Duo Dickinson

Um arquiteto que constrói edifícios e escreve.

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Para onde caminha a arquitetura após o fim da pandemia?

Para onde caminha a arquitetura após o fim da pandemia? - Imagem de Destaque
Cortesia de Domingo Arancibia. Imagem Muelle de Mimbre

Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge.

No que diz respeito à Covid, 2022 tende a se parecer mais com 1920 do que com 2020 ou 2021. “Mudar ou morrer” é um clichê, mas muitas vezes verdadeiro. Os últimos dois anos de pandemia forçaram diversas mudanças na sociedade que podem ter ajudado a evitar muitas mortes. No entanto, muitos outros aspectos da nossa cultura já vinham se transformando em movimentos anteriores à pandemia — transições graduais que, com a chegada da Covid, tornaram-se instantâneas e onipresentes: o trabalho remoto, o ensino a distância, a dominância do comércio eletrônico, o declínio do varejo físico e o foco obsessivo na saúde e no bem-estar. Tudo isso, e muito mais, agora faz parte fundamental do nosso cotidiano. 

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A arquitetura é humana: mas a beleza está em toda parte

A arquitetura é humana: mas a beleza está em toda parte - Imagem de Destaque
Imagem de cabana El Molo. Turkana, Quênia via Shutterstock

Se a Natureza tivesse sido confortável, a humanidade nunca teria inventado a arquitetura. - Oscar Wilde

A arquitetura é humana. Apesar de sua beleza primorosa, tocas, colmeias, ninhos e formigueiros são criações do instinto. O projeto desenvolvido por seres humanos, por outro lado, avalia opções, meios e métodos de criação, solucionando anseios que vão muito além de meras adequações funcionais.

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2021, um ano que pode definir o futuro da arquitetura

Alguns anos acabam se tornando marcos de mudanças culturais. O ano de 2021 foi um desses, com a pandemia do Covid-19 sendo a primeira ameaça real à nossa cultura desde a Segunda Guerra Mundial. Como consequência, a arquitetura irá mudar e pode evoluir passando a valorizar as motivações individuais como um fator para entendê-la, em oposição à valorização de sua forma como justificativa estética.

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O Fim dos Editores: A Nova Prática do/a Arquiteto/a que se Autopromove

Quando a Grande Recessão de 2008 destruiu a receita publicitária de todo o setor editorial e reduziu drasticamente o orçamento de arquitetos e arquitetas para assessoria de imprensa e fotógrafos/as, o modelo estabelecido para promover esses profissionais e sua arquitetura foi brutalmente comprometido. Esse mesmo momento testemunhou a rápida popularização dos smartphones, munidos de câmeras excepcionais, grande capacidade de memória e, pouco depois, da transmissão 5G. Essas revoluções tecnológicas transformaram leigos em artes gráficas em verdadeiros artistas. Hoje, qualquer pessoa pode fotografar, filmar e narrar qualquer percepção em qualquer lugar, de maneira instantânea e gratuita — e compartilhá-la globalmente. O clichê de que a internet "mudou tudo" mostra-se uma verdade incontestável na forma como o mundo enxerga a arquitetura.

Esse duplo impacto de devastação fiscal e revolução tecnológica deu origem a uma Nova Prática: o/a Arquiteto/a que se Autopromove, agindo de forma independente da engrenagem que dita as tendências na arquitetura.

Convertendo o sagrado em profano

Cotidianamente nos deparamos com imagens de edifícios históricos que foram recentemente modernizados, ressignificados e trazidos de volta à vida. O contraste entre passado e presente, entre memória e a história viva de um determinado lugar ou edifício e a tensão entre estas duas coisas é algo que muito contribui para com a experiência da arquitetura e do espaço construído. E mais do que isso, a reabilitação de estruturas históricas pode ter um significado ainda mais profundo, principalmente quando tratamos da vida das pessoas que habitam estes lugares. Neste sentido, a arquitetura pode ser vista como um contentor de memórias coletivas compartilhadas, e o seu desenvolvimento, um livro que narra a própria história da humanidade, seus desafios, conquistas e traumas.

A impossibilidade da equidade na arquitetura

“Equidade” é um termo tão amplo quanto fugaz, e isso também se extende para o campo da arquitetura. Embora muitos arquitetos e arquitetas reafirmem constantemente seu desejo por uma maior equidade em nossa disciplina, motivações não são suficientes para alcançar resultados na prática. Além disso, há uma série de problemas históricos que contribuem e muito para que esses anseios ainda pareçam muito distantes de serem alcançados.

Local pode ser universal

No século XIV, Geoffrey Chaucer escreveu “Familiaridade gera desprezo”. Por definição, “local” é “familiar”. Por que os humanos ficam tão entusiasmados em ir além do familiar, do local e buscar o que é novo, universal e redentor? A palavra “local” tem o peso do verdadeiro valor, como “densidade” ou “sustentável”. Mas a atração da conexão entre todos os humanos é poderosamente sedutora, e esse desejo de conectar quase sempre fica aquém de nossas esperanças.

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Antes do “colonial” havia a arquitetura do imigrante: a gênese da arquitetura norte-americana

Antes mesmo que o estilo colonial se estabelecesse nos Estados Unidos—como em muitas outras colônias do novo mundo—já haviam edifícios sendo construídos. Digamos que antes do “colonial” havia a arquitetura do imigrante. Como um exercício de sobrevivência, a arquitetura do imigrante é aquela feita com aquilo que se tem à mão, com o que se pode encontrar e com o principal objetivo de ter um teto sobre o qual protege-se dos perigos do desconhecido. Depois de um certo tempo e distanciamento, é comum romantizarmos sobre o estilo de arquitetura colonial do país em que crescemos, afinal, somos todos imigrantes não é mesmo? Edifícios simples e honestos, representativos de quem somos e de onde viemos. Estruturas simétricas e de uma sobriedade avassaladora, de pequenos acréscimos e infinitos desdobramentos. Mas acontece que a arquitetura “colonial” não necessariamente é aquela construída com ânsia pelas mãos do imigrante em busca de um teto para morar.

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Como o ensino da arquitetura pode se manter relevante em tempos de mudanças?

Este artigo foi publicado originalmente em Common Edge.

No artigo do Commom Edge desta semana, Duo Dickinson faz uma análise de seu percurso como arquiteto, das salas de aula à prática profissional e finalmente, a volta à escola de arquitetura como professor. Explorando a fundo as transformações na prática da arquitetura ao longo destes anos, Dickinson afirma que “ninguém mais acredita que as nossas escolas de arquitetura estejam hoje preparadas para educar os profissionais que a arquitetura precisará daqui a dez anos”. Nesta jornada, o autor explica como o ensino da arquitetura evoluiu ao longo do tempo, apontando possíveis direções para garantir que o ensino da arquitetura permanece relevante no futuro. 

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A religião da cidade: carros, transporte coletivo e Coronavírus

A religião é uma realidade exclusivamente humana. Assim como as cidades. À medida que emergimos de nosso isolamento, as cidades silenciosas e locais de adoração serão novamente humanizados, em comparação com a triste memória do que já foram.

Vamos nos recuperar dessa estranha realidade, a pandemia e, quando o fizermos, seremos forçados a responder a algumas questões. Antes deste século, o automóvel já foi visto como a forma como os americanos podiam criar uma nova realidade: uma enorme classe média que podia controlar sua vida usando a liberdade que os carros lhes davam para ir onde quisessem, quando quisessem e viver onde eles quisessem viver. Entretanto, antes do isolamento, essa visão do que os carros significavam para nossa cultura estava mudando - especialmente nas cidades.

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2020: O fim do século XX na arquitetura

Toda vez que nos aproximamos do final do ano ouvimos as pessoas dispararem aos quatro ventos: “o mundo já não é mais o mesmo”. Acontece que, no epílogo do ano de 2020, esta profecia parece enfim, soar como algo verdadeiro. Embora tenhamos visto centelhas de esperança ao longo dos últimos meses, a pandemia de coronavírus definitivamente está provocando uma mudança de paradigma na arquitetura.

Na minha opinião, 2020 representará o fim do século XX na arquitetura. Isso porque mudanças radicais na nossa disciplina nunca coincidem com datas exatas e números redondos. O modernismo, como exemplo máximo disso, nasceu em um momento onde as monarquias ocidentais estavam em queda e com a efervescência de um mundo imerso em plena revolução industrial. É importante lembrar que o modernismo na arquitetura é uma decorrência deste contexto e não a sua razão.

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“Make It Right” dá errado em Nova Orleans

Alguns celebram os fracassos do "Make It Right", o projeto apadrinhado por Brad Pitt em Nova Orleans. Após o furacão Katrina devastar Nova Orleans em 2005, nomes consagrados da arquitetura como Frank Gehry, David Adjaye e Thom Mayne criaram projetos para a fundação instituída por Pitt. O/A arquiteto/a local John C. Williams foi contratado/a para transformar os desenhos dessas estrelas da arquitetura em edifícios, com a diretriz de utilizar os melhores materiais sustentáveis disponíveis.

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A pandemia levantou uma questão: por que projetamos edifícios?

Este artigo foi publicado originalmente na Common Edge.

Não é nenhuma novidade que a recente pandemia provocou mudanças em quase todos os aspectos de nossas vidas. E quais foram as consequências disso para a arquitetura e a indústria da construção? Estive em meu escritório em 135 dos 140 dias que se passaram desde que o governador do Estado de Connecticut, Ned Lamont, declarou que a indústria da construção era essencial (e todos os ofícios relacionados), e como tal, não deveria parar neste momento de crise. Ao longo de praticamente dois meses eu trabalhei sozinho, os funcionários foram voltando aos poucos, ainda que a grande maioria deles continue trabalhando remotamente desde casa. Seja como for, o escritório nunca chegou a parar.

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O fim das cidades? Não tão rápido

Quando as coisas mudam, mudamos nossa maneira de viver.

Questionar onde moramos, mesmo em uma era de teletrabalho, ensino pelo Zoom e aversão ao transporte público, é um empreendimento complexo e de alto risco. Nossas casas são únicas. Quer paguemos aluguel ou tenhamos casa própria, para a maioria das pessoas, o lugar onde moramos consome a maior parte dos nossos rendimentos.

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Christopher Alexander constrói um legado de beleza

O ensino de arquitetura ainda vive, em grande parte, em meados do século XX, período no qual o modelo de ateliê se mostra, ao mesmo tempo, maravilhoso, limitado e plenamente ativo. Oferecem-se aos estudantes duas pedagogias distintas: ou uma formação em belas artes ou a aplicação de um regime de escola técnica glorificada voltado à formação de tecnocratas. A Inteligência Artificial (IA) pode vir a eliminar a arquitetura como carreira para quem não domina aquilo que apenas os seres humanos conseguem fazer: sintetizar, canalizar, inventar e criar de forma artesanal. Para além da imitação. Por sua nova natureza, a arquitetura pode estar se tornando desumana.

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Arquiteto/a Swamp Yankee: A Reciclagem como Estilo de Vida

Quer queiramos ou não, todo/a arquiteto/a é um/a reciclador/a.

A expressão “Swamp Yankee” não é uma ofensa nem um estereótipo. Os Swamp Yankees viveram na Nova Inglaterra antes do século XX. Eram pessoas de poucos recursos que só podiam arcar com moradias próximas à água — onde doenças, pragas e o clima severo frequentemente arruinavam vidas. Essas pessoas nunca descartavam nada que pudesse (um dia) ser reaproveitado. O escambo e a recuperação de materiais eram seu modo de vida. Não havia desperdício (“evitar o desperdício é prevenir a falta”). Os Swamp Yankees transformaram a reciclagem em um estilo de vida. A sustentabilidade não era uma escolha ecológica — era a sua forma de sobrevivência.

Minha prática na arquitetura é a de um/a arquiteto/a Swamp Yankee. 

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O que é o espaço sagrado?

Estamos imersos em um caos profano. Trata-se de uma pandemia, acompanhada de uma política insana e de séculos de uma terrível injustiça racial que expõe as piores realidades da humanidade. Cada dia revela mais doenças, mais raiva e mais falhas em nossa cultura do que qualquer pessoa poderia prever.

Os medos inescrutáveis desta época são essencialmente humanos. O mundo natural floresce em meio aos nossos desastres. No entanto, a arquitetura também é uma criação exclusivamente humana. A diretriz primordial da arquitetura é oferecer segurança. Assim, neste momento de perigo, convém refletir sobre o outro lado de tanta injustiça e crueldade profanas: o Espaço Sagrado? A arquitetura pode ir além da mera busca por segurança e aspirar a evocar o melhor de nós, criando lugares que tocam aquilo que só pode ser definido como Sagrado.

O que é o Espaço Sagrado? Seja ele construído pelo ser humano ou originado no mundo natural, o Espaço Sagrado nos conecta a uma realidade que transcende nossos medos. O oceano, a floresta, o nascer ou o pôr do sol podem, todos eles, definir o “Sagrado”. Contudo, as pessoas podem criar lugares que abrigam e expandem o melhor de nós para além do mundo que inevitavelmente nos ameaça e nos entristece. A arquitetura é capaz de criar lugares onde nos sentimos parte de uma realidade sagrada.

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Arquitetura vernacular no mundo pós-coronavírus

Como disse Mike Tyson: “Todo mundo tem um plano, até levar um soco no queixo.”  

A pandemia de COVID-19 vai deixar uma marca indelével no mundo da estética. Desde a fundação da Sociedade das Nações em 1920, finalmente, a estética internacionalizante da arquitetura – como a conhecemos desde então – pode deixar de ser a via de regra ditada pelos cânones da disciplina. Markus Breitschmid, arquiteto e acadêmico suíço professor da Virginia Tech desde 2004, argumenta em seu artigo “In Defense of the Validity of the 'Canon' in Architecture,” que o Cânone na Arquitetura é o principal instrumento responsável por isolar a arquitetura do resto do mundo:

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