Duo Dickinson

Um arquiteto que constrói edifícios e escreve.

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

A arquitetura é humana: mas a beleza está em toda parte

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Imagem de cabana El Molo. Turkana, Quênia via Shutterstock

A arquitetura é humana. Apesar de sua beleza primorosa, tocas, colmeias, ninhos e formigueiros são criações do instinto. O projeto desenvolvido por seres humanos, por outro lado, avalia opções, meios e métodos de criação, solucionando anseios que vão muito além de meras adequações funcionais.

A humanidade se distingue de todas as outras formas de vida na Terra porque, para nós, o instinto é insuficiente. O mesmo ocorre com a arquitetura. Seus resultados são de duas ordens. Primeiro, assim como as criações do instinto, a construção humana precisa resistir à gravidade, proteger contra as intempéries, adequar-se ao seu local e ser exequível; do contrário, falha em sua Diretriz Principal.

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Para onde caminha a arquitetura após o fim da pandemia?

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Para onde caminha a arquitetura após o fim da pandemia? - Imagem de Destaque
Cortesia de Domingo Arancibia. Imagem Muelle de Mimbre

Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge.

No que diz respeito à Covid, 2022 tende a se parecer mais com 1920 do que com 2020 ou 2021. “Mudar ou morrer” é um clichê, mas muitas vezes verdadeiro. Os últimos dois anos de pandemia forçaram diversas mudanças na sociedade que podem ter ajudado a evitar muitas mortes. No entanto, muitos outros aspectos da nossa cultura já vinham se transformando em movimentos anteriores à pandemia — transições graduais que, com a chegada da Covid, tornaram-se instantâneas e onipresentes: o trabalho remoto, o ensino a distância, a dominância do comércio eletrônico, o declínio do varejo físico e o foco obsessivo na saúde e no bem-estar. Tudo isso, e muito mais, agora faz parte fundamental do nosso cotidiano. 

Quando o simbolismo arquitetônico é hipocrisia?

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Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge.

A arquitetura reflete a cultura da qual se origina, ao mesmo tempo que aspira a liderar essa cultura. Isso é quase um oximoro, uma vez que refletir e projetar nossos valores é parte essencial de toda vida humana, e a arquitetura é primorosamente humana. Nossos edifícios nos personificam, com todas as nossas contradições.

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Os edifícios não são sagrados, mas podemos encontrar a beleza através deles

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Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge.

O que torna algo sagrado? Quando um edifício passa a significar mais para nós do que quase todos os outros lugares, espaços, objetos ou atividades em nossas vidas?

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A pandemia arquitetônica dos edifícios em "stick frame" sobre embasamento

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A pandemia arquitetônica dos edifícios em "stick frame" sobre embasamento - Imagem de Destaque
via Structure Magazine

Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge.

Caso tenha passado despercebido, nosso mundo continua, após dois anos, a sofrer espasmos culturais em resposta a agentes infecciosos invisíveis, implacáveis e mortais que seguem assolando populações inteiras, espalhando medo, doença e morte. 

Os EUA também sofrem com uma praga arquitetônica mais silenciosa — porém igualmente invasiva —, que se espalha como metástase por todo o país. Esse contágio arquitetônico tem passado praticamente imune a críticas, mas, desde a popularização da raised ranch, nenhuma outra "tipologia" arquitetônica transformou comunidades de forma tão profunda. Na década de 1950, milhares de alusões simplórias ao estilo Prairie House varreram campos agrícolas suburbanos improdutivos como um incêndio florestal. Mais do que um estilo, o pavimento inferior semienterrado e os níveis intermediários (separados por apenas meio lance de escada) representavam uma nova maneira de explorar como os edifícios poderiam abrigar pessoas, especialmente em uma América em rápida suburbanização.

Arquitetura e o Problema de Deus

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Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge.

Faz cerca de 200 anos que a École des Beaux-Arts em Paris estabeleceu uma disciplina acadêmica — e, consequentemente, a profissão — da arquitetura. O papel central do/a arquiteto/a como agente definidor da criação transcendeu o do Mestre Construtor, figura que definia quem projetava edifícios não como especialistas ou celebridades, mas como guardiões das tradições construtivas.

A arquitetura sempre reflete os valores de sua cultura atual

Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge.

O que construímos pode ser metafórico — muitas vezes de forma intencional, às vezes de modo subliminar. No entanto, a arquitetura raramente se resume ao comentário intencional de arquitetos/as elaborando simbolismos; na maioria das vezes, trata-se de um reflexo direto de seu tempo e da cultura que a produziu.

O fim das cidades? Não tão rápido

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Quando as coisas mudam, mudamos nossa maneira de viver.

Questionar onde moramos, mesmo em uma era de teletrabalho, ensino pelo Zoom e aversão ao transporte público, é um empreendimento complexo e de alto risco. Nossas casas são únicas. Quer paguemos aluguel ou tenhamos casa própria, para a maioria das pessoas, o lugar onde moramos consome a maior parte dos nossos rendimentos.

“Make It Right” dá errado em Nova Orleans

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Alguns celebram os fracassos do "Make It Right", o projeto apadrinhado por Brad Pitt em Nova Orleans. Após o furacão Katrina devastar Nova Orleans em 2005, nomes consagrados da arquitetura como Frank Gehry, David Adjaye e Thom Mayne criaram projetos para a fundação instituída por Pitt. O/A arquiteto/a local John C. Williams foi contratado/a para transformar os desenhos dessas estrelas da arquitetura em edifícios, com a diretriz de utilizar os melhores materiais sustentáveis disponíveis.

Hudson Yards e Notre-Dame: Um golpe duplo de megalomania

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Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge.

Nos últimos meses, dois acontecimentos causaram mais danos à "marca" da arquitetura perante a percepção pública do que qualquer outra coisa que presenciei nos meus 40 anos de profissão.

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Primeiro, houve a grande inauguração do Hudson Yards, em Nova York, um empreendimento colossal de 20 bilhões de dólares no extremo oeste de Manhattan. Esta primeira fase foi aberta após sete anos de obras e incluiu uma reunião obrigatória de arquitetos/as de "classe mundial" — Kohn Pedersen Fox, Diller Scofidio + Renfro, SOM, The Rockwell Group —, além de uma *folly* do designer Thomas Heatherwick.

O que poderia dar errado?

Opinião: Na arquitetura, o silêncio é tudo, menos de ouro

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Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge.

Os/as arquitetos/as competem, e a internet proporciona oportunidades ilimitadas de concorrência para todos/as os/as que desejam submeter seus trabalhos à avaliação. Nada disso é novidade. No entanto, houve uma mudança tanto nas expectativas quanto na etiqueta em relação a essas propostas.

Opinião: Na arquitetura, o silêncio é tudo, menos de ouro - Image 1 of 4

No início deste mês, recebi o convite para participar de dois pequenos concursos. Como eu já havia realizado projetos bem-sucedidos alinhados ao foco de cada concurso, decidi aceitar. Confirmamos que nossas propostas cumpriam os critérios e prazos; sabíamos o dia das deliberações do júri e a data de divulgação do resultado. Como de costume, perdemos (o sucesso só vem para quem está disposto/a a aceitar o fracasso); também como de costume, o veredicto para nós e para todos os demais concorrentes foi o silêncio.

Somos Art Vandelay, Arquiteto/a

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Este artigo foi originalmente publicado no Common Edge.

A sitcom Seinfeld não chegou ao século XXI. No entanto, no universo da cultura pop, a série é imortal, gerando um fluxo interminável de GIFs, memes, vídeos, sites e muito mais. Além disso, evidentemente, cada minuto de suas nove temporadas tem sido retransmitido em algum canal desde que a produção terminou em 1998.

Por que ela continua tão popular? O “seriado sobre o nada” foi, na verdade, um conjunto de 180 micropeças teatrais de 22 minutos sobre as nossas realidades mais mundanas. Seu tema central, sintetizado no episódio final, era o egocentrismo cômico de seus quatro personagens principais.

O Fim dos Editores: A Nova Prática do/a Arquiteto/a que se Autopromove

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Quando a Grande Recessão de 2008 destruiu a receita publicitária de todo o setor editorial e reduziu drasticamente o orçamento de arquitetos e arquitetas para assessoria de imprensa e fotógrafos/as, o modelo estabelecido para promover esses profissionais e sua arquitetura foi brutalmente comprometido. Esse mesmo momento testemunhou a rápida popularização dos smartphones, munidos de câmeras excepcionais, grande capacidade de memória e, pouco depois, da transmissão 5G. Essas revoluções tecnológicas transformaram leigos em artes gráficas em verdadeiros artistas. Hoje, qualquer pessoa pode fotografar, filmar e narrar qualquer percepção em qualquer lugar, de maneira instantânea e gratuita — e compartilhá-la globalmente. O clichê de que a internet "mudou tudo" mostra-se uma verdade incontestável na forma como o mundo enxerga a arquitetura.

Esse duplo impacto de devastação fiscal e revolução tecnológica deu origem a uma Nova Prática: o/a Arquiteto/a que se Autopromove, agindo de forma independente da engrenagem que dita as tendências na arquitetura.

O que é o espaço sagrado?

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Estamos imersos em um caos profano. Trata-se de uma pandemia, acompanhada de uma política insana e de séculos de uma terrível injustiça racial que expõe as piores realidades da humanidade. Cada dia revela mais doenças, mais raiva e mais falhas em nossa cultura do que qualquer pessoa poderia prever.

Os medos inescrutáveis desta época são essencialmente humanos. O mundo natural floresce em meio aos nossos desastres. No entanto, a arquitetura também é uma criação exclusivamente humana. A diretriz primordial da arquitetura é oferecer segurança. Assim, neste momento de perigo, convém refletir sobre o outro lado de tanta injustiça e crueldade profanas: o Espaço Sagrado? A arquitetura pode ir além da mera busca por segurança e aspirar a evocar o melhor de nós, criando lugares que tocam aquilo que só pode ser definido como Sagrado.

O que é o Espaço Sagrado? Seja ele construído pelo ser humano ou originado no mundo natural, o Espaço Sagrado nos conecta a uma realidade que transcende nossos medos. O oceano, a floresta, o nascer ou o pôr do sol podem, todos eles, definir o “Sagrado”. Contudo, as pessoas podem criar lugares que abrigam e expandem o melhor de nós para além do mundo que inevitavelmente nos ameaça e nos entristece. A arquitetura é capaz de criar lugares onde nos sentimos parte de uma realidade sagrada.

O que é o espaço sagrado? - Imagen 1 de 4O que é o espaço sagrado? - Imagen 2 de 4O que é o espaço sagrado? - Imagen 3 de 4O que é o espaço sagrado? - Imagen 4 de 4O que é o espaço sagrado? - Mais Imagens+ 5

Christopher Alexander constrói um legado de beleza

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O ensino de arquitetura ainda vive, em grande parte, em meados do século XX, período no qual o modelo de ateliê se mostra, ao mesmo tempo, maravilhoso, limitado e plenamente ativo. Oferecem-se aos estudantes duas pedagogias distintas: ou uma formação em belas artes ou a aplicação de um regime de escola técnica glorificada voltado à formação de tecnocratas. A Inteligência Artificial (IA) pode vir a eliminar a arquitetura como carreira para quem não domina aquilo que apenas os seres humanos conseguem fazer: sintetizar, canalizar, inventar e criar de forma artesanal. Para além da imitação. Por sua nova natureza, a arquitetura pode estar se tornando desumana.

A insensatez de um estilo chancelado pelo Estado para a arquitetura

Áudio disponível

Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge.

Arquiteto/a Swamp Yankee: A Reciclagem como Estilo de Vida

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Quer queiramos ou não, todo/a arquiteto/a é um/a reciclador/a.

A expressão “Swamp Yankee” não é uma ofensa nem um estereótipo. Os Swamp Yankees viveram na Nova Inglaterra antes do século XX. Eram pessoas de poucos recursos que só podiam arcar com moradias próximas à água — onde doenças, pragas e o clima severo frequentemente arruinavam vidas. Essas pessoas nunca descartavam nada que pudesse (um dia) ser reaproveitado. O escambo e a recuperação de materiais eram seu modo de vida. Não havia desperdício (“evitar o desperdício é prevenir a falta”). Os Swamp Yankees transformaram a reciclagem em um estilo de vida. A sustentabilidade não era uma escolha ecológica — era a sua forma de sobrevivência.

Minha prática na arquitetura é a de um/a arquiteto/a Swamp Yankee. 

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O dinheiro e o dilema dos arquitetos e arquitetas que não constroem

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Não estou me referindo a jovens designers, cantores/as, atores/atrizes, poetas ou artistas em início de carreira que trabalham como baristas ou bartenders para pagar as contas e agarram as oportunidades profissionais que surgem. Assim como ocorre com médicos/as, advogados/as e engenheiros/as que não exercem a profissão, a docência sempre foi uma forma de garantir a credibilidade do estilo de vida de um/a “arquiteto/a” sem o desgaste diário de realmente projetar e construir. Há um paradoxo evidente na figura dos/as arquitetos/as que não praticam a arte de construir. As escolas de arquitetura multiplicaram o número de especializações que não têm como foco profissional o projeto de edifícios: gestão de obras, planejamento, sustentabilidade, entre outras. Por dois séculos, a profissão de arquiteto/a refletiu as melhores aspirações da nossa sociedade manifestadas nos edifícios. No entanto, há muitas pessoas que não querem construir — elas apenas amam a identidade do título.