
Não estou me referindo a jovens designers, cantores/as, atores/atrizes, poetas ou artistas em início de carreira que trabalham como baristas ou bartenders para pagar as contas e agarram as oportunidades profissionais que surgem. Assim como ocorre com médicos/as, advogados/as e engenheiros/as que não exercem a profissão, a docência sempre foi uma forma de garantir a credibilidade do estilo de vida de um/a “arquiteto/a” sem o desgaste diário de realmente projetar e construir. Há um paradoxo evidente na figura dos/as arquitetos/as que não praticam a arte de construir. As escolas de arquitetura multiplicaram o número de especializações que não têm como foco profissional o projeto de edifícios: gestão de obras, planejamento, sustentabilidade, entre outras. Por dois séculos, a profissão de arquiteto/a refletiu as melhores aspirações da nossa sociedade manifestadas nos edifícios. No entanto, há muitas pessoas que não querem construir — elas apenas amam a identidade do título.
Para a maioria dos/as profissionais de arquitetura, dois dos maiores “unicórnios” da profissão são Frank Lloyd Wright e Zaha Hadid. A figura do/a Arquiteto/a Artista autojustificável serve como um farol para quem acredita que o mundo existe para o seu próprio uso, para financiar sua versão de Beleza. Quase nenhum ser humano consegue viver sob esse modelo de sucesso. Ao contrário de Wright e Hadid, contudo, há arquitetos/as que não sentem esse desejo ardente de construir coisas.

