O papel do/a arquiteto/a — e até mesmo da própria arquitetura — na sociedade atual está mudando. A falta de interesse em questões sociais críticas por parte de uma profissão que detém tamanha responsabilidade perante a comunidade é um problema que não deve mais ser evitado.
Em uma exposição atualmente em cartaz no Center for Architecture and Design em Seattle, intitulada "In the Public Interest", Garrett Nelli Assoc. AIA desafia a profissão a focar em um design mais engajado com a comunidade. Com o apoio da bolsa de viagem para profissionais emergentes 2017 do AIA Seattle, Nelli viajou para Los Angeles, para o interior do Alabama, para o Haiti, para a Itália e para Nova Orleans, ao mesmo tempo em que analisava como o ambiente construído tem a capacidade de influenciar a mudança social.
Leia a seguir uma entrevista editada com Nelli sobre sua pesquisa e descubra como você pode começar a implementar elementos em sua prática projetual para ajudar a promover a mudança social em suas próprias comunidades.
Ao percorrer as ruas de Bogotá, é inevitável sentir-se envolvido pela mistura de correntes artísticas em cada quadra. As diferentes construções que refletem a história, o passar do tempo e a sobrevivência de casas e edifícios diante das iminentes transformações espaciais da cidade constroem uma espécie de palimpsesto arquitetônico, no qual algumas estruturas são reutilizadas, ou os espaços são renovados, mas a marca de sua história prevalece.
Justamente o bairro Niza Antigua foi uma das áreas declaradas patrimônio cultural: projetado pelo arquiteto Willy Drews, nos anos 1960 sua localização — na época distante do setor financeiro e comercial de Bogotá — provocou uma série de mudanças no estilo de vida de seus moradores e moradoras, ao mesmo tempo em que a ausência de grades e a proximidade entre as casas incentivaram o senso de comunidade entre a vizinhança.
Às margens do Lago Titicaca, cerca de 250 estudantes de 15 países deram início, no Peru, ao TSL Puno 2018, a 15ª edição do Taller Social Latinoamericano, dirigido pela Coordinadora Latinoamericana de Estudiantes de Arquitectura (CLEA) e pela Organización Peruana de Estudiantes de Arquitectura (OPEA).
Como já é tradição desde 2002, estudantes de arquitetura de toda a América Latina unem forças com entidades públicas e privadas, coletivos de arquitetura, oficineiros/as, docentes e membros da sociedade civil para pensar, projetar e construir equipamentos públicos nos mais diversos pontos de nossa geografia de língua espanhola.
No contexto do Real Estate Show 2018, evento que reúne os principais líderes do setor nacional e internacional, além de ser a melhor vitrine para a exibição de projetos arquitetônicos icônicos e de vanguarda, o parque La Mexicana, em Santa Fe, Cidade do México, recebeu o prêmio de primeiro lugar da Associação de Desenvolvedores Imobiliários (ADI) durante a sexta edição do Real Estate Show 2018.
O Coal Drops Yard do Heatherwick Studio, localizado em King's Cross, Londres, tem inauguração prevista para 26 de outubro de 2018. Como um novo e importante centro comercial em King's Cross, o projeto dá nova vida a dois edifícios ferroviários históricos da década de 1850. Hoje abrigando lojas, restaurantes e cafés, o Coal Drops Yard fica ao lado da Granary Square, próximo ao Regent's Canal e à renovada escola Central St. Martins. O par de galpões vitorianos de carvão foi reimaginado como um espaço para o público se apropriar.
A arquitetura é conhecida por ser um dos cursos universitários mais caros em relação aos gastos cotidianos, no mesmo nível de outras disciplinas como o design, as artes plásticas, a odontologia e a medicina. O ritmo frenético das disciplinas de projeto obriga os/as estudantes a apresentarem suas propostas por meio de peças gráficas, renders e/ou fotomontagens impressas, somando-se, na maioria dos casos, maquetes de estudo ou modelos em escala bem executados, dependendo da importância da entrega. Tudo isso gera um custo extra que parece já ser aceito como natural pelo corpo docente, estudantes e pela comunidade em geral.
Para quem não tem a sorte de ter nascido em um país onde o ensino superior é gratuito, ou pelo menos onde existem bons sistemas e bolsas de apoio, o financiamento de este gasto extraordinário (mas constante) torna-se exaustivo e precisa sair do bolso dos/as próprios/as estudantes. Com o apoio dos pais – no melhor dos casos – ou com a necessidade de trabalhar paralelamente para gerar renda, muitos/as estudantes se veem forçados/as a cumprir uma exigência normalizada que poderia ser abordada de outras maneiras.
Após o incêndio na Grenfell Tower em junho de 2017, que vitimou 72 pessoas, o RIBA lançou uma consulta pública para um novo “Plano de Trabalho para Segurança contra Incêndio”.
Após cobrar de forma consistente mudanças nos regulamentos de construção na esteira da tragédia, a organização elaborou o documento em resposta à Revisão Independente de Regulamentos de Construção e Segurança contra Incêndio de Dame Judith Hackitt, bem como ao seu apelo por “maior transparência, responsabilidade e colaboração” por parte do setor.
https://www.archdaily.com.br/pt/1117972/plano-de-trabalho-do-riba-para-seguranca-contra-incendio-e-anunciado-apos-os-desastres-de-grenfell-e-mackintoshNiall Patrick Walsh
Talvez uma das coisas mais surpreendentes no mundo seja o bambu — um material totalmente natural e sustentável, cuja impressionante resistência à tração e capacidade de crescer até 900 milímetros (3 pés) em apenas 24 horas o consagraram como um material de construção milagroso. Como muitos materiais de construção tradicionais, o bambu perdeu o amplo espaço que outrora ocupava na arquitetura da Ásia e do Pacífico, mas os esforços de Elora Hardy podem ajudar a restabelecer sua antiga glória. À frente da Ibuku, uma empresa de design especializada no uso do bambu, a recente palestra de Hardy no TED é um trabalho excepcional que exalta a elegância e as virtudes arquitetônicas do material, apresentando residências privadas sinuosas e edifícios escolares construídos de forma artesanal.
Este novo concurso intitulado 'Young Architects in Latin America' é um dos eventos colaterais da 16ª Bienal de Arquitetura de Veneza de 2018 e é organizado pela CA'ASI, após o sucesso obtido em edições anteriores como o 'New Chinese Architects' em 2010, 'Young Arab Architects' em 2012 e 'Young Architects in Africa' em 2014.
Há alguns meses, foi aberta a convocatória para jovens arquitetos e arquitetas da América Latina, representando uma oportunidade para se posicionarem na cena global da arquitetura. O júri se reuniu em Paris no final de março e divulgou o veredicto dos projetos finalistas, que serão convidados a apresentar seus trabalhos em Veneza no âmbito da 16ª Bienal de Arquitetura.
Continue lendo para conhecer a lista completa por país.
Uma das tarefas fundamentais da Universidade Nacional Autônoma do México tem sido a difusão da cultura que, somada ao desenvolvimento da pesquisa e do trabalho acadêmico, constrói espaços de reflexão fundamentais para o país. Desta vez, por meio do Museu Nacional de Arquitetura e com o apoio da Universidade Autônoma Metropolitana, realiza-se esta exposição em homenagem à obra do arquiteto Carlos Leduc Montaño, promotor de uma arquitetura funcionalista alinhada ao contexto nacional, herdeiro dos ideais da revolução e criticamente regionalista. O papel do arquiteto Carlos Leduc Montaño na produção moderna da arquitetura mexicana acabou sendo eclipsado, em muitos aspectos, devido à destruição de sua obra e à escassa pesquisa crítica e histórica realizada nos últimos anos.
Com a abertura da exposição “Pós-Modernismo: Estilo e Subversão, 1970-1990” no Victoria and Albert Museum de Londres, em 2011, antecipou-se um ressurgimento do pós-modernismo no início do século XXI. Hoje, contudo, após anos de debates sobre essa “retomada”, podemos finalmente afirmar com segurança que o termo retornou em definitivo e continuará a ocupar o centro do debate contemporâneo. Embora seja evidente que o “pós-modernismo” está novamente na moda, talvez seu real significado nos escape ao utilizá-lo. De fato, a palavra tem sido amplamente desgastada para abarcar quase tudo: na prática profissional, é usada para classificar projetos descolados e “bonitinhos”; na crítica, serve para rotular qualquer proposta colorida; e, no campo teórico, o conceito é mobilizado para provar que a arquitetura foi subjugada pela tecnologia e pelo formalismo, reduzida a uma mera caricatura moralizante.
Independentemente de concordarmos ou não com essas visões, há uma questão que ainda exige debate: o que, afinal, significa “pós-modernismo”? De forma ainda mais urgente: o que esse termo representa hoje? Afinal, se formos reutilizar uma das palavras mais amplamente mal interpretadas e controversas do vocabulário arquitetônico, deveríamos, no mínimo, discutir seu real significado antes de fazê-lo.
Junto a um arqueólogo e uma artista plástica, a equipe liderada pela arquiteta e acadêmica da Universidade do Chile Claudia Torres registrou uma série de ruínas industriais em áreas rurais ao longo de todo o Chile. Trata-se de construções nas quais a geografia e a natureza desempenharam um papel fundamental, tanto como recurso produtivo quanto como testemunhas de sua progressiva deterioração após décadas de abandono.
Intitulada “Do ruído ao silêncio, valorização de ruínas industriais em áreas rurais”, esta pesquisa financiada pelo Fondart 2017 selecionou nove casos em todo o Chile: desde o histórico uso da faixa costeira associado à mineração no deserto do norte (Caldera) até a exploração madeireira nas florestas da Patagônia, no extremo sul (Contao). Cada obra conta com um registro fotográfico e audiovisual inédito que retrata o rico entorno natural no qual foram construídas para impulsionar ou assegurar processos produtivos que moldaram a história socioeconômica e cultural de cada região.
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Regent Street según la visión de Zaha Hadid Architects en 'Walkable London'. Image vía Walkable London
O escritório Zaha Hadid Architects (ZHA) revelou o Walkable London, uma proposta para convertendo progressivamente Londres em uma rede de caminhos de pedestres.
A pesquisa identificou as artérias e áreas da cidade que mais se beneficiariam da pedestrianização. O ZHA propõe uma transformação paulatina em três fases: avenidas, ruas e distritos. "Em todo o mundo, observamos uma tendência à pedestrianização de distritos inteiros, em vez de ruas individuais", explica a equipe do projeto. "Propomos uma rede de rotas de pedestres em grande escala que criará corredores de ativação em toda a capital", acrescenta.
Sabe-se que Frederick Law Olmsted, paisagista do Central Park em Nova York, André Le Nôtre, encarregado dos jardins do Palácio de Versalhes, e Alan Fred Titchmarsh, entre outros, foram precursores do paisagismo por sua habilidade de romper com os esquemas tradicionais da área. No entanto, a América Latina tem realizado um trabalho notável que merece ser reconhecido. É o caso do México, onde o vencedor do prêmio Pritzker Luis Barragán mostrou ao mundo a riqueza de suas áreas verdes e sua maestria ao projetá-las.
Qual é a diferença entre arquitetura sustentável e arquitetura bioclimática? Ambos os termos são frequentemente utilizados no setor, embora a base de onde surgem tenha sido descoberta muitos séculos antes (se nos referirmos à tradição vernacular da arquitetura) e os termos que os nomeiam tenham sido derivados do conceito de “desenvolvimento sustentável”, proposto pela primeira vez pela primeira-ministra norueguesa, Gro Brundtland, na 42ª sessão das Nações Unidas em 1987:
Mas qual é a diferença entre ambos? Digamos que são conceitos muito semelhantes, que variam apenas de acordo com os propósitos do/a arquiteto/a que os utiliza. Explico-me. O termo arquitetura sustentável, ou arquitetura verde, ou ecoarquitetura, ou arquitetura ambientalmente consciente... costuma ser utilizado por arquitetos/as que tentam refletir em sua obra uma base de noção climática, mas cujos únicos “gestos” são pouco influentes no que diz respeito à eficiência energética. Suas únicas preocupações acabam sendo mostrar que seu edifício é “eco-friendly” por meio de uma fachada verde ou, em vez disso, de uma cobertura verde. Na maioria dos casos, carecem de fundamentação em relação ao clima. No entanto, o segundo termo, arquitetura bioclimática (sem outros complementos), fundamenta sua razão de ser no clima. Não importa qual será a imagem final do edifício, pois todas as decisões de projeto nascem de um estudo prévio do clima — mais uma ferramenta de trabalho — e buscam seu reconhecimento e aproveitamento.
A partir disso, surge o conceito de “edifício saudável”, proposto recentemente pela prestigiada Universidade de Harvard por meio de sua Escola de Saúde Pública, Harvard T.H. Chan School of Public Health. Focada em “construir comunidades mais saudáveis em todo o mundo”, a escola iniciou o programa Edifícios Saudáveis no Centro de Clima, Saúde e Meio Ambiente Global de Harvard (C-CHANGE). Um de seus principais objetivos foi sintetizar 30 anos de ciência da saúde pública para identificar o que faz com que um edifício seja “saudável”. O resultado: os 9 Fundamentos de um Edifício Saudável. Um estudo com 36 páginas que identifica os fatores e detalha como eles estão relacionados com a saúde humana. Além de definir os fatores, o estudo apresenta recomendações simples para cada um deles, entre as quais sempre se encontram a avaliação periódica de cada fator e das necessidades das pessoas que o ocupam. Em resumo, um estudo bastante simples, ainda distante de abordagens como o Well Building Standard, mas bem direcionado e que dá mais um passo no caminho certo.
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Eduardo Castillo. Image Cortesía de Dostercios Editorial
A notícia correu rapidamente naquela tarde de quarta-feira. O arquiteto chileno Eduardo Castillo, sócio de Smiljan Radic, estava em estado grave após um acidente automobilístico sofrido naquele mesmo dia em Santiago. A comunidade local da arquitetura mal teve tempo de reagir quando, na manhã seguinte, quinta-feira, 5 de outubro de 2017, foi confirmado seu inesperado falecimento aos 45 anos de idade.
Amanhã, 13 de junho, um dia antes da abertura da Copa do Mundo da Rússia 2018, será anunciado se a candidatura conjunta de Estados Unidos, México e Canadá, ou a do Marrocos, conquistará o direito de sediar a edição de 2026 do mundial de futebol.
A candidatura do país norte-africano apresentou o projeto do estádio que sediaria a final da Copa do Mundo caso vença a votação. Trata-se de uma nova arena com capacidade para 80 mil espectadores, projetada pelo Cruz y Ortiz Arquitectos, escritório espanhol que inaugurou recentemente o Wanda Metropolitano em Madri e atualmente trabalha no projeto do estádio do Dalian Yifan Football Club, na China, e de outra arena esportiva na Suíça.
O escritório OPEN Architecture divulgou as fotos mais recentes das obras do Dune Art Museum, que teve sua estrutura concluída em uma cidade litorânea chinesa próxima a Pequim. O museu de arte se apresenta como um complexo de cascas de concreto interconectadas que, na próxima e última etapa da construção, serão cobertas por areia e arbustos para restaurar a silhueta natural das dunas na praia.
O escritório de arquitetura WOHA divulgou novidades sobre seu primeiro arranha-céu de escritórios na China, com a conclusão da estrutura do projeto Vanke Yun City em Shenzhen. Composto por três blocos de torres conectados a um núcleo central em forma de T, o projeto busca apresentar “uma tipologia alternativa de torre de escritórios que responde ao clima subtropical de Shenzhen”.
Em meio ao cenário repleto de onipresentes arranha-céus pós-modernistas, o projeto de 150.000 metros quadrados (1,6 milhão de pés quadrados) tem como objetivo “transformar radicalmente o arranha-céu sem alma em uma microcidade vertical altamente habitável, humana e sustentável”.
Nesta segunda-feira, 16 de abril, faleceu em Santiago a arquiteta chilena María Isabel Tuca, destacada acadêmica e líder de classe que, em 2000, se tornou a segunda mulher presidente do Colégio de Arquitetos do Chile, depois de Eliana Caraball em meados dos anos 1980.
Em entrevista ao jornal chileno El Mercurio após assumir a presidência da associação, Tuca lembrou que, apesar das advertências das freiras da escola onde estudou ("essa era uma carreira apenas para homens", disseram-lhe), optou por cursar Arquitetura na Universidade do Chile, instituição pela qual se formou em 1965.
No contexto do 9º Fórum Urbano Mundial (WUF9), que está sendo realizado esta semana em Kuala Lumpur (Malásia), a CEPAL, a ONU-Habitat e os países membros do Fórum de Ministros/as e Máximas Autoridades do Setor de Habitação e Urbanismo da América Latina e do Caribe (MINURVI) lançarão o Plano de Ação Regional para a Implementação da Nova Agenda Urbana na América Latina e no Caribe (PAR).
Coordenado em colaboração com mais de 70 especialistas regionais associados a diversos grupos de agentes, o PAR busca promover a transição para um novo paradigma urbano que reconheça a cidade como um macrobem público e que garanta os direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais de todas as pessoas. O documento visa, assim, dar continuidade ao impulso gerado na Habitat III e se consolidar como a expressão regional da Nova Agenda Urbana.
Vista interior del gimnasio Colegio Maravillas / Alejandro de la Sota. Image Cortesía de Fundación Alejandro de la Sota
Por mais surpreendente que possa parecer, a Espanha atualmente não possui, em âmbito nacional, nenhuma Lei de Arquitetura e Habitabilidade que reconheça e promova o valor que essa profissão tem para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país.
No entanto, o ano de 2017 trouxe duas ótimas notícias que podem e devem servir de impulso para avançar em direção a uma lei nacional realmente necessária. Por um lado, a aprovação, no dia 8 de novembro passado, da Lei de Contratos do Setor Público que, segundo o próprio presidente do Conselho Superior dos Colégios de Arquitetos da Espanha (CSCAE), Jordi Ludevid, representa “uma mudança espetacular e muito positiva” para os/as arquitetos/as. Por outro, a aprovação, em 28 de junho de 2017, da primeira Lei de Arquitetura promulgada na Espanha, a Lei de Arquitetura da Catalunha.
Em seu relatório anual de 2017, o Grupo LEGO anunciou uma queda em sua receita pela primeira vez em 13 anos. Mas os fãs de LEGO não precisam se preocupar – a notícia já resultou na redução de preços, tendência que deve continuar até que a empresa consiga escoar o excesso de estoque.