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Tradição: O mais recente de arquitetura e notícia

Um novo encontro em Valparaíso, no Chile, reúne mestres e mestras da construção para salvaguardar ofícios tradicionais

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De 9 a 11 de outubro, acontecerá no Parque Cultural de Valparaíso, no Chile, o evento "Oficios en obra" (Ofícios em Obra), um encontro de aprendizado e colaboração focado nos ofícios tradicionais de construção da cidade. Organizado pela Prefeitura, o encontro busca destacar e preservar técnicas de trabalho historicamente ligadas à construção de Valparaíso, promovendo seu reconhecimento e ajudando a garantir sua continuidade entre as novas gerações por meio de atividades abertas e gratuitas ao público. Outrora o porto mais importante do Pacífico Sul, a arquitetura de Valparaíso testemunha diversas aplicações de madeira estrutural, terra batida (taipa) e tecnologias industriais importadas durante o século XIX. Isso a torna um objeto de estudo para ofícios tradicionais e técnicas construtivas que vêm sendo revalorizadas diante dos contextos contemporâneos de crise climática e econômica, servindo como um caminho alternativo para o futuro.

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Estruturas da memória: 5 projetos não construídos sobre patrimônio da comunidade ArchDaily

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De modo geral, uma estrutura é um testemunho de seu tempo. A proposta e a escala física de um projeto de arquitetura frequentemente superam o tempo de vida de um ser humano, integrando-se, assim, a uma narrativa histórica. Essa característica transversal se manifesta de forma especialmente clara em tipologias de projeto específicas: memoriais, cemitérios, museus e até mesmo centros educacionais e comunitários. Recentemente, esse valor expandiu-se para além dos edifícios, englobando também técnicas construtivas, formas e geometrias ancestrais, e a própria natureza. Esse valor histórico e sua conotação simbólica estão representados nesta seleção de cinco projetos desenvolvidos por leitores e leitoras do ArchDaily, ainda não construídos, localizados no Kosovo, no Canadá, na China, no Egito e em Bangladesh.

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Arquitetura que empodera comunidades: as histórias por trás dos projetos de Francis Kéré

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"Minha única preocupação é que meu trabalho tenha um impacto positivo nas comunidades em que está inserido", afirma Francis Kéré em seu livro Francis Kéré: Building Stories. Sua própria história de vida, o contexto em que cresceu e as experiências pelas quais passou moldam sua abordagem da arquitetura. Trata-se de um compromisso que se estende às pessoas e aos lugares que chamam de lar — valorizando a materialidade, o aprendizado coletivo e a troca de saberes. Descobrir as histórias por trás de projetos como a Escola Primária em Gando e a Escola Secundária Naaba Belem Goumma inspira uma reflexão sobre como projetar espaços que verdadeiramente sirvam à humanidade.

A história de Francis Kéré começa em uma aldeia na África Subsaariana e se estende por muitos lugares. Gando foi o cenário de sua formação inicial, onde absorveu a essência e os princípios que mais tarde moldaram os valores fundamentais de sua trajetória profissional, somados a influências de outras culturas. A estrutura de Gando é constituída por diferentes famílias que se organizam, segundo costumes estabelecidos, em pátios espalhados pela savana. Crescer nessa aldeia remota na savana de Burkina Faso fomenta um forte senso de comunidade, tornado tangível pela compreensão de que cada habitante de cada pátio faz parte da vida do todo.

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Projetar com o que existe: Expansão da sede da Rieder transforma materiais residuais em design de fachada

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E se as sobras industriais não fossem resíduos, mas o ponto de partida do projeto de arquitetura? Na sede da Rieder em Maishofen, na Áustria, mais de 1.300 metros cúbicos de madeira, 180 elementos de teto e centenas de fragmentos reciclados de concreto reforçado com fibra de vidro se unem em um edifício moldado tanto pelo reúso quanto pelo planejamento. O novo pavilhão de produção, projetado pelo escritório Kessler² Architecture, trata as sobras de materiais como recurso de projeto. Desenvolvido como parte de um investimento de longo prazo em manufatura sustentável, o edifício híbrido de madeira e concreto introduz uma técnica de fachada que inverte os fluxos de trabalho convencionais da arquitetura: em vez de projetar primeiro para depois produzir os componentes, o envelope do edifício é gerado a partir dos resquícios de materiais já disponíveis no local, estabelecendo uma nova linguagem para a arquitetura industrial.

Na intersecção entre inovação e tradição: o projeto Talavera

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Arquitetura, entendida como um produto cultural, é fortemente influenciada por diversos estímulos que incluem aspectos históricos, geográficos e culturais, entre outros. Juntos, esses elementos formam um patrimônio que pode (ou não) perdurar ao longo do tempo. Embora a arquitetura tenda a se adaptar a cada cultura, modelando suas técnicas tradicionais de acordo com seu contexto e moldando o ambiente circundante, não há garantia de que os elementos tradicionais nela irão permanecer inalterados ao longo do tempo. Isso se deve em grande parte à constante evolução da sociedade e da tecnologia, que às vezes tende para a universalidade e a adoção de uma linguagem comum, em vez de uma própria.

Dado esse cenário, é essencial explorar uma abordagem onde a inovação e a tecnologia não substituam a tradição e a produção artesanal; em vez disso, elas surgem como um meio de exploração em direção a rotas emergentes. A adoção de técnicas novas e materiais inovadores adaptados às necessidades locais específicas torna possível manter uma expressão autêntica que responda às demandas do ambiente. Essa abordagem, que poderia ser chamada de neo-artesanal, permite a preservação de uma voz distinta que reflete a autenticidade do contexto local. Ao mesmo tempo, contribui para uma perspectiva universal, mesclando o local com o global.

Snøhetta projeta Teatro Nacional para o povo indígena Sámi na Noruega

O Teatro Nacional Sámi Beaivváš e a Escola Secundária e de Criação de Renas Sámi são duas das mais importantes instituições culturais do Sápmi, uma região no norte da Noruega, Suécia e Finlândia tradicionalmente habitada pelo povo Sámi. Para fortalecer a posição das duas instituições, foi iniciado em junho de 2021 um projeto para criar um equipamento cultural e educacional compartilhado. A proposta de projeto de Snøhetta, em colaboração com a Econor, 70°N arkitektur, e o artista Joar Nango, foi escolhida após um concurso. O edifício, também conhecido como Čoarvemátta, está atualmente em construção e deve ser concluído até 2024.

Perspectivas da Arquitetura - Debate sobre concursos de projeto

Com o objetivo de discutir os rumos da arquitetura brasileira, baseado em discussões e críticas atuais divulgadas na mídia especializada, o IAB promoverá uma rodada de debates tendo como pano de fundo a prática dos concursos de arquitetura.
A dificuldade de lidar com tal questão levou o IAB a abrigar uma reflexão mais abrangente sobre estes temas e convocar os arquitetos para discutir tanto as condições dos concursos no contexto atual da profissão, quanto o papel destes em uma dimensão urbana e social mais abrangente, considerando a cidade e a arquitetura como direitos sociais de toda a população.

Harvard e Oxford lançam campanha para preservar monumentos contra o Estado Islâmico

Do Templo de Baalshamin à cidade de Nimrud, o Estado Islâmico já destruiu diversos monumentos e relíquias. Agora, arqueologistas de Harvard e Oxford se uniram à UNESCO e ao projeto Epigraphical Database do Instituto de Estudos do Mundo Antigo da Universidade de New York para lançar o Million Image Database Project. Liderado pelo Instituto de Arqueologia Digital (IDA) de Oxford, a campanha planeja levar milhares de câmeras 3D a regiões assoladas por guerras para que as pessoas possa escanear e preservar (digitalmente) a arquitetura e artefatos históricos de suas regiões.

Rem Koolhaas fala sobre a Prada, preservação, arte e arquitetura

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Com a abertura das galerias de arte Fondazione Prada, em maio, o OMA mostrou um lado diferente de seu trabalho, com foco na preservação e montagem ao invés da iconografia e layout esquemático - que muitos associam ao escritório. Nesta entrevista, publicada originalmente pela Metropolis Magazine como "Koolhaas Talks Prada", Rem Koolhaas explica o raciocínio por trás dessa nova abordagem e como eles tentaram evitar cair em clichês de espaços artísticos pós-industriais.

Quando a Fondazione Prada abriu suas portas para uma nova casa permanente em Milão dedicada à cultura contemporânea, não só colocou a cidade italiana firmemente na vanguarda da arte global, mas também introduziu uma nova maneira ambiciosa de pensar a relação entre arquitetura e arte. A localização - uma destilaria original de 1910 -composta por sete espaços, incluindo armazéns e três enormes cisternas de cerveja com uma qualidade industrial crua que os arquitetos, a empresa holandesa OMA, mantiveram, além de adicionar três novos edifícios feitos de vidro, concreto branco e espuma de alumínio. Um deles, o Podium, de localização central, é destinado a exposições temporárias, enquanto outro, ainda em construção, é uma torre de nove andares que vai abrigar os arquivos da fundação, instalações de arte e um restaurante. O terceiro, um teatro com uma fachada espelhada, apresenta paredes dobráveis permitindo que a construção se abra para um pátio. No total, o conjunto de edifícios fornece cerca de 11 mil metros quadrados de espaços de exposição, mais do que o dobro do novo Museu Whitney de Arte Americana. A correspondente da revista Metropolis, Catherine Shaw, visitou o local com o arquiteto ganhador do prêmio Pritzker, Rem Koolhaas, para descobrir mais sobre os desafios de criar um novo paradigma cultural.

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Cidade e Arquitetura: Tradição e Inovação

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Por Rodrigo Bitencourt e Gláucia Dalmolin

Cidade e civilização são fenômenos concomitantes. A cidade pode ser vista como receptáculo, fomentadora e transmissora de civilização. De fato, como o homem diferencia-se das outras criaturas pela sua capacidade de aprender indefinidamente, i.e., pela sua perfectibilidade (formigas de seis mil anos atrás têm as mesmas características das formigas atuais: estão confinadas na estreita gama de comportamentos ditados pelos seus programas genéticos), adquiriu o poder de extrapolar a natureza e assim construir seu próprio caminho, criando história. E como cada vida humana é única e ninguém tem a capacidade de determinar previamente como ela será, pode-se afirmar que o ser humano é portador de uma duplicidade histórica: a história individual, ou educação, e a história coletiva, ou cultura.