Em entrevista ao Louisiana Channel, o icônico arquiteto japonês Kengo Kuma discute as diversas influências que moldaram seu trabalho — e também analisa o impacto que a atual pandemia teve no campo da arquitetura. Na conversa, Kuma descreve a forte influência de sua infância em sua trajetória profissional. Ter crescido em uma pequena casa de madeira nos anos 1950 — originalmente construída em 1942 — viria a orientar sua predileção por utilizar madeira em seus projetos. Kuma também menciona o arquiteto japonês Kenzu Tange como uma de suas principais inspirações e cita o Ginásio Nacional de Yoyogi — construído para as Olimpíadas de Verão de 1964 em Tóquio — como uma obra que o influenciou a seguir a carreira na arquitetura.
Matthew Maganga
Colaborador do ArchDaily e Assistente Curatorial na Trienal de Arquitetura Sharjah de 2023. Nascido e criado em Dar es Salaam, Tanzânia, vive no Reino Unido. Interessado em habitação, urbanismo, política de terras, patrimônio e como vivemos em nossas cidades.
“Ao entrar na arquitetura, você entra em outro mundo” em conversa com Kengo Kuma
Revelando as joias escondidas do brutalismo em Madri

A cidade de Madri pode ser vista como um reflexo de todos os estilos arquitetônicos encontrados no continente europeu. Edifícios renascentistas do século XVI e construções barrocas do século XVIII coexistem em harmonia com linguagens mais modernas, como o Art Déco ou a arquitetura contemporânea expressiva dos últimos anos. Escritórios icônicos de arquitetura contemporânea, como Herzog & de Meuron e Rogers Stirk Harbour + Partners, com projetos como a Sede do BBVA e o Terminal do Aeroporto de Madri-Barajas, também desempenharam um papel fundamental na definição da identidade arquitetônica de Madri, resultando em uma cidade com paisagens urbanas extremamente variadas e distintas.
“Muitos(as) arquitetos(as) pensam enquanto desenham. Eu não faço isso”: Em conversa com Mikkel Frost
Em entrevista ao Louisiana Channel, o arquiteto dinamarquês Mikkel Frost fala sobre como visualiza suas ideias e representa seus conceitos arquitetônicos por meio de caneta, tinta e aquarela. Frost vê sua relação com o desenho de forma diferente de outros arquitetos e arquitetas, que "pensam enquanto desenham". Ele, por outro lado, "imprime" a imagem que já tem em mente, explicando: "Estou muitos passos à frente do que desenho, basicamente imprimindo o quadro branco que está na minha mente."
O Rural vs. O Urbano: A Cidade Pós-colonial de Dakar no Filme Touki Bouki

Ao mesmo tempo cativante, desconcertante e caótico, Touki Bouki , de Djibril Diop Mambéty, é uma jornada cinematográfica eletrizante. O drama de 1973 — o primeiro longa-metragem do cineasta senegalês — é a narrativa fantástica de um jovem casal em Dakar, ansioso para escapar da capital senegalesa atraído pelo glamour de Paris. Trata-se de uma obra focada em suas personagens sob muitos aspectos, centrada principalmente nas aventuras do casal, mas é também um exame visual sutil do urbanismo de Dakar pós-independência, onde a cidade e sua arquitetura são elementos essenciais em um enredo surreal.
O significado cultural das estufas: uma identidade complexa

A estufa é uma tipologia arquitetônica comum, presença constante em diversas cidades, projetada para proteger as plantas das intempéries — seja do calor ou do frio excessivo — ou para prolongar o período de cultivo agrícola. Evidências da existência de estufas sob alguma forma remontam à década de 1450, durante a dinastia Joseon da Coreia, mas foi no século XVIII que a estufa se consolidou como uma tipologia arquitetônica específica. Com os avanços na fabricação do vidro, surgiram as estruturas de grandes vãos e amplamente transparentes que conhecemos hoje. No entanto, sob a intrincada serralheria dessas estruturas metálicas, escondem-se narrativas mais profundas — histórias de dominação, riqueza ilegítima e resistência.
Brutalismo urbano: o trabalho pioneiro de Renée Gailhoustet em Ivry-sur-Seine

Há alguns meses, a arquiteta francesa Renée Gailhoustet ganhou o Prêmio de Arquitetura da Royal Academy 2022. Como Paris e outras cidades francesas continuam enfrentando desafios habitacionais até hoje, Gailhoustet foi uma escolha oportuna. Seu trabalho nos subúrbios de Paris na década de 1960 continua sendo um exemplo convincente de uma abordagem de habitação social que, ao mesmo tempo, abraça a comunidade e tem uma forma única.
Zanzibar: os múltiplos significados da luz

A luz é um elemento arquitetônico integral e emotivo. O acesso à luz é tanto aproveitado como limitado na arquitetura. Enquanto habitações tropicais caras celebram vistas ensolaradas com vidraças expansivas, uma ampla gama de galerias de arte rejeita a luz em sua forma natural, eliminando-a em conformidade com os requisitos sensíveis de suas exposições. A luz em um sentido arquitetônico e urbano também é altamente simbólica, evidente nas muitas metrópoles do nosso mundo, mas onde esse simbolismo assume uma dimensão interessante é no arquipélago de Zanzibar.
Criatividade utilitária: reinventando a tipologia do silo

Pesados, imponentes e utilitários, os silos são estruturas duráveis, usadas para o armazenamento de produtos a granel. Eles são importantes elementos físicos da indústria agrícola, armazenando grãos, fermentados e outros alimentos. Os volumes altos e tipicamente cilíndricos continuam sendo objeto de fascínio arquitetônico — de símbolos do progresso tecnológico no modernismo do início do século XX, até os tempos contemporâneos, provocando abordagens criativas para a reutilização adaptativa.
Arquitetura da nuvem: a pegada do data center

No contexto contemporâneo, como já foi dito inúmeras vezes, parece que vivemos no que se chama de uma era digital. Uma pandemia global aumentou a popularidade dos meios digitais de comunicação — como o Microsoft Teams e o Zoom, e o aplicativo de mensagens multiplataforma WhatsApp com mais de 2 bilhões de usuários ativos. Do ponto de vista ambiental, vemos a migração dos negócios para a “nuvem” como uma vitória da sustentabilidade. Em termos simplificados e para citar um exemplo específico, as empresas podem abster-se de armazenar dados em discos rígidos externos, e armazenar seus dados em serviços de hospedagem de arquivos online.
Esculpindo a terra: land art e o envolvimento com o solo

Os artistas são frequentemente inspirados pela terra — sejam as interpretações de paisagens americanas do pintor Robert S. Duncanson ou as subversões de William Kentridge das pinturas britânicas da era colonial retratando paisagens africanas. No entanto, alguns artistas preferiram trabalhar diretamente com a terra, criando estruturas que se assentam em paisagens ou esculpindo o próprio solo. Esse estilo de arte — formalmente denominado land art — ganhou destaque nos Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970 com a ascensão do movimento ambientalista em meio aos protestos pelos direitos civis e contra a guerra, quando os artistas buscavam se separar do mercado de arte.
Cor, composição e escala: analisando a fotografia de arquitetura brutalista

Ora escultural e expressivo, ora monolítico e monótono, o estilo arquitetônico brutalista é igualmente diverso e polêmico. Desde suas origens como subproduto do movimento modernista na década de 1950 até hoje, os edifícios brutalistas continuam sendo um ponto de discussão popular no debate arquitetônico. Uma possível explicação para isso é que estes edifícios brutalistas geralmente são muito fotogênicos; suas texturas e sombras dramáticas criam imagens apelativas.
Vivendo em espaços pequenos: mobiliário e acessibilidade

O canal do Youtube Never Too Small tem 2,25 milhões de inscritos – uma plataforma que apresenta a manipulação imaginativa do espaço em plantas pequenas. Vídeos de microapartamentos, em Paris, Londres e outras cidades alcançam milhões de visualizações. Claramente há uma demanda por conteúdo voltado para a vida em espaços pequenos, já que uma crise imobiliária global acelerou a queda na disponibilidade de residências acessíveis e maiores em áreas urbanas. Para aproveitar ao máximo o espaço limitado dentro dessa realidade restrita, arquitetos têm projetado plantas com menos de 40 metros quadrados visando criar uma experiência espacial não claustrofóbica.
A identidade arquitetônica das sedes de governo

Conhecido como a casa do estado, o palácio presidencial ou uma variedade de outros termos - o edifício que abriga a sede do governo de um país geralmente é bastante impressionante em termos arquitetônicos. Frequentemente opulenta, grandiosa e às vezes imponente, a casa do governo destina-se a funcionar como um marco visual distinto de uma nação - uma extensão da identidade de um país. No continente africano, região que viu uma parte significativa ser colonizada por nações europeias, essa identidade de estado, no sentido arquitetônico, é complexa.
Inteligência artificial, moradias pequenas e o que mais construímos em 2022

2022 foi um ano agitado que, novamente, resultou em uma cobertura diversificada no ArchDaily, desde a especulação acerca dos materiais de construção do futuro até a análise do papel narrativo que a arquitetura desempenha na literatura. Uma seleção de artigos do ano que passou foi reunida abaixo, organizada em quatro tópicos.
A história da Costa Suaíli através da arquitetura de suas portas

Uma característica marcante da arquitetura da Costa Suaíli — além de seus edifícios de pedra coral — é, sem dúvida, a porta ornamentada tão comumente encontrada nesta área costeira. Ricamente decoradas, e muitas vezes repletas de significado, estas portas, além de servirem à função mais utilitária de uma entrada, também eram indicadores de status e riqueza. Da Costa Suaíli até a Península Arábica, as portas são indicativos de sua localização, representativas do comércio e da migração.
Encontrando um equilíbrio: o dilema das cidades históricas

Sujeitas às forças do capital, populações migratórias e circunstâncias políticas, as cidades estão em constante evolução. Essa evolução contínua é evidente no tecido construído dos assentamentos, à medida que arquitetos e urbanistas constroem sobre camadas já existentes, alguns tendo a árdua tarefa de integrar com sucesso as áreas urbanas históricas com intervenções e sistemas arquitetônicos contemporâneos.
As cidades desta categoria estão frequentemente em conflito interno - muitas vezes tendo que lidar com os objetivos às vezes contraditórios de sustentar as populações locais e acolher investimentos externos e projetos de desenvolvimento nacional.
Os limites do algoritmo e as tendências humanas nas imagens feitas com inteligência artificial

2022 foi o ano dos geradores de imagem IA. Recentemente, esses sistemas de aprendizado de máquina foram ajustados e refinados até encontrar sua atual popularidade com o usuário comum da Internet. Esses geradores de imagens (DALL-E e Midjourney indiscutivelmente os mais populares) geram imagens a partir de texto, por exemplo, permitindo que as pessoas criem interpretações conceituais das arquiteturas do futuro, presente e passado. Mas, como somos parte de um cenário digital repleto de preconceitos humanos, navegar nesses geradores de imagens requer uma reflexão cuidadosa.
Como conciliar criação pecuária e ambiente urbano?

À medida que as pessoas continuam a migrar das áreas rurais para as urbanas, o espaço se torna um privilégio. Muitos lugares estão ficando cada vez mais congestionados – com moradias adequadas e acessíveis em escassez e sistemas de transporte lutando para atender os moradores. Mas, por mais que a conversa sobre urbanização seja sobre pessoas, às vezes também é sobre os animais que vêm com essas pessoas – a criação pecuária urbana que desempenha um papel fundamental no sustento a nível individual, além de se tornar uma via para o comércio.

























