Editora de Community & Content no ArchDaily. Bacharel em Arquitetura de Interiores e Mestre em Desenvolvimento de Produtos e Negócios. Nascida e criada em Beirute, Líbano.
Com o fim de 2024, um ano dinâmico que questionou saberes, tradições e inovações, analisamos como os acontecimentos e tendências globais influenciaram o design de espaços internos. No ano passado, a prática da arquitetura suscitou debates globais, desafiando normas e tradições ao mesmo tempo que valorizou regiões antes negligenciadas. O design de interiores, por outro lado, adotou uma postura mais reservada e modesta, priorizando a simplicidade e a individualidade. Um ano depois, os temas gerais da arquitetura e do design de 2023 permanecem os mesmos — ou melhor, reforçados —, mas agora incorporam "experimentações artesanais" por meio de intervenções sutis, semelhantes à acupuntura.
A fachada de um edifício costuma funcionar como um reflexo tanto da malha urbana na qual está inserida quanto do que se encontra por trás dela. Para além da estética, as fachadas possuem um papel funcional, cultural e sustentável de grande importância, sobretudo em relação ao design de interiores. Embora a luz natural, as vistas e a organização espacial sejam influenciadas pela fachada, os/as arquitetos/as vêm priorizando a relação entre o envelope da edificação e a qualidade do interior, tendo em vista as transformações culturais, econômicas e ambientais contemporâneas que afetam a maneira como as pessoas projetam seus espaços de vida. Assim, para responder a essas necessidades e hábitos em constante mudança, somados ao foco no bem-estar geral, os/as profissionais recuam a fachada e o teto — e, em alguns casos específicos, os pisos — para criar interiores dentro de interiores: envelopes secundários que protegem o espaço interno do ambiente externo.
À medida que nos aproximamos do final de 2023, um ano repleto de acontecimentos que poderia ser definido como o ano das "mudanças", analisamos como eventos e tendências globais impactaram o design de espaços internos. Olhando para trás, as pessoas questionaram tudo, e a prática arquitetônica não foi exceção. Uma nova voz foi dada a nações frequentemente esquecidas, enquanto os arquitetos buscavam maneiras alternativas de projetar e construir. Questionamos o colonialismo, a cultura do consumo, o desperdício, a tradição e autenticidade, trazendo novas perspectivas dentro da disciplina. No entanto, o design de interiores em 2023 foi reservado; exploratório, mas muito mais modesto e sutil em comparação com os anos anteriores. Após anos de mudanças constantes, parece que as pessoas sentiram a necessidade de pausar, desacelerar e abraçar a simplicidade, expressando sua individualidade por meio de intervenções pontuais.
Os humanos são programados para responder positivamente à natureza; o som crepitante do fogo, o cheiro de chuva fresca no solo, as características medicinais das plantas e da cor verde, a proximidade dos animais etc. Isso, junto com as condições ambientais críticas de hoje e a rápida urbanização, mudou o foco dos arquitetos para projetos ecologicamente conscientes que aproximam as pessoas da natureza. Eles exploraram várias abordagens: estruturas de taipa, materiais e móveis reciclados, projetos guiados pela luz solar... A prática foi tão impulsionada pela onda verde que as linhas se confundiram entre o que é verdadeiramente sustentável e ecológico e o que é greenwashing. Mas o que proporcionou a conexão biológica mais inata com a natureza foi a biofilia e o ato de "trazer o exterior para dentro" através do design.
Kimbell Art Museum / Louis Kahn. Imagem cortesia de Xavier de Jauréguiberry
O AD Classics apresenta alguns dos maiores edifícios do passado que influenciaram e moldaram a arquitetura atual. Ao longo dos 13 anos do ArchDaily, mais de 200 clássicos foram publicados e, para esta edição, reunimos os 20 Clássicos da Arquitetura mais visitados até o momento.
O layout dos espaços internos tem passado por uma evolução constante desde o primeiríssimo projeto residencial. Por muitos anos, a funcionalidade ditou sua organização; logo depois, contudo, mudanças culturais, sociais e econômicas influenciaram a maneira como as pessoas projetam seus espaços de vida, dando origem ao conceito amplo e versátil da planta integrada. Muito já se escreveu — e criticou — sobre a planta integrada: quem a introduziu, como se desenvolveu, seus benefícios e/ou a falta deles. Nas últimas décadas, as plantas integradas estiveram talvez entre os conceitos de design de interiores mais solicitados, mas, hoje, profissionais de arquitetura parecem inclinar-se para o oposto.
Com mais de três milênios de história e uma das maiores concentrações de arquitetura do mundo, Roma exerce uma influência transcendental na cultura global. Frequentemente chamada de “A Cidade Eterna”, a cidade se desenvolveu como capital e sede do poder do Império Romano, sendo considerada por muitos a primeira cidade imperial e uma das primeiras metrópoles da Antiguidade. Como uma cidade continuamente ocupada por mais de 28 séculos, Roma preservou suas inúmeras camadas históricas para se tornar uma representação perfeita de como o antigo se encontra com o novo. Rica em história, vida acadêmica e arte, a capital italiana é hoje uma das cidades mais visitadas do mundo.
O centro histórico de Roma, que se estende da Piazza del Popolo à Piazza Venezia e da margem leste do Tibre até a Piazza di Spagna, é classificado como Patrimônio Mundial da UNESCO. Além de sua importância histórica, a atuação de renomados profissionais da arquitetura e do design contemporâneo tornou Roma um influente destino de design. Em 2019, foi a 14ª cidade mais visitada do mundo, recebendo mais de 8,6 milhões de turistas que buscavam descobrir as formas como a história dos antigos romanos se mistura à vida contemporânea, o que a tornou a terceira cidade mais visitada da Europa e o destino turístico mais popular da Itália.
Com a ascensão das casas compactas e das cidades densas, fomos forçados a abrir mão de uma quantidade significativa de espaço de armazenamento. Ironicamente, nossos hábitos de consumo não mudaram e, com poucos metros quadrados à disposição, arquitetos/as e designers tiveram que desenvolver soluções de armazenamento eficientes para aproveitar ao máximo o espaço limitado. Por outro lado, para quem tem a sorte de ocupar um espaço amplo e desobstruído com um orçamento generoso, as possibilidades de design são infinitas. Neste artigo, analisamos como profissionais da arquitetura e do design encontraram maneiras criativas de guardar pertences em espaços com diferentes funções, escalas e restrições espaciais, variando de armários completamente invisíveis a peças centrais escultóricas.
A arquitetura sempre teve uma relação complementar - às vezes codependente - com a água. A Domus Romana, as Termas de Diocleciano e Caracalla em Roma e a Villa Adriana em Tivoli são alguns exemplos históricos de como a água influenciou o desenho da arquitetura. Em um contexto mais moderno, Frank Lloyd Wright projetou um retiro residencial onde a água é protagonista, redefinindo a relação entre o homem, a arquitetura e a natureza. Hoje em dia, à medida que os arquitetos mudam o foco para uma prática mais contextual, sustentável e orientada para o usuário, o uso da água na arquitetura tornou-se imprescindível para resfriar espaços interiores, tornando-se um ar-condicionado natural quando combinada com plantas, transmitindo a sensação de tranquilidade e servindo como um elemento decorativo orgânico.
O legado de Luis Barragán reside no modo como ele utilizava a luz e a cor; a compreensão sensível da luz natural por Tadao Ando estabeleceu sua linguagem arquitetônica única; e as dramáticas transformações de interiores de James Turrell exploram uma percepção singular da experiência visual, na qual “a luz não é um instrumento para possibilitar a visão, mas sim o próprio objeto a ser visto”. Além disso, as instalações imersivas de Olafur Eliasson estimulam a psicologia do público por meio da luz, da água e do ar. Esses profissionais da arquitetura e do design, entre outros, reinventaram a percepção da luz, inspirando gerações a seguir seus caminhos na compreensão e aplicação desse elemento.
A mesquita, lugar sagrado da cultura islâmica, possui características estruturais e identidade distintas. É uma arquitetura serena e espiritual que aproxima os indivíduos de sua fé e do divino. A casa original do Profeta Muhammad em Medina (na atual Arábia Saudita) é considerada o primeiro local de oração, e serviu como modelo para a arquitetura das primeiras mesquitas: uma estrutura de tijolos de barro com áreas de convivência em um lado de um pátio retangular fechado. A alocação de espaços abertos no centro das cidades onde muçulmanos poderiam se reunir e orar tornou-se mais frequente, resultando em vários espaços de culto com uma característica espacial universal: sua orientação para Meca.
O processo de design da mesquita começou com uma única forma geométrica fechada, reforçando a ideia de espiritualidade e isolamento. Logo após, esse simples protótipo espacial evoluiu para a primeira mesquita hypostyle formal, conhecida por sua vasta sala de oração e série de arcadas. São variações desse modelo a primeira mesquita em Medina, conhecida como Mesquita Quba (622 DC), a Mesquita Kairouan em Túnis (670 DC), e a Mesquita Umayyad em Damasco (715 DC), algumas das quais incorporavam detalhes das colunas da arquitetura grega e romana. No entanto, o papel das mesquitas evoluiu ao longo dos anos de apenas um lugar de culto para uma arquitetura que ajuda a restabelecer os valores do Islã e oferece contribuições à sociedade.
Os seres humanos nascem com uma propensão inata para se conectar com a natureza: ouvindo o estalar do fogo, sentindo o aroma da chuva na terra, experimentando as propriedades curativas das plantas e do verde, ou buscando a proximidade com os animais. Por essa razão, e diante da severa degradação ambiental e da rápida urbanização contemporâneas, os/as arquitetos/as têm voltado suas atenções para projetos ecologicamente conscientes a fim de reaproximar as pessoas da natureza. Diversas abordagens são exploradas: construção de estruturas em taipa, uso de materiais e mobiliário reciclados, orientação solar das residências... Contudo, essa prática é fortemente influenciada pela arquitetura sustentável, e a fronteira entre a real sustentabilidade ecológica e a falsa "maquiagem verde" (greenwashing) tem se tornado cada vez mais tênue. O que de fato potencializa essa conexão intrínseca entre os seres vivos e a natureza é o design biofílico e a estratégia de trazer o exterior para o interior.
Sob o tema "Mesquita: um edifício intercultural", o 4º ciclo do Prêmio Abdullatif Alfozan para Arquitetura de Mesquitas (2020-2023) anunciou seus 5 projetos vencedores, vindos da Austrália, Turquia, Sérvia, Eslovênia e Moçambique. A cerimônia de premiação ocorreu no Museu Nacional de Riade em 5 de março de 2023, seguida por um seminário de arquitetura de dois dias no qual os/as arquitetos/as explicaram o processo de desenvolvimento de seus projetos vencedores.
Analisando as mesquitas entre o passado, o presente e o futuro, a seleção levou em consideração o contexto de cada projeto, a privacidade, seu significado religioso e arquitetônico, além da contribuição para a comunidade. Mais de 200 mesquitas de todo o mundo foram inscritas, resultando em uma lista de 22 finalistas. No entanto, as cinco mesquitas vencedoras foram elogiadas por irem além das tipologias tradicionais, ao explorarem a importância do sentir dentro de um espaço religioso, seu valor como "ferramentas de comunicação urbana" e a forma como suas linguagens arquitetônicas restabelecem os valores da religião.
Na foto estão(da esquerda para a direita): Joseph Henry, Meneesha Kaur Kellay, Sumitra Upham, Jayden Ali e Sevra Davis (Diretor de Moda e Design de Arquitetura do British Council). Imagem cortesia do British Council
O design de interiores tem se tornado cada vez mais um tema de interesse entre arquitetos/as e designers. Com o aumento do tempo passado em ambientes internos recentemente, os/as profissionais têm experimentado com seus espaços e explorando diferentes abordagens de escala, conforto e estética. Como tudo o mais, o design é altamente influenciado por fatores externos; qualquer mudança no estilo de vida das pessoas influencia a forma como elas respondem a ele, seja consciente ou inconscientemente. E embora essa dinâmica seja frequentemente vista na moda ou no design gráfico, ela também tem se destacado no design de interiores. Após anos de espaços lineares, de linhas retas e refinados, as silhuetas curvas ressurgiram, tornando-se uma das principais tendências de design de interiores em todo o mundo.
Ao encerrar 2022, fizemos uma retrospectiva de como este ano trouxe novas adaptações na maneira como vivemos, trabalhamos e interagimos com nosso ambiente construído, especialmente após anos de mudanças sem precedentes. Uma maneira de descrever a identidade de design deste ano é dizendo que não há uma. Nesse período de transição, a inspiração veio de viagens ao exterior, de mundos virtuais imersivos, da comunhão com o planeta, de plataformas que promovam as individualidades e suas expressões, e de uma geração conhecida por suas perspectivas ousadas.