a divisão entre as metrópoles em expansão da Costa Leste e as cidades em declínio das montanhas dos Apalaches.
Com ênfase em potencializar a paisagem de maneira respeitosa e amigável ao meio ambiente, o processo criativo e arquitetônico do iHouse estudio, escritório de arquitetura com sede em Montevidéu, Uruguai, propõe uma forma de viver em contato com a natureza integrando um sistema construtivo industrializado. A partir do desenvolvimento de um design sustentável, seu objetivo central é contribuir para a preservação do meio ambiente. Além disso, ao reduzir o consumo de energia, aproveitar os recursos naturais de forma eficiente e realizar uma gestão adequada da água, buscam promover a saúde e o bem-estar dos habitantes, proporcionando amplos benefícios tangíveis no seu habitar diário.
Espaços expositivos transmitem conteúdos cuidadosamente selecionados com o objetivo de educar, inspirar e engajar as pessoas que os visitam, utilizando objetos e suportes para contar histórias. Além de promoverem a educação, a preservação cultural e a apreciação estética, esses ambientes estimulam a criatividade e a interação. Por meio de experiências imersivas e interativas, eles permitem que o público estabeleça conexões significativas com novos conhecimentos, diferentes perspectivas e importantes patrimônios culturais, gerando um engajamento tanto intelectual quanto emocional.
Nicolás Valencia conversa esta semana no podcast TERRAZA com a arquiteta chilena Sandra Iturriaga sobre o livro Mapocho Aguas Abajo (Ediciones ARQ), uma publicação desenvolvida pelo Mapocho 42K Lab da Pontifícia Universidade Católica do Chile que propõe a valorização do patrimônio e da paisagem do Rio Mapocho em seu trecho a jusante em Santiago, Chile.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140667/sandra-iturriaga-a-cidade-precisa-ser-pensada-como-um-ecossistemaArchDaily Team
Priorizar as pessoas e o planeta no âmbito da construção civil e do desenvolvimento imobiliário vem sendo visto como mais do que um mandato ético — trata-se de uma abordagem altamente lucrativa. Mudanças nas demandas do mercado, decretos municipais, regulamentações e a ênfase nos fatores ambientais, sociais e de governança (ESG) estão influenciando o que define o sucesso do desenvolvimento urbano no século XXI.
Em Toronto, no Canadá, o projeto de requalificação do Aeroporto de Downsview, atualmente em andamento, exemplifica essa mentalidade na prática. Enquanto o desenvolvimento tradicional geralmente foca na maximização dos retornos de curto prazo, o projeto de Downsview oferece uma alternativa holística capaz de gerar lucros significativos a longo prazo, ao mesmo tempo em que responde a preocupações socioambientais mais amplas.
Os revestimentos cerâmicos são uma forma decorativa quase tão antiga quanto o próprio tempo, com origem na antiga Mesopotâmia, onde foram utilizados pela primeira vez há cerca de 4.000 anos. Hoje, funcionam como um elemento estético global, ao mesmo tempo ascético e pictórico, disponíveis em uma ampla gama de cores e texturas. Produzidos a partir do processo elementar de queima de argila, minerais e água a altas temperaturas, tornam-se um material robusto e altamente resistente, com uma infinidade de aplicações.
Na região que hoje corresponde à Itália, o uso e a produção de revestimentos proliferaram na era romana — sobretudo sob a forma de mosaicos complexos e multicoloridos —, e as estéticas adotadas na antiguidade estabeleceram um precedente histórico para as soluções contemporâneas. Esse uso expandiu-se ainda mais no final do período renascentista, com artesãos e artesãs italianos aperfeiçoando a técnica como um meio de expressão artística. Como resultado, o país continua sendo, talvez, o produtor por excelência de revestimentos cerâmicos e porcelanatos.
A cultura do café continua a prosperar no mundo contemporâneo, com uma transição perceptível da dominância de redes e franquias para um mercado em crescimento para o café prosumer. À medida que cada vez mais consumidores/as de café se tornam prosumers — pessoas que tanto produzem quanto consomem —, o ato de fazer café se transforma em um hobby, ou até mesmo um ritual, gerando a expectativa de que as cafeterias acompanhem esse movimento. Esse público consumidor está cada vez mais instruído, prestando muita atenção à origem e ao tipo de grão, aos métodos de extração e aos equipamentos. Além disso, valoriza-se o design do maquinário de café, não apenas por sua funcionalidade, mas também por sua estética, eficiência e gestão do espaço. Esse aumento de interesse, especialmente na Ásia, tem provocado mudanças nas operações das cafeterias. Muitas cafeterias independentes, respondendo ao aumento do poder de compra e do interesse de seus clientes, sentem-se motivadas a focar na criação de experiências únicas e imersivas para um público-alvo em constante crescimento.
Cortesia do American Institute of Architects (AIA)
A seção do Oriente Médio do American Institute of Architects (AIA) está com inscrições abertas para a 11ª edição de sua Conferência de Fim de Ano e do Design Awards, que acontecerá na vibrante cidade de Doha, no Catar, entre os dias 22 e 23 de novembro de 2024. O prestigiado evento reunirá lideranças de pensamento, profissionais e entusiastas para explorar as últimas tendências, inovações e desafios no campo do design, com foco no notável desenvolvimento do Catar.
A silhueta urbana da Cidade do México não é apenas um testemunho de seu rico patrimônio arquitetônico, mas também um reflexo das histórias, mitos e peculiaridades intrínsecos às suas estruturas. De marcos monumentais a edifícios menos conhecidos, cada canto da cidade guarda uma história fascinante que vai muito além de suas fachadas. Neste artigo, mergulhamos em alguns dos relatos mais intrigantes que cercam as edificações mais icônicas da CDMX, oferecendo um vislumbre dos mistérios e da relevância cultural ocultos entre suas paredes.
One City Park em Bradford, Inglaterra. Imagem Cortesia de Rieder Facades / Ditz Fejer
A arquitetura contemporânea evolui em consonância com os materiais e as técnicas construtivas disponíveis em cada região. Para além das tendências arquitetônicas do momento ou de referências históricas que possam inspirar a criatividade, compreender como os materiais são utilizados, conservados e mantidos, bem como suas propriedades técnicas e estéticas, é fundamental para os conceitos idealizados por profissionais de arquitetura. Cada material carrega sua própria lógica inerente. De fato, o arquiteto Louis Kahn sugeriu que a maneira como os materiais interagem pode levar a combinações inevitáveis de estrutura, vedações e montagem nos edifícios. Os produtos da Rieder exemplificam isso ao oferecer soluções modulares e flexíveis que ajudam os edifícios a se adaptarem harmoniosamente ao ambiente urbano, valorizando tanto os espaços internos quanto os externos, sem abrir mão da viabilidade econômica.
Em meados do século XX, a maioria dos países do continente africano conquistou sua independência. Aquele período de euforia trouxe consigo um sentimento de otimismo em relação ao futuro e o desejo de romper com o passado. O modernismo, como movimento arquitetônico, mostrou-se ideal para a época, e as nações recém-independentes lançaram amplos programas de construção para se firmarem como estados plenamente soberanos.
Os hotéis são uma tipologia edilícia que ilustra a complexa história arquitetônica e política da época. Alguns foram construídos especificamente para acolher delegações internacionais, outros para impulsionar o turismo, e outros ainda surgiram do desejo de líderes fortes. Embora constituam uma tipologia marginal, diversos hotéis espalhados pela África funcionam como registros físicos de capítulos importantes na história de seus respectivos países.
A Cidade do México é reconhecida por sua abundância de museus, patrimônios históricos e riqueza cultural. De fato, a capital conta com mais de 173 museus, grandes e pequenos, espalhados por suas 16 alcaldías (distritos municipais). A presença desses espaços culturais intensifica o apelo artístico de uma metrópole vibrante. Como diversos arquitetos e arquitetas pioneiras do México souberam entrelaçar arte e arquitetura moderna, a cidade se tornou o berço de museus icônicos e clássicos da arquitetura modernista mexicana.
Nicolás Valencia conversa esta semana no podcast TERRAZA com a arquiteta estadunidense-venezuelana Elisa Silva sobre seu livro "Puro Espaço: Transformações do Espaço Público em Assentamentos Espontâneos da América Latina" (Actar Publishers), uma análise de uma série de intervenções no espaço público em comunidades do México, Colômbia, Venezuela, Brasil, Argentina, Peru e Chile.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140357/elisa-silva-o-assentamento-espontaneo-nao-precisa-ser-integrado-porque-ja-faz-parte-da-cidadeArchDaily Team
Em cidades densamente povoadas, a demanda por mais espaço habitável impulsionou uma tendência crescente de ampliações residenciais. Diante das oportunidades limitadas para novas construções e do desejo de preservar a malha urbana histórica, proprietários(as) buscam cada vez mais maneiras inovadoras de expandir suas casas. As ampliações oferecem uma solução prática para as necessidades modernas, permitindo que os(as) residentes permaneçam em bairros familiares e mantenham seus laços com a comunidade.
Existem diversas abordagens para essas reformas. As ampliações residenciais assumem várias formas, desde cômodos isolados com funções específicas próximos à casa principal até volumes diretamente conectados à estrutura original. Essas ampliações podem ser construídas no térreo ou aproveitar o espaço vertical por meio de acréscimos de pavimentos sobre a edificação existente.
Modelo para a reconfiguração de Richmond, Califórnia, do estúdio introdutório do primeiro semestre do MUD da UC Berkeley. Imagem: Cortesia do College of Environmental Design, UC Berkeley
Quinze estudantes do programa de Master of Urban Design da UC Berkeley observavam enquanto agricultores/as, proprietários/as de pequenas empresas, funcionários/as de órgãos governamentais, representantes de povos indígenas e cidadãos/ãs interessados/as entravam no salão de exposições do John Steinbeck Center. Durante meses, o grupo desenvolveu propostas para um agroturismo dinâmico no Vale de Salinas, na Califórnia. No entanto, não esperavam que tantas pessoas comparecessem para assistir às suas apresentações.
“Havia um grande entusiasmo para ver o nosso trabalho. Foi uma experiência ao mesmo tempo de humildade e de empoderamento perceber que podemos gerar um impacto real na vida das pessoas através do desenho urbano”, lembra uma das pessoas que participaram do projeto como estudante.
As pedras e os mármores continuam se consolidando como materiais fundamentais na arquitetura e no design, tanto em interiores quanto em exteriores em diferentes partes do mundo. A CHC oferece uma seleção que convida a criar espaços com um caráter atemporal e elegante. Descubra como incorporar mármore e pedra em seus projetos para trazer um toque de modernidade e estilo.
Há séculos as maquetes desempenham um papel central no projeto de arquitetura, proporcionando aos/às arquitetos/as uma maneira tangível de explorar ideias, testar conceitos e comunicar sua visão. Do Renascimento ao Modernismo, elas foram fundamentais nos processos de construção e reflexão, oferecendo insights sobre forma, proporção e relações espaciais. Contudo, na era digital de hoje, em que os modelos 3D e a Realidade Virtual (RV) se tornaram ferramentas potentes e eficientes, surge a questão: as maquetes físicas ainda são relevantes na arquitetura contemporânea?
Em comemoração ao Outubro Urbano, mês dedicado a reconhecer a importância de espaços urbanos inovadores, esta seleção apresenta 8 projetos conceituais que demonstram o potencial transformador dos espaços públicos. Esses projetos, enviados pela comunidade do ArchDaily, mostram as inúmeras maneiras pelas quais os espaços públicos podem potencializar a identidade cultural, a interação comunitária e a qualidade ambiental. Projetos conceituais e propostas de concurso servem como plataforma para a experimentação arquitetônica, desafiando normas e estimulando debates sobre o futuro das paisagens urbanas. De contextos rurais a praças históricas estratificadas ou intervenções urbanas de pequena escala, as propostas dialogam com seus contextos com o objetivo de melhorar a experiência de residentes e visitantes, destacar as memórias do espaço e garantir acessibilidade para todas as pessoas.
A cada mês, a equipe editorial do ArchDaily seleciona uma coleção de projetos conceituais centrados em um tema ou programa específico, enviados ao nosso site. Desenvolvidos por escritórios de arquitetura de diversas escalas em todo o mundo, os projetos são enviados abertamente à plataforma do ArchDaily, formando uma comunidade global de profissionais que compartilham seus trabalhos — sejam eles puramente conceituais, propostas de concursos ou fases iniciais de projeto. O envio de projetos está aberto a qualquer pessoa interessada. Se você deseja contribuir, envie seu trabalho seguindo as instruções aqui.