Valentina Díaz

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Guia de arquitetura de Nairóbi: 11 projetos que constroem uma identidade pós-independência

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A identidade arquitetônica de Nairóbi foi transformada pela independência do Quênia em 1963. À medida que a nova nação buscava se definir, a cidade tornou-se um campo de testes para uma arquitetura moderna capaz de incorporar o progresso e, ao mesmo tempo, responder à cultura africana, ao clima e às condições locais. Isso deu início a um período de experimentação arquitetônica, com o surgimento de diferentes abordagens para a relação entre modernidade, identidade e lugar.

O Kenyatta International Convention Centre é talvez a expressão mais clara desse momento. Sua arquitetura uniu princípios modernistas a referências de formas africanas, estabelecendo uma resposta singular às ambições de uma nação recém-independente. Ao seu redor, arquitetos/as quenianos/as e internacionais desenvolveram outras interpretações do modernismo, desde as fachadas com brises do Reinsurance Plaza até a silhueta escultórica do Nation Centre, além de projetos religiosos, educacionais e cívicos que ampliaram o vocabulário arquitetônico da cidade.

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Quando a mobilidade se torna o solo: arquitetura, adaptação e a busca por continuidade

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Poucas condições moldaram o discurso arquitetônico contemporâneo de forma tão profunda quanto a incerteza. Em bienais, exposições e fóruns internacionais, a arquitetura projeta cada vez mais sua relação com o mundo por meio da flexibilidade, da reversibilidade e da capacidade de resposta — qualidades destinadas a lidar com emergências climáticas, instabilidade política e uma mobilidade humana sem precedentes. Edifícios são projetados para se transformar, infraestruturas para evoluir e cidades para acolher condições que parecem cada vez mais imprevisíveis. Essa ênfase na agilidade expandiu a capacidade da disciplina de dialogar com as mudanças ambientais, oferecendo estratégias valiosas para um mundo em constante transformação.

No entanto, essa evolução aponta para uma mudança mais profunda na forma como a arquitetura media a condição humana. Há muito tempo a arquitetura funciona como um mecanismo de orientação existencial — uma maneira de a consciência humana esculpir uma coordenada inteligível em meio a um cosmos indiferente, ancorando a memória e a identidade a um ponto fixo. Em grande parte do discurso arquitetônico contemporâneo, a incerteza aparece cada vez menos como uma condição externa a ser mitigada e mais como o próprio horizonte a partir do qual o pensamento arquitetônico se inicia. A experiência espacial é cada vez mais moldada por ambientes projetados em torno de um fluxo persistente, onde pontos de referência estáticos dão lugar a condições de transformação contínua.

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Leitura do território: as paisagens do Estudio Ome

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Sediado na Cidade do México, o Estudio Ome, fundado por Susana Rojas Saviñón e Hortense Blanchard, é um escritório de arquitetura e paisagismo que atua em florestas, terrenos vulcânicos, fragmentos urbanos e antigos sítios industriais. Vencedor do prêmio ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o estúdio desenvolve projetos a partir da observação contínua das condições ecológicas e territoriais, em que as decisões de projeto decorrem diretamente do comportamento do solo, da água, da vegetação e do relevo.

Cada projeto começa com encontros sucessivos. O primeiro contato com o terreno se dá por meio de caminhadas e da observação prolongada, permitindo que os padrões de drenagem, a erosão e as variações sazonais se tornem legíveis antes de qualquer medição formal. Essas visitas constituem a base para interpretar tanto as camadas visíveis quanto as subterrâneas — a hidrologia e as transformações históricas que continuam a exercer influência sobre a superfície.

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A alquimia da massa: Peter Zumthor e a percepção de leveza

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A arquitetura começa como um encontro com a gravidade. Trata-se do antigo ato de assentar o peso sobre a terra, de persuadir a matéria a se erguer, sustentar e abrigar. Sob essa condição fundamental de peso, no entanto, reside uma possibilidade mais silenciosa: a de que a própria densidade pode gerar uma sensação de leveza — uma condição perceptual na qual o corpo, plenamente convencido da gravidade da matéria, passa a vivenciar o espaço como suspensão.

Grande parte da arquitetura contemporânea tem buscado a leveza por meio da redução: estruturas mais esbeltas, superfícies mais lisas e transições cada vez mais fluidas entre interior e exterior. Aqui, a leveza é equiparada ao desaparecimento, como se a gravidade pudesse ser superada ao se retirar a presença material. Contudo, existe outro registro no qual a leveza não resulta da ausência, mas sim da intensificação. Ela emerge quando a presença material se torna tão precisa, tão plenamente afirmada, que passa a alterar a própria percepção — quando a massa permanece pesada, mas deixa de se comportar de forma meramente inerte.

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Smiljan Radić Clarke: Conheça a obra do vencedor do Pritzker 2026

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O Prêmio Pritzker de 2026 foi concedido este ano ao arquiteto chileno de ascendência croata, Smiljan Radić Clarke. Nascido em Santiago, Chile, em 1965, sua prática evoca uma geografia de extremos, moldada pela tensão tectônica entre o peso monumental dos Andes e a instabilidade sísmica do território. Após se graduar na Pontifícia Universidade Católica do Chile e prosseguir seus estudos em estética em Veneza, Smiljan Radić Clarke estabeleceu sua base em Santiago. A partir dali, desenvolveu uma das visões mais singulares da arquitetura contemporânea. Sua obra privilegia a intensidade do momento por meio de uma arquitetura frágil. Nela, o edifício opera como um refúgio temporário e tátil que coloca o espectador em um estado de incerteza estética, oscilando entre a ruína ancestral e o artefato de vanguarda.

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A herança centáurica: escala equina e arquitetura monumental mexicana

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In a história arquitetônica do território mexicano, o ambiente construído funcionou não apenas como um palco humano, mas como uma infraestrutura biológica projetada para organizar a proximidade entre as espécies. A lógica espacial resultante não é uma performance solo, mas uma coexistência negociada entre corpos humanos e animais. Examinar essa herança hoje significa desviar o foco analítico da autoria estilística em direção a um fenômeno mais fundamental: a persistência de práticas espaciais que surgiram para sustentar formas de vida compartilhadas.

Muitas das características arquitetônicas hoje interpretadas como marcadores culturais ou estéticos — portais monumentais, pátios amplos e superfícies duráveis — podem ser compreendidas, na verdade, como vestígios materiais de um contrato entre espécies. Durante séculos, cavalos, mulas e o gado não foram elementos externos à arquitetura, mas habitantes essenciais cuja presença física moldou a escala, a circulação e as escolhas materiais. Seus corpos deixaram marcas mensuráveis no espaço, desde a altura das entradas que acomodavam cavaleiros e amazonas até sistemas de pavimentação projetados para resistir aos cascos, ao atrito e ao desgaste biológico. Em nenhum lugar esse contrato era mais visível do que no térreo da casa colonial.

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Por dentro da arquitetura contemporânea do Cazaquistão: Explorando a obra do NAAW

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Selecionado como um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o escritório NAAW representa uma nova geração de estúdios de arquitetura que estão remodelando a prática contemporânea na Ásia Central. Fundado em 2019 por Elvira Bakubayeva e Aisulu Uali, o estúdio atua na interseção entre pesquisa, colaboração interdisciplinar e experimentação espacial, posicionando a arquitetura como uma ferramenta de reflexão e um agente ativo na construção da identidade cazaque contemporânea.

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CONSCIOUSLY DRIVEN: Em Conversa com o VOID, o Estúdio Costarriquenho que Impulsiona a Arquitetura Regenerativa

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O encontro com VOID surge no âmbito da Bienal de Arquitectura Latinoamericana 2025, oferecendo a oportunidade de explorar uma prática que escuta, cuida e acompanha. Seu trabalho se configura como um ato de mediação: a pesquisa interdisciplinar e a atenção à pluralidade de fatores naturais e sociais permitem compreender as naturezas do lugar. Desde o seu início em 2012, esse processo vem evoluindo, consolidando uma postura que projeta para fazer arquitetura a partir do e para o lugar: cuidando dele, curando-o e regenerando-o, abrindo espaços onde os territórios sustentam e desdobram seus próprios processos adaptativos.

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O melhor da BAL: Bienal de Arquitetura Latino-Americana 2025

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Realizada em Pamplona de 23 a 26 de setembro, a Bienal de Arquitetura Latino-Americana 2025 reuniu escritórios emergentes e vozes consolidadas do continente. A edição se destacou pela qualidade e diversidade das práticas selecionadas: projetos de grande riqueza formal e conceitual, desenvolvidos por escritórios jovens, porém de uma solidez admirável, que refletem a maturidade e a vitalidade do panorama arquitetônico latino-americano atual.

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Pamplona inaugura a Bienal de Arquitetura Latino-Americana 2025

A Bienal de Arquitetura Latino-Americana 2025 (BAL 2025) tem início este 23 de setembro em Pamplona com uma programação que combina palestras, exposições e encontros em torno da arquitetura emergente da região.

Playgrounds não convencionais: construídos com sucata, moldados pelo concreto, libertados pelo brincar

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E se o melhor tipo de brincadeira não for o mais seguro? Há décadas, as cidades constroem playgrounds para serem limpos, coloridos e fáceis de supervisionar. No entanto, esses espaços — projetados mais para a tranquilidade dos adultos do que para a curiosidade das crianças — muitas vezes eliminam o que torna o brincar verdadeiramente transformador: o risco, a imprevisibilidade e a autonomia. Padrões de segurança cada vez mais rígidos, o encolhimento do espaço público e a mercantilização dos equipamentos de lazer limitaram ainda mais as possibilidades de exploração independente das crianças. De um depósito de sucata na Copenhague dos anos 1940 às paisagens de concreto da Amsterdã do pós-guerra, um pequeno grupo de arquitetos/as, urbanistas e ativistas desafiou a ideia de que o brincar deve ser ordenado e controlado. Seus playgrounds não convencionais — feitos de peças soltas, materiais brutos e formas abstratas — deram às crianças a liberdade de construir, demolir, explorar e se sujar.

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Museu do Arroz: Arquitetura enraizada na memória rural e na ecologia

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Localizado em uma fazenda no sul da Índia, o Museu do Arroz ocupa o andar superior da casa de Syed Ghani, inserido na verdejante paisagem agrícola de Mandya — uma região moldada por construções de tijolos, vegetação abundante e conhecimentos agrícolas ancestrais. Syed Ghani, agricultor, historiador e museólogo, tem se dedicado a preservar variedades nativas de arroz por meio da conservação de sementes, de sua reprodução e de iniciativas educacionais. Com o apoio de agricultores e agricultoras locais, ele ajudou a recuperar mais de mil variedades nativas de arroz (paddy), salvaguardando uma parte essencial do patrimônio agrícola da Índia.

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Interiores Conectados à Terra: Explorando Pisos de Terra Através de 10 Projetos Contemporâneos

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Materiais de pavimentação à base de terra incluem elementos naturais como argila, areia, silte, cal e fibras orgânicas. Eles proporcionam tanto desempenho estrutural quanto estímulo sensorial ao serem aplicados tanto em áreas externas quanto internas. Devido às suas propriedades térmicas, durabilidade e qualidades sustentáveis, esses materiais evoluíram de técnicas construtivas vernaculares para elementos arquitetônicos de alto valor, constantemente reinventados e otimizados. Existem diversos tipos de pisos de terra, cada um com benefícios únicos, e seu uso em ambientes internos tem se tornado cada vez mais frequente.

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Do Conceito ao Objeto: A contribuição do Studio PRACTICE para a nova onda da arquitetura coreana

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O PRACTICE é um estúdio sediado em Seul, fundado em 2020 pela dupla de designers Sisan Lee e Sehou Ahn, e uma das escolhas do ArchDaily's 2024 Best New Practices. Com formação em arquitetura e design de interiores, a dupla explora uma ampla variedade de campos criativos, desde o design de espaços e exposições até mobiliário sob medida, objetos de arte e experimentação de materiais. O estúdio ganhou destaque no ano passado por sua abordagem ágil de projeto, que "dialoga com as rápidas transformações no dinâmico polo global de moda e design". O estúdio confere uma profundidade singular a cada projeto ao criar elementos, móveis e objetos personalizados que refletem suas diversas habilidades criativas. As peças que integram seus projetos são concebidas a partir de uma compreensão profunda de sua função e materialidade, demonstrando o compromisso do estúdio com um design reflexivo e íntegro.

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Guia de arquitetura de Barcelona: 23 lugares imperdíveis que todo arquiteto precisa visitar

Guia de arquitetura de Barcelona: 23 lugares imperdíveis que todo arquiteto precisa visitar - Imagen 15 de 4Guia de arquitetura de Barcelona: 23 lugares imperdíveis que todo arquiteto precisa visitar - Imagen 17 de 4Guia de arquitetura de Barcelona: 23 lugares imperdíveis que todo arquiteto precisa visitar - Imagen 23 de 4Guia de arquitetura de Barcelona: 23 lugares imperdíveis que todo arquiteto precisa visitar - Imagen 24 de 4Guia de arquitetura de Barcelona: 23 lugares imperdíveis que todo arquiteto precisa visitar - Mais Imagens+ 20

Barcelona é o berço do urbanismo contemporâneo, uma cidade enriquecida por suas infinitas camadas históricas sobrepostas. Desde os primórdios da Roma antiga, gerações após gerações transformaram esta cidade em palimpsesto, escrevendo e reescrevendo a sua historia ao longo do tempo.

A origem dos primeiros povos que aqui chagaram é até certo ponto, incerta. Entretanto, sabemos que os romanos deixaram marcas indeléveis na capital catalã assim como os visigodos o fizeram em seu tempo. Barcelona passou por um breve período islâmico que ainda pode ser visível na arquitetura de algumas das mais importantes ruas da cidade. Essas antigas histórias permanecem presentes ainda hoje, convivendo para construir uma atmosfera arquitetônica espirituosa. Junto ao coração da cidade, podemos visitar uma catedral de pedra construída no século XIV e logo em seguida visitar ao lado um edifício de arquitetura contemporânea de estrutura metálica e cobertura sinuosa. Talvez não haja cidade no mundo em que podemos experimentar tal tensão temporal como em Barcelona.