Em Delirious New York, Rem Koolhaas discute de forma vívida o Downtown Athletic Club, um exemplo marcante de como o exterior despretensioso de um edifício pode ocultar uma vibrante mistura de programas distintos e independentes. Por trás da fachada uniforme desse arranha-céu, um clube atlético privado abriga uma gama eclética de instalações — academias de boxe ao lado de bares de ostras e campos de golfe internos sob piscinas —, todas segregadas, porém altamente acessíveis. O Downtown Athletic Club sintetizou o dinamismo dos arranha-céus de Nova York na época, exibindo o fascínio do capitalismo por meio de um mundo de lazer seletivo e voltado para si, repleto de privilégios para um grupo seleto. Essa "máquina de programas" operava de forma independente da cidade externa, como um ecossistema isolado dentro de suas paredes. No entanto, cabe perguntar: poderia um modelo semelhante, projetado para uso público, criar uma experiência de comunidade e vizinhança mais inclusiva e viva? Isso ativaria o edifício em seu interior, em vez de servir apenas a elites selecionadas, além de influenciar e transformar o tecido urbano e as formas ao seu redor. Em Hong Kong, um paralelo distante pode ser traçado com os Edifícios de Serviços Municipais (MSBs) — estruturas financiadas pelo setor público que atendem à comunidade ao integrar diversas funções em uma única e vasta massa edificada, de forma muito semelhante ao Downtown Athletic Club.
Todos os anos, mais de mil pessoas concluem a Trilha dos Apalaches, com seus 3.528 quilômetros (2.192 milhas) de extensão entre a Springer Mountain, na Geórgia, e o Mount Katahdin, no Maine. Outros milhões de pessoas percorrem trechos menores, aproveitando os inúmeros mirantes, caminhando por cumes arborizados ou passeando pelos centros de pequenas cidades, o que torna essa rede um dos corredores de trilhas mais visitados e reconhecidos do mundo. No entanto, a proposta para esse imenso corredor de trilhas, originalmente apresentada em um artigo de 1921 no Journal of the American Institute of Architects por Benton MacKaye, estava longe de ser um mero recurso de lazer ao ar livre. Esse "projeto de planejamento regional" consistia em uma crítica radical à modernidade industrializadora, que acentuava a divisão entre as metrópoles em expansão da Costa Leste e as cidades em declínio das montanhas dos Apalaches.
O meado do século XX marcou um período de transformação para a África, com a conquista da independência por 29 países entre 1956 e 1964, sinalizando o surgimento do Estado-nação em todo o continente. Essa era ecoou um espírito de libertação e progresso, em paralelo aos movimentos globais da época, como a criação de organizações internacionais como as Nações Unidas (1945) e a Organização da Unidade Africana (1963). Nesse contexto, a arquitetura modernista emergiu como um símbolo potente de identidade nacional, ambição e aspiração coletiva por um futuro melhor. À medida que as nações recém-independentes buscavam se definir além de seus passados coloniais, a adoção dos princípios do Movimento Moderno facilitou a construção de infraestruturas fundamentais — como centros de convenções, edifícios governamentais e hotéis —, além do desenvolvimento do ensino de arquitetura, em um momento em que arquitetos e arquitetas locais começavam a substituir profissionais estrangeiros ou a cooperar com eles.
Este artigo inaugura uma nova série intitulada Redescobrindo o modernismo na África, com o objetivo de explorar o legado arquitetônico do Movimento Moderno no continente, destacando seu papel na construção das nações e na evolução do ensino de arquitetura, ao mesmo tempo em que lança luz sobre os arquitetos, as arquitetas e os movimentos que moldaram essa era de transformações.
A Bienal de Arquitetura Beta 2024, em Timișoara, na Romênia, marca o décimo aniversário deste influente evento. Com curadoria de Oana Stănescu, a edição deste ano, intitulada "cover me softly", explora as nuances da relação entre originalidade e influência, desafiando noções convencionais de cópia, imitação e apropriação. Além do Beta Awards, que busca destacar contribuições significativas para a arquitetura na Romênia, Hungria e Sérvia, a exposição principal oferece uma interpretação singular de temas recorrentes no campo da arquitetura.
O uso de ferramentas, técnicas, materiais e tecnologias inovadoras para moldar o futuro da construção é um tema que cativa profissionais das áreas de arquitetura, engenharia, construção e planejamento, bem como investidores/as e lideranças do setor. Os avanços tecnológicos e as inovações na ciência dos materiais oferecem um cenário fértil para exploração e discussão, gerando debates dinâmicos sobre as transformações em curso nos ambientes urbanos e rurais. Entre os principais focos de atenção estão a gestão de recursos, os desafios impostos pela crise climática e as implicações mais amplas para o ambiente construído.
O Centro Cultural Europeu (ECC) revelou o próximo capítulo de sua aclamada exposição Time Space Existence. Em sua sétima edição, esta célebre bienal de arquitetura transformará mais uma vez Veneza em um polo global de inovação arquitetônica. De 10 de maio a 23 de novembro de 2025, os icônicos espaços do Palazzo Bembo, Palazzo Mora e dos Jardins da Marinaressa servirão como palcos vibrantes para um caleidoscópio de ideias e visões que redefinem a comunidade do ambiente construído.
Ao longo dos anos, por meio de projetos como a Green School e as residências do Green Village, o bambu tem se tornado um material cada vez mais popular em Bali, na Indonésia. Embora escritórios de design na região, como o IBUKU, tenham trabalhado majoritariamente com o bambu em sua forma roliça (colmo inteiro), avanços e testes realizados nos últimos anos buscam expandir o uso de vigas de bambu ripado no campo da construção.
"Provavelmente, em outras épocas, o conhecimento era um segredo, e isso fez com que não se avançasse muito. À medida que o conhecimento se torna público, o conhecimento avança." - Juan Baixas
Este microdocumentário da HOLDER é o resultado de uma iniciativa dedicada a dar visibilidade ao design contemporâneo latino-americano por meio de suas histórias e criações. Neste primeiro episódio, relata-se, em primeira pessoa, a criação e o desenvolvimento da cadeira Puzzle de Juan Baixas, peça que em 2015 foi incluída na coleção permanente do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, destacando sua importância no design moderno.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140648/holder-archive-number-01-juan-baixas-cadeira-puzzle-1975ArchDaily Team
À medida que o panorama arquitetônico continua a evoluir em resposta aos desafios globais urgentes, eventos como bienais, semanas de design e feiras desempenham um papel fundamental na definição do futuro da profissão. Esses encontros facilitam o intercâmbio de ideias inovadoras, a exploração de práticas sustentáveis e o fomento da colaboração entre arquitetos/as, designers e urbanistas. Funcionam não apenas como plataformas para a exibição de projetos de vanguarda, mas também como fóruns para um diálogo crítico sobre o impacto do ambiente construído na sociedade e no planeta.
Realizados em todo o mundo entre setembro e dezembro de 2024, diversos eventos de destaque buscam engajar a comunidade da arquitetura. O Fórum Urbano Mundial no Cairo foca em ações sustentáveis locais, ao passo que a Dubai Design Week apresenta o design inovador no Oriente Médio. O World Architecture Festival em Singapura traz apresentações de projetos ao vivo, e o Architecture & Design Film Festival em Nova York oferece narrativas instigantes e fundamentais para o discurso contemporâneo.
Como a arquitetura flutuante se relaciona com a natureza? De que maneira os espaços de bem-estar se vinculam aos ambientes naturais? Habitar espaços no entorno da água representa um dos grandes interesses e atrativos para a maior parte da população mundial até os dias de hoje. Embora projetar sobre a água implique levar em consideração uma série de variáveis estruturais, econômicas, construtivas, materiais e tecnológicas, conhecer os aspectos climáticos da região — relacionados a precipitações, correntes, ventos, temperaturas e afins — é fundamental para criar arquiteturas que convivam com o mundo natural e não causem danos graves aos ecossistemas.
Com a valorização crescente do solo nos centros urbanos, observa-se uma forte tendência de deslocar os espaços públicos do nível da rua para posições elevadas, como coberturas ou embasamentos entre edifícios. Do ponto de vista do desenvolvimento imobiliário, maximizar a área útil tornou-se crucial à medida que os ambientes urbanos se expandem. Os espaços no nível do térreo são altamente cobiçados pelo comércio devido à sua localização estratégica, que atrai fluxo de pedestres e potenciais clientes, impulsionando a economia e o desenvolvimento das cidades.
Essa lógica financeira, que frequentemente orienta as atividades construtivas e os rumos dos centros urbanos, contradiz os princípios projetuais defendidos durante a era modernista em prol de melhores espaços públicos ao ar livre, como o conceito de 'liberação do solo'. Arquitetos/as como Le Corbusier defenderam esse conceito em projetos como a Villa Savoye e a Unité d'Habitation. Esses projetos modernistas vislumbravam um futuro em que os edifícios seriam elevados para restituir espaços externos abertos e acessíveis no nível do solo para seus/suas usuários/as. No entanto, pelas razões expostas, muitos projetos contemporâneos buscam, em vez disso, replicar a função dos espaços públicos térreos dentro da própria estrutura do edifício.
A nova sede do Chicago Park District demonstra como uma arquitetura consciente pode aproximar comunidades, ao mesmo tempo em que prioriza a sustentabilidade. Apresentado no episódio mais recente da série Design Matters, produzida pelo Chicago Architecture Center, este projeto exemplifica como o design inovador pode moldar positivamente a vida cotidiana.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140639/por-dentro-da-nova-sede-do-chicago-park-districtArchDaily Team
Local Comunal San Martín de Orúe, en La Balanza, Comas. Image Cortesía de BIAU
Em meio ao dinamismo e à velocidade que caracterizam a nossa vida no mundo contemporâneo, especialmente em relação às nossas cidades e ambientes construídos, torna-se inevitável reconhecer a importância de preservar espaços de pausa e reflexão, essenciais para abordar e debater os temas fundamentais da arquitetura e do urbanismo de que a nossa sociedade necessita com urgência hoje. A última edição da XIII Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo, realizada de 2 a 6 de dezembro em Lima, no Peru, propiciou um encontro único para esse tipo de reflexão e diálogo. Sob o lema 'CLIMAS: Ações para o bem viver', o evento reuniu arquitetos/as e referências do setor, que durante uma semana participaram de mesas-redondas e palestras, nas quais a discussão se concentrou nos desafios do habitar contemporâneo global, especialmente naqueles compartilhados entre a Espanha e a América Latina, atuando, assim, como uma ponte de conhecimento entre ambos os contextos.
A acessibilidade na arquitetura é fundamental para a criação de ambientes construídos que acolham pessoas de todas as idades, desde crianças pequenas até idosos/as. Tanto em edifícios públicos quanto privados — sejam residências, infraestruturas ou instalações —, o projeto de fluxos internos, áreas de circulação e entradas e saídas deve priorizar a segurança, a clareza e a eficiência. Essa abordagem facilita as atividades cotidianas e, em última análise, melhora a qualidade de vida. A ASSA ABLOY Entrance Systems oferece uma ampla gama de produtos, incluindo portas automáticas, industriais e comerciais, além de soluções digitais, para atender às necessidades dos/as usuários/as.
Em áreas urbanas densas, a possibilidade de se conectar com o exterior para lazer e bem-estar torna-se crucial. Isso ficou particularmente evidente durante a pandemia da COVID-19, quando milhões de pessoas em todo o mundo tiveram que permanecer confinadas em suas casas por longos períodos. Independentemente disso, à medida que o mundo se urbaniza cada vez mais, o projeto habitacional de qualidade é vital, o que inclui o acesso ao ambiente externo. Em uma cidade como Londres, essa necessidade foi reconhecida, e garantir um espaço externo em cada habitação tornou-se obrigatório por volta do ano de 2010. Em edifícios multifamiliares de múltiplos pavimentos, a provisão desse espaço externo costuma assumir a forma de uma varanda. As possibilidades de projeto são infinitas; portanto, quais são as principais considerações ao incorporar varandas em um edifício residencial urbano?
As greenways (ou rotas verdes), como tipologia de desenho urbano, tornaram-se um elemento essencial no planejamento das cidades modernas. Elas surgem em resposta à crescente fragmentação das paisagens urbanas por elementos como rodovias. Geralmente, integram espaços naturais e construídos, proporcionando conexões necessárias entre várias partes da cidade. Ao mesmo tempo, promovem a acessibilidade de pedestres, a recreação e a interação social. A Rose Kennedy Greenway, no centro de Boston, nos Estados Unidos, exemplifica essa abordagem de projeto centrada nas pessoas. O projeto, cujas obras começaram em 1991, demonstra o potencial das greenways para reconectar ambientes urbanos e melhorar a vida comunitária. Sendo uma série de parques projetados por diversos escritórios de arquitetura, seu objetivo é criar vínculos físicos e espaços significativos que promovam o desenvolvimento social e o sentido de lugar.
A principal premiação de design sustentável do mundo, o Holcim Foundation Awards 2025, está com inscrições abertas. A Holcim Foundation, com sede na Suíça, convida projetos inovadores em qualquer escala, que contem com o apoio de clientes e estejam em fase avançada de projeto, a concorrerem ao reconhecimento global. A participação no concurso é gratuita, com um prêmio total de US$ 1 milhão, que será distribuído entre os 20 projetos vencedores.
Projetos já em construção são elegíveis, desde que as obras não sejam concluídas antes de 11 de fevereiro de 2025. O período de inscrição vai de 1º de outubro de 2024 a 11 de fevereiro de 2025, e a cerimônia de premiação ocorrerá durante o Venice Forum da Fundação, em 20 de novembro de 2025.
Salzburgo, na Áustria, situada às margens do rio Salzach, é uma cidade onde a história e a arquitetura se fundem de forma harmoniosa. Dominado pelo imponente Castelo M, seu centro histórico reflete um rico patrimônio barroco. Marcos urbanos como a Catedral de Salzburgo, projetada por Santino Solari, e o elegante Palácio Leopoldskron revelam um passado marcado pela imponência e influência cultural. Quem visita a cidade pode percorrer séculos de evolução arquitetônica por suas ruas, desde fortalezas medievais até o esplendor barroco, tudo isso em um sítio declarado Patrimônio Mundial da UNESCO. A cada inverno, esse cenário acolhe o Mercado de Natal de Salzburgo, reconhecido como um dos mercados de Advento mais antigos da Europa, com origens que remontam ao "Tandlmarkt" do século XV.
No entanto, Salzburgo também se revela uma cidade de contrastes. A arquitetura moderna deixou sua marca, integrando-se de forma equilibrada ao cenário histórico. Projetos modernos como o Stadt Park Lehen e o Paracelsus Bad & Kurhaus destacam o design contemporâneo, enquanto o Instituto de Farmácia e a Extensão Gusswerk trazem um novo frescor ao tecido urbano local. Esse equilíbrio entre o antigo e o novo define Salzburgo, onde cada camada arquitetônica contribui para a narrativa dinâmica e em constante evolução da cidade.
Em seu escritório com sede em Dhaka, em Bangladesh, Marina Tabassum busca criar uma linguagem arquitetônica que seja simultaneamente contemporânea e enraizada em seu lugar. Uma das primeiras obras que realizou após fundar seu próprio escritório em 2005 — a Mesquita Bait Ur Rouf, em sua cidade natal — recebeu o Prêmio Aga Khan de Arquitetura, que reconhece projetos que respondem às necessidades e aspirações de sociedades muçulmanas.
O Museu da Independência de Bangladesh, que ela projetou em parceria com seu ex-sócio, Kashef Mahboob Chowdhury, do escritório URBANA, tornou-se um marco nacional. No entanto, Tabassum também trabalha na escala íntima da habitação, desenvolvendo estruturas espaciais modulares inovadoras construídas com bambu. Ela já lecionou em escolas de arquitetura pelo mundo todo. Recentemente, foi agraciada com um prêmio do Architecture, Culture, and Spirituality Forum e apontada pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes de 2024 por seu trabalho em design sustentável e socialmente responsável.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140660/luz-empatia-e-silencio-a-arquitetura-de-marina-tabassumMichael J. Crosbie
Diante das diferentes topografias e condições naturais presentes ao longo do território argentino, as obras de Luciano Kruk propõem uma arquitetura que trabalha em unidade com o entorno, a paisagem e a natureza onde se inserem, seja imersas em um bosque, sobre um terreno em declive ou uma planície rural, entre outras geografias. Tendo o concreto como material principal na maioria de seus trabalhos, sua intenção centra-se em potencializar a relação do interior da arquitetura com o exterior.
O Advanced Management Development Program (AMDP) consolida-se como o principal programa de liderança de Harvard para profissionais e executivos/as seniores do mercado imobiliário, oferecendo uma oportunidade única de reformular perspectivas sobre a evolução do ambiente construído. Voltado para profissionais de alto nível e líderes de empresas, o programa tem duração de apenas um ano, sendo cinco semanas vivenciadas no campus de Harvard, culminando no cobiçado título de ex-aluno/a da instituição. Como bem definiu um/a recém-formado/a: "Eu descreveria o programa como um curso intensivo sobre como pensar de forma diferente e, acima de tudo, uma oportunidade de encontrar pessoas inspiradoras na turma que buscam o mesmo objetivo".
Por séculos, as práticas de sepultamento em várias culturas associaram a homenagem aos mortos à terra, com cemitérios firmemente enraizados no solo como um símbolo de paz eterna. No entanto, como discutido em um de nossos artigos, Sem espaço para os vivos ou para os mortos: Explorando o futuro dos sepultamentos na Ásia, a escassez de terras em áreas urbanas densamente desenvolvidas apresenta desafios significativos para as práticas tradicionais de sepultamento, especialmente em sociedades como o Japão, que enfrentam o envelhecimento de sua população. Diante dessas restrições espaciais, como projetar cemitérios acima do solo e columbários para oferecer um local de descanso digno e tranquilo, respeitando os valores culturais?
Nicolás Valencia conversa esta semana no podcast TERRAZA com a arquiteta argentino-espanhola Zaida Muxí, autora do livro “Mulheres, casas e cidades”, publicado pela dpr-Barcelona em 2018.
Em “Mulheres, casas e cidades”, Muxí propõe uma reescrita da história da arquitetura e do urbanismo ao incorporar as contribuições de tantas mulheres que foram silenciadas nas histórias gerais.
“Se quisermos entrar em jogos de mercado, a moradia nunca será um direito”, postula Muxí nesta entrevista.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140624/zaida-muxi-ninguem-resolve-uma-vida-familiar-em-35-metros-quadradosArchDaily Team