O efeito sonoro de vidro se quebrando é, há muito tempo, um recurso clássico em esquetes de comédia. Sempre que um objeto leve de cena voa para fora da tela ou do palco, ele inevitavelmente estraçalha uma vidraça um instante depois. Hoje em dia, isso ainda é divertido, embora absurdamente inofensivo, mas, em pouco tempo, a ideia de uma bola de futebol chutada por uma criança quebrando a janela de um vizinho causará apenas estranhamento e ceticismo.
As escadas podem parecer uma parte imutável do DNA de um edifício. Seja em uma construção do zero ou em uma reforma, pode ser difícil conceber a alteração do ângulo, da direção ou mesmo do posicionamento dos degraus; por isso, escolher o modelo correto é fundamental. Apresentamos a seguir dez maneiras diferentes de viabilizar o projeto de interiores dos seus sonhos.
A primeira edição presencial e em escala total do London Design Festival (LDF) em três anos, marcando também o 20º aniversário do evento, deveria ser uma celebração. Contudo, como diz o ditado, a vida tinha outros planos. Impactados pela notícia do falecimento de Sua Majestade, a Rainha Elizabeth II, o país — e, na verdade, o mundo — iniciou o festival em um período de luto. Tendo reinado durante a era de maior efervescência e inovação no design na história humana, a monarca, no entanto, não era alheia às transformações.
Com temas de longa data como a sustentabilidade, novos materiais, crises econômicas e futuros digitais mais presentes do que nunca na consciência pública, o LDF '22 não se limitou a ser um ponto de encontro corporativo. O festival representou, acima de tudo, uma oportunidade de compartilhar uma dose necessária de positividade com entusiastas do design e com o público local de passagem. A seguir, apresentamos as instalações e debates mais instigantes e comentados de nove dias de reflexão sobre o passado e otimismo em relação ao futuro.
À medida que a geração pós-pandemia de locais de trabalho ganha forma, o conforto do escritório está se tornando rapidamente seu principal atrativo. Contudo, isso não pode se resumir apenas a sofás de trabalho grandes e confortáveis e algumas almofadas soltas. Com as opções híbridas de casa, escritório ou um terceiro espaço em pauta, a maioria dos/as profissionais ainda opta por passar uma grande parte de seu tempo de trabalho em conjunto, beneficiando-se do sentimento de comunidade e da atmosfera criativa, mas, acima de tudo, do ambiente de trabalho profissional e de seu design de interiores. Assim, embora espaços confortáveis e acolhedores ajudem as pessoas a se sentirem em casa, o arranjo tradicional com mesas e cadeiras individuais voltado ao foco e à concentração não pode ser subestimado.
Diante do aumento no valor dos aluguéis e com grandes empresas já em processo de redução de espaço para sobreviver à era do trabalho digital, apenas locais de trabalho projetados com flexibilidade e adaptabilidade podem oferecer tipologias voltadas tanto ao conforto quanto ao foco.
Framery Four, a cabine de reunião inteligente para até 4 pessoas. Imagem cortesia de Framery
Após se acostumarem com o conforto e a autonomia do trabalho remoto, especialistas preveem que a cultura do ambiente de trabalho nunca voltará totalmente a ser como antes. As empresas podem maximizar a produtividade de suas equipes ao mesclar a flexibilidade do trabalho remoto com a colaboração criativa do trabalho presencial em um sistema híbrido. No entanto, enquanto quartos de hóspedes e mesas de cozinha foram sacrificados para criar espaços de trabalho confortáveis em casa, o espaço do escritório — originalmente projetado em torno de um modelo 100% presencial — também precisa aceitar as mudanças.
Por ser um dos menores espaços da casa, a área do box do chuveiro costuma ter dificuldade para receber luz suficiente. Enquanto os dormitórios têm prioridade na escolha das melhores localizações junto às paredes externas — o que lhes garante acesso a ar fresco, luz natural e melhores vistas através das janelas —, os banheiros costumam ser relegados ao espaço restante, dispondo de apenas uma estreita faixa de fachada, quando muito.
Devido a questões de privacidade e possíveis danos causados pela água, contudo, mesmo quando há a oportunidade de incluir uma janela no banheiro, ela raramente é posicionada dentro do próprio box. No entanto, considerando que muitas pessoas recorrem a um banho revigorante para despertar pela manhã, e que o vapor torna o box um ambiente de altíssima umidade, uma janela nessa área pode fazer toda a diferença, trazendo luz natural diretamente para o espaço e mantendo todo o ambiente bem ventilado.
Quando o briefing para o projeto de um novo escritório pede algo novo, dinâmico e moderno — um espaço onde as pessoas gostem de estar e, crucialmente, de trabalhar, que as ajude a se concentrar em tarefas individuais, mas também a relaxar, colaborar e criar —, há poucos pontos de partida melhores do que o círculo cromático. À medida que o mundo do trabalho e os diversos ambientes onde ele se desenvolve se tornam menos formais e restritos em termos de design, arquitetos/as, designers e, acima de tudo, seus/suas clientes estão assinando a demissão do escritório monótono e sem graça, buscando alternativas mais expressivas em opções coloridas fora do convencional.
Embora a capacidade do azul de melhorar a concentração, estimular o pensamento e proporcionar clareza mental ajude a aumentar a produtividade, o corpo humano também precisa de períodos regulares de descanso e relaxamento. Nesse sentido, cores quentes como o amarelo proporcionam bem-estar por meio do acolhimento e do conforto — sendo ideais para áreas de descompressão. Por outro lado, tons de vermelho e laranja estimulam a criatividade e a expressão, o que significa que podem ser muito úteis em áreas destinadas à integração social, enquanto o verde favorece uma abordagem mais calma e equilibrada, adequada para reuniões de outra natureza.
Terrenos inclinados representam uma perspectiva atraente para incorporadores. Com vistas deslumbrantes para paisagens naturais ou urbanas — muitas vezes sem a possibilidade real de obstrução por empreendimentos futuros —, um lote em declive promete um retorno valioso. No entanto, seja pela escavação adicional necessária para cortes e aterros, pelas estruturas em balanço, pelas complicações de drenagem de água ou pela perda de luz natural e dificuldade de acesso na parte frontal da propriedade, construir nessas topografias traz seus desafios.
Contudo, o principal obstáculo não é necessariamente a inclinação do terreno, mas sim a forma do edifício. Ao fracionar uma estrutura de múltiplos pavimentos e reposicionar — e talvez até desconectar — cada nível, projetos concebidos para se adaptarem à topografia existente por meio de múltiplos níveis de implantação conseguem reduzir o volume de escavação. Essa planta escalonada também contribui para melhorar o acesso e a iluminação natural, além de ampliar as áreas internas e externas.
Como seres humanos, vivemos sob a reconfortante ilusão de que somos donos do nosso próprio destino, determinados e imunes a influências externas. No entanto, o papel crucial desempenhado pelo design de interiores no sucesso dos espaços comerciais prova que a realidade é outra. Cada aspecto desses ambientes é cuidadosamente planejado para incentivar os/as clientes a gastar — e a fazê-lo com satisfação —, desde a iluminação e a temperatura até a acústica e, talvez de forma mais marcante, a paisagem visual.
Seja atraindo o público consumidor com uma individualidade cativante, proporcionando relaxamento por meio do luxo e da hospitalidade, desenhando um universo elegante no qual consumidor/a e produto coexistem, ou oferecendo estímulos sutis para explorar o espaço mais a fundo, a influência que as superfícies de um ambiente comercial exercem sobre o seu sucesso é imensa.
Desde a Revolução Industrial e a introdução da produção em massa, a posse e o uso de produtos e serviços básicos, como vasos sanitários com descarga e água encanada, eletricidade, aquecimento e resfriamento, são vistos como direitos humanos em muitas regiões do mundo. No entanto, como a maioria das casas e projetos residenciais é projetada e construída sob medida de forma individual — portanto, sem as vantagens de velocidade e custo da produção em massa —, o baixo desempenho do setor da construção civil habitacional faz com que muitas pessoas — mesmo nos países mais ricos do mundo — tenham negado um dos direitos humanos mais fundamentais: um lugar para chamar de lar.
O ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) afirma que havia mais de 100 milhões de pessoas deslocadas à força em todo o mundo em 2023 — um número que triplicou nos últimos 10 anos. Para os países de acolhimento, encontrar soluções de moradia seguras e sustentáveis para quem precisa, tanto a curto quanto a longo prazo, é um desafio constante e que vem piorando dramaticamente.
Seja subindo até o quarto mais alto da torre mais alta de um castelo digno da Disney, dando a alguém a chance de declarar seu amor na escada de incêndio de um edifício residencial, ou conectando um porão ou sótão por meio de um elemento decorativo de época, há algo inevitavelmente romântico nas escadas em caracol. No entanto, por trás dessas formas sinuosas há muito mais funcionalidade do que apenas sua beleza estética.
Uma teoria bastante difundida sustenta que as escadas em caracol foram instaladas originalmente em castelos históricos como barreiras verticais, exaurindo os invasores antes que conseguissem chegar ao topo. É por isso — segundo se conta — que muitas delas sobem no sentido horário, limitando o raio de movimento dos atacantes para golpear com suas armas (geralmente empunhadas com a mão direita) em comparação com os defensores que vinham descendo.
A empresa MiQ Media utiliza uma divisória de correntes de alumínio suspensas da Kriskadecor para separar o espaço da recepção de uma passagem movimentada, criando ao mesmo tempo uma identidade de marca marcante. Imagem cortesia de Kriskadecor
A divisão de ambientes é muitas vezes desconsiderada como uma solução sem graça, voltada apenas para o isolamento acústico. No entanto, diversos projetos demonstram como é possível segmentar o espaço de forma artística, agregando cor, caráter e personalidade ao projeto.
A história da memorável cortina que dá vida ao DAAily bar no Swiss Corner durante a Semana de Design de Milão vai muito além de seus padrões coloridos e naturais. Conforme explicou o artista de origem suíça Douglas Mandry, criador da obra em colaboração com a Bally e a Christian Fischbacher, durante sua Live Talk junto à instalação no DAAily bar, "Meu trabalho é movido pelas transformações globais que enfrentamos, abordando questões de mudança climática e consciência ambiental por meio de elementos visíveis."
Na maioria das casas de família, é comum que as crianças fiquem com os menores quartos. Afinal de contas, elas são as menores pessoas da casa. No entanto, enquanto os adultos têm o restante do lar para preencher com seus bens acumulados, a única liberdade que as crianças possuem para decidir o que fazer e onde colocar suas coisas restringe-se àquele único cômodo pequeno.
Aprender sobre o mundo pode ser frustrante e levar rapidamente a um comportamento considerado "ruim" de forma equivocada. Portanto, criar um espaço seguro, acolhedor e confortável — onde as crianças possam se sentir calmas, amadas e protegidas enquanto desfrutam de sua independência e individualidade — é essencial para uma infância feliz e saudável. Assim, o design de quartos infantis tem mais em comum com o conceito de ambientes integrados do que com simples dormitórios.
Amplamente reconhecido como responsável por 8% das emissões globais de CO2, o concreto deveria ser um material banido, relegado aos vergonhosos anais da história da arquitetura. No entanto, a rápida urbanização global garante que sua inigualável simplicidade de produção e resistência estrutural mantenham a forte influência do concreto na indústria da construção.
"Se não pode vencê-lo, melhore-o": este é o mantra de inovação do setor, que atualmente desenvolve diversas alternativas ao concreto ou aos seus componentes e aditivos. Assim, com o concreto rumando em direção à lista verde de preservação ambiental, a revolução do material — que abrange seu uso em fachadas estéticas, decoração e acabamentos internos, mobiliário, iluminação e, claro, como estrutura de suporte — está livre para continuar.
Um provérbio húngaro diz "Aki tagadja a múltat, az nem talál jövőt", lembrando-nos da importância de usar nossas experiências passadas para escrever o futuro. No entanto, equilibrar esses dois mundos infinitos — a tradição e a cultura de um lado, e a tecnologia e a inovação do outro — costuma ser a chave para a criação de um design atemporal.
No evento anual 360 Design Budapest — a principal vitrine cultural da Hungria para talentos locais, tanto emergentes quanto já consagrados —, a interconexão entre tempo e arte inspirou três eixos temáticos: narrativa (história e tradição), educação (novos talentos e sustentabilidade) e digitalização (tecnologia e inovação).
A seguir, apresentamos alguns dos destaques entre profissionais do design, fabricantes e produtos que marcaram a semana:
Ir a uma agência bancária de rua para descontar um cheque, sacar dinheiro ou mesmo abrir uma conta são tarefas que ficaram no passado. Com quase todos os serviços financeiros agora disponíveis on-line e as transações digitais conquistando uma fatia de mercado cada vez maior (passando de 28% para 41% entre 2019 e 2022), cada vez mais agências físicas estão fechando suas portas.
No entanto, a complexidade dos mundos da tecnologia e das finanças continua a gerar confusão e receio em muitos clientes — o que talvez explique por que a presença acolhedora de uma agência física, com pessoas reais, ainda tenha espaço. Esses novos interiores de agências bancárias remetem a um tempo nostálgico em que sabíamos o nome do gerente local, mas agora trabalham em conjunto com a tecnologia para oferecer serviços financeiros híbridos e um atendimento mais personalizado, em ambientes confortáveis e acolhedores.
Quando um país se torna conhecido por sua exportação mais famosa, ambos podem passar a ser sinônimos de qualidade. Combinações como o vinho francês, o mármore italiano e a engenharia alemã são exemplos do selo de excelência proporcionado simplesmente pelo berço geográfico de um produto. Embora as exportações mais famosas e apaixonantes de Portugal pudessem ser igualmente a cortiça, o futebol ou os doces conventuais à base de ovos, há muito mais na cultura e na economia portuguesas do que jogadores vaidosos e pastéis de nata.
Se a relação da cultura portuguesa com a cerâmica é conhecida pelos pratos, tigelas e jarros de padrões característicos que milhões de turistas tentam manter intactos na viagem de volta para casa, poucos pagariam a taxa de bagagem extra por 50 m² de revestimentos cerâmicos. No entanto, o clima agradável do país, aliado a uma tradição artesanal e à resistência natural, durabilidade e pigmentação da argila portuguesa, faz com que as fachadas cerâmicas de alta qualidade sejam uma característica marcante da arquitetura portuguesa. Além disso, o material é exportado para o mundo todo, tanto para superfícies externas quanto internas.