Símbolos do desenvolvimento tecnológico e da densidade urbana, os edifícios em altura, tal qual conhecemos hoje, surgiram no final do século XIX, principalmente nos Estados Unidos, como resposta ao crescimento acelerado do comércio urbano e à necessidade de expandir as cidades sem ocupar mais território. O termo arranha-céu, por exemplo, foi cunhado na década de 1880 e originalmente se referia a edifícios com cerca de 10 a 20 pavimentos — uma altura impressionante para a época.
No entanto, a ideia de construir verticalmente é bem mais antiga do que os arranha-céus de aço e vidro sugerem. Muito antes da revolução industrial, algumas sociedades já experimentavam formas de urbanização vertical como solução para limitações de espaço, defesa territorial ou adaptação ambiental.
Sob o solo encontra-se um material que, silenciosamente, moldou a arquitetura do mundo moderno. O petróleo raramente é debatido no discurso arquitetônico; no entanto, a extração, a circulação e o consumo desse recurso reorganizaram profundamente a lógica espacial dos territórios. Oleodutos, refinarias, plataformas de perfuração, portos, rodovias e complexos petroquímicos formam uma vasta paisagem de infraestrutura que sustenta a vida contemporânea, compondo uma arquitetura de energia dispersa.
Ao longo dos séculos XX e XXI, o petróleo tornou-se a base material da sociedade industrial. Ele abasteceu os transportes, alimentou fábricas e sustentou o crescimento de cidades cuja organização espacial dependia de fluxos contínuos de energia. Contudo, as infraestruturas que viabilizam esses fluxos raramente se tornam objetos de investigação arquitetônica. A atenção permanece amplamente direcionada para a forma, a tipologia ou a densidade urbana, enquanto os sistemas materiais que sustentam esses ambientes tendem a ser deslocados no âmbito da disciplina.
Os mirantes são estruturas destinadas à observação da paisagem a partir de pontos elevados. Implantados em meio à natureza ou no cenário urbano, funcionam como dispositivos que organizam o olhar e estabelecem uma relação direta entre o corpo e o território. Nessa fronteira entre o observador e a paisagem, os mirantes podem assumir diferentes configurações, desde pequenos gestos até estruturas monumentais, sempre em resposta ao contexto em que se inserem. Independente da escala, são – em certa medida -, tentativas de domesticar a vastidão, recortes precisos que tornam legível aquilo que, sem mediação, poderia se apresentar como excesso.
Uma tela perfurada frequentemente é tratada como um elemento secundário, algo aplicado para suavizar a luz, decorar uma fachada ou adicionar textura onde, de outro modo, a parede pareceria plana. É fotografada como superfície, desenhada como padrão e discutida como trabalho artesanal. No entanto, em muitos edifícios pelo subcontinente indiano e pelo mundo islâmico, essa tela nunca foi um mero acréscimo. Era a própria parede. Ao removê-la, o edifício não muda apenas de aparência; ele perde a capacidade de regular o calor, circular o ar e mediar a relação entre o interior e o exterior.
Essa leitura equivocada revela mais sobre os hábitos contemporâneos do que sobre a tela em si. O pensamento arquitetônico há muito separa a estrutura da envoltória, o desempenho da expressão. Sob essa perspectiva, elementos como o jaali ou o muxarabi são facilmente categorizados como ornamentais, visualmente ricos, mas tecnicamente secundários. Contudo, essas telas foram concebidas como sistemas integrados, nos quais geometria, material e clima operam em conjunto. Sua inteligência reside naquilo que realizam.
Há um gesto ancestral em dar forma à terra. Muito antes da arquitetura se constituir como disciplina, o barro já era moldado pelas mãos e transformado pelo fogo, convertendo matéria bruta em utensílio doméstico e objeto cultural. Na história desse ofício, as fábricas de cerâmicamarcam a transição do saber manual para a produção em série, ampliando sua escala sem romper completamente com a origem material. Dispersas por diferentes territórios, essas estruturas registram a relação entre técnica, paisagem e tempo. Com o passar das décadas, no entanto, muitas delas acabaram perdendo sua função original, sendo substituídas por processos mais tecnológicos ou fagocitadas pelo desenvolvimento urbano ao seu redor, passando a ocupar um estado intermediário, entre permanência e obsolescência.
Mesmo o transeunte mais distraído é capturado pela presença monumental dessa estrutura situada no consolidado bairro valenciano de Benimaclet. Diante dela, qualquer tentativa de apreensão racional se desfaz. A lógica construtiva parece escapar enquanto o espaço se desdobra em tensões e desvios onde nada se oferece de imediato. Entre massas de concreto e a insurgência da vegetação, emerge um jogo quase coreográfico de planos, ângulos e rotações. Na vertigem desse encontro, percebe-se que o edifício não foi feito para ser compreendido, mas para ser experimentado.
A arquitetura é frequentemente compreendida como uma questão de fechamento. Paredes definem o espaço, separando o interior do exterior e estabelecendo limites claros. No entanto, em muitos projetos na América Latina, essa distinção se torna menos precisa. Em vez de operarem como objetos fechados, os edifícios muitas vezes permanecem abertos, permitindo a passagem do ar, da luz e do movimento.
Essa condição vai além da forma. Em toda a região, a arquitetura responde há muito tempo a climas caracterizados pelo calor, pela umidade, pela forte exposição solar e pelas chuvas sazonais, bem como a culturas construtivas moldadas pela adaptação, pelo trabalho coletivo e pelo engajamento direto com o meio ambiente. Nesses contextos, interiores totalmente vedados nem sempre são a resposta mais eficaz. O espaço é frequentemente organizado por meio da sombra, da ventilação e de zonas intermediárias que regulam, em vez de isolar.
Realidades Alternativas | AR 2022. Imagem cortesia de Charette _ Por Lau Yee Mu, Ang Hui Yi, Melissa Ho Er Shwen _ Chia Hui Yen - Primeiro Prêmio
Além de diversos outros fatores fundamentais, o sucesso de um projeto de arquitetura depende muito de como ele é comunicado a seus/suas usuários/as e construtores/as. A maioria dos/as arquitetos/as opta por renderizações realistas geradas por computador para apresentar seus projetos, enquanto outros/as preferem explorar diferentes técnicas, traduzindo suas narrativas arquitetônicas por meio de colagens de fotos, esboços, animações, modelos em miniatura hiper-realistas, passeios virtuais, diagramas e, ocasionalmente, roteiros.
A seleção com curadoria desta semana de Melhor Arquitetura Não Construída destaca projetos enviados pela comunidade do ArchDaily que são apresentados por meio de diferentes mídias. De um esboço feito à mão para uma requalificação costeira na Noruega a uma composição abstrata de fotografia e desenhos arquitetônicos na Polônia, esta seleção de projetos não construídos apresenta diversas tipologias arquitetônicas e suas visualizações singulares. O artigo também inclui projetos dos Países Baixos, Hungria, Polônia, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão.
Villa Domy por LUCY LAGO's studio. Imagem cortesia de LUCY LAGO's studio
A seleção com curadoria desta semana de Melhores Projetos Não Construídos destaca vilas privadas enviadas pela comunidade do ArchDaily. De um refúgio mediterrâneo na Grécia a uma residência individual no Irã, esta seleção de projetos não construídos demonstra como arquitetos e arquitetas projetam vilas privadas que unem contextualização e funcionalidade em estruturas que promovem conforto, privacidade e conexão com a natureza. O artigo inclui projetos da Indonésia, Grécia, Irã e Jordânia.
O piso é um elemento capaz de consagrar ou arruinar um espaço. Com o design adequado, ele valoriza o projeto do ambiente, causa uma excelente primeira impressão e impacta positivamente a experiência de uso. No entanto, como os pisos precisam resistir a condições adversas — como exposição à umidade e ao calor, tráfego constante de pessoas e movimentação de móveis pesados —, é natural que se desgastem com o tempo. Por isso, a renovação dos pisos é crucial para manter os interiores em bom estado, especialmente aqueles com alto fluxo de uso.
Ao selecionar um novo material para substituir a superfície antiga, proprietários/as, arquitetos/as e designers devem considerar diversos fatores-chave, como conforto, durabilidade e estética. Contudo, em edifícios de uso cotidiano contínuo que não podem fechar por longos períodos — como supermercados, escritórios e restaurantes —, a rapidez na instalação costuma se tornar a prioridade máxima. Afinal, como diz o ditado, "tempo é dinheiro".
A relação entre a arte e a humanidade remonta às origens da civilização. Os museus tornaram-se espaços onde vastas coleções de arte e artefatos narram a história do tempo, do ser humano, das cidades e de inúmeras narrativas sobre culturas e sociedades. Ao longo dos anos, o papel do museu evoluiu, assumindo diferentes formatos e escalas, incluindo a galeria de arte contemporânea. A importância da arte e da cultura nas cidades e bairros contemporâneos é inegável. No entanto, as galerias desempenham múltiplos papéis ao integrar a arte e a cultura na vida cotidiana. Por que esses espaços são valiosos para as comunidades? Como eles apoiam artistas emergentes? De que maneira as galerias podem revitalizar os bairros?
Cavatina Concert Hall por Cavatina. Imagem cortesia de Cavatina
A diversidade de espaços cívicos em áreas urbanas e rurais tem demonstrado continuamente o quanto essas estruturas valorizam as conexões humanas, independentemente de programa, técnica construtiva, escala ou localização geográfica. Abrangendo desde instalações educacionais e museus até centros de arte, bibliotecas, templos religiosos e memoriais, esses projetos enriquecem a malha urbana com programas culturais que oferecem aos membros da comunidade espaços para aprender, entreter-se, criar e relaxar.
A seleção de Melhores Projetos Não Construídos desta semana destaca propostas de caráter cultural enviadas pela comunidade do ArchDaily de diversas partes do mundo. De um sistema de gestão hídrica voltado para crises ambientais no Egito a um memorial estruturalmente interligado nos Estados Unidos, esta compilação de projetos não construídos mostra como os/as profissionais da arquitetura responderam às necessidades contextuais e espaciais de suas propostas por meio de soluções inovadoras e locais. O artigo também inclui projetos na Itália, China, Uruguai, Polônia, Irã, Hungria, Rússia e Reino Unido.
O apartamento de Josh e Matt personifica seu estilo de "maximalismo curado". Imagem cortesia de Josh and Matt Design
Os anos 2020 chegaram, e a Geração Z anuncia sua chegada ao mundo com perspectivas ousadas e uma estética ainda mais audaciosa. Experimentando constantemente suas próprias identidades, esses jovens cresceram em uma internet repleta de opiniões e atravessaram o período caótico dos lockdowns da pandemia, trazendo consigo uma mudança cultural na qual formas orgânicas, elementos coloridos e padrões contrastantes dominam a arte, a mídia, a moda e o design de interiores. Esta tendência afasta-se do minimalismo outrora dominante, transformando a famosa frase de Robert Venturi em seu próprio lema: “menos é tédio”.
Projetar um ambiente educacional é uma tarefa específica e delicada. Unir as demandas de segurança infantil e otimização do aprendizado a um apelo estético e a um conceito sólido pode dar origem a alguns dos projetos mais belos e singulares da arquitetura. Uma configuração comum é a escola elíptica ou circular. Um ambiente educacional circular, mais especificamente em forma de anel, pode sugerir uma sensação de proteção e segurança por meio de uma envoltória acolhedora. Trata-se também de uma configuração prática que envolve e conecta múltiplas funções, permitindo, assim, momentos de interação através do pátio central.
Milão, um centro global de moda e finanças, consolida-se cada vez mais como um polo de destaque na arquitetura e no design. Sua condição de segunda maior cidade da Itália sustenta uma cena cultural vibrante, que atrai tanto talentos criativos consagrados quanto emergentes. Além disso, a cidade abriga prestigiadas instituições de ensino, reconhecidas por sua ênfase na preservação e conservação do patrimônio. Sua importância cultural e no campo do design torna-se cada vez mais evidente, à medida que um número crescente de profissionais da criação se estabelece nesse dinâmico polo criativo.
Entre os marcos mais icônicos de Milão estão o exuberante gótico do Duomo di Milano, a historicamente e artisticamente relevante Santa Maria delle Gracie e a ornamentada Galleria Vittorio Emanuele II, além de inúmeros monumentos renascentistas e barrocos. A cidade também ostenta algumas das obras de arquitetura moderna e contemporânea mais inovadoras, revelando um diálogo singular entre tradição e modernidade. Essa sinergia é exemplificada pelas contribuições de profissionais da arquitetura como Aldo Rossi,Gio Ponti,Stefano Boeri, Mario Cucinella, Zaha Hadid, Grafton Architects, Herzog & de Meuron e Foster and Partners.
O guia a seguir destaca importantes marcos históricos ao lado de obras exemplares de arquitetura contemporânea selecionadas pelo ArchDaily. Este roteiro serve como um recurso indispensável para quem planeja explorar Milão durante a Semana de Design de 2026, apresentando uma seleção de locais essenciais projetados por renomados/as arquitetos/as locais e internacionais.
Diferente de muitos programas industriais tradicionalmente ocultos atrás de fachadas neutras e espaços herméticos, as destilarias contemporâneas frequentemente expõem seus processos produtivos como parte essencial da experiência arquitetônica. O calor dos alambiques, os vapores da destilação ou os percursos da matéria-prima deixam de ser apenas operações técnicas para assumir protagonismo espacial.
Embora produzam bebidas distintas, os projetos selecionados a seguir compartilham desafios arquitetônicos semelhantes. Todos precisam organizar fluxos industriais, controlar condições específicas de temperatura, ventilação e armazenamento, além de compatibilizar áreas técnicas com percursos de visitação pública. Ao mesmo tempo, cada destilaria estabelece respostas particulares ao território em que se insere, revelando diferentes maneiras de relacionar produção e paisagem.
As cidades modernas são movidas por indicadores de desempenho. Elas movem milhões de pessoas todos os dias, concentram capital, separam os usos do solo e sustentam sistemas complexos de logística e consumo. Nesse sentido, a cidade funciona como um sistema a ser continuamente ajustado e otimizado.
As métricas dominantes hoje são familiares e amplamente conhecidas: veículos por hora, tempos médios de deslocamento, coeficientes de aproveitamento, rotatividade de estacionamento, novos projetos habitacionais e receita tributária por lote. Esses números descrevem uma cidade legível por meio da eficiência. São herdados de uma lógica industrial, na qual o espaço urbano é tratado mais como um mecanismo de produção do que como um ambiente vivenciado. Sob essa perspectiva, as cidades começam a mimetizar as necessidades e métricas de uma máquina.
Ao investigar a envoltória da edificação e como o interior se relaciona com o exterior, a figura das estufas surge como uma oportunidade de gerar vida em um espaço interno a partir de fatores externos (ou não). Conhecida como o espaço revestido por vidro ou qualquer outro material plástico transparente, a estufa permite cultivar hortaliças e plantas ornamentais em épocas cujas condições climáticas externas não permitiriam o cultivo ao ar livre. No entanto, o que envolve projetar para plantas? O clima, as espécies, o projeto estrutural e o tipo de cobertura são apenas algumas das considerações a serem levadas em conta.
O papel principal da arquitetura é criar estruturas que nos protejam do ambiente e gerem espaços seguros e confortáveis para todos os tipos de necessidades e atividades. Ao fornecer abrigo, a arquitetura também molda a maneira como as pessoas interagem com seu entorno. As tecnologias construtivas do passado, contudo, raramente conseguiam criar uma separação completa entre nós e o mundo exterior.
Embora a impermeabilidade fosse um resultado desejado, os materiais de construção porosos então disponíveis sempre permitiam que água, vento ou partículas externas se infiltrassem nos espaços internos. Em contrapartida, as tecnologias modernas hoje possibilitam envoltórias quase completamente impermeáveis, permitindo uma separação total entre o interior e o exterior e passando a depender de sistemas de engenharia para regular a temperatura, o fluxo de ar ou a umidade. Este artigo explora as diferenças entre essas duas abordagens contrastantes, analisando como as fachadas dos edifícios são equipadas para regular o conforto interno e seu impacto ambiental.
Em uma busca constante por encontrar novas maneiras de reduzir os custos e prazos de construção, a arquitetura modular se apresenta como uma oportunidade para implementar diversos métodos, tecnologias e técnicas que permitam projetar espaços habitáveis a partir de elementos repetitivos independentes, como os módulos. Como afirma Tom Hardiman, diretor executivo do Modular Building Institute (MBI), "modular" não se trata de um produto de construção, mas sim de um processo construtivo.
Na busca por promover uma construção mais sustentável, na qual o uso de materiais naturais contribua para a transmissão de tradições e culturas locais, cada vez mais projetos de arquitetura exploram diferentes recursos e técnicas para enfrentar preocupações ambientais, econômicas ou sociais. Conhecer os benefícios e qualidades dos materiais, tais como sua cor ou textura, influencia a experiência final de quem habita, percorre ou visita os espaços. Portanto, compreender suas propriedades técnicas, construtivas, estéticas e funcionais deve fazer parte do processo de projeto desde o início de sua concepção.
O crescimento populacional e a alta vertiginosa nos preços dos imóveis impõem desafios significativos à habitação urbana. Em uma busca urgente por opções de moradia acessíveis, os espaços de co-living surgiram como uma solução criativa, oferecendo condições de vida de qualidade por meio de estratégias inteligentes de otimização do espaço. Ao implementar técnicas de design inovadoras, essas comunidades residenciais compartilhadas maximizam cada metro quadrado para criar espaços funcionais dentro de áreas compactas.
Longe de ser apenas um material pré-fabricado produzido atualmente em larga escala, a aplicação dos blocos de concreto na arquitetura continua evoluindo para atender às demandas e necessidades das sociedades contemporâneas, em constante transformação. Seja em espaços interiores ou exteriores, seu uso se alinha a conceitos de economia circular, eficiência de recursos, sustentabilidade, entre outros, com o objetivo de criar espaços habitáveis e, ao mesmo tempo, explorar suas vantagens e desvantagens construtivas, além de suas qualidades expressivas e estéticas.