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Interior da Assembleia Nacional de Burkina Faso. Imagem cortesia de Kéré Architecture.
"Tome seus supressores de sonhos." A frase de abertura em Pumzi, de Wanuri Kahiū, direcionada à protagonista Asha, impõe a ordem de romper laços com futuros esperançosos e memórias ancestrais em passados compartilhados para forçar seu foco no presente perpétuo da heterotopia de um enclave da Comunidade Maitu. A vista aérea de Maitu revela uma estrutura estéril, semelhante a um drone, com uma esfera panóptica no centro, onde o comportamento humano normal é medicalizado. O layout é construído em torno de sistemas de reciclagem de circuito fechado tão eficientes quanto um organismo autossustentável, projetados para escapar do ambiente tóxico de uma Terra doente, onde cada cano e corredor é planejado para coletar excreções humanas para a geração de água, absorvendo, assim, os papéis tanto da natureza quanto do Estado. A arquitetura da comunidade traduz perfeitamente a mensagem do filme por meio de sua fisicalidade.
No folclore, no cinema e na arte, o mesmo movimento se repete: a arquitetura traduz um "outro lugar" — seja ele ancestral, espiritual ou especulativo — em uma forma que pode ser vista ou adentrada. As seções a seguir acompanham essa tradução, dos Túmulos de Kasubi a Kizazi Moto, mostrando que esse "outro lugar" é uma forma de ler o presente.
Asmara, a capital da Eritreia, está situada a mais de 2.300 metros acima do nível do mar, em um planalto na borda da escarpa do Vale do Grande Rift. Embora localizada em um país pouco conhecido pelo turismo de massa, a cidade ganhou fama por sua arquitetura singular. Em julho de 2017, tornou-se Patrimônio Mundial da UNESCO, inscrita sob o título "Asmara: Uma Cidade Modernista Africana" — o primeiro sítio urbano modernista a ser tombado em sua totalidade no mundo, e o primeiro Patrimônio Mundial explicitamente modernista da África. Seu valor patrimonial resultou de uma complexa convergência de dois aspectos da história da Eritreia: um período de intensa construção colonial, impulsionado pelas ambições imperiais da Itália na África, e um longo período de relativo isolamento que preservou a cidade de remodelações urbanas.
Ao longo da história da arquitetura, o círculo esteve associado a múltiplos significados — desde a geometria cósmica dos templos antigos e o óculo dos edifícios clássicos até as rosáceas das catedrais góticas e as escotilhas dos navios. No entanto, no século XX, o círculo adquiriu um novo significado cultural. À medida que a aviação, a exploração espacial e a inovação tecnológica transformavam a maneira como a sociedade imaginava o futuro, as formas circulares passaram a evocar máquinas, naves espaciais, cápsulas e até mesmo novas formas de habitação.
O ambicioso mega projeto NEOM da Arábia Saudita divulgou seu mais recente empreendimento: Epicon, um sofisticado destino costeiro que redefine os padrões de hospitalidade e arquitetura na região do noroeste saudita. Estrategicamente situado ao longo do Golfo de Aqaba, Epicon surge com duas torres imponentes, moldando o skyline com um hotel e luxuosos apartamentos.
O arrojado projeto compreende duas torres, uma de 225 metros e outra de 275 metros de altura. Elas abrigam um hotel premium com suítes e apartamentos exclusivos. Epicon se vende como um refúgio para escapar da rotina, proporcionando experiências que variam de alta gastronomia a esportes aquáticos.
The Senate Building, Coruscant . Image via Star Wars, Revenge of the Sith / George Lucas
Descrever visualizações arquitetônicas do futuro não é uma tarefa fácil, por isso faz muito sentido que os designers usem aspectos de nossa arquitetura existente como base para estes mundos fictícios. Apesar dos avanços recentes em termos de tecnologias de animação e CGI, ainda há uso substancial da arquitetura existente para fornecer elementos estruturais palpáveis ao filme.
Em termos de reciclagem de estética arquitetônica, elementos do passado e do futuro são frequentemente integrados para criar um estilo hibridizado, uma amálgama de temas retrô, distópicos, modernistas e futuristas. Desde o ressurgimento de antigas pirâmides e templos, até panoramas que lembram a cidade de Nova York, o visual varia de acordo com as diferentes noções de como será nosso futuro.
O icônico desenho do Mausoléu para Newton, uma ilustração monocromática de Etienne-Louis Boullée; os desenhos experimentais de Lebbeus Woods, com cenas urbanas que evocam um futuro distante; ou os conhecidos desenhos da utópica Ville Radieuse de Le Corbusier. O desenho, assim como outras formas de representar arquitetura, sempre foram um meio útil para contemplar ideias arquitetônicas sobre o futuro. É fascinante olhar para esses desenhos futuristas feitos no passado.
Se alguma vez nos perguntarmos como será o futuro, tudo o que temos a fazer é olhar para o nosso passado e observar o quão longe avançamos desde milhares, centenas ou mesmo décadas atrás. A vida era radicalmente diferente naquela época e será tão diferente no futuro. E como sabemos que o futuro apenas se parece com o presente, temos a possibilidade de moldar o nosso futuro da maneira que quisermos. O mais recente livro publicado pela TASCHEN do BIG, Formgiving - Uma história do futuro arquitetônico explora o passado, o presente e o futuro, desenhando uma linha do tempo do ambiente, desde conceituar até construir a forma.
A dupla de cineastas Bêka & Lemoine acaba de lançar seu mais recente filme, OSLAVIA. The cave of the past future, realizado especialmente para a exposição Casa Balla - From the house to the universe and back, em cartaz no MAXXI Museu de Roma. O filme consiste em um passeio pelo interior da residência e ateliê onde viveu o pintor futurista Giacomo Balla. O apartamento onde o artista residiu e trabalhou de 1929 até o fim de sua vida será aberto ao público pela primeira vez durante o período da mostra.
O manifesto futurista, assinado em 1909 pelo poeta Filippo Tommaso Marinetti, seria o pontapé inicial para formalizar os ideais e assentar as bases de um movimento vanguardista que atrairia a escritores, músicos, artistas e arquitetos (dentre os quais se encontrava, por exemplo, Antonio Sant'Elia). Após a publicação do manifesto, o futurismo se consolida como uma corrente de ruptura e abre o caminho para que outras vanguardas artísticas entrem na cena no alvorecer do século XX.
Embora este movimento experimentasse um declínio considerável no período pós-guerra, ele seria notavelmente reinventado no contexto da Era Espacial, onde a expectativa da conquista do espaço, a fé na tecnologia, o esplendor industrial, a cultura incipiente do automóvel, o florescimento econômico e cultural e o fascínio por novos materiais, permitiriam um novo panorama onde diferentes gerações de arquitetos reinterpretariam a estética futurista durante várias décadas (principalmente as décadas de 60 e 70). A vanguarda, a engenharia e a arte se combinariam e, potencializadas pelos avanços tecnológicos, dariam origem a uma arquitetura com um ar de ficção científica.
Rampas que levam à cobertura. Foto: Jean-Pierre Dalbéra, via Flickr; Licença Creative Commons
O projeto para a fábrica da Fiat no bairro de Lingotto, em Turim (Itália), foi realizado pelo engenheiro Giacomo Mattè-Trucco em 1915. A construção começou no ano seguinte e foi feita em etapas, até a sua conclusão em 1923. Inspirada no fordismo, modelo de fabricação surgido nos Estados Unidos nos anos 1910, a fábrica foi projetada de forma que a linha de montagem dos automóveis fosse ascendente. Ao chegar à cobertura, os automóveis estavam prontos para serem testados numa pista com extensão de aproximadamente 1km.
Buenos Aires no futuro. Fonte: El Hogar, 1929. Nº 1021. Imagem via Ediciones Infinito e Dra. Arq. Margarita Gutman
Buenos Aires em 2018. Habitantes? Quase 3 milhões. Trens magnéticos de alta velocidade? Zero. Arranha-céus interconectados com vias férreas? Zero. DeLoreans voando pelos ares? Lamentavelmente, zero. Inovações no transporte? O metro-bus e a ciclovia. Em termos urbanísticos, a cidade parece não haver avançado no ritmo que se imaginava.
O que existia era uma fé cega no futuro. Um futuro onde tudo seria possível, onde o céu não era o limite e as pessoas poderiam circular livremente sobre as nuvens através de uma rede de caminhos que conectariam altas torres. O que ocorreu? Para isso, devemos viajar no tempo. Mais precisamente, ao passado.
Vincent Callebaut Architectures divulgou detalhes de seu projeto ganhador Metamorphosis of the Hotel Des Postes em Luxemburgo. A proposta do escritório francês está centrada em impulsionar o sítio histórico para uma era contemporânea e “revelar as qualidades patrimoniais intrínsecas ao edifício”.
A abordagem foi norteada pela materialidade do Hotel Des Postes projetado por State Architect Sosthène Weis, entre 1905 e 1910. As antigas pedras e o concreto serão transformados com a adição de um volume em cúpula no pátio do edifício.
O escritório Foster + Partners apresentará com detalhessua visão da vida em Marte e na Lua durante o Goodwood Festival of Speed 2018, que acontece no Reino Unido. Fazendo parte do evento Laboratório do Futuro, a proposta será apresentada através de uma série de modelos, dispositivos robóticos e desenhos futuristas que exploram a vida no espaço.
O escritório apresentará uma experiência de realidade virtual, permitindo que os visitantes explorem o interior de uma proposta de habitação de última geração.
https://www.archdaily.com.br/pt/897930/vida-em-marte-foster-plus-partners-apresenta-proposta-de-habitar-extraterrestreNiall Patrick Walsh
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Trabalho de João Loureiro no Supermercado Futurama na Vila Buarque, centro de São Paulo. Parte da exposição "Reprodução Assistida" do projeto 1:1, curadoria Bruno de Almeida. Foto: Filipe Berndt
A Galeria Jaqueline Martins apresenta a primeira edição do projeto 1:1, com um trabalho inédito de João Loureiro.
A abertura da Exposição Century 21 em 21 de abril de 1962 transformou a imagem de Seattle e do Noroeste americano aos olhos do mundo. A região, mais conhecida até então por seus recursos naturais do que como uma capital cultural, estabeleceu uma nova reputação como um centro de tecnologias emergentes e design aeroespacial. Esta nova identidade foi incorporada pela peça central da exposição: a Space Needle, uma construção delgada de aço e concreto armado que se tornou e permanece o marco mais icônico de Seattle. [1]