"Sabemos que não nascemos para morrer", dizia frequentemente o arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha. "Nascemos para continuar." Na arquitetura, essa ideia de continuidade está no cerne do patrimônio — não como uma herança estática, mas como algo que resiste, se transforma e é constantemente reinterpretado. No entanto, o que continua e o que se permite desaparecer nunca é algo neutro. As decisões sobre preservação são moldadas pelo poder, pela memória e pelo valor, levantando uma questão fundamental para a prática contemporânea: quem define o que vale a pena ser levado adiante, e para quem?
Segundo Lugar + Prêmio de Estudante Buildner: Silent Equilibrium
A Buildner tem o prazer de anunciar os resultados da Architect's Chair Competition Edition 4, um concurso internacional anual que convida arquitetos/as e designers de todo o mundo a enviar propostas para uma cadeira autoral. Seguindo os passos de figuras icônicas como Charles e Ray Eames, Ludwig Mies van der Rohe, Marcel Breuer e Arne Jacobsen, os/as participantes têm a tarefa de criar cadeiras personalizadas que reflitam suas filosofias e visões de design únicas.
Uma mesa longa pode ser colocada em quase qualquer lugar e ainda desempenhar a mesma função. Ela pode se estender sob a cobertura de um mercado, alinhar-se ao refeitório de uma escola ou ocupar o centro de uma sala de estar compartilhada, alterando imediatamente a temperatura do ambiente.
É por isso que a mesa longa é menos um objeto e mais um instrumento espacial. Ela não garante uma conexão e raramente parece "inclusiva" por padrão. Em vez disso, estabelece condições: uma borda compartilhada, um ritmo comum de chegada, um campo de visibilidade mútua ou uma regra que transforma o ato de comer em uma cena compartilhada. Estudos sobre alimentação descrevem essa prática como comensalidade, o ato de comer junto e a ordem social que ele pode criar, reforçar ou contestar. No entanto, o que importa aqui não é uma dimensão específica ou a função da mesa, mas a maneira como uma superfície longa comporta a diferença, a conversa e o silêncio; a intimidade e a distância; a decisão de se juntar e o direito de hesitar.
A arquitetura residencial continua sendo um dos campos mais ativos para a exploração arquitetônica de projetos não construídos, oferecendo uma lente através da qual arquitetos e arquitetas repensam como o espaço doméstico pode responder à paisagem, ao clima e aos modos de vida contemporâneos. Nesta edição de Projetos Não Construídos, enviada pela comunidade do ArchDaily, as propostas selecionadas reúnem uma variedade de projetos residenciais que abordam casas, vilas e refúgios como locais de recolhimento, mediação e habitação cotidiana. Em vez de tratar a casa como um objeto estático ou isolado, esses projetos a abordam como uma estrutura espacial que negocia exposição, privacidade e conexão com o lugar.
Azm / Samu por Hassan Qureshi. Imagem cortesia de Riyadh Art
Durante séculos, a escultura esteve associada à materialização de valores religiosos, à celebração de conquistas heroicas ou à consolidação do poder político. Hoje, ela também atua como um instrumento crítico e um mediador urbano. Muitas obras contemporâneas questionam o presente, desafiam a escala, dialogam com o movimento e a circulação, e reconfiguram a percepção do espaço público. A escultura já não é concebida como um objeto isolado, mas como parte de processos mais amplos de transformação urbana.
Riad, a capital da Arábia Saudita, exemplifica uma cidade em processo de intensa expansão e reestruturação. Sobretudo no âmbito da agenda Vision 2030, o município tem investido na qualificação dos espaços públicos, na diversificação de sua paisagem cultural e na consolidação de uma identidade urbana que alia tradição, infraestrutura e projeção global. Nesse contexto, a produção cultural desempenha um papel estruturante, contribuindo para redefinir a experiência urbana cotidiana e expandir as referências simbólicas da cidade.
Em Seis propostas para o próximo milênio, Italo Calvino explora a leveza sob uma perspectiva literária e argumenta: "À leveza se opõe o peso. Retirar peso produz leveza; ela é um valor, não um defeito." Apoiando-se na mitologia grega, ele reflete sobre um dos feitos de Perseu após decapitar a terrível Górgona Medusa sem ser transformado em pedra. Auxiliado pelos deuses Hades, Hermes e Atena, Perseu voa com suas sandálias aladas e usa um escudo de bronze como espelho para refletir a imagem dela. Apoiando-se, como muitos arquitetos e arquitetas, naquilo que há de mais leve — o vento e as nuvens —, ele também fixa o olhar no que se revela por meio de uma visão indireta: uma imagem refletida no espelho.
Historicamente, a transparência foi naturalizada como uma condição inerente à arquitetura moderna. Com a transição das pesadas paredes portantes para os fechamentos leves em vidro, este material foi introduzido na disciplina, diluindo as fronteiras entre os espaços internos e externos. Em relação à arquitetura inflável, a transparência vincula-se à leveza e à impermanência, deixando rastros temporários nas paisagens que habita. Ao utilizar tecidos ou plásticos como principais materiais e o ar como sistema estrutural, a busca pela leveza no ambiente construído agora reconhece mais de uma única atmosfera de aplicação.
Durante séculos, a infraestrutura de grande escala operou em segundo plano. Portos, usinas e instalações de energia localizavam-se nos limites das cidades, projetados primordialmente com foco na eficiência e raramente considerados parte da vida cívica. Embora sua função fosse indispensável, sua presença arquitetônica permanecia secundária. Essas estruturas sustentavam o crescimento urbano e o intercâmbio global ao mesmo tempo em que mantinham um distanciamento espacial da experiência urbana cotidiana.
Hoje, esse cenário está mudando gradualmente. À medida que o comércio global se intensifica e os sistemas de energia expandem sua complexidade, os edifícios que coordenam e abrigam essas redes ganham visibilidade na paisagem urbana. Em vez de permanecerem como receptáculos neutros para operações técnicas, eles passam a afirmar uma identidade espacial. A infraestrutura já não é apenas operacional; torna-se cada vez mais institucional, simbólica e urbana. A arquitetura que dá suporte a esses sistemas agora participa ativamente da projeção da imagem das próprias cidades.
Culinary Health Fund . Imagem cortesia de Longboard
Antes de compreendermos um espaço de forma racional, nós o percebemos sensorialmente. A luz, a proporção, a textura, a cor e a materialidade influenciam a maneira como o corpo interpreta um ambiente, definindo se ele parece acolhedor, frio, íntimo ou impessoal. Elementos visuais e cromáticos podem afetar diretamente a percepção de profundidade, atmosfera e escala nos interiores, sobretudo em edifícios contemporâneos caracterizados por grandes vãos e superfícies contínuas. Entre os elementos arquitetônicos que moldam essa experiência, o forro talvez seja um dos mais subestimados, apesar de sua profunda influência na maneira como o espaço é percebido e habitado.
Kiaura Collection™ projetada por Aaron DeJule para a KI. Imagem cortesia de KI Furniture
Durante décadas, profissionais aceitaram uma realidade desconfortável: horas passadas em uma mesa de trabalho frequentemente resultam em dores nas costas, inquietação constante e uma fadiga mental progressiva. Embora os assentos ergonômicos convencionais tenham buscado melhorar o conforto por meio de mecanismos ajustáveis, eles, em grande parte, continuaram a pressupor que o sentar-se de forma eficaz depende da manutenção de uma postura estável. A crescente compreensão da relação entre movimento, bem-estar físico e desempenho cognitivo sugere uma abordagem diferente, na qual o movimento se torna parte integrante da experiência de sentar-se, em vez de algo a ser minimizado.
O espaço público é frequentemente projetado em torno de uma ideia restrita sobre como as pessoas se movem, interagem e respondem ao seu entorno. O ParkTEA parte de uma premissa diferente: a cidade também pode abrir espaço para quem vivencia o ambiente a partir de diferentes condições sensoriais e sociais.
Desenvolvido por Ignacio Martínez Pardo na Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Madrid (ETSAM), o projeto foi concebido no âmbito do programa de trabalho de conclusão de mestrado (Graduate-MHab) durante o ano letivo de 2024 a 2025, sob a orientação de Héctor Fernández Elorza, Jesús Aparicio, Carlos García Fernández e Jaime Daroca Guerrero. Reconhecido como um dos vencedores da primeira edição do ArchDaily Student Project Awards, o ParkTEA aborda o tema da coexistência por meio de uma proposta que reúne cuidado, infraestrutura e vida urbana.
Situado às margens do rio Sava em Belgrado, na Sérvia, o terreno de uma antiga fábrica de cimento tornou-se o ponto de partida para a 21ª edição do Saint-Gobain Architecture Student Contest. Organizado em cooperação com o World Green Building Council, OneClick LCA, a Prefeitura de Belgrado, o Academic Yachting Club Belgrade, o Serbia Green Building Council e a Green & Blue Corridors Association, o concurso convidou estudantes a imaginarem um novo Polo de Esporte e Lazer capaz de transformar uma orla industrial em um destino público ativo o ano todo. Mais de 200 universidades de 34 países participaram desta 21ª edição do Architecture Student Contest.
Fundado por Oliver Thomas, o ATN Summit é a primeira grande conferência da Archi-Tech Network, marcando cinco anos desde que a plataforma começou como uma iniciativa comunitária voltada ao compartilhamento de conhecimento prático de arquitetura. O ATN Summit, que ocorrerá nos dias 18 e 19 de março de 2026, em Londres, reúne profissionais de arquitetura, tecnologia e inovação do setor para explorar como as tecnologias emergentes estão redefinindo a prática profissional. Concebido como um evento de alta produção e focado em ideias, o Summit reflete a evolução da ATN de uma conversa informal on-line para uma plataforma global ativamente engajada com o futuro do ambiente construído.
Nicolás Valencia conversa com a arquiteta hondurenha Ángela Stassano, autora do Museu da Escultura de Copán e uma das principais arquitetas da América Central. Gravado na cidade hondurenha de San Pedro Sula, Stassano apresenta suas publicações sobre arquitetura bioclimática, histórias de motoneta e a história de Honduras.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093978/angela-stassano-cresci-em-uma-casa-que-ja-tinha-respostas-climaticas-sem-ser-chamada-de-arquitetura-bioclimaticaArchDaily Team
Wonder Cabinet / AAU ANASTAS. Imagem cortesia de AAU ANASTAS
Entre os vencedores do Prêmio Aga Khan de 2025 está o escritório AAU Anastas com o seu projeto Wonder Cabinet, na Palestina, cujo objetivo central é servir como um refúgio para a cultura e a criatividade e como uma ponte entre o design e a produção. Para além deste projeto expressivo, o AAU Anastas — que opera a partir de escritórios em Belém, na Palestina, e em Paris, na França — construiu um amplo portfólio desde 2015. Entre suas obras notáveis estão o Dar Al Majous, uma restauração em Belém que desafia as fronteiras entre as esferas doméstica e pública; o Tribunal de Tulkarm (2015), um de seus primeiros projetos, que redefiniu o caráter cívico e o convívio social em um terreno de esquina proeminente em Tulkarm; e The Flat Vault, uma intervenção comercial que adiciona uma abóbada de pedra justaposta a uma loja monástica existente, vinculada a uma igreja construída no século XII pelos Cruzados.
Em meio a essas obras de forte impacto, o Wonder Cabinet provavelmente atraiu a atenção do júri não apenas por sua execução refinada e complexidade espacial em camadas, mas também por sua operação como uma plataforma socialmente geradora — dissolvendo a fronteira entre infraestrutura social e arquitetura. Concebido para apoiar a cultura, a criatividade, o design e a produção, o edifício aspira acolher profissionais da arquitetura, do design, da gastronomia, do artesanato e das artes visuais e sonoras, entre outras áreas. De maneira significativa, o projeto impulsiona o espírito articulado pelo júri de 2025, que caracterizou este ciclo como um ano de fomento à resiliência e ao otimismo por meio do design, demonstrando como a arquitetura pode atuar, simultaneamente, como catalisadora de comunidades e de iniciativas empreendedoras.
Ao contrário de muitas outras atividades que hoje ocorrem inteiramente em ambientes digitais, o resultado final do trabalho na indústria de arquitetura, engenharia e construção não permanece em uma tela. Arquivos se tornam edifícios, modelos se transformam em estruturas e as decisões tomadas durante o processo de projeto acabam moldando ruas, bairros e cidades inteiras. Um edifício costuma durar décadas, às vezes séculos, e os impactos das escolhas feitas durante seu desenvolvimento estendem-se muito além do momento da entrega, influenciando o cotidiano de milhares de pessoas.
A história da arquitetura frequentemente avança por meio de gestos icônicos ou avanços tecnológicos; no entanto, certas obras permanecem influentes precisamente por resistirem ao espetáculo. Construída entre 1972 e 1974 em Sint-Martens-Latem, na Bélgica, a Residência Van Wassenhove destaca-se como um desses projetos silenciosos, mas decisivos. Concebida como um volume único e contínuo de concreto implantado em uma paisagem arborizada, a casa desafia as ideias convencionais de conforto doméstico, privacidade e hierarquia espacial. Sua presença é direta e intransigente, evitando, contudo, a monumentalidade, posicionando-se, em vez disso, como uma estrutura vivenciada, moldada por rituais cotidianos e pela habitação de longo prazo.
A casa foi projetada por Juliaan Lampens, uma figura que atuou em grande parte à margem das narrativas arquitetônicas dominantes de sua época. Trabalhando principalmente em Flanders e frequentemente em encomendas privadas, Lampens desenvolveu uma obra centrada na redução espacial radical, na honestidade material e em uma abordagem quase ética da construção. A Residência Van Wassenhove é frequentemente descrita como sua obra mais completa, não por introduzir novas ideias, mas por consolidar muitos dos princípios que perpassam consistentemente sua carreira.
A madeira engenheirada deixou de ser um nicho experimental para se tornar parte central do debate contemporâneo sobre construção sustentável. A combinação de menor carbono incorporado, sistemas pré-fabricados e cronogramas de obra mais rápidos ajudou a posicionar soluções como CLT (madeira laminada cruzada) e DLT (madeira cavilhada) como alternativas viáveis ao concreto e ao aço em edifícios residenciais, escritórios, escolas e equipamentos públicos em todo o mundo. A isso somam-se a previsibilidade dos processos construtivos e as qualidades ambientais associadas à madeira, frequentemente vinculadas ao conforto de quem utiliza o espaço e à experiência espacial.
Um vendedor ambulante vendendo balões ao longo da La Séptima na Plaza de Bolívar. "Bogota, Colombia" por szeke está licenciado sob CC BY-SA 2.0
É época de chuvas, mas o temporal desta manhã pouco afeta o ritmo ao longo da La Carrera Séptima. Ciclistas e pedestres desviam de comerciantes ambulantes com seus carrinhos de abacates, doces de gengibre e capinhas de celular. Carrinhos de brinquedo, lâmpadas e joias de miçangas feitas à mão brilham com as gotas de chuva, organizados meticulosamente sobre lonas que demarcam os territórios dos/as vendedores/as. Policiais se aproximam de um/a catador/a que recolhe garrafas; um/a turista pechincha o preço de uma jaqueta; duas mulheres se encontram no meio da rua, abraçando-se enquanto seus casacos ficam pesados sob a chuva.
La Séptima, ou a Sétima Avenida de Bogotá, é a via mais emblemática de Bogotá, percorrida por mais de dois milhões de pessoas todos os dias. Ao longo desta única via — que é em parte mercado, rota de protesto e polo de transportes — a história de Bogotá se desenrola. Por quase um ano, acompanhei seus ritmos como pedestre, usuário/a do transporte, habitante e pesquisador/a. Em todos esses momentos e em suas encarnações históricas, uma imagem persistiu: a rua é um corpo vivo. Ela é imaginada como a espinha dorsal de Bogotá, sua artéria vital, seu coração. Sangra, carrega cicatrizes e exige cuidados.
Um material de construção raramente começa sua trajetória no momento em que a arquitetura o encontra. Quando o concreto chega ao canteiro de obras, seu calcário já foi extraído, processado e transformado. A madeira chega muito depois da floresta. O vidro surge desconectado da areia da qual foi feito. No momento em que os materiais entram na construção, grande parte da paisagem e da indústria que os produziu já desapareceu de vista.
O que importa mais: olhar para o passado ou para o futuro? Reconhecer trajetórias consolidadas ou fomentar caminhos ainda em construção? Talvez esta não seja uma pergunta com resposta única. Tradicionalmente, os prêmios de arquitetura funcionam como dispositivos de consagração, reconhecendo obras concluídas, carreiras consolidadas e soluções já testadas, na maioria das vezes sob uma perspectiva retrospectiva. Mas o que aconteceria se o reconhecimento deixasse de ser um fim em si mesmo e passasse a funcionar como um agente catalisador, investindo menos no que já foi feito e mais no que está por vir?
Ao deslocar a rotação das dobradiças tradicionais e distribuir o peso verticalmente, as portas pivotantes foram desenvolvidas para responder a um desafio arquitetônico específico: como movimentar painéis de portas grandes e pesados com precisão, durabilidade e o mínimo de interferência visual. Esses sistemas permitem que as portas ganhem dimensões significativas em termos de escala, peso e ambição material, frequentemente diluindo a fronteira entre porta, parede e superfície arquitetônica. Com o tempo, essa inovação técnica expandiu o papel das portas na arquitetura, permitindo que funcionassem não apenas como pontos de acesso, mas também como limiares espaciais, dispositivos de composição e elementos expressivos na envoltória do edifício.
Para destacar essa evolução, a FritsJurgens criou o Best Pivot Door Contest, com o objetivo de apresentar projetos nos quais a precisão da engenharia e a intenção arquitetônica convergem. Fundada nos Países Baixos, a empresa é reconhecida internacionalmente por seus sistemas pivotantes embutidos, capazes de suportar portas excepcionalmente grandes e pesadas. Esses sistemas proporcionam a arquitetos/as maior liberdade em termos de escala e materialidade, mantendo a precisão, a confiabilidade e a clareza arquitetônica.
Cortesia de SolarLab, Foto de doublespacephoto.com. Imagem RRC Polytech Manitou a bi Bii daziigae / Diamond Schmitt Architects & Number TEN Architectural Group
À medida que a responsabilidade ambiental se consolida na cultura de projeto, o envelope do edifício passa a ser reconsiderado não apenas como uma pele protetora, mas como uma superfície ativa de produção de energia. Tratar a tecnologia solar como um material, e não como um mero acessório, reformula a maneira como a arquitetura é concebida e detalhada. Cor, textura, ritmo e montagem tornam-se indissociáveis do desempenho. A tecnologia fotovoltaica integrada a edifícios (BIPV) opera justamente nessa definição ampliada de materialidade. Ao integrar a tecnologia solar em fachadas e fachadas ventiladas desde as etapas iniciais de um projeto, arquitetos e arquitetas podem reduzir redundâncias, alinhar metas energéticas às intenções de projeto e repensar a composição dos envelopes. No entanto, traduzir essa ambição em sistemas construtivos viáveis exige precisão técnica e inteligência executiva.
Além de ser uma fonte de vida, a força do sol na arquitetura está há muito tempo atrelada à necessidade da humanidade de aproveitá-la e controlá-la como um recurso vital. Desde a antiguidade, a energia solar tem sido utilizada para medir o tempo, apoiar o plantio e a colheita, e oferecer proteção contra o calor e o frio. Hoje, a radiação solar desempenha um papel significativo no consumo global de energia. Soluções arquitetônicas baseadas em materiais, tecnologias e análises ambientais são desenvolvidas a partir da compreensão da capacidade da energia solar de transformar o ambiente interno das edificações. Mas como as edificações podem ser transformadas em fontes de energia limpa?