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Tornando a infraestrutura visível: quando os sistemas se tornam arquitetura

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Durante séculos, a infraestrutura de grande escala operou em segundo plano. Portos, usinas e instalações de energia localizavam-se nos limites das cidades, projetados primordialmente com foco na eficiência e raramente considerados parte da vida cívica. Embora sua função fosse indispensável, sua presença arquitetônica permanecia secundária. Essas estruturas sustentavam o crescimento urbano e o intercâmbio global ao mesmo tempo em que mantinham um distanciamento espacial da experiência urbana cotidiana.

Hoje, esse cenário está mudando gradualmente. À medida que o comércio global se intensifica e os sistemas de energia expandem sua complexidade, os edifícios que coordenam e abrigam essas redes ganham visibilidade na paisagem urbana. Em vez de permanecerem como receptáculos neutros para operações técnicas, eles passam a afirmar uma identidade espacial. A infraestrutura já não é apenas operacional; torna-se cada vez mais institucional, simbólica e urbana. A arquitetura que dá suporte a esses sistemas agora participa ativamente da projeção da imagem das próprias cidades.

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Projetar para a obsolescência em uma era de atualizações perpétuas

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No século XIX, redes ferroviárias inteiras tornaram-se obsoletas quase da noite para o dia, não por deterioração física, mas devido a mudanças nos padrões técnicos que as sustentavam. A expansão das ferrovias pela Europa e América do Norte adotou diferentes bitolas (a distância transversal entre os trilhos) e, à medida que um padrão dominante surgia gradualmente, essas infraestruturas tornaram-se incompatíveis entre si. Isso exigiu adaptações em larga escala, conversões ou mesmo reconstruções completas, no episódio que ficou conhecido como a "Guerra das Bitolas".

Com a adoção em massa das redes de telecomunicações no século XX, cidades do mundo todo construíram grandes edifícios de centrais telefônicas, repletos de equipamentos eletromecânicos responsáveis pelo roteamento de chamadas entre regiões. Essas estruturas eram elementos de infraestrutura altamente especializados, que frequentemente ocupavam quarteirões inteiros e se organizavam em torno de maquinários técnicos de grande escala. Com a transição para as tecnologias de comutação digital e, posteriormente, a ampla adoção da telefonia móvel, grande parte desse equipamento tornou-se obsoleta em poucas décadas. Os próprios edifícios muitas vezes permaneciam estruturalmente íntegros, mas os sistemas que haviam sido projetados para suportar já tinham evoluído além deles.

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Luz que vem de cima: medindo e projetando a iluminação natural sob coberturas inclinadas

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Se pedirmos a uma criança para desenhar uma casa, quase certamente surgirá uma silhueta triangular, com dois planos inclinados se encontrando em uma cumeeira. Poucas formas arquitetônicas são tão universalmente reconhecidas quanto a casa de telhado inclinado. Sob uma perspectiva semiótica, essa imagem elementar funciona como um signo condensado de abrigo que, em apenas alguns traços, sintetiza proteção, interioridade e pertencimento. O que hoje lemos como um símbolo universal, no entanto, surgiu de uma necessidade concreta. Dos chalés alpinos que escoam a neve às telhas mediterrâneas que atenuam o calor do verão, a inclinação respondeu a desafios climáticos e construtivos muito antes de se tornar um código estético.

Embora a arquitetura moderna tenha privilegiado planos horizontais e plantas ortogonais, o telhado inclinado exige que o projeto seja concebido em corte. Sua inclinação permite o aproveitamento eficiente do volume sob a cobertura e introduz variações de altura, compressão e expansão espacial. Quando aberturas são incorporadas a esse plano, essa condição se intensifica. Diferente das janelas verticais, que captam luz lateral, as aberturas na cobertura recebem uma porção maior do céu visível e uma luminância significativamente superior à do horizonte, oferecendo até três vezes mais luz do que o envidraçamento vertical em dias nublados.

Gateway na Órbita Lunar: Estendendo a Arquitetura para Além da Terra

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O conceito de tecnosfera fornece uma estrutura para compreender a escala do impacto humano na Terra. O termo foi cunhado por Peter K. Haff e é definido como a rede global de artefatos criados pelo ser humano: uma camada física de infraestrutura, edifícios, veículos e maquinários que funciona paralelamente à biosfera e à atmosfera. Atualmente estimada em 30 trilhões de toneladas, essa massa construída pela humanidade é dominada pelo ambiente construído. Nesse contexto, a arquitetura atua como a principal interface, moldando a forma como a tecnologia interage com as ecologias locais. Contudo, ao que tudo indica, em breve a tecnosfera não estará mais limitada à superfície terrestre. Por meio do programa Artemis da NASA, essa rede de massa artificial está se expandindo para além da atmosfera da Terra, buscando estabelecer uma nova infraestrutura orbital que representa a primeira extensão permanente desse sistema criado pela humanidade fora do nosso planeta.

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Última oportunidade para escolher os finalistas do Prêmio Obra do Ano 2026

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A apenas cinco dias do anúncio dos finalistas do Prêmio Obra do Ano 2026, ainda há tempo para escolher seus projetos favoritos do ano. O maior prêmio de arquitetura do mundo hispânico, decidido por sua comunidade, o Obra do Ano tem como objetivo reconhecer os projetos arquitetônicos mais influentes publicados a cada ano no ArchDaily em Espanhol.

No dia 8 de abril, serão revelados os 15 finalistas, escolhidos pela comunidade do ArchDaily ao longo destas duas semanas de indicações. Ao indicar projetos, cada leitor e leitora passa a integrar um júri global e imparcial, dando visibilidade ao melhor da arquitetura nos países de língua espanhola.

Residência Van Wassenhove: Vivendo a continuidade radical de Juliaan Lampens

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A história da arquitetura frequentemente avança por meio de gestos icônicos ou avanços tecnológicos; no entanto, certas obras permanecem influentes precisamente por resistirem ao espetáculo. Construída entre 1972 e 1974 em Sint-Martens-Latem, na Bélgica, a Residência Van Wassenhove destaca-se como um desses projetos silenciosos, mas decisivos. Concebida como um volume único e contínuo de concreto implantado em uma paisagem arborizada, a casa desafia as ideias convencionais de conforto doméstico, privacidade e hierarquia espacial. Sua presença é direta e intransigente, evitando, contudo, a monumentalidade, posicionando-se, em vez disso, como uma estrutura vivenciada, moldada por rituais cotidianos e pela habitação de longo prazo.

A casa foi projetada por Juliaan Lampens, uma figura que atuou em grande parte à margem das narrativas arquitetônicas dominantes de sua época. Trabalhando principalmente em Flanders e frequentemente em encomendas privadas, Lampens desenvolveu uma obra centrada na redução espacial radical, na honestidade material e em uma abordagem quase ética da construção. A Residência Van Wassenhove é frequentemente descrita como sua obra mais completa, não por introduzir novas ideias, mas por consolidar muitos dos princípios que perpassam consistentemente sua carreira.

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O concreto está arruinando a promessa da madeira engenheirada?

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A madeira engenheirada deixou de ser um nicho experimental para se tornar parte central do debate contemporâneo sobre construção sustentável. A combinação de menor carbono incorporado, sistemas pré-fabricados e cronogramas de obra mais rápidos ajudou a posicionar soluções como CLT (madeira laminada cruzada) e DLT (madeira cavilhada) como alternativas viáveis ao concreto e ao aço em edifícios residenciais, escritórios, escolas e equipamentos públicos em todo o mundo. A isso somam-se a previsibilidade dos processos construtivos e as qualidades ambientais associadas à madeira, frequentemente vinculadas ao conforto de quem utiliza o espaço e à experiência espacial.

Justiça na Mobilidade: Equidade Urbana em uma Era de Inovação

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Toda cidade abriga dois sistemas de transporte. Um deles é a rede visível de ruas, ferrovias, calçadas e rotas de ônibus mapeada nos documentos de planejamento urbano. O outro é a geografia invisível de privilégio e exclusão nela incorporada: os bairros que receberam rodovias em vez de parques, as comunidades cujas linhas de ônibus foram cortadas, as calçadas que terminam abruptamente no limite de um distrito. Durante muitos anos, profissionais do ambiente construído trataram a infraestrutura como um desafio técnico. A justiça de mobilidade insiste que se trata, fundamentalmente, de um desafio político.

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Por que a continuidade da informação importa na arquitetura contemporânea

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Ao contrário de muitas outras atividades que hoje ocorrem inteiramente em ambientes digitais, o resultado final do trabalho na indústria de arquitetura, engenharia e construção não permanece em uma tela. Arquivos se tornam edifícios, modelos se transformam em estruturas e as decisões tomadas durante o processo de projeto acabam moldando ruas, bairros e cidades inteiras. Um edifício costuma durar décadas, às vezes séculos, e os impactos das escolhas feitas durante seu desenvolvimento estendem-se muito além do momento da entrega, influenciando o cotidiano de milhares de pessoas.

Um coração que pulsa e sangra: corpos, ruas e as políticas de cuidado em Bogotá

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É época de chuvas, mas o temporal desta manhã pouco afeta o ritmo ao longo da La Carrera Séptima. Ciclistas e pedestres desviam de comerciantes ambulantes com seus carrinhos de abacates, doces de gengibre e capinhas de celular. Carrinhos de brinquedo, lâmpadas e joias de miçangas feitas à mão brilham com as gotas de chuva, organizados meticulosamente sobre lonas que demarcam os territórios dos/as vendedores/as. Policiais se aproximam de um/a catador/a que recolhe garrafas; um/a turista pechincha o preço de uma jaqueta; duas mulheres se encontram no meio da rua, abraçando-se enquanto seus casacos ficam pesados sob a chuva.

La Séptima, ou a Sétima Avenida de Bogotá, é a via mais emblemática de Bogotá, percorrida por mais de dois milhões de pessoas todos os dias. Ao longo desta única via — que é em parte mercado, rota de protesto e polo de transportes — a história de Bogotá se desenrola. Por quase um ano, acompanhei seus ritmos como pedestre, usuário/a do transporte, habitante e pesquisador/a. Em todos esses momentos e em suas encarnações históricas, uma imagem persistiu: a rua é um corpo vivo. Ela é imaginada como a espinha dorsal de Bogotá, sua artéria vital, seu coração. Sangra, carrega cicatrizes e exige cuidados.

Diagnosticando a Desordem

Sobrevidas Agrícolas: Quando os Resíduos se Tornam Arquitetura

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Um material de construção raramente começa sua trajetória no momento em que a arquitetura o encontra. Quando o concreto chega ao canteiro de obras, seu calcário já foi extraído, processado e transformado. A madeira chega muito depois da floresta. O vidro surge desconectado da areia da qual foi feito. No momento em que os materiais entram na construção, grande parte da paisagem e da indústria que os produziu já desapareceu de vista.

Por toda a Índia e na região SWANA (Sudoeste Asiático e Norte da África), outra cadeia de suprimentos de materiais começa a se tornar visível. Cascas de arroz, fibras de coco, bagaço de cana-de-açúcar e resíduos de tamareiras, outrora tratados como sobras agrícolas, entram cada vez mais na arquitetura como isolamento, painéis compostos, chapas de fibra e substitutos do cimento. Engenhos de arroz, plantações de coco, usinas de açúcar e fazendas de tâmaras tornam-se, progressivamente, parte da cadeia de suprimentos da arquitetura.

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O que acontece quando a energia solar é tratada como material de construção?

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À medida que a responsabilidade ambiental se consolida na cultura de projeto, o envelope do edifício passa a ser reconsiderado não apenas como uma pele protetora, mas como uma superfície ativa de produção de energia. Tratar a tecnologia solar como um material, e não como um mero acessório, reformula a maneira como a arquitetura é concebida e detalhada. Cor, textura, ritmo e montagem tornam-se indissociáveis do desempenho. A tecnologia fotovoltaica integrada a edifícios (BIPV) opera justamente nessa definição ampliada de materialidade. Ao integrar a tecnologia solar em fachadas e fachadas ventiladas desde as etapas iniciais de um projeto, arquitetos e arquitetas podem reduzir redundâncias, alinhar metas energéticas às intenções de projeto e repensar a composição dos envelopes. No entanto, traduzir essa ambição em sistemas construtivos viáveis exige precisão técnica e inteligência executiva.

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O trabalho curatorial como construção da cidade: Marisa Yiu, do Design Trust, reflete sobre exposições e agência espacial

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Em Hong Kong, onde a arquitetura é frequentemente impulsionada pela lógica imobiliária, pela infraestrutura e pelo desenvolvimento acelerado, o espaço para a experimentação cívica em escala humana pode ser surpreendentemente limitado. É aí que o Design Trust se destaca. Como uma plataforma de fomento e viabilização de projetos, a organização apoia intervenções espaciais que transitam entre arquitetura, pesquisa e programação pública — um trabalho que costuma ser modesto, coletivo ou incerto demais para se encaixar nos fluxos convencionais entre cliente e arquiteto/a.

No centro desse trabalho está Marisa Yiu, cuja liderança posiciona o Design Trust tanto como agente viabilizador quanto como ator cultural. Por meio de iniciativas como o Micro-Parks Hong Kong, além de exposições e programas públicos, a organização trata o discurso e a prototipagem como formas de agência espacial, conectando designers, comunidades, instituições e debates sobre políticas públicas, ao mesmo tempo em que coloca em primeiro plano questões de gestão, manutenção e a "sobrevida" do espaço público.

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Prêmio Europeu de Habitação Coletiva abre inscrições para sua segunda edição

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A habitação coletiva é uma marca registrada da Europa. Em sua segunda edição, a premiação busca projetos que evidenciem seu impacto social e os marcos regulatórios e de políticas públicas que os viabilizam. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 30 de abril.

A modernidade pós-industrial gerou uma ampla gama de modelos de habitação coletiva que deixaram uma marca duradoura nas cidades europeias e na história da arquitetura: desde os Hofs de Viena e a Weissenhofsiedlung até a Unité d'habitation de Le Corbusier e as obras apresentadas na Interbau de Berlim.

Os excessos do movimento moderno projetaram uma longa sombra sobre a habitação social — um estigma que a pós-modernidade não foi capaz de dissipar. Contudo, desde a virada do milênio, novas formas de habitação coletiva têm ressurgido, reconectando-se com os ideais do Estado de bem-estar social diante das pressões da urbanização, das tensões do mercado imobiliário e da urgência ecológica.

Obra do Ano 2026: Começa a premiação da melhor arquitetura do mundo hispânico

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A arquitetura da América Latina e da Espanha é testemunho da riqueza e diversidade de culturas, tradições, necessidades e soluções que definem esses territórios. Com mais de 700 projetos construídos em países de língua espanhola publicados no ArchDaily em Español, chegou o momento de explorar, debater e escolher os favoritos para o prêmio Obra do Ano 2026.

Em sua décima sétima edição, o Obra do Ano reafirma seu lugar como o maior prêmio de arquitetura do mundo hispânico, decidido por sua comunidade. A partir de hoje, 24 de março, as leitoras e os leitores assumem a responsabilidade de escolher as melhores obras arquitetônicas de 2025.

Durante as próximas três semanas, a inteligência coletiva de nossa comunidade percorrerá centenas de projetos construídos em países de língua espanhola: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

Semeando o futuro e redefinindo o impacto da arquitetura

 | Em colaboração
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O que importa mais: olhar para o passado ou para o futuro? Reconhecer trajetórias consolidadas ou fomentar caminhos ainda em construção? Talvez esta não seja uma pergunta com resposta única. Tradicionalmente, os prêmios de arquitetura funcionam como dispositivos de consagração, reconhecendo obras concluídas, carreiras consolidadas e soluções já testadas, na maioria das vezes sob uma perspectiva retrospectiva. Mas o que aconteceria se o reconhecimento deixasse de ser um fim em si mesmo e passasse a funcionar como um agente catalisador, investindo menos no que já foi feito e mais no que está por vir?

Como a arquitetura está aprendendo a gerar sua própria energia

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Além de ser uma fonte de vida, a força do sol na arquitetura está há muito tempo atrelada à necessidade da humanidade de aproveitá-la e controlá-la como um recurso vital. Desde a antiguidade, a energia solar tem sido utilizada para medir o tempo, apoiar o plantio e a colheita, e oferecer proteção contra o calor e o frio. Hoje, a radiação solar desempenha um papel significativo no consumo global de energia. Soluções arquitetônicas baseadas em materiais, tecnologias e análises ambientais são desenvolvidas a partir da compreensão da capacidade da energia solar de transformar o ambiente interno das edificações. Mas como as edificações podem ser transformadas em fontes de energia limpa?

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Como os projetos vencedores do concurso Concrete Pavilion da Buildner estão repensando o material mais comum da arquitetura

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Buildner anunciou os resultados do seu concurso, o Concrete Pavilion. Como parte da série Material Studies da Buildner, a competição convidou arquitetos/as e designers a explorarem o potencial arquitetônico do concreto por meio do projeto de um pavilhão experimental. O desafio era reconsiderar o material para além de seu uso convencional, investigando suas possibilidades espaciais, estruturais e sensoriais.

Portas em grande escala: destaques do Concurso de Melhor Porta Pivotante 2026

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Ao deslocar a rotação das dobradiças tradicionais e distribuir o peso verticalmente, as portas pivotantes foram desenvolvidas para responder a um desafio arquitetônico específico: como movimentar painéis de portas grandes e pesados com precisão, durabilidade e o mínimo de interferência visual. Esses sistemas permitem que as portas ganhem dimensões significativas em termos de escala, peso e ambição material, frequentemente diluindo a fronteira entre porta, parede e superfície arquitetônica. Com o tempo, essa inovação técnica expandiu o papel das portas na arquitetura, permitindo que funcionassem não apenas como pontos de acesso, mas também como limiares espaciais, dispositivos de composição e elementos expressivos na envoltória do edifício.

Para destacar essa evolução, a FritsJurgens criou o Best Pivot Door Contest, com o objetivo de apresentar projetos nos quais a precisão da engenharia e a intenção arquitetônica convergem. Fundada nos Países Baixos, a empresa é reconhecida internacionalmente por seus sistemas pivotantes embutidos, capazes de suportar portas excepcionalmente grandes e pesadas. Esses sistemas proporcionam a arquitetos/as maior liberdade em termos de escala e materialidade, mantendo a precisão, a confiabilidade e a clareza arquitetônica.

Fachadas ventiladas e desempenho ao fogo: uma abordagem global do sistema

À medida que as exigências técnicas das envoltórias dos edifícios evoluíram, o desempenho frente ao fogo tornou-se um critério fundamental no projeto de fachadas ventiladas. Diante desse cenário, as análises não se concentram mais apenas na reação individual dos materiais, mas também na resposta conjunta de toda a envoltória sob possíveis cenários de propagação externa do fogo.

Ecologias do Reparo: Reconciliando Nossa Relação com a Água

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Ola Hassanain é uma arquiteta e artista sudanesa atuante nos Países Baixos, que participará da Bienal de Arquitetura Pan-Africana em Nairóbi, Quênia, no final de 2026. Essas três localidades narram histórias sobre a relação do ambiente construído com a água. Elas ilustram os embates contínuos entre as forças amorfas da natureza — personificadas por rios e mares — e as tentativas humanas de moldá-las e controlá-las. Na maioria dos casos, trata-se de esforços de extração. As catástrofes ocorrem como resultado do excesso dessas tentativas, de sua má gestão, ou de ambos os fatores combinados.

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Do presídio espanhol à malha americana: as raízes hispânicas do núcleo urbano de San Diego

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Muito próxima à fronteira mexicana, no extremo sudoeste dos Estados Unidos, fica a cidade de San Diego. Sua história urbana teve início em 1769 com a chegada de uma expedição militar espanhola comandada por Gaspar de Portolá, marco do primeiro assentamento permanente no território então conhecido como Alta Califórnia. No entanto, diferentemente das capitais administrativas e vilas mais formalmente urbanizadas do México e da América Central, San Diego foi concebida como um posto avançado de fronteira. Hoje, tornou-se a segunda maior cidade da Califórnia, atrás apenas de Los Angeles, e sua malha urbana conta a história de uma herança hispânica que se entrelaça com o cenário cultural contemporâneo dos Estados Unidos.

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Café ou Chá: Terceiros Lugares, Quiosques e a Arquitetura de Varejo da Duração

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"Café ou chá?" é uma daquelas frases que nos acompanham em diversos contextos: ouvida em aviões, após as refeições, em lounges de hotéis e em salas de reunião. Soa como uma pergunta simples — mera preferência, uma rápida ramificação no roteiro de atendimento. No entanto, ela também carrega uma sutil herança cultural. O chá traz consigo a longa história do ritual e do ritmo doméstico, ligada a antigas geografias de comércio e à etiqueta cotidiana. Já o café surge de uma linhagem diferente de circulação, posteriormente industrializada no café moderno e em seus rituais públicos. Em ambos os casos, a bebida nunca é apenas uma bebida; trata-se de uma relação praticada com o tempo e o espaço.

No Leste Asiático contemporâneo, no entanto, "café ou chá" assume cada vez mais outro significado: imperceptível ou inconscientemente, a frase torna-se uma escolha sobre onde se deseja estar. Cada bebida agora carrega uma expectativa espacial. O café pressupõe um ambiente que se pode ocupar — frequentemente um lugar para pausar, trabalhar, encontrar pessoas ou refrescar-se. O chá, apesar de culturalmente onipresente, manifesta-se de forma mais difusa pela cidade — ora como um destino dedicado, ora como um quiosque de alta rotatividade e, muitas vezes, como uma opção padrão integrada a tipologias gastronômicas. O resultado é que uma pergunta formulada em termos de paladar passa a funcionar como um indicador sutil de preferência espacial: se o que se busca é permanência ou velocidade, confinamento ou fluxo, um terceiro lugar ou um nó rápido na rua.

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MASS: Um modelo de arquitetura sem fins lucrativos a serviço da sociedade

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Na época em que este texto foi escrito, um artigo de Martyn Evans perguntava "A arquitetura está em crise?". No mesmo ano, Reinier de Graaf publicou o livro "Architecture Against Architecture", no qual expôs quatorze problemas da profissão e da disciplina. A questão de uma crise na arquitetura é perene. No que se refere à arquitetura como profissão, esse debate costuma vir à tona especialmente quando crises econômicas são previstas ou já estão em pleno curso. Paralelamente, persistem questionamentos sobre a eficácia da arquitetura em lidar com os problemas mais urgentes do planeta e da sociedade — habitação, mudanças climáticas e desenvolvimento humano. Uma iniciativa que busca enfrentar essas questões é o MASS, fundado em Ruanda pouco tempo após a crise financeira de 2008. A pista está no próprio nome, uma sigla para Model of Architecture Serving Society (Modelo de Arquitetura a Serviço da Sociedade). O MASS foi criado como uma forma diferente de praticar a arquitetura.

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