A atividade industrial pode cessar muito antes de seus efeitos desaparecerem do território. Fábricas fecham, edifícios são demolidos e antigos distritos industriais tornam-se, gradualmente, parte de novos empreendimentos residenciais. No entanto, o solo sob eles ainda pode conter vestígios de seu uso anterior, exigindo, por vezes, intervenções complexas antes que a construção possa ser iniciada.
Em novembro de 2019, o escritório londrino Carmody Groarke e a firma de Gante TRANS architectuur | stedenbouw, agora conhecida como ATAMA, venceram o concurso internacional Baumeister para projetar a ampliação do Design Museum Gent, o maior museu de design da Bélgica, localizado no centro histórico de Gante. Na época, o museu era composto por três edifícios: o Hotel de Coninck, do século XVIII, a Casa Leten, com um núcleo do século XVI, e uma ala de 1992. Após quatro anos de reforma e expansão, o museu reabriu em 3 de outubro de 2026, no centro histórico da cidade, declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO. O projeto combina a restauração desses edifícios históricos com uma nova ala projetada por Carmody Groarke e ATAMA, em conjunto com as obras de restauração lideradas pela associação de arquitetura RE-ST architectenvennootschap. O acervo do museu abrange objetos de design desde o século XIV até o presente, e o edifício renovado soma espaços para palestras, oficinas, exposições e eventos, apresentando o design como algo com o qual as pessoas que o visitam podem interagir e utilizar diretamente, em vez de apenas contemplar.
Profissionais de arquitetura recebem treinamento para escolher materiais, comparar suas propriedades e decidir como devem ser usados. No entanto, alguns escritórios estão assumindo uma tarefa diferente: desenvolver o próprio material.
A madeira está entre os materiais mais antigos e familiares da arquitetura. Contudo, seu uso contemporâneo levanta questões complexas sobre impacto ambiental, disponibilidade de recursos, procedência de materiais e circularidade em relação às economias locais. Ao mesmo tempo, os avanços no design computacional, na usinagem CNC e na fabricação robótica também estão reconfigurando a maneira como a madeira é projetada e montada, abrindo novas possibilidades para a inovação estrutural e a expressão formal, ao mesmo tempo em que redefinem o equilíbrio entre automação, força de trabalho e eficiência.
O escritório MVRDV anunciou um novo marco no desenvolvimento de suas torres Tour & Taxis, um projeto de uso misto em Bruxelas, Bélgica. O projeto foi encomendado pela incorporadora e investidora imobiliária Nextensa em 2021, no âmbito de um plano diretor de zoneamento específico também desenvolvido pelo MVRDV. O empreendimento de duas torres combina escritórios, habitação e comodidades públicas em uma área de 58.000 m², consolidando-se como um marco no bairro e alcançando 126 metros de altura em seu ponto mais alto. Com a licença de construção recém-aprovada, o projeto foi concebido para reduzir o carbono incorporado por meio de uma estrutura híbrida e elementos de fachada leves, com o objetivo de minimizar o uso de concreto tanto na estrutura quanto nas fundações. Desde as etapas iniciais, o escritório utilizou seu software CarbonSpace para orientar essas decisões.
A Comissão Europeia e a Fundació Mies van der Rohe anunciaram os sete projetos finalistas do Prêmio de Arquitetura Contemporânea da União Europeia de 2026 - Prêmios Mies van der Rohe, apoiado pelo programa Europa Criativa da União Europeia. A seleção ocorre após o anúncio das 410 obras indicadas em novembro e uma lista de 40 projetos finalistas revelada no início de janeiro. Dos sete finalistas, cinco foram selecionados na categoria Arquitetura e dois na categoria Emergente. De acordo com o júri presidido por Smiljan Radić, os projetos finalistas são contribuições exemplares para o futuro da arquitetura europeia, demonstrando como a disciplina pode responder de maneira simultânea a condições locais específicas e a desafios sociais, culturais e ambientais mais amplos. As obras selecionadas abrangem desde intervenções em antigas áreas industriais, pequenos vilarejos e periferias urbanas até projetos cuidadosamente calibrados em grandes cidades. Nesses variados contextos, as propostas mostram como a arquitetura pode transformar cenários esquecidos ou comuns em espaços inclusivos e de alta qualidade para viver, aprender e conviver.
À medida que as cidades crescem e evoluem, surge a questão de preservar, reabilitar ou adaptar locais históricos. A intervenção em tais edifícios requer um delicado equilíbrio entre honrar sua patrimônio e atender às demandas contemporâneas. Muitas vezes, as soluções mais inovadoras e radicais surgem quando os arquitetos tentam renovar um prédio mantendo sua pegada original e o máximo possível de suas características. Em seguida, eles criam extensões modernas que tanto harmonizam quanto contrastam com a estrutura original. Esta abordagem não apenas revitaliza o edifício, mas também celebra a sinergia entre o passado e o presente, incluindo materiais, tecnologia de construção, movimentos arquitetônicos, histórias e qualidade geral do edifício. A sobreposição de elementos antigos e novos por meio de harmonia ou contraste requer uma abordagem inteligente e sensível que confere ao edifício uma estética única e um novo significado.
À medida que começamos 2024, as cidades europeias apresentam vários marcos de desenvolvimento urbano que estão traçando o caminho para o novo ano. Sob os temas de mobilidade urbana em Bruxelas, sustentabilidade em Valência, Smart Cities em Roterdã e resfriamento urbano em Paris, cada cidade está tentando mostrar progressos rumo à 2030. Nessas diversas estruturas urbanas, as cidades europeias estão demonstrando um compromisso em definir desafios e trabalhar para moldar um futuro climaticamente consciente.
Em uma cidade, celebrar o ato de caminhar tornou-se uma forma de planejamento não convencional. Na era dos carros, ao longo de quase todo o século XX, desafiar a supremacia do transporte automotivo ao promover a experiência pedestre não era muito comum. Por essa razão, as passarelas para pedestres em todo o mundo se destacam como símbolos de conectividade e engenhosidade arquitetônica. Inicialmente concebidas como soluções práticas para o gerenciamento de tráfego, essas passarelas às vezes assumem o caráter de marcos icônicos e elementos cruciais no planejamento urbano.