Duo Dickinson

Um arquiteto que constrói edifícios e escreve.

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Os edifícios não são sagrados, mas podemos encontrar a beleza através deles

Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge.

O que torna algo sagrado? Quando um edifício passa a significar mais para nós do que quase todos os outros lugares, espaços, objetos ou atividades em nossas vidas?

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Por que tantas caixas banais? Porque a arquitetura reflete o ethos de seu tempo

Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge.

As reclamações de arquitetos e arquitetas são inúteis. O edifício com estrutura leve de madeira sobre embasamento — o chamado 5-over-1 — veio para ficar. "A Caixa", como gosto de chamá-la, utiliza a tecnologia híbrida de uma base de concreto e aço sob uma estrutura leve de madeira, sendo usada predominantemente para habitação a preço de mercado. Apesar da reação negativa comum à sua estética banal, seu apelo para uma grande parcela de consumidores de apartamentos é inegável. É também, obviamente, um sucesso entre as incorporadoras.

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Quando o simbolismo arquitetônico é hipocrisia?

Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge.

A arquitetura reflete a cultura da qual se origina, ao mesmo tempo que aspira a liderar essa cultura. Isso é quase um oximoro, uma vez que refletir e projetar nossos valores é parte essencial de toda vida humana, e a arquitetura é primorosamente humana. Nossos edifícios nos personificam, com todas as nossas contradições.

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Por que o tempo é um problema para os arquitetos?

Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge.

Desde o surgimento do modernismo, os arquitetos têm enfrentado um dilema ao lidar com a realidade do tempo. Isso se torna um problema, pois o tempo e a gravidade são duas forças universais. Os arquitetos são extremamente bons em lidar com a gravidade — ela está presente em tudo o que projetamos e realiza uma dança simbiótica com a estrutura. Não importa o quanto um projeto simule a ausência de peso, sua massa não pode ser negada. Os arquitetos devem enfrentar a gravidade, seja nas varandas da Casa da Cascata de Frank Lloyd Wright, ou nos edifícios paramétricos potencializados pelos softwares da atualidade.

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O dinheiro e o dilema dos arquitetos e arquitetas que não constroem

Não estou me referindo a jovens designers, cantores/as, atores/atrizes, poetas ou artistas em início de carreira que trabalham como baristas ou bartenders para pagar as contas e agarram as oportunidades profissionais que surgem. Assim como ocorre com médicos/as, advogados/as e engenheiros/as que não exercem a profissão, a docência sempre foi uma forma de garantir a credibilidade do estilo de vida de um/a “arquiteto/a” sem o desgaste diário de realmente projetar e construir. Há um paradoxo evidente na figura dos/as arquitetos/as que não praticam a arte de construir. As escolas de arquitetura multiplicaram o número de especializações que não têm como foco profissional o projeto de edifícios: gestão de obras, planejamento, sustentabilidade, entre outras. Por dois séculos, a profissão de arquiteto/a refletiu as melhores aspirações da nossa sociedade manifestadas nos edifícios. No entanto, há muitas pessoas que não querem construir — elas apenas amam a identidade do título.

A arquitetura sempre reflete os valores de sua cultura atual

Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge.

O que construímos pode ser metafórico — muitas vezes de forma intencional, às vezes de modo subliminar. No entanto, a arquitetura raramente se resume ao comentário intencional de arquitetos/as elaborando simbolismos; na maioria das vezes, trata-se de um reflexo direto de seu tempo e da cultura que a produziu.

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Arquitetura e o Problema de Deus

Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge.

Faz cerca de 200 anos que a École des Beaux-Arts em Paris estabeleceu uma disciplina acadêmica — e, consequentemente, a profissão — da arquitetura. O papel central do/a arquiteto/a como agente definidor da criação transcendeu o do Mestre Construtor, figura que definia quem projetava edifícios não como especialistas ou celebridades, mas como guardiões das tradições construtivas.

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As guinadas da arquitetura em 2022

Qualquer avaliação de "Retrospectiva do Ano" é, ao mesmo tempo, míope e oportuna. Ainda assim, 2022 foi um período de "boom" para arquitetos/as (e para a indústria da construção civil em geral). Este panorama mudará em 2023, quando os aumentos artificiais das taxas de juros promovidos este ano sufocarem no berço esse boom tão curto quanto intenso.

No entanto, alguns acontecimentos carregam um significado que vai além do momento presente. O ano de 2022 provou que o modelo "Mad Men" na profissão — vista como um clube exclusivo de homens brancos — chegou ao fim. As desigualdades de gênero e raça persistem na arquitetura, mas hoje são reconhecidas como falhas que demandam correção urgente. Para além dessas evoluções e revoluções, uma nova geração de arquitetos/as está transformando a profissão.

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"Novas práticas" na arquitetura são apenas uma evolução

“Nós moldamos nossos edifícios; depois eles nos moldam.” Apesar das palavras de Winston Churchill, os arquitetos são moldados por nossa cultura e seu trabalho reage a ela. O fato da nossa cultura evoluir faz com que a prática da arquitetura também evolua. O que é tido como “novo” na prática arquitetônica tem mudado de forma acelerada, explodindo no século XXI com as novas tecnologias que alteraram drasticamente o cenário num ritmo ainda mais intenso que o da Revolução Industrial 200 anos atrás.

Edifícios sem nome são os que mais nos afetam

A arquitetura é humana. Então, quando entrei na Faculdade de Arquitetura, Arte e Planejamento de Cornell em 1973 e todo o corpo docente feito de homens brancos como eu, não fazia sentido para mim, mas era um reflexo do fim do domínio masculino na minha profissão que escolhi. Naquele mundo, alguns professores costumavam comentar sobre como as alunas os olhavam. Alguns vitimavam sexualmente as alunas.

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Boa arquitetura é sinônimo de beleza?

Arquitetura não é simplesmente construir. Há mais de dois mil anos, o arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio definiu duas realidades básicas na construção: firmitas (estabilidade) e utilitas (função). Depois, ofereceu o que transforma a construção em arquitetura: venustas (beleza).

Firmitas foi redefinida neste século como “resiliência”. Após passar ileso por cinco furacões ao longo de trinta anos, este edifício apresenta venustas além de firmitas? O conceito de utilitas é encontrado na utilidade de qualquer projeto: uma edificação, em uso constante, tem beleza além de função?

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Tecnologia não é moda, é atemporal

“Esperança para a Arquitetura” é o chamado de Clay Chapman, descrito por ele como “uma iniciativa de construção para enfrentar os desafios de um futuro incerto”. Na verdade, “Esperança para a Arquitetura” é uma tecnologia de alvenaria e madeira, reinventada e adaptada desde a antiguidade até hoje. Clay e sua jovem família mudaram-se para Carleton Landing, Oklahoma, há quinze anos, para cumprir uma missão: criar uma comunidade e explorar essa tecnologia.

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As Torres de Babel de Nova York

O mundo está diante de um século urbano. A população mundial está desmoronando nos centros das cidades, pois a indústria e a agricultura precisam de menos humanos, já que a tecnologia substitui a mão humana por máquinas. A população urbana mundial cresceu de 751 milhões em 1950 para 4,46 bilhões em 2021, e crescerá para 6,68 bilhões em 2050.

Enquanto arquitetos e designers querem definir e controlar o futuro de nossas cidades, a realidade imediata da cidade de Nova York, agora, é uma lição sobre o que pode ser nosso futuro. Sua resposta pode ser vista pelo advento da The Tower no tecido de Manhattan.

Democracia e apartheid estético na arquitetura

A arquitetura é há muito tempo uma profissão que opera em apartheid estético. A estética favorita do meio, o Modernismo, relegou todos os outros "estilos" à insignificância marginalizada em termos de reconhecimento, ensino e publicações. A última geração viu aqueles que seguem uma estética considerada "tradicional" criarem um sistema completamente separado de escolas, prêmios e publicações.

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Criando valor arquitetônico através da estética

Os seres humanos se esforçam muito para fazer o inexplicável ser entendido. A nossa espiritualidade torna-se religião. A justiça torna-se lei. E o que nos encanta torna-se a estética, e a estética se reduz ao “estilo” nas artes plásticas e na arquitetura. A descrição, depois a definição, da estética nos permite julgar e, com sorte, controlar o que nos emociona: "Os estilos podem mudar, os detalhes podem ir e vir, mas as amplas exigências do julgamento estético são permanentes". — Roger Scruton

Mas o prazer instantâneo que às vezes sentimos quando ouvimos, provamos, pensamos ou vemos partes de nossa experiência é irracional em sua apreensão. Tentamos criar valor em nossos resultados, definindo-os além da experiência — isso é estética.

O futuro da visualização pode ser o passado

Lidamos com edifícios todos os dias. Nós dormimos neles, trabalhamos neles, vivemos nossas vidas usando suas acomodações. Mas como uma música ou uma pintura, uma pessoa geralmente ajuda a criá-los, juntamente com quem os usa e constrói. Mas antes de serem construídos, os edifícios são apenas ideias.

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Casas "autossuficientes" e os princípios morais do marketing

Quase ninguém compra um automóvel pelo preço indicado com dinheiro em mãos, aqueles que procuram comprar um carro olham também para o custo mensal de possuir um. As casas são nosso maior investimento, e a maioria dos proprietários tem tanto orgulho de sua casa quanto de seu carro e igualmente têm medo do custo de manutenção. Portanto, não é de surpreender que as casas “autossuficientes” usem a mesma tática de vendas, provando seu valor na promessa de não pagar contas mensais de energia.

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A pandemia arquitetônica dos edifícios em "stick frame" sobre embasamento

A pandemia arquitetônica dos edifícios em "stick frame" sobre embasamento - Imagem de Destaque
via Structure Magazine

Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge.

Caso tenha passado despercebido, nosso mundo continua, após dois anos, a sofrer espasmos culturais em resposta a agentes infecciosos invisíveis, implacáveis e mortais que seguem assolando populações inteiras, espalhando medo, doença e morte. 

Os EUA também sofrem com uma praga arquitetônica mais silenciosa — porém igualmente invasiva —, que se espalha como metástase por todo o país. Esse contágio arquitetônico tem passado praticamente imune a críticas, mas, desde a popularização da raised ranch, nenhuma outra "tipologia" arquitetônica transformou comunidades de forma tão profunda. Na década de 1950, milhares de alusões simplórias ao estilo Prairie House varreram campos agrícolas suburbanos improdutivos como um incêndio florestal. Mais do que um estilo, o pavimento inferior semienterrado e os níveis intermediários (separados por apenas meio lance de escada) representavam uma nova maneira de explorar como os edifícios poderiam abrigar pessoas, especialmente em uma América em rápida suburbanização.