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O sombreamento pode se tornar energia? De fachadas passivas a envoltórias produtivas

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Como principal interface entre os espaços internos e o ambiente externo, as fachadas desempenham um papel central tanto no desempenho quanto na expressão arquitetônica dos edifícios. Cada vez mais, elas deixam de ser vistas como envelopes estáticos para se tornarem mediadoras ativas entre clima, energia, uso e estética. Em contextos urbanos densos, no entanto, elas também ganham relevância por outro motivo: enquanto as superfícies de cobertura costumam ser limitadas, fragmentadas ou já ocupadas por equipamentos técnicos, os envelopes verticais permanecem amplamente subutilizados em termos de produção de energia.

Paisagens salinas regenerativas: projeto vencedor do ArchDaily Student Project Awards repensa a extração na Argentina

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Quando se pensa na Argentina, costuma-se imaginar marcos como o Obelisco de Buenos Aires. No entanto, o país se estende por mais de 2.780.400 km², sendo um dos maiores da América do Sul e abrigando uma ampla diversidade de paisagens e realidades que frequentemente passam despercebidas. De fato, a província de Jujuy, no norte da Argentina, está localizada no Triângulo do Lítio: uma região de alta altitude compartilhada com a Bolívia e o Chile que concentra cerca de 54% das reservas mundiais de lítio. Nesse território encontra-se o Salar de Olaroz, um local onde hoje convergem duas dinâmicas conflitantes: a expansão da extração industrial de lítio e a preservação da cultura e das terras ancestrais habitadas pelas comunidades Kolla e Atacama, gerando um embate entre a extração industrial de alta capacidade e as práticas agrícolas tradicionais de baixo impacto.

Diante dessa problemática, uma das equipes vencedoras do ArchDaily Student Project Awards, composta por Ezequiel Lopez, Maria Victoria Echegaray e Agustina Durandez, decidiu investigar o tema. O trabalho foi desenvolvido como projeto de conclusão de curso para a graduação em Arquitetura na Universidade Nacional de Córdoba. A proposta nasce do interesse em dialogar com territórios que permanecem periféricos ao discurso arquitetônico, utilizando o trabalho de conclusão como uma oportunidade para uma pesquisa profunda e contínua. Isso possibilitou a formulação de respostas projetuais embasadas e fundamentadas nas realidades territorial e socioeconômica. Ao rejeitar a oposição binária entre extração e preservação, o projeto aborda o território como um sistema no qual ambas as dinâmicas podem coexistir por meio da mediação espacial e técnica.

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Estruturas leves, pegadas pesadas? O paradoxo ambiental dos materiais leves

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Utilizando chapas maciças de aço, muitas vezes com vários centímetros de espessura e pesando toneladas, as esculturas de Richard Serra transmitem uma sensação quase improvável de leveza. Esse efeito não resulta de uma redução de massa, mas de como essa massa é organizada: grandes superfícies curvas se inclinam, passagens estreitas comprimem o corpo e elementos aparentemente instáveis criam uma sensação constante de desequilíbrio. Serra transforma o peso em uma experiência espacial dinâmica.

Na arquitetura, a leveza ocupa um papel central pelo menos desde o período moderno. Se tradições anteriores, como as arquiteturas grega e romana, estavam intimamente associadas à estabilidade, e as grandes igrejas à monumentalidade, o século XX introduziu uma mudança decisiva na forma como a matéria é tratada, sobretudo por meio da separação entre estrutura e fechamento.

Sobre a água, a encosta e a floresta: arquitetura elevada na América Latina

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Na América Latina, o solo raramente é apenas uma superfície sobre a qual se constrói. Pode ser a margem de um rio, uma encosta íngreme, o chão úmido de uma floresta, uma paisagem inundável ou um território sob pressão ecológica. Em muitos casos, carrega uma história de comunidades que já sabiam como responder a essas condições, construindo sobre palafitas, plataformas ou sobre a água, muito antes de a arquitetura contemporânea formular as mesmas perguntas.

Esses projetos dão continuidade a esse diálogo. Eles interagem com condições que se movem, absorvem, sofrem erosão e crescem, em vez de tratar o solo como algo a ser nivelado ou controlado. A elevação permite que a arquitetura se adapte sem se impor completamente: a água pode passar por baixo, a vegetação pode permanecer e as encostas mantêm sua condição original. Em cada caso, a decisão de elevar a estrutura está atrelada a fatores específicos: água, umidade, topografia, vegetação ou recuperação ecológica, além do conhecimento de como construir a favor do entorno, e não contra ele.

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Projetar para o tempo: o envelhecimento dos materiais como estratégia de projeto

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A figura de Titono na mitologia grega propõe uma reflexão sobre o paradoxo da permanência. Ao suplicar a Zeus pela imortalidade, ele se esqueceu de pedir a juventude eterna, o que resultou em uma vida de envelhecimento sem fim. Com o passar do tempo, seu corpo se deteriora, transformando a própria imortalidade em um fardo. A narrativa sugere uma contradição fundamental: a permanência, quando desvinculada da capacidade de mudança, deixa de ser uma qualidade desejável. Em vez de estabilidade, gera uma decadência acumulada sem adaptação.

Historicamente, a arquitetura frequentemente caiu na chamada "Armadilha de Titono". Os materiais são especificados para resistir ao tempo, os sistemas são detalhados para evitar transformações e os edifícios são concebidos como imagens estáticas. No entanto, essa busca pelo estático raramente sobrevive à realidade das intempéries. Entre o momento do projeto — frequentemente associado a representações precisas e controladas — e a vida útil de uma edificação, as superfícies inevitavelmente sofrem desgaste, mudam de aparência e perdem seu acabamento original. O envelhecimento costuma ser interpretado como uma perda, em vez de ser incorporado como parte da linguagem arquitetônica.

Repensando o arranha-céu: 5 torres não construídas da comunidade ArchDaily

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A arquitetura de edifícios em altura continua sendo um instrumento fundamental para acomodar a densidade em ambientes urbanos em rápida evolução. Tradicionalmente definida pela eficiência e repetição, a torre vem sendo cada vez mais reexaminada como um sistema espacial e organizacional mais complexo. Em diferentes geografias, arquitetos e arquitetas testam como as estruturas verticais podem ir além de funções únicas para incorporar programas em camadas, estratégias ambientais e novas formas de ocupação.

A seleção a seguir reúne projetos não construídos enviados pela comunidade do ArchDaily, destacando uma variedade de abordagens para a torre contemporânea. De empreendimentos de uso misto e edifícios residenciais em altura a propostas ecológicas especulativas, essas obras refletem uma mudança contínua na forma como a arquitetura vertical é concebida. Tais torres dialogam com questões mais amplas de privacidade, coexistência, adaptabilidade e integração urbana.

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Descubra os vencedores do Prêmio Obra do Ano 2026 do ArchDaily em Espanhol

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Três projetos foram escolhidos pela comunidade do ArchDaily em Espanhol como os vencedores do Prêmio Obra do Ano 2026. Os vencedores, representando o Peru e o Equador, foram selecionados após três semanas de votação pública, entre mais de 800 projetos. O prêmio reconhece o melhor da arquitetura da América Latina e da Espanha, decidido por sua comunidade.

Uma adição responsável: Formas HIMACS obtêm certificação SCS para conteúdo reciclado

Aliando estética, desempenho e versatilidade, a HIMACS se consolida como a superfície sólida de escolha para muitos/as arquitetos/as e designers. Dando um passo além, toda a linha padrão de cubas e lavatórios HIMACS agora conta oficialmente com a certificação SCS, contendo no mínimo 8% de conteúdo reciclado pré-consumo. Essa certificação eleva o apelo técnico e visual do material ao oferecer uma opção mais sustentável sem comprometer a qualidade ou a funcionalidade.

De bancadas de banheiro com cubas integradas a ilhas de cozinha com pias embutidas rente à superfície, os formatos HIMACS oferecem um equilíbrio perfeito entre estilo e função. Cada componente se integra perfeitamente à superfície HIMACS ao redor, criando um acabamento contínuo e sem rejuntes que é, ao mesmo tempo, elegante e fácil de manter.

Conheça os 75 finalistas do Prêmio ArchDaily Building of the Year 2026

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Duas semanas e mais de 85.000 indicações depois, foram definidos os finalistas do Building of the Year Awards deste ano. A seleção reflete o perfil do próprio público do ArchDaily que a escolheu: geograficamente diversa, generosa em ideias e precisa em suas intenções. Reunindo projetos de 46 países, em uma ampla variedade de tipologias e escalas, a lista apresenta um belo panorama do momento atual da arquitetura.

Convidamos você a navegar pela seleção e votar em seus projetos favoritos. Abaixo, apresentamos os 75 finalistas divididos em suas respectivas categorias. A votação estará aberta até o dia 18 de fevereiro, às 18:00 EST. Agradecemos a sua participação — ela é fundamental para consolidar este como o maior prêmio de arquitetura do mundo decidido pelo público.

Sem Solo Firme: Três Abordagens para Construir Abaixo do Nível do Mar em Roterdã

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Arquitetos e arquitetas calibram cuidadosamente sua relação com a terra, ajustando as fundações ao solo, ao lençol freático, ao clima, aos riscos e à cultura. Estacas de madeira cravadas, plataformas de terra batida e lajes de concreto moldadas in loco são, cada uma, respostas a um conjunto específico de condições do terreno, e cada uma molda a arquitetura que dele emerge. A maneira como um edifício se conecta com a terra determina sua durabilidade e seus limites, pois as fundações estão entre as decisões projetuais mais impactantes que um/a arquiteto/a pode tomar.

A cidade de Roterdã fica aproximadamente um metro abaixo do nível do mar, uma condição estruturante que molda a vida cotidiana na segunda maior cidade dos Países Baixos e que se tornou uma preocupação crescente diante da instabilidade das condições costeiras. A cidade ocupa o delta dos rios Reno e Mosa, uma paisagem que nunca foi naturalmente seca, mas que se mantém funcional graças a séculos de intervenção hidráulica. Os conselhos de águas (water boards) desta região estão entre as instituições democráticas mais antigas do mundo, criados no século XIII para gerenciar a drenagem coletiva da água e que ainda hoje operam como órgãos eleitos com atribuições técnicas. Com o aumento do nível do mar e com as chuvas no norte da Europa cada vez mais imprevisíveis e extremas, Roterdã enfrenta um risco significativamente maior de ressacas costeiras e inundações urbanas causadas pela sobrecarga da infraestrutura de drenagem.

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O Caminho Construído: Peregrinação e Sequência Arquitetônica no Caminho de Santiago

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A peregrinação é uma das práticas culturais mais antigas e persistentes, uma expressão espacial da busca da humanidade por sentido que tomou forma em diferentes geografias e religiões. Embora tradicionalmente associada a sistemas de crenças formais, sua definição se expandiu nas últimas décadas, refletindo novas compreensões sobre o que é sagrado e onde o sentido pode ser encontrado. Essa mudança revela algo fundamental: o ato de deslocar-se pelo espaço continua sendo central para a maneira como as pessoas constroem experiências significativas. No entanto, a maioria dos ambientes construídos hoje é projetada para ser acessada em velocidade, a partir de rodovias, corredores de transporte público, aeroportos e centros urbanos otimizados. O Caminho de Santiago ergue-se como um contra-argumento consistente a essa condição. Trata-se de uma obra de arquitetura distribuída, refinada ao longo de séculos, que permanece como um exemplo sofisticado de design organizado em torno do corpo humano em movimento.

O Caminho Construído: Peregrinação e Sequência Arquitetônica no Caminho de Santiago - Imagen 1 de 4O Caminho Construído: Peregrinação e Sequência Arquitetônica no Caminho de Santiago - Imagen 2 de 4O Caminho Construído: Peregrinação e Sequência Arquitetônica no Caminho de Santiago - Imagen 3 de 4O Caminho Construído: Peregrinação e Sequência Arquitetônica no Caminho de Santiago - Imagen 4 de 4O Caminho Construído: Peregrinação e Sequência Arquitetônica no Caminho de Santiago - Mais Imagens+ 36

Vida e obra de Lilly Reich, segundo Laura Martínez de Guereñu e Anna Ramos

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Nicolás Valencia conversa com Anna Ramos, diretora da Fundação Mies van der Rohe, e a arquiteta e pesquisadora Laura Martínez de Guereñu, autora de ⁠Lilly Reich in Barcelona: The Materialization of a Neglected Authorship⁠.

Martínez de Guereñu estuda a obra que Lilly Reich e Mies van der Rohe construíram em parceria criativa: desde a famosa Sala de Vidro na exposição de Habitação de Stuttgart e o Café de Veludo e Seda na exposição A Moda Feminina de Berlim, ambas em 1927, até sua obra-prima na seção alemã da Exposição Internacional de Barcelona em 1929, o Pavilhão representativo da Alemanha.

Estão abertas as indicações para o Prêmio Obra do Ano 2026 do ArchDaily China

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O ArchDaily China completa 11 anos este ano. O design fundamentado na cultura e no território chineses tornou-se parte essencial do intercâmbio global de arquitetura, consolidando-se como um tema de grande relevância no cenário internacional de desenvolvimento da arquitetura e do design. O ArchDaily China leva informações e consultoria global de arquitetura e design para leitores/as chineses/as, além de apresentar a arquitetura e o design da China para o mundo. Mantemos firme nossa intenção original de ser uma plataforma aberta que beneficia o público, tornando o setor de arquitetura e design mais inclusivo e igualitário.

Este ano, renovamos o convite ao público leitor chinês, com a expectativa de que todos/as possam participar da seleção do Prêmio Obra do Ano 2026 na China. Por meio de uma votação imparcial e descentralizada, cada participante atua como membro do júri, selecionando os projetos de arquitetura e design chineses mais representativos para a comunidade global. Nas próximas três semanas, o processo de seleção será dividido em duas etapas. Na primeira fase, a votação contemplará 455 projetos publicados no último ano, e os 15 mais indicados passarão para a lista de finalistas. Na segunda fase, esses 15 projetos de destaque serão votados novamente para definir o grande vencedor, o segundo e o terceiro colocados do ano.

O Prêmio Obra do Ano 2026 na China é apresentado por Dornbracht, marca reconhecida por seus designs inovadores para arquitetura, presentes internacionalmente em cozinhas e banheiros.

Arquitetura de terra no Chile com Soledad Díaz de la Fuente e Robert Newcombe

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Nicolás Valencia conversa com a dupla chileno-britânica Soledad Díaz de la Fuente e Robert Newcombe, coautores de ⁠Guia de arquitetura de terra do vale do Loncomilla: San Javier⁠ e Material didático - arquitetura de terra do vale do Loncomilla: San Javier.⁠

Ambos os livros são um registro inédito de arquiteturas de terra no vale do Loncomilla, no Chile, destacando mais de 40 obras que evidenciam as possibilidades desse modo de construir como uma alternativa real e sustentável.

Guia de arquitetura de Vancouver: 20 projetos por trás da cidade mais habitável da América do Norte

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Dando continuidade ao panorama das cidades da Copa do Mundo da FIFA 2026, chegamos àquela que é atualmente a cidade mais habitável da América do Norte: Vancouver. Apelidada de cidade de vidro pelo artista Douglas Coupland — em referência à estética arquitetônica predominante de aço e vidro em seu centro urbano —, a cidade apresenta, na verdade, uma arquitetura diversa, que vai de edifícios eduardianos do século XX a singulares projetos modernistas do século XXI.

Vancouver é conhecida por sua alta qualidade de vida e proximidade com a natureza. Embora isso tenha um custo elevado, a cidade oferece serviços de alto padrão e amplos espaços públicos e de lazer, refletidos em sua arquitetura. Há muitos edifícios corporativos e institucionais reaproveitados que ganharam uma nova vida como espaços públicos e de hospitalidade.

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A Embarcadero Freeway: infraestrutura elevada e regeneração urbana em São Francisco

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Nas últimas décadas, cidades de todo o mundo testemunharam um aumento na demolição de vias expressas elevadas de concreto. Taipé, Seul, Portland e Boston, por exemplo, vivenciaram a ascensão e a queda dessas infraestruturas para dar lugar a parques e a novas propostas de regeneração urbana. Em outros casos, como em Montreal, no Canadá, houve forte oposição popular às vias expressas antes mesmo de serem construídas, o que resultou no desvio de viadutos, na preservação do patrimônio e na liberação das vistas para a orla. Em São Francisco, nos Estados Unidos, a história da Embarcadero Freeway é uma dessas narrativas que servem como estudo de caso sobre a ambição infraestrutural de meados do século XX, a reação da comunidade ao projeto e sua eventual reversão em prol da conectividade urbana.

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Como as estratégias de projeto passivo moldam o desempenho térmico

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A arquitetura pode moldar o conforto antes mesmo que os sistemas mecânicos entrem em cena? Em um cenário no qual os edifícios respondem por quase 40% do consumo global de energia e as pessoas passam cerca de 90% do tempo em espaços internos, o conforto térmico tornou-se uma das preocupações mais urgentes da arquitetura. No entanto, embora seja frequentemente associado a índices de isolamento, classificações energéticas ou sistemas mecânicos, o desempenho térmico começa com decisões espaciais tomadas muito antes da introdução de equipamentos técnicos. Orientação, fluxo de ar, luz natural e a implantação de aberturas influenciam diretamente como um edifício absorve, retém e dissipa calor ao longo do dia.

O desempenho térmico não se resume a reduzir a demanda de energia, mas também a manter condições internas confortáveis em resposta ao clima. Estritamente ligado ao conforto térmico — a maneira como os/as ocupantes vivenciam a temperatura, o fluxo de ar, a umidade e o calor radiante —, ele influencia a saúde, o bem-estar e a produtividade na mesma medida em que afeta a eficiência operacional. Pesquisas sugerem que ambientes internos saudáveis podem melhorar a capacidade de aprendizado e a produtividade em até 15%, reforçando a relação cada vez mais evidente entre desempenho ambiental, resiliência e qualidade espacial.

A função segue a forma: projetando edifícios adaptáveis que sobrevivem ao seu uso original

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Com 48 leitos psicogeriatras e 68 apartamentos acessíveis para cadeirantes, acomodações para cuidadores/as informais e espaço para cuidados domiciliares, o edifício De Keyzer foi inaugurado em Amsterdã em 2011. Seu programa havia sido concebido inteiramente para pessoas idosas que necessitam de assistência, mas, logo após a conclusão da obra, o edifício foi vendido a um fundo de investimento e os apartamentos começaram a ser alugados para famílias jovens com crianças.

Para os/as arquitetos/as do projeto, Tom Frantzen e Karel van Eijken, o episódio poderia ter sido interpretado como uma falha de previsão. Em vez disso, tornou-se uma confirmação. "Isso mostrou, com muita clareza, que os edifícios podem acabar sendo usados de maneiras completamente diferentes das originalmente planejadas", lembra Frantzen. A transformação só foi possível porque os apartamentos eram generosos e porque a estrutura permitia usos mais diversos do que os previstos no programa original. Caso o edifício tivesse sido projetado exclusivamente para sua função inicial, a mudança de uso provavelmente exigiria uma reforma destrutiva ou, em caso extremo, a demolição.

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Decisões arquitetônicas, implicações planetárias: entrevista com a equipe curatorial da UIA 2026 Barcelona

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Barcelona é a primeira cidade na história do Congresso Mundial de Arquitetos da UIA a sediar o evento duas vezes. A edição de 1996, Presente e Futuros: Arquitetura nas Cidades, aconteceu em um momento de forte efervescência, quando a cidade pós-olímpica consolidava um modelo urbano que se tornaria um dos mais estudados e contestados do urbanismo contemporâneo, e quando a arquitetura aprendia a pensar a grande metrópole como seu principal campo de investigação. Trinta anos depois, a mesma cidade retoma a questão sob uma condição distinta: aquela em que o ambiente construído não pode mais ser compreendido como um objeto autônomo, mas apenas por meio dos sistemas ecológicos, materiais e políticos mais amplos que o sustentam. O tema do Congresso de 2026 — Devir. Arquiteturas para um Planeta em Transição — não abandona as preocupações urbanas de 1996; ele as reabre a partir de uma escala planetária.

A equipe de curadoria por trás desta edição, formada por Pau Bajet, Maria Giramé, Mariona Benedito, Tomeu Ramis, Pau Sarquella e Carmen Torres, aborda a arquitetura como uma ferramenta crítica e transformadora enraizada no território, atuando na intersecção entre prática profissional, pesquisa e ensino. Seu programa estrutura o Congresso em torno de seis linhas temáticas interconectadas (Devir Mais-que-humano, Devir Circular, Devir Incorporado, Devir Interdependente, Devir Hiperconsciente e Devir Sintonizado) e o distribui por três locais de características bastante distintas — Les Tres Xemeneies del Besòs, o Disseny Hub em Glòries e o CCIB —, cada um escolhido tanto pelo que representa quanto pelo que pode abrigar.

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Do resíduo à parede: bagaço de cana-de-açúcar como material de construção de baixo carbono

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De sistemas de revestimento acústico e térmico a blocos de alvenaria e tecidos produzidos a partir de resíduos agrícolas, a experimentação com materiais de base biológica continua a impulsionar soluções sustentáveis para a indústria da construção civil. Diante da necessidade urgente de repensar como concebemos e interagimos com os materiais que moldam o ambiente construído, profissionais, pesquisadores/as e educadores/as vêm abordando diferentes escalas de projeto e fases de planejamento, reconhecendo a importância de reduzir as emissões de carbono e o impacto ambiental do setor. Em parceria com o Projeto Bagaceira, o protótipo de painel acústico e térmico Sugarcrete®, desenvolvido pela University of East London (UEL), demonstra como o design de baixo carbono pode transformar resíduos agrícolas em materiais de construção de alto desempenho.

Como os cursos d'água e a memória moldam o design de banheiros

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A água sempre ocupou uma posição singular na arquitetura: elementar, mas elusiva; funcional, mas simbólica. Trata-se tanto de um material quanto de um meio que molda cidades, estrutura rituais e influencia a percepção do espaço. Em diferentes culturas, a água é compreendida não apenas como fonte de vida, mas também como portadora de significados, associada à purificação, à renovação e à continuidade. Sua presença no ambiente construído frequentemente vai além da utilidade prática, tornando-se um recurso por meio do qual a arquitetura estimula os sentidos e constrói atmosferas.

Mestrados em arquitetura em Barcelona 2026: inovação, especialização e uma cidade em ebulição

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Em 2026, Barcelona se tornará o epicentro mundial da arquitetura ao ser nomeada Capital Mundial da Arquitetura pela UNESCO e pela UIA. Esse reconhecimento reforça o papel da cidade como laboratório urbano de inovação, sustentabilidade e design contemporâneo. Nesse contexto, estudar um mestrado em arquitetura em Barcelona representa uma oportunidade para arquitetos, arquitetas e profissionais do setor que buscam se especializar e se conectar com as tendências que estão transformando a disciplina.

Patrimônio cotidiano: 10 cafeterias vietnamitas que revivem edificações tradicionais de pequena escala

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Para compreender plenamente o patrimônio arquitetônico de uma cidade, é preciso olhar além de seus marcos tombados e edifícios icônicos. Para muitas pessoas, entender o tecido urbano de uma cidade e o que a faz pulsar também significa descobrir edifícios preservados de menor escala, valorizados localmente, e espaços de encontro populares. Isso é ainda mais evidente nas movimentadas cidades vietnamitas, cujas peculiaridades arquitetônicas só podem ser apreciadas quando compreendemos suas múltiplas inspirações e camadas históricas. Essas camadas combinam elementos tradicionais vietnamitas, modernismo, materialidade local e soluções de projeto adaptadas ao clima, mas se revelam, sobretudo, nas soluções encontradas para as restrições dos lotes através das estreitas casas-tubo (tube houses) e edifícios de baixa altura.

Esses estilos e movimentos arquitetônicos fundamentais costumam ser mantidos e até destacados quando arquitetos e arquitetas dão uma segunda vida a edifícios deteriorados ou abandonados, transformando-os em cafeterias populares. Desse modo, revitalizam patrimônios de menor escala ao promover sua restauração e uso regular pela comunidade, incentivando as pessoas que os frequentam a reconhecer a relevância histórica do espaço enquanto o desfrutam. 

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“As pessoas usuárias são especialistas em si mesmas”: Como as pessoas moldam os espaços que utilizam

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O design orienta o uso ou o uso orienta o design? Estudantes lutam para manter o foco, profissionais se esquivam sob iluminação artificial agressiva e ocupantes se afastam de espaços rígidos, muitas vezes em resposta a condições ambientais que só se tornam visíveis quando o espaço passa a ser habitado. A luz que atravessa um ambiente, a reverberação do som, a textura das superfícies ou o ritmo da circulação podem favorecer a concentração, trazer calma ou inspirar a criatividade, mas cada um desses elementos também pode, inadvertidamente, intensificar o estresse e a distração. Arquitetos/as e designers estão investigando e questionando: como as decisões de projeto são fundamentadas e de quem é o conhecimento considerado essencial na hora de moldar o espaço?

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