Como seres humanos, vivemos sob a reconfortante ilusão de que somos donos do nosso próprio destino, determinados e imunes a influências externas. No entanto, o papel crucial desempenhado pelo design de interiores no sucesso dos espaços comerciais prova que a realidade é outra. Cada aspecto desses ambientes é cuidadosamente planejado para incentivar os/as clientes a gastar — e a fazê-lo com satisfação —, desde a iluminação e a temperatura até a acústica e, talvez de forma mais marcante, a paisagem visual.
Seja atraindo o público consumidor com uma individualidade cativante, proporcionando relaxamento por meio do luxo e da hospitalidade, desenhando um universo elegante no qual consumidor/a e produto coexistem, ou oferecendo estímulos sutis para explorar o espaço mais a fundo, a influência que as superfícies de um ambiente comercial exercem sobre o seu sucesso é imensa.
Formalmente, a transparência costuma se materializar na forma de uma janela, uma porta, uma fachada-cortina ou uma claraboia. Geralmente, esses elementos se traduzem em aberturas retangulares pontuais ou em sistemas de fachadas-cortina de vidro e painéis translúcidos. Os projetos a seguir subvertem as noções tradicionais de transparência e esquadrias de maneiras lúdicas e inusitadas. O resultado são fachadas visualmente impactantes e relações dinâmicas entre o exterior e o interior. Através da articulação de suas esquadrias e superfícies envidraçadas, eles filtram a luz e emolduram vistas para proporcionar experiências arquitetônicas memoráveis.
Escritório do Slack em Toronto / Dubbeldam Architecture + Design. Imagem cortesia de Alcon Lighting
A iluminação evoluiu de forma notável ao longo da história da arquitetura, impulsionada por avanços tecnológicos significativos. Apesar dessas transformações, seu propósito central de valorizar a estética, a funcionalidade e a segurança permaneceu constante. Nesse processo evolutivo, a transição da iluminação fluorescente para a tecnologia LED representa um marco fundamental, reduzindo custos e consumo de energia. Além disso, a versatilidade da iluminação LED impulsionou a criatividade. Essas novas possibilidades de design tornam-se evidentes em layouts de iluminação orgânicos, que mimetizam padrões lineares de distribuição de luz em paredes e tetos, sejam eles suspensos ou embutidos.
Nesse contexto, à medida que profissionais de arquitetura e design se distanciam de padrões de espelhamento simétricos, rígidos e paralelos, a Alcon Lighting detectou uma tendência na qual a iluminação linear destaca linhas e características arquitetônicas assimétricas. Dessa forma, layouts que parecem não seguir um padrão rígido de projeto vêm sendo adotados.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140413/explorando-o-design-de-iluminacao-linear-para-criar-caminhos-luminososEnrique Tovar
Desde a Revolução Industrial e a introdução da produção em massa, a posse e o uso de produtos e serviços básicos, como vasos sanitários com descarga e água encanada, eletricidade, aquecimento e resfriamento, são vistos como direitos humanos em muitas regiões do mundo. No entanto, como a maioria das casas e projetos residenciais é projetada e construída sob medida de forma individual — portanto, sem as vantagens de velocidade e custo da produção em massa —, o baixo desempenho do setor da construção civil habitacional faz com que muitas pessoas — mesmo nos países mais ricos do mundo — tenham negado um dos direitos humanos mais fundamentais: um lugar para chamar de lar.
O ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) afirma que havia mais de 100 milhões de pessoas deslocadas à força em todo o mundo em 2023 — um número que triplicou nos últimos 10 anos. Para os países de acolhimento, encontrar soluções de moradia seguras e sustentáveis para quem precisa, tanto a curto quanto a longo prazo, é um desafio constante e que vem piorando dramaticamente.
Não mais relegada ao domínio das estruturas temporárias ou da vida meramente utilitária, a habitação modular vem ganhando cada vez mais espaço. As casas pré-fabricadas estão revolucionando o setor da arquitetura com sua construção eficiente, custos previsíveis e redução do impacto ambiental. A habitação modular está enraizada na ideia de rápida replicação e padronização. Em um mundo que prioriza a personalização, como a habitação modular pode atender às necessidades de indivíduos tão diversos?
Como a industrialização e a responsabilidade ambiental podem caminhar juntas? Que estratégias de implantação, tecnológicas ou construtivas podem ser desenvolvidas sem prejudicar a paisagem circundante? A aplicação do módulo na arquitetura vem sendo praticada há anos, com uma história que envolve a busca pela padronização e coordenação modular entre materiais, produtos e outros componentes. Com o passar do tempo, essa abordagem foi se complementando com diversos fatores ambientais, sustentáveis, ecológicos e econômicos, com o objetivo de alcançar a adaptabilidade e a funcionalidade desejadas por seus habitantes.
Casas modulares são habitações construídas parcial ou totalmente em fábrica. Esse processo envolve a criação de uma série de "módulos" tridimensionais que são transportados até o canteiro de obras em uma disposição espacial predeterminada e montados para formar o produto final. Essas residências tornaram-se soluções populares para crises habitacionais, pois podem ser produzidas até 50% mais rápido e emitem metade da poluição.
No entanto, a procedência local dos materiais utilizados é um fator determinante para conferir identidade às casas. Ela evoca um senso de lugar, cultura, história construtiva e técnicas artesanais locais. Isso levanta questionamentos sobre seu papel na habitação modular: materiais locais podem ser utilizados na produção industrial de casas? Eles podem ser combinados com estruturas modulares e conexões temporárias? Quais são as limitações da construção de casas modulares nos contextos locais do Sul Global?
O Second Studio (anteriormente The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa reúne diferentes profissionais das áreas criativas em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma grande variedade de temas é abordada com honestidade e bom humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou reflexões informais sobre o design e o dia a dia. O Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
No episódio desta semana, David e Marina, da FAME Architecture & Design, debatem o programa de necessidades na arquitetura. A dupla discute o que significa o programa na arquitetura, por que ele é importante, como é desenvolvido e implementado, além de apresentar exemplos de como potencializar o programa para alcançar um design criativo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140524/the-second-studio-podcast-o-programa-como-o-segredo-para-uma-grande-arquiteturaThe Second Studio Podcast
A Semana de Design de Milão consolida-se como um dos eventos mais importantes do calendário global de design, funcionando não apenas como uma vitrine de inovação, mas também como um catalisador para o discurso crítico e o intercâmbio criativo. Este ano, o evento se desdobra em uma infinidade de exposições, instalações e palestras que acontecem por toda a cidade entre os dias 15 e 21 de abril de 2024. Ao reunir diversas vozes, perspectivas e talentos, a Semana de Design de Milão ganha grande relevância para arquitetos/as e profissionais de design, servindo como um ponto de convergência para o diálogo interdisciplinar. Para ajudar você a navegar melhor pela infinidade de eventos, conferências e instalações, este artigo destaca as principais locações com atividades voltadas a arquitetos/as e designers — desde a grandiosa feira de negócios Salone del Mobile na Rho Fiera até os distritos de design espalhados pela cidade e locais inusitados escondidos nos pátios de palácios históricos ou em patrimônios industriais ressignificados.
Cortesia de Geometrium Studio | Olympus Villa Complex
Há muito celebrados como refúgios de relaxamento e luxo, os resorts oferecem aos hóspedes uma fuga da rotina do cotidiano. Esses santuários buscam oferecer acomodações suntuosas, localizações cênicas e experiências completas. De praias ensolaradas a refúgios nas montanhas ou locais isolados em meio à natureza selvagem, os resorts podem assumir diversas formas, cada um oferecendo uma experiência singular. A história do projeto de resorts na arquitetura está interligada ao desenvolvimento do setor de hospitalidade e ao conceito de viagens de lazer. No campo da arquitetura, os resorts permitem que profissionais de design unam funcionalidade e moradia de luxo, criando espaços que oferecem experiências que vão muito além de simples residências.
O complexo multifuncional "Next Collection" na Geórgia, desenvolvido pelo escritório SPECTRUM Architecture, ilustra isso ao adotar formas orgânicas que se fundem à beira-mar, ao passo que o "Ethereal Mountains", do Maden Group na Albânia, busca incentivar o engajamento de jovens em uma paisagem deslumbrante. Na Indonésia, o complexo de vilas "Olympus", do Geometrium Studio, apresenta um conceito estrutural único no qual a cobertura de cada vila funciona como terraço para a unidade superior, remetendo aos terraços de arroz de Bali. Na seleção com curadoria desta semana de resorts não construídos, enviados pela comunidade do ArchDaily, esses temas são explorados em diferentes cenários e condições projetuais.
Com mais de 30 mil visitantes, a instalação da GROHE SPAna Pinacoteca di Brera durante a Milan Design Week 2023 deixou uma marca duradoura, sendo posteriormente premiada com o selo ‘Best of the Best’ do Red Dot. Impulsionada por esse sucesso, a GROHE retorna para a Milan Design Week 2024 com uma experiência imersiva em uma das localizações mais prestigiadas de Milão: o Palazzo Reale. O antigo palácio real, situado próximo ao Duomo, funciona como um polo cultural e abriga exposições de arte internacionais, constituindo o cenário ideal para a sua submarca premium GROHE SPA e para a celebração do poder revigorante da água.
De 16 a 21 de abril, o pátio do histórico Palazzo Reale de Milão se transformará em um espaço expositivo. Concebida pela equipe interna de Design Global e Identidade de Marca da LIXIL, a instalação presta homenagem à história do edifício, evocando seu passado e entrelaçando-o ao conceito contemporâneo de “Salus per aquam” (latim para “Saúde através da Água”) da GROHE SPA.
“A Mindfulness City será uma cidade sustentável. Praticar a atenção plena (*mindfulness*) significa estar consciente — para alcançar o melhor desempenho possível”, afirmou Giulia Frittoli, sócia e diretora de paisagismo no BIG. O Reino do Butão é um país budista sem saída para o mar, localizado na região leste do Himalaia, entre a China e a Índia. Abrange uma área de aproximadamente 36 mil quilômetros quadrados e tem uma população de quase 800 mil habitantes.
O Gabinete Real do Butão solicitou ao BIG, à Arup e à Cistri o desenvolvimento de um plano diretor para a nova Mindfulness City em Gelephu, no sul do país, perto da fronteira com a Índia. A cidade abrangerá cerca de 1.000 quilômetros quadrados e incluirá um novo aeroporto internacional, conexões ferroviárias, uma barragem hidrelétrica, uma universidade, um centro espiritual e diversos espaços públicos.
A arquitetura tradicional é percebida como arquitetura histórica, tanto pelo público geral quanto por profissionais do design. Em outras palavras, “tradicional” equivale a “estilo”. Não há consciência sobre o processo de tradição que cria o que mais tarde é considerado um estilo. O modernismo leva essa percepção um passo adiante e enquadra a arquitetura tradicional como “não pertencente ao nosso tempo” e, portanto, obsoleta.
Apartamento 43 / cli·ma arquitectura. Image Cortesía de cli·ma arquitectura
Diante das diversas formas de morar que caracterizam as sociedades contemporâneas e de seu grau de adaptabilidade a futuros usos na arquitetura, a presença de mezaninos representa uma oportunidade para projetar desde espaços de armazenamento e depósito até conceber ambientes de estar, estudo, lazer ou mesmo de descanso, tanto para seus habitantes quanto para possíveis visitas. Dependendo de suas escalas, tamanhos e proporções, esses espaços em altura permitem tirar proveito dos ambientes internos de apartamentos que, por vezes, carecem de área suficiente para abrigar esse tipo de função no plano principal, mas dispõem de pé-direito adequado para viabilizá-las.
Proposta de casa modular. Imagem cortesia de Han Kuo
A habitação é uma tipologia arquitetônica diversa, cuja configuração é determinada não apenas por quem a projeta, mas também pelo uso de quem nela habita. Dessa forma, as moradias são estruturas fundamentalmente adaptáveis que evoluem em sintonia com seu tempo e com seus/as usuários/as, passando por constantes transformações que se manifestam nos modos de vida. A casa concebida hoje não será a mesma construída amanhã; portanto, torna-se necessário manter uma abordagem crítica e profunda sobre o papel que ela desempenha no ambiente construído.
Nesse sentido, a arquitetura modular tem se apresentado consistentemente como uma estratégia de projeto dinâmica que revolucionou a habitação, desenvolvendo soluções versáteis para espaços e práticas construtivas sustentáveis. Desse modo, a habitação modular tem sido um terreno fértil para explorar e aprofundar maneiras de habitar o espaço e atender às necessidades humanas. Das casas de catálogo pré-fabricadas do século XIX ao boom imobiliário pós-Segunda Guerra Mundial, sua evolução reflete tanto propostas passadas quanto a exploração de novos conceitos para o futuro.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140415/como-o-design-modular-pode-ser-usado-para-revolucionar-a-arquitetura-habitacionalEnrique Tovar
Movido por um espírito inovador, o AMDL CIRCLE, estúdio de Michele De Lucchi, fez uma parceria com a Mara para projetar uma nova cadeira, a TYPO. Imagem cortesia de Mara
Quem me conhece sabe que adoro fazer perguntas. Provavelmente até demais. No entanto, quando nos deparamos com um dos grandes nomes da arquitetura e do design italiano, como Michele De Lucchi, nossa atenção se volta inteiramente a ele, tamanho é o calibre de seu pensamento e a eloquência de sua expressão, construídos ao longo de mais de meio século de uma prática criativa experimental e, por vezes, iconoclasta. Desde sua participação em coletivos de design de vanguarda, como o Studio Alchimia e o Memphis, até a criação da luminária Tolomeo (vencedora do Compasso d’Oro) e da cafeteira Pulcina, ele já viu e realizou de tudo.
Com o aumento dos custos dos materiais de construção, construtores/as e incorporadoras buscam alternativas aos métodos tradicionais de construção residencial para enfrentar o déficit habitacional. Em resposta a esse cenário, o setor de impressão 3D surge como um campo da tecnologia de construção em franca expansão. Essa tecnologia promete uma construção mais rápida e barata, além do potencial de extrudar materiais locais e reciclados. No entanto, devido à resistência histórica do setor à mudança, uma transição radical que envolva máquinas de impressão 3D de grande porte nos canteiros de obras e uma reformulação completa dos processos construtivos parece improvável no curto prazo.
A habitação modular pré-fabricada impressa em 3D surge como uma solução atraente, pois oferece as vantagens dos avanços da impressão 3D ao mesmo tempo em que aproveita a mão de obra e os maquinários padrão da construção civil. Na construção impressa em 3D fora do canteiro (off-site), não há necessidade de transportar maquinários massivos de impressão 3D para o local da obra. Em vez disso, os componentes são impressos em um ambiente controlado e, posteriormente, montados no local. Esses tipos de kits residenciais modulares de peças impressas em 3D já estão sendo fabricados e atraem investimentos significativos.
A arte pode ser um catalisador para que arquitetos e arquitetas vejam o ambiente construído sob uma nova ótica. Ela oferece uma oportunidade única de mergulhar nas perspectivas de profissionais de arquitetura de formação que migraram para as artes visuais, bem como de artistas que exploram as cidades e suas dinâmicas internas por meio de suas trajetórias pessoais.
Sediada em Nova York, a Bienal do Whitney é considerada a mais importante e duradoura mostra de arte contemporânea dos Estados Unidos. Juntamente com a Bienal de Veneza, ela figura entre as exposições de arte periódicas mais relevantes do mundo. O tema deste ano, "Even Better Than the Real Thing", investiga conceitos de identidade e autonomia corporal, amplificando as vozes de populações historicamente marginalizadas. Isso inclui um olhar atento sobre narrativas que exploram a conexão entre trajetórias pessoais e o crescente sentimento de precariedade em relação ao mundo construído. A seguir, apresentamos artistas desta edição da Bienal do Whitney que abordam temas relacionados à arquitetura e às cidades.
O Airbnb, sem dúvida, transformou profundamente o setor hoteleiro, inspirando um ecossistema de empresas que impulsionam a economia compartilhada, como as startups de coliving. Embora essas companhias tenham alcançado um sucesso financeiro impressionante, aponta-se que elas geram efeitos problemáticos na escala urbana. O Airbnb, em particular, é acusado de inflacionar os preços dos aluguéis em cidades que já enfrentam crises de acessibilidade à moradia. De maneira análoga ao impacto do Uber na mobilidade urbana, a rápida expansão do Airbnb trouxe desafios significativos para as administrações locais, exigindo regulamentações abrangentes e uma reavaliação de sua atuação na dinâmica das cidades.
Em uma nova colaboração, a Trimo e a Pininfarina apresentam o Qbiss Notch Wall System, estabelecendo um novo padrão no design arquitetônico. A parceria une a expertise em engenharia da Trimo ao legado de inovação em design da Pininfarina, resultando em um sistema modular pré-fabricado de fachadas metálicas que promete redefinir a paisagem estética e funcional da arquitetura moderna.
Muitos edifícios religiosos do antigo Egito, da Grécia e do Islã compartilham uma característica comum conhecida como hipostilo. Definido como fileiras de colunas que sustentam uma cobertura, essa solução se desenvolveu em diferentes culturas e períodos históricos, o que explica a variedade de materiais, formas, tamanhos e distâncias entre as colunas encontrados pelo mundo. Exemplos célebres do uso desse conceito são a Grande Sala Hipóstila (c. 1290–1224 a.C.), parte do Complexo de Templos de Karnak e um dos monumentos mais visitados do Antigo Egito, e as Mesquitas Hipóstilas de Madeira da Anatólia Medieval (c. século XIII e meados do século XIV), Patrimônio Mundial localizado na atual Turquia.
Na arquitetura contemporânea, é possível encontrar diversos exemplos de como esse conceito vem sendo resgatado. Enquanto alguns projetos utilizam a ideia para fazer referência a arquiteturas vernáculas que correspondem ao mesmo programa e uso do edifício proposto — como é o caso de algumas mesquitas —, outros se apoiam na abstração do termo por meio de uma interpretação que destaca os pilares e sua organização na proposição do espaço. Em todos eles, contudo, fica claro que a relação entre a inspiração hipóstila e a arquitetura modular é estreita, praticamente intrínseca.
Seja subindo até o quarto mais alto da torre mais alta de um castelo digno da Disney, dando a alguém a chance de declarar seu amor na escada de incêndio de um edifício residencial, ou conectando um porão ou sótão por meio de um elemento decorativo de época, há algo inevitavelmente romântico nas escadas em caracol. No entanto, por trás dessas formas sinuosas há muito mais funcionalidade do que apenas sua beleza estética.
Uma teoria bastante difundida sustenta que as escadas em caracol foram instaladas originalmente em castelos históricos como barreiras verticais, exaurindo os invasores antes que conseguissem chegar ao topo. É por isso — segundo se conta — que muitas delas sobem no sentido horário, limitando o raio de movimento dos atacantes para golpear com suas armas (geralmente empunhadas com a mão direita) em comparação com os defensores que vinham descendo.
Não sou de forma alguma especialista em parcerias público-privadas. No entanto, por cerca de 10 anos, como planejador/a de campus da University of California Berkeley e, posteriormente, arquiteto/a do campus, acompanhei o desenrolar desses empreendimentos no ensino superior — às vezes da primeira fileira, às vezes como participante. Durante esse período, essa estratégia, promovida com grande entusiasmo e otimismo, era apontada como a resposta para qualquer problema que surgisse. Ainda assim, a definição de parceria público-privada era imprecisa. O próprio conceito parecia servir a múltiplos propósitos para as pessoas, dependendo do que era necessário, de quem o recomendava e de quais equivalentes (se houvesse) existiam fora da universidade. Essa tendência continua forte hoje, tornando ainda mais crucial mapear os prós e contras dessa estratégia de desenvolvimento, não apenas para faculdades e universidades, mas para todas as decisões públicas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140616/empreendimentos-com-fins-lucrativos-sao-coerentes-com-os-valores-de-uma-universidade-publicaEmily B. Marthinsen
Buildner anunciou os resultados do Museum of Emotions Competition, um concurso internacional anual de projeto que desafia os/as participantes a explorar até que ponto a arquitetura pode ser utilizada como ferramenta para evocar emoções.
O edital propõe o projeto de um museu conceitual com duas salas de exposição: uma projetada para induzir emoções negativas; a outra, para induzir emoções positivas. Os/As participantes são livres para escolher qualquer terreno de sua preferência, real ou imaginário, bem como a escala do projeto. O significado de "positivo" e "negativo" fica aberto a interpretações: quais seriam as duas emoções que um/a designer consideraria contrastantes? Como um/a arquiteto/a poderia conceber espaços que provoquem medo, raiva, ansiedade, amor ou felicidade?