Esta semana, questões sobre habitação, segurança e o futuro das cidades ganharam destaque, desde o impacto de desastres naturais até o papel da arquitetura na construção de ambientes urbanos mais inclusivos. O Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, celebrado em 13 de outubro sob o tema "A resiliência começa em casa", colocou essas questões em evidência apenas alguns dias após um terremoto de magnitude 7,7 atingir o Panamá, danificando edifícios e provocando evacuações em todo o país. Para além da preparação para desastres, os acontecimentos da semana também refletem esforços mais amplos para atender às necessidades habitacionais, dar novos usos a edifícios existentes e criar espaços voltados para a educação, a cultura e a vida pública.
A expansão de 9.300 metros quadrados (100.000 pés quadrados) do campus da Colburn, projetada por Frank Gehry, será inaugurada em 25 de setembro de 2027, com um evento no novo Terri and Jerry Kohl Hall, uma sala de concertos em formato circular com capacidade para 1.000 pessoas. A Colburn é uma escola de música e dança em Los Angeles, em um campus no centro da cidade que recebe cerca de 10.000 pessoas semanalmente. A instituição oferece formação em artes cênicas, além de promover anualmente mais de 500 apresentações de música e dança abertas ao público. As primeiras imagens do projeto foram divulgadas em 2022. A expansão triplica as instalações atualmente dedicadas à dança e abrigará o Trudl Zipper Dance Institute da Colburn. O edifício, com acabamento em revestimento rosa metálico, está localizado ao lado do campus da Grand Avenue da Colburn, no centro de Los Angeles, e deve ter suas obras concluídas no verão do hemisfério norte de 2027.
Esta semana foi marcada por reconhecimentos e grandes anúncios para o setor cultural. Em meio a relatórios internacionais de destruição tanto deliberada quanto natural, a UNESCO incluiu 25 novos locais de Valor Universal Excepcional em sua Lista do Patrimônio Mundial, protegendo uma gama diversificada de locais que abrange desde paisagens funerárias a obras emblemáticas da arquitetura moderna. Além do patrimônio, a prática arquitetônica contemporânea também recebeu novo reconhecimento por meio de Alejandro Aravena e Smiljan Radić, enquanto novos desenvolvimentos foram anunciados para projetos culturais nos Emirados Árabes Unidos, Equador, China, Índia e Estados Unidos. As atualizações recentes incluem a restauração de um cinema histórico em Los Angeles, um novo museu dedicado à inovação e ao empreendedorismo em Bengaluru e a conclusão da estrutura de uma torre de madeira híbrida de 39 andares em Sydney.
O Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi anunciou que o Guggenheim Abu Dhabi será aberto ao público em 11 de dezembro de 2026, na Ilha Saadiyat. O museu, projetado pelo falecido Frank Gehry, torna-se a quarta instituição na rede global do Guggenheim, juntando-se às filiais de Nova York, Veneza e Bilbao.
O projeto foi anunciado pela primeira vez em 2006. As obras começaram em 2011, foram suspensas por vários anos devido a dificuldades econômicas e alterações contratuais, e acabaram retomadas em 2019. A data de conclusão prevista para 2025, estabelecida em 2021, acabou sendo adiada para dezembro de 2026.
Todos os anos trazem novas ideias, projetos e deslocamentos na cultura arquitetônica, mas também marcam a perda de vozes que moldaram a disciplina ao longo de décadas. A arquitetura avança, mas também se constrói por meio da ausência. Quando desaparecem figuras que ajudaram a formular sua linguagem e suas ambições, o que fica vai além de obras concluídas ou textos influentes. A ausência se torna um limiar — um momento em que a disciplina pausa para compreender o que permanece, o que se transforma e o que continua a nos orientar. Essas perdas nos lembram que a arquitetura é uma construção longa e coletiva, sustentada não apenas por quem atua no presente, mas também por aqueles cujas visões seguem moldando a maneira como pensamos cidades e paisagens.
Os arquitetos e pensadores que perdemos em 2025 vieram de contextos muito distintos, mas as questões que atravessaram seus trabalhos frequentemente se cruzam. Alguns abordaram a cidade a partir da identidade, do simbolismo e da continuidade histórica, buscando ancorar o ambiente construído na memória cultural. Outros a interpretaram por meio da precisão técnica, dos sistemas ecológicos ou da experimentação radical, expandindo os limites do que a arquitetura pode ser e de como pode ser vivenciada. Suas obras atravessam contextos tão diversos quanto a Grã-Bretanha do pós-guerra, a urbanização acelerada da China, as vanguardas centro-europeias e as instituições culturais em transformação de Berlim e Nova York. Juntos, compõem um espectro de respostas que definiu — e continua a definir — a cultura arquitetônica dos últimos cinquenta anos, revelando a multiplicidade de formas pelas quais a arquitetura pode se relacionar com a sociedade, a tecnologia e o meio ambiente.
Não se pode negar que, à primeira vista, a notícia de um Louvre em Abu Dhabi ou de um Centre Pompidou no Brasil causa certo estranhamento. A imagem desses museus, mundialmente reconhecidos, parece — de algum modo — indissociável de seus contextos originais. E, em parte, realmente o é. O Louvre, enraizado na história da França como antiga fortaleza e posterior residência real, representa um conjunto de valores patrimoniais inestimáveis, realçados ainda mais pela emblemática intervenção piramidal de I. M. Pei, em 1989. O Pompidou, por sua vez, é lembrado como um ponto de inflexão histórico: ao redefinir o conceito de equipamento público por meio de uma arquitetura extremamente disruptiva, fez com que, pela primeira vez, a cultura atraísse multidões.
Suzhou Museum of Imperial Kiln Brick. Image Cortesía de Jiakun Architects
O Prêmio Pritzker é o reconhecimento mais importante que um arquiteto(a) pode receber em vida. A honraria é outorgada todos os anos a arquitetos e arquitetas cuja obra construída "tenha produzido significativas contribuições para a humanidade ao longo dos anos", segundo explica a própria organização responsável pela premiação. Por esta razão, o júri presta homenagem a pessoas e não a escritórios, como já aconteceu em 2000 (Rem Koolhaas ao invés do OMA), 2001 (Herzog & de Meuron), 2010 (SANAA), 2016 (Elemental) e 2017 (RCR Arquitectes), premiando seus fundadores (como no caso do SANAA), o então, um deles (Elemental).
O Museu Guggenheim de Bilbao, está celebrando seu 25º aniversário em outubro de 2022. Situado à beira do rio Nervión no País Basco, Espanha, o Guggenheim de Frank Gehry impulsionou a economia da cidade com seu sucesso surpreendente e mudou seu papel no desenvolvimento da cidade. Vinte e cinco anos depois, o Efeito Bilbao continua desafiando pressupostos sobre transformações urbanas, inspirando a construção de peças arquitetônicas icônicas que elevam o status das cidades e atraem visitantes e investidores.
Great Gulf Group, Dream e Westdale Properties revelaram renderizações da mais recente arquitetura de Frank Gehry em Toronto, Canadá. Projetado para deixar uma marca no horizonte da cidade, Forma, a primeira torre residencial do arquiteto no Canadá, e seu edifício mais alto, tem 73 andares e apresenta um lobby cuidadosamente projetado por Gehry, juntamente com uma impressionante instalação de arte personalizada que reflete sua abordagem visionária, bem como interiores do estúdio de design internacional Paolo Ferrari.
Rendering of the Colburn Center at the Colburn School. View from Hill Street West towards dance school entrance, adjacent park, and stairs leading up to Olive Street and public plaza.. Image Courtesy of Gehry Partners
A Colburn School, renomada escola de música e dança de Los Angeles, divulgou o novo projeto de Frank Gehry para o Colburn Center, uma expansão do campus de quase 10 mil metros quadrados que busca inspirar e promover organizações e artistas jovens da região. O centro servirá como um hub cívico no coração de LA para programas públicos e contará também com colaborações educacionais e performances com artistas locais e visitantes.
No ano passado, uma série de novos museus, ampliações e várias reformas em museus, abriram suas portas ao público, acrescentando uma nova dimensão à paisagem cultural ao redor do mundo. Desde a tão esperada reabertura da Neue Nationalgalerie em Berlim, até a fusão do Museu de Arte Jining de Ryue Nishizawa com a paisagem, e o reflexivo Art Depot da MVRDV. Descubra a arquitetura dos mais recentes locais de arte e cultura.
A síntese entre arte e arquitetura remonta à origem da própria disciplina. Das formas elaboradas do barroco à estrutura geométrica do modernismo, a arte tem sido historicamente uma determinante fonte de inspiração para muitos arquitetos, os quais se tornaram responsáveis por traduzir estilos, técnicas e conceitos em estruturas habitáveis. Pensando nisso, neste artigo procuramos explorar a influência de cinco dos principais movimentos da história da arte na arquitetura, observando a forma como os arquitetos se apropriaram de algumas de suas características mais elementares para criar as suas próprias composições arquitetônicas.
Render do Guggenheim de Abu Dhabi. Imagem Cortesia de Gehry Partners/The Guggenheim Foundation
Era 2006, Frank Gehry foi contratado para projetar o impressionante Museu Guggenheim de Abu Dhabi. Desde então, passaram-se 15 anos e ainda faltam outros cinco para que possamos ver este edifício finalmente inaugurado.
O projeto Second Century de Frank Gehry, que irá abrigar a nova sede da Warner Bros, está em construção nos Estados Unidos. Após a inauguração no início de 2020, o projeto agora tem sua estrutura no local e a fachada está tomando forma. Previsto para ser concluído em 2023, a tempo do centenário da produtora, o projeto apresenta uma série de torres de escritórios inclinadas e de altura média agrupadas em duas estruturas distintas que lembram "icebergs flutuando ao longo da rodovia".
O aguardado LUMA Arles de Frank Gehry finalmente abriu suas portas ao público. A torre revestida de aço inoxidável com uma estrutura geométrica retorcida fica em um campus criativo de 27 acres no Parc des Ateliers, na cidade francesa de Arles, abrigando galerias de exposições, espaços para projetos e as instalações de pesquisa e arquivo do LUMA. Mais de 45 artistas e designers de renome mundial, como Etel Adnan, Olafur Eliasson, Koo Jeong A, Carsten Höller e Kerstin Brätsch apresentarão suas criações nos 12 níveis da torre, tornando-a um novo foco para artistas globais, curadores e entusiastas da arte .
Museus são estruturas responsáveis por preservar a história e o patrimônio de uma sociedade. Como instituições culturais intimamente conectadas à vida moderna, estas estruturas operam como uma janela para a história, oferecendo espaços de reflexão e conexão com o passado. Concebidos para promover a compreensão e instigar novas ideias, esses edifícios monumentais muitas vezes nos convidam a transitar em um outro território, entre o passado, o presente e por que não, o futuro. Com um patrimônio histórico invejável, a Alemanha é o lar de uma série de instituições museais, tão diversas quanto renomadas. Visitar estes edifícios nos oferece não apenas uma oportunidade para redescobrir o passado, mas principalmente para explorar novas abordagens de curadoria, taxonomia e organização espacial.