
-
Arquitetos: Atelier Zafari
- Área: 360 m²
- Ano: 2026


Filippo Brunelleschi e a cúpula de Santa Maria del Fiore, concluída em 1436 na cidade italiana de Florença, representam um capítulo importante na história da arquitetura, frequentemente associado ao crescente distanciamento entre o desenho e a construção. Essa separação, consolidada gradualmente ao longo do tempo, encontra um ponto de inflexão decisivo no Renascimento. O desenho torna-se um instrumento para antecipar e impor autoridade sobre a construção. O canteiro de obras, outrora um espaço de invenção e tomada de decisões, passa a ser compreendido primordialmente como um local de execução.
Nos séculos seguintes, esse distanciamento torna-se cada vez mais acentuado, sobretudo com a construção moderna. A industrialização, la especialização técnica e a organização corporativa fragmentam o processo construtivo em etapas progressivamente distintas. Quem projeta raramente constrói; quem constrói nem sempre participa das decisões; quem financia, gerencia e habita ocupa posições ainda mais distanciadas entre si. A eficiência desse modelo permitiu construir em escala, mas também concentrou o conhecimento e o poder de decisão nas mãos de determinados agentes.





Este artigo faz parte do "Thresholds", uma edição impressa especial do Cobe Notes x ArchDaily.
A arquitetura é, na maioria das vezes, representada como um objeto estável: um edifício capturado em um momento de clareza visual, isolado das contingências que o cercam. Plantas, cortes e fotografias prometem legibilidade ao suspender o tempo. No entanto, muitos dos espaços públicos mais duradouros do mundo resistem completamente a esse modo de representação. Eles não foram projetados para serem lidos de forma instantânea, tampouco revelam sua lógica apenas por meio da forma. Sua inteligência espacial emerge gradualmente, através da repetição, da ocupação e da duração.
O bazar pertence firmemente a essa categoria. Ele não pode ser compreendido por meio de um único desenho ou de uma elevação acabada. Sua organização não é fixa, mas ensaiada. O que o sustenta não é puramente a composição arquitetônica, mas a sincronia compartilhada, a memória coletiva e padrões de uso consolidados. A coletividade no bazar não surge de decisões formais de projeto; é produzida através de encontros repetidos, proximidades negociadas e uma familiaridade social acumulada ao longo do tempo.

Este artigo faz parte da nossa nova seção de Opinião, um formato para ensaios argumentativos sobre questões cruciais que moldam nossa área.
Durante séculos, a maior parte do mundo se enxergou por meio de um instrumento de representação espacial do século XVI. No dia 4 de setembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas votou para mudar esse cenário, adotando uma resolução que solicita a governos, escolas, veículos de imprensa e empresas de tecnologia que deixem de usar a projeção de Mercator onde o tamanho relativo dos países de fato importe, substituindo-a por alternativas de áreas equivalentes, como a projeção Equal Earth de 2018. A votação foi aprovada por 164 votos a 1, sendo os Estados Unidos o único voto contrário.


O MAD, escritório de arquitetura fundado por Ma Yansong, revelou o projeto para o Danshuis, um novo centro de dança planejado para Roterdã, nos Países Baixos. Situado em uma área emblemática da histórica região portuária da cidade, ao lado do Fenix Museum of Migration — também projetado pelo MAD —, o projeto tem previsão de inauguração para 2030. O centro de 9.500 metros quadrados transformará um antigo galpão Art Déco de 1923, localizado na margem sul do Rio Mosa. Concebido como um polo de produção, desenvolvimento e prática de dança em diversos estilos, o Danshuis busca reunir programações profissionais e amadoras voltadas a diferentes idades e níveis de experiência.


A Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires celebra 40 anos de história este ano, ao longo de 20 edições. Como um dos principais encontros de arquitetura da América Latina, o evento comemorará este aniversário com uma edição que reúne cerca de 100 escritórios de arquitetura, 15 exposições, 50 conferências, 40 convidados/as internacionais e representantes de mais de 55 cidades do mundo, em uma programação gratuita e aberta que se estenderá por cinco semanas. A partir de 22 de setembro e durante todo o mês de outubro, integrando o Mês do Design e da Arquitetura de Buenos Aires, serão realizadas conferências, abertas exposições, inauguradas instalações e promovidas atividades em pontos específicos da cidade. Sob o tema HABITAR, a Bienal também sediará um fórum de seis dias com o/a vencedor/a do Prêmio Pritzker 2026, Smiljan Radić, culminando na entrega dos prêmios desta edição.

De modo geral, uma estrutura é um testemunho de seu tempo. A proposta e a escala física de um projeto de arquitetura frequentemente superam o tempo de vida de um ser humano, integrando-se, assim, a uma narrativa histórica. Essa característica transversal se manifesta de forma especialmente clara em tipologias de projeto específicas: memoriais, cemitérios, museus e até mesmo centros educacionais e comunitários. Recentemente, esse valor expandiu-se para além dos edifícios, englobando também técnicas construtivas, formas e geometrias ancestrais, e a própria natureza. Esse valor histórico e sua conotação simbólica estão representados nesta seleção de cinco projetos desenvolvidos por leitores e leitoras do ArchDaily, ainda não construídos, localizados no Kosovo, no Canadá, na China, no Egito e em Bangladesh.
