Nelson Kon

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Conforto ambiental como condição de interior na arquitetura sul-americana

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Em toda a América do Sul, o conforto ambiental é compreendido não como uma condição interna estática, mas como algo moldado através do espaço. Em regiões marcadas pelo calor, umidade, luz solar intensa e variações sazonais, a arquitetura há muito tempo se apoia em decisões espaciais para amenizar o clima e acolher a vida cotidiana. O conforto surge da maneira como os interiores são abertos, sombreados, ventilados e habitados ao longo do tempo.

Em vez de isolar os espaços internos de seu entorno, muitos projetos contemporâneos na região cultivam o conforto por meio da profundidade, da porosidade e de zonas intermediárias. A luz é filtrada, e não maximizada; o ar é direcionado por aberturas alinhadas e vazios; e os limiares se transformam em espaços ativos de uso, em vez de bordas residuais. Tais estratégias não buscam um controle ambiental uniforme, mas produzem interiores que permanecem amenos, adaptáveis e intimamente sintonizados com as mudanças nas condições climáticas. Nesse contexto, o conforto ambiental torna-se indissociável da experiência espacial.

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Quando a arte veio primeiro: experimentos espaciais que moldaram a arquitetura na América Latina

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Muitas das ideias espaciais que hoje associamos à arquitetura contemporânea, ao uso coletivo e à experiência corporal não se originaram apenas nos edifícios. Na América Latina, esses conceitos foram frequentemente explorados primeiro por meio da arte, em um momento em que artistas questionavam ativamente como o espaço poderia ser ocupado, compartilhado e vivenciado para além das formas tradicionais.

Em meados do século XX, a região passou por uma rápida urbanização e por profundas transformações sociais. Esperava-se cada vez mais que a arquitetura respondesse à vida pública, à coletividade e a novas maneiras de habitar o espaço. Paralelamente, a arte oferecia um campo de experimentação mais flexível, menos condicionado pela função, pelas regulamentações ou pela permanência. Como resultado, muitas questões espaciais foram testadas por meio de práticas artísticas antes de passarem a integrar o pensamento arquitetônico.

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Estruturas leves, pegadas pesadas? O paradoxo ambiental dos materiais leves

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Utilizando chapas maciças de aço, muitas vezes com vários centímetros de espessura e pesando toneladas, as esculturas de Richard Serra transmitem uma sensação quase improvável de leveza. Esse efeito não resulta de uma redução de massa, mas de como essa massa é organizada: grandes superfícies curvas se inclinam, passagens estreitas comprimem o corpo e elementos aparentemente instáveis criam uma sensação constante de desequilíbrio. Serra transforma o peso em uma experiência espacial dinâmica.

Na arquitetura, a leveza ocupa um papel central pelo menos desde o período moderno. Se tradições anteriores, como as arquiteturas grega e romana, estavam intimamente associadas à estabilidade, e as grandes igrejas à monumentalidade, o século XX introduziu uma mudança decisiva na forma como a matéria é tratada, sobretudo por meio da separação entre estrutura e fechamento.

Clima e uso coletivo: permeabilidade arquitetônica na América Latina

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A arquitetura é frequentemente compreendida como uma questão de fechamento. Paredes definem o espaço, separando o interior do exterior e estabelecendo limites claros. No entanto, em muitos projetos na América Latina, essa distinção se torna menos precisa. Em vez de operarem como objetos fechados, os edifícios muitas vezes permanecem abertos, permitindo a passagem do ar, da luz e do movimento.

Essa condição vai além da forma. Em toda a região, a arquitetura responde há muito tempo a climas caracterizados pelo calor, pela umidade, pela forte exposição solar e pelas chuvas sazonais, bem como a culturas construtivas moldadas pela adaptação, pelo trabalho coletivo e pelo engajamento direto com o meio ambiente. Nesses contextos, interiores totalmente vedados nem sempre são a resposta mais eficaz. O espaço é frequentemente organizado por meio da sombra, da ventilação e de zonas intermediárias que regulam, em vez de isolar.

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Arquitetura de uso misto na América Latina: 10 exemplos que incorporam a diversidade

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Arquitetura de uso misto na América Latina: 10 exemplos que incorporam a diversidade - Imagem de Destaque
Sesc 24 de Maio / Paulo Mendes da Rocha + MMBB Arquitetos, Centro Productivo La Proveedora / Natura Futura Arquitectura, Centro CCO / El Equipo Mazzanti, e Sede CAF Región Sur / LAPS Arquitectos. Imagem

Como motores da economia e da produção, as cidades abrigam as maiores massas populacionais e estima-se que, até o ano de 2050, concentrarão 70% da população mundial. Nesse contexto, arquitetos e arquitetas incorporam dia após dia a articulação de usos mistos em suas edificações, buscando favorecer la diversificação e evitar a monofuncionalização.

Na era da renovação do estoque construído, como respondem os laureados do Prêmio Pritzker?

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Após quase 50 anos de urbanização acelerada, o desenvolvimento urbano transitou da "era da expansão" para a "era do estoque construído". O planejamento das cidades deixou de focar na construção nova para se concentrar na reabilitação qualificada do tecido urbano existente, reativando seus espaços. Ao analisar os projetos de reforma recentes dos laureados do Prêmio Pritzker, investigamos como esses arquitetos e arquitetas respondem aos desafios da atual era de reabilitação urbana.

Estas são as 26 obras selecionadas para o Prêmio Latino-Americano de Arquitetura Rogelio Salmona 2024

O ‘Prêmio Latino-Americano de Arquitetura Rogelio Salmona: espaços abertos / espaços coletivos’ busca reconhecer as obras de arquitetura construídas que criam espaços significativos para a cidadania, contribuindo para a consolidação de cidades mais acolhedoras. Diferentemente das edições anteriores, este ano foram estabelecidas duas categorias: América Latina e Colômbia.

Entre as 42 obras inscritas, o júri composto por Sol Camacho (Brasil - México), Nicolás Campodónico (Argentina), Carlos Campuzano (Colômbia), Carlos Jiménez (Espanha - Colômbia) e Mauricio Rocha (México) selecionou 26 obras latino-americanas para publicação, difusão e exibição nas atividades desta nova edição de 2024. Vale destacar que a premiação final ocorrerá no dia 24 de outubro deste ano.

Conheça os projetos finalistas da Bienal Panamericana de Arquitetura de Quito 2022 (BAQ2022)

Até o dia 18 de novembro, acontece a Bienal Pan-Americana de Arquitetura de Quito (BAQ2022) na Casa de la Cultura Ecuatoriana. Organizada pelo Colegio de Arquitectos del Ecuador, Provincial de Pichincha (CAE-P), a bienal vem sendo realizada desde 1978 com o objetivo de promover o diálogo, o intercâmbio e a reflexão sobre a arquitetura e a cidade contemporânea. Nesta edição, a proposta é abordar a temática intitulada “Inflexões: Voltar a ver”, com o objetivo de oferecer um espaço para a discussão e o debate sobre a arquitetura em torno dos momentos de inflexão na história.

4 casas no Brasil que estimulam a integração entre interior e exterior_

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Casa Oásis Ventú / Bezerra Panobianco

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Casa Xingu / TETRO Arquitetura

Casa Xingu / TETRO Arquitetura - Mais Imagens+ 29

  • Arquitetos: TETRO Arquitetura
  • Área Área deste projeto de arquitetura Área:  1800
  • Ano Ano de conclusão deste projeto de arquitetura Ano:  2025
  • Fabricantes Marcas com produtos usados neste projeto de arquitetura
    Fabricantes:  Hunter Douglas, kitchens

Cultivando apartamentos verdes: um guia para integrar a natureza em pequenos espaços urbanos

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A vida urbana tornou-se sinônimo de espaço limitado e soluções criativas para apartamentos compactos. À medida que as cidades se tornam cada vez mais dominadas por concreto e aço, observa-se um aumento empolgante, embora não surpreendente, no interesse pelo cultivo de plantas, mesmo sob as restrições de um ambiente urbano denso. Esse interesse não visa apenas atender a gostos estéticos, uma vez que estudos mostram consistentemente que a exposição à natureza reduz o estresse, melhora o foco e aumenta o bem-estar geral. Contudo, em ambientes urbanos densos, o desafio reside em encontrar maneiras inovadoras de tornar essa visão realidade em apartamentos onde cada centímetro importa.

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Prolongando coberturas do Brasil à Índia: elementos paralelos de projeto residencial em 10 projetos

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Não é de surpreender que conceitos arquitetônicos já viajassem pelo mundo muito antes da disseminação de informações pela internet. Se, por um lado, muitas regiões compartilham certos acontecimentos históricos e, consequentemente, referências (como a colonização e os movimentos de independência ou mudanças de regimes políticos em meados do século XX), por outro, algumas podem simplesmente ter desenvolvido soluções paralelas diante de condições climáticas e disponibilidade de materiais semelhantes. Além disso, com a disseminação de uma pedagogia arquitetônica mais uniforme adquirida em estudos no exterior, seguida pelo boom da internet, era natural que encontrássemos projetos quase gêmeos em todos os cantos do mundo. Embora eles possam parecer quase idênticos sob certos ângulos, podem carregar camadas e histórias distintas. Por outro lado, também podem revelar o mesmo raciocínio e premissas compartilhados por seus pares do outro lado do oceano.

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Seleção dos Curadores do ArchDaily 2025: Uma retrospectiva de 12 análises de projetos marcantes

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Nos últimos anos, a equipe de curadoria do ArchDaily vem revisitando obras arquitetônicas que merecem um olhar mais atento. Por meio de um post no Instagram chamado "Project Review", descreve-se o que se considera o principal atributo da obra. Ao mergulhar nas histórias dos projetos e nos elementos que os tornam verdadeiramente inspiradores, a curadoria destaca iniciativas que, de outro modo, poderiam passar despercebidas, estudando-as de perto e com atenção à localidade e ao contexto. O resultado é um conjunto de obras diversas, muitas vezes localizadas em áreas rurais ou suburbanas, que possuem uma função pública ou significado histórico.

Embora algumas casas façam parte da lista, a maior parte das análises se volta para centros culturais, bibliotecas, espaços de trabalho ou ambientes comerciais. Destaca-se também o fato de que muitas dessas obras são provenientes da Ásia, incluindo alguns projetos fundamentais na China rural. As escolhas são bastante diversas em termos de materialidade e linguagem de projeto; no entanto, todas propõem soluções arquitetônicas inovadoras e narrativas cativantes.

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Projetar para a densidade: como os princípios modernistas continuam a moldar as soluções de habitação social hoje

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Ao discutir o modo de vida modernista, vários projetos residenciais privados icônicos podem vir à mente primeiro — a Villa Savoye de Le Corbusier, as Case Study Houses, notadamente de Richard Neutra, Pierre Koenig e Charles e Ray Eames, bem como as casas de vidro de Mies van der Rohe e Philip Johnson. A maioria desses projetos exemplificava uma visão idealizada do morar moderno, inserida em paisagens pitorescas e caracterizada pela experimentação com novos métodos construtivos, materiais e conceitos espaciais. Seus projetos abraçavam a abertura, diluindo os limites entre os espaços público e privado, em grande parte livres de restrições como densidade, eficiência, acessibilidade, integração com o transporte público ou considerações comunitárias.

Embora essas residências modernas continuem influentes no design residencial contemporâneo, elas também — talvez de forma inesperada — lançaram as bases para os princípios da habitação de alta densidade. Conceitos como a relação entre espaço público e privado, a construção modular e a pré-fabricação, inicialmente explorados nessas residências unifamiliares privadas, foram adaptados às restrições vastamente diferentes da habitação social. 

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Seguindo o legado de Oscar Niemeyer: a história por trás do Teatro Estadual de Araras no Brasil

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Inaugurado em 1991, o Teatro Estadual Maestro Francisco Paulo Russo de Araras é considerado um dos principais equipamentos culturais da cidade e da região. Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, um dos grandes expoentes do Movimento Moderno, o teatro foi dotado de toda a infraestrutura necessária para eventos culturais locais, nacionais e internacionais entre 1995 e 2005. Niemeyer deixou um legado cuja linha arquitetônica de formas livres se articula com influências de diferentes vertentes, sendo também capaz de dialogar com a identidade de um país tropical.

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Christian de Portzamparc receberá o Prêmio pelo Conjunto da Obra do Créateurs Design Awards 2026

Christian de Portzamparc foi anunciado como o vencedor do Prêmio Andrée Putman pelo Conjunto da Obra de 2026 (Andrée Putman Lifetime Achievement Award), concedido pelo Créateurs Design Awards (CDA). O reconhecimento homenageia sua influência na arquitetura e no urbanismo, situando-o em uma linhagem de profissionais cujo trabalho moldou tanto o ambiente construído quanto o discurso cultural. A cerimônia será realizada em Paris em 17 de janeiro de 2026, data em que de Portzamparc receberá o prêmio pessoalmente.

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Arquitetura para todas as pessoas: reflexões sobre acessibilidade no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

Todos os anos, em 3 de dezembro, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência traz atenção renovada para a necessidade de ambientes inclusivos e equitativos, tanto no aspecto social quanto no espacial. O tema de 2025, "Fomentar sociedades inclusivas para pessoas com deficiência para promover o progresso social", destaca como barreiras persistentes no emprego, na proteção social e no acesso a serviços continuam a afetar mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Nesse contexto mais amplo, o ambiente construído desempenha um papel decisivo: a arquitetura pode tanto reforçar a exclusão quanto abrir caminhos para a autonomia, a dignidade e a participação na vida cotidiana.

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Centros culturais, museus e galerias: edifícios antigos transformados em espaços para a arte na América Latina

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Muitos edifícios costumam cair em desuso devido às constantes transformações econômicas, sociais e tecnológicas que nossas cidades enfrentam. A inconsistência programática dos tempos atuais exige grande versatilidade e capacidade de adaptação de nossas infraestruturas, fazendo com que, cada vez mais, as edificações fiquem desabitadas, entregues ao abandono e à deterioração.

Apresentamos a seguir uma seleção de 20 projetos latino-americanos nos quais antigos galpões, residências, prisões, moinhos e mercados foram recuperados e transformados em centros culturais, museus e galerias.