
A utopia é comumente compreendida como uma sociedade ou lugar idealizado onde as condições políticas, sociais e de vida são fundamentalmente diferentes do presente. De origem grega, a palavra significa literalmente "lugar nenhum" ou "não lugar". Embora a utopia possa não existir na realidade, o ato de imaginá-la há muito inspira arquitetos/as e pensadores/as urbanos/as a vislumbrar o mundo de outra forma. Diante dos desafios contínuos que as cidades enfrentam hoje — crise climática, poluição, preços exorbitantes da terra, envelhecimento populacional, desigualdade habitacional, escassez de serviços sociais, disparidades socioeconômicas crescentes e injustiças persistentes —, algumas regiões sofrem com o superaquecimento e a degradação ambiental, enquanto outras lutam pelo acesso à natureza, à terra e à comunidade, o que nos faz pensar, na verdade, em um futuro distópico. Ao pensar sobre a utopia nessa condição padrão das cidades contemporâneas, moldadas pela lógica parcialmente fracassada do planejamento urbano moderno, como seria uma cidade mais habitável, sustentável, diversa e inclusiva no século XXI?
Essa foi a questão central que permeou o Utopian Hours 2026, um festival internacional dedicado à produção das cidades. Ao longo de suas palestras, exposições e mesas-redondas, o festival explorou como moldar as paisagens urbanas e quais abordagens de pensamento projetual podem transformar a vida urbana.


































