A decisão de elevar uma edificação do solo é uma manobra técnica que exige planejamento substancial, expertise e consideração minuciosa. Trata-se de uma resposta arquitetônica deliberada às forças e fragilidades do local. Planícies de inundação, áreas úmidas e o degelo da tundra compartilham um elemento em comum: profissionais de arquitetura reconciliam riscos e vulnerabilidades por meio de estruturas elevadas. Nesse sentido, trata-se de uma resposta espacial e de uma necessidade estrutural.
Ex-alunos e ex-alunas do SCI-Arc continuam a deixar uma marca indelével no panorama global do design, liderando novas abordagens em arquitetura, tecnologia e práticas interdisciplinares. Com uma reputação consolidada no fomento à experimentação radical, a instituição formou profissionais cujos trabalhos desafiam convenções e redefinem as possibilidades espaciais. As conquistas recentes de seus diplomados e diplomadas destacam o papel do SCI-Arc na formação da próxima geração de arquitetos, arquitetas e pensadores criativos.
Que estruturas e infraestruturas mantêm os vínculos e relações entre o campo e a cidade? Como a arquitetura e as tecnologias emergentes manterão ou não essa coexistência de ambos os mundos no futuro? A redução da pegada ecológica, o impacto das mudanças climáticas, a descentralização das grandes cidades, a segurança alimentar e demais problemáticas contemporâneas interpelam profissionais de arquitetura e urbanismo em nível global sob o principal objetivo comum de melhorar a qualidade de vida da população e alcançar o bem-estar físico, mental e emocional no ambiente construído e natural.
Como se manifesta o otimismo em cidades que já não podem contar com a perfeição como sua ambição máxima? Em todo o mundo, os ambientes urbanos carregam o peso de pressões sobrepostas: instabilidade climática, desigualdade espacial, fragmentação política, desconfiança pública e desinvestimento crônico em infraestrutura. Essas realidades tornam a ideia de uma cidade ideal cada vez mais distante da experiência vivida. Ainda assim, a esperança de construir sistemas melhores persiste. Embora as visões utópicas possam parecer uma fuga das crescentes complexidades do mundo moderno, o maior desafio para o urbanismo contemporâneo é confrontar essas complexidades, em vez de evitá-las.
Os/As egressos/as do SCI-Arc continuam a deixar uma marca indelével no cenário global do design, abrindo caminhos para novas abordagens na arquitetura, na tecnologia e nas práticas interdisciplinares. Com a reputação de fomentar a experimentação radical, a escola formou diplomados/as cujos trabalhos desafiam convenções e redefinem as possibilidades espaciais. As conquistas recentes desses/as ex-alunos/as destacam o papel do SCI-Arc na formação da próxima geração de arquitetos/as e pensadores/as criativos/as.
Prompt: Uma imagem que personifica a essência das mídias sociais: uma tela gigante exibindo fotografias de projetos de arquitetura e interiores, com uma pessoa no centro, de costas, absorvendo a cena. Imagem cortesia de Enrique Tovar usando DaVinci AI
"Eu vi no Instagram!" Esta é uma frase recorrente em vários contextos, desde a recomendação do restaurante mais recente até o hotel mais badalado da cidade. A janela para observar e nos expor ao mundo exterior agora cabe na tela de nossos smartphones. Isso não significa necessariamente que tudo seja um cenário desolador. Ainda assim, reflete o fato de que somos constantemente inundados por dados e informações segmentados por algoritmos, tudo em um formato extremamente fácil de consumir. No mundo atual, bastam alguns segundos para se ter uma impressão duradoura de um edifício e de sua atmosfera — e essas primeiras impressões importam mais do que costumamos perceber.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143084/design-voltado-para-as-redes-sociais-a-arquitetura-esta-se-adaptando-as-tendencias-virais-e-aos-algoritmosEnrique Tovar
Yale Art + Architecture Building. Imagem cortesia de Gwathmey Siegel & Associates Architects
Em meados do século XIX, as universidades norte-americanas começaram a distinguir formalmente a arquitetura da engenharia civil e das ciências aplicadas. A arquitetura emergia como uma disciplina definida tanto pela competência técnica quanto pela investigação conceitual, pela imaginação espacial e pelo papel cultural ativo. À medida que essa identidade disciplinar evoluía nas décadas do pós-guerra, sua expressão construída se consolidou na linguagem arquitetônica emergente do Brutalisme.
Em 1952, o compositor norte-americano John Cage apresentou pela primeira vez sua obra revolucionária "4'33''". Nela, a orquestra não emite nenhum som intencional durante quatro minutos e trinta e três segundos. Em vez disso, o que se ouve são respirações, movimentos e ruídos sutis que normalmente passariam despercebidos, mas que ali se tornam parte da própria composição. Com essa obra, Cage revelou que o silêncio absoluto não existe. Sempre há som, mesmo quando não planejado.
Da mesma forma, cada espaço arquitetônico possui sua própria paisagem sonora. O som se propaga, reflete, reverbera e se dissipa de acordo com os materiais, volumes e superfícies que encontra. Paredes rígidas e pés-direitos altos podem amplificar os ecos, ao passo que tecidos e painéis porosos os suavizam. A acústica, portanto, não é meramente uma preocupação técnica, mas uma forma de escuta materializada — uma ciência que opera no limite entre a percepção e a emoção. Por essa razão, trata-se de um campo complexo. Cada tipologia, seja um museu, templo, estúdio ou teatro, tem sua própria lógica sonora, e a compreensão dessas nuances é essencial para criar espaços que acolham o som, a voz e o silêncio com igual precisão.
Baseado em Florianópolis, Brasil, Eduardo Souza traz uma perspectiva refinada para a arquitetura, moldada por seu envolvimento de longa data com design, pesquisa e prática editorial. Tendo crescido em um ambiente profundamente conectado à arquitetura — seu pai é engenheiro civil e professor —, Eduardo desenvolveu desde cedo um fascínio pela criatividade, pelo fazer artesanal e pelo pensamento espacial. Essa base o levou naturalmente a cursar arquitetura e, mais tarde, a explorar o campo editorial, onde a escrita e a curadoria se tornaram extensões de sua paixão pela arquitetura.
Eduardo juntou-se ao ArchDaily como tradutor em seus primeiros anos e, progressivamente, assumiu diversas funções editoriais, desenvolvendo um profundo interesse pela interseção entre materiais, tecnologias e sistemas construtivos. Seu trabalho editorial concentra-se em revelar inovações que desafiam os modos tradicionais de se fazer arquitetura, enfatizando a coerência entre conceito, execução e contexto. Ele dedica atenção especial a práticas sustentáveis, como a circularidade, o uso de materiais locais e as reinterpretações vernáculas que respondem aos desafios ambientais e culturais de hoje.
O mundo moderno está desconectado. As interações on-line dominam o cotidiano das pessoas em escala global. Essa mudança não resulta apenas da ascensão da internet, mas reflete de forma nítida o declínio dos espaços públicos, em especial dos chamados "terceiros lugares". Os terceiros lugares, outrora essenciais para promover a comunidade e a coesão social, evoluíram drasticamente nas últimas décadas. No atual cenário mercantilizado, esses espaços enfrentam diversas exigências, tanto por parte de usuários/as quanto de designers, o que gera a necessidade de reconsiderar sua acessibilidade e seu propósito.
Fundado em 1870, o Metropolitan Museum of Art — carinhosamente conhecido como The Met — é um dos museus mais importantes e visitados do mundo, abrigando mais de dois milhões de obras que abrangem cinco milênios da história humana. Localizado no coração de Nova York, junto ao Central Park, o museu é celebrado por suas coleções vastas e diversas, que vão da arte do Antigo Egito a mestres europeus e obras contemporâneas. Pinturas, esculturas, documentos, artefatos históricos e peças multimídia compõem um acervo que exige soluções de exposição meticulosamente planejadas para garantir tanto a preservação quanto a comunicação eficaz de seu valor histórico e artístico.
Em 2021, o The Met lançou um de seus projetos mais ambiciosos: a renovação da Ala Michael C. Rockefeller, dedicada às Artes da África, das Américas Antigas e da Oceania. Com um investimento de 70 milhões de dólares, a iniciativa engloba uma reorganização curatorial, orientada por uma abordagem mais regional e histórica, além de intervenções arquitetônicas. A modernização das galerias inclui melhorias na iluminação natural, aprimoramentos de acessibilidade e a incorporação de sistemas museográficos contemporâneos, projetados para otimizar a conservação e a experiência interpretativa do público visitante.
Em toda a China, um legado de imensas estruturas industriais encontra-se desativado, como resultado direto da transição econômica do país para novas formas de indústria. Esses edifícios caracterizam-se por sua altura colossal e robusta capacidade estrutural. Atualmente, representam um desafio arquitetônico para a renovação urbana contemporânea e um novo campo de debate para a preservação do patrimônio. À medida que são absorvidos pelo crescimento das cidades, arquitetos e arquitetas têm o desafio de transformá-los em ativos funcionais de uso público. Diante disso, intervenções recentes vêm tirando proveito de elementos marcantes, como fornos e chaminés, para reposicionar esses complexos monumentais como marcos urbanos fundamentais.
Segundo diversos estudos recentes, o ruído nas cidades tornou-se um risco crescente para a saúde. O ruído ambiental, ou seja, o ruído proveniente do tráfego, de atividades industriais ou de música amplificada que atinge os espaços internos, não é apenas um incômodo. Ele está associado a doenças cardiovasculares, diabetes, demência e problemas de saúde mental. À medida que o mundo se urbaniza, cada vez mais pessoas ficam expostas a níveis excessivos de ruído. Como o desenho urbano e as estratégias de arquitetura podem ajudar a prevenir esse cenário?
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Segundo Lugar: Branch. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner anunciou os resultados do concurso de arquitetura Howard Waterfall Retreat, um desafio internacional de projeto desenvolvido em estreita colaboração com o Howard Family Trust. O concurso convidou arquitetos/as e designers a proporem um refúgio familiar multigeracional inserido em uma paisagem florestal de propriedade privada no noroeste da Pensilvânia, centrado na presença marcante das quedas d'água Howard Falls e do desfiladeiro circundante.
Em vez de prescrever uma solução arquitetônica única, o programa enfatizou um diálogo cuidadoso entre arquitetura e natureza. Solicitou-se aos/às participantes que considerassem como um refúgio poderia equilibrar a vida compartilhada e a privada, responder à topografia íngreme e aos sistemas hídricos, e integrar-se de forma sustentável em um ambiente ecológico sensível. O projeto também pedia uma interpretação do legado familiar, incentivando os/as designers a reconhecer a história do local e do chalé de verão original, ao mesmo tempo em que imaginavam um refúgio capaz de evoluir ao longo das gerações.
Os materiais podem carregar memória. Mais do que simplesmente dar acabamento a um espaço, eles são capazes de ancorá-lo, moldar sua atmosfera e conectar os interiores a narrativas culturais e materiais mais amplas. Alguns/as arquitetos/as e designers exploram técnicas locais, recursos naturais e tradições artesanais para equilibrar a preservação cultural com a funcionalidade moderna, introduzindo contexto e profundidade. Não se trata necessariamente de um retorno ao passado, mas sim de uma reinterpretação do conhecimento herdado para criar uma arquitetura que ressoe com as necessidades contemporâneas.
A relação sinérgica entre o projeto arquitetônico e a descoberta científica costuma ser pouco abordada, embora represente uma proposta altamente promissora. O ambiente construído possui um imenso potencial para apoiar avanços em pesquisa, inovação e a comunidade científica. Essa influência vai além dos espaços físicos, abrangendo tanto a dinâmica interna quanto o engajamento externo por meio de intervenções estratégicas de projeto que conectam diferentes esferas de impacto, desde pesquisadores/as individuais até a comunidade em geral.
A cobertura de palha é uma técnica construtiva tradicional que vem sendo reinterpretada de diversas maneiras em projetos contemporâneos, permitindo que seu valor continue a perdurar ao longo do tempo. Além de ser uma técnica cultural e historicamente valiosa, dada a sua presença na humanidade há séculos, ela também apresenta uma série de outras vantagens construtivas, como seu grande valor ambiental por se tratar de um material renovável e acessível.
A técnica consiste no agrupamento, entrelaçamento e sobreposição de vegetação seca, criando superfícies leves, de baixo custo e execução relativamente simples, que proporcionam excelente isolamento térmico e acústico. Ademais, a flexibilidade é uma das características mais marcantes dessa técnica, sendo particularmente popular em aplicações de cobertura.
Nos últimos anos, a arquitetura tem adotado cada vez mais a adaptabilidade, a flexibilidade e a responsividade como princípios fundamentais de projeto. Essa evolução reflete uma transição das noções tradicionais de estruturas estáticas e permanentes para ambientes dinâmicos que conseguem se ajustar a necessidades e condições em constante transformação. No cerne dessa transformação está o conceito de "arquitetura maleável", que utiliza materiais flexíveis e sistemas inovadores para criar espaços funcionais, sustentáveis e centrados nas pessoas. A arquitetura maleável ganha forma por meio de membranas que respiram, fachadas que se movem, estruturas que inflam ou se dobram e superfícies que se curvam em vez de quebrar. Isso envolve projetar para a transformação — não apenas no desempenho ambiental do edifício, mas também em como ele pode acomodar funções dinâmicas, interações de quem o utiliza ou ocupações temporárias. Essa abordagem construtiva contesta as noções tradicionais de durabilidade e controle, propondo, em contrapartida, uma arquitetura mais responsiva e de caráter aberto. Isso reflete uma consciência crescente de que os edifícios, assim como as sociedades que atendem, precisam ser capazes de evoluir.
"Os limites da nossa linguagem de projeto são os limites do nosso pensamento de projeto". A declaração de Patrik Schumacher sugere sutilmente uma mudança em curso no ambiente construído, que vai além da mera integração tecnológica para incorporar a inteligência nos espaços e cidades que habitamos. O futuro aponta para a possibilidade de os edifícios desempenharem funções que vão além de abrigar a atividade humana, passando a participar ativamente na configuração da vida urbana.
Na Índia, o tijolo como material de construção carrega memória, significado e modernidade. Dos tijolos cozidos e alinhados da Civilização do Vale do Indo aos intrincados jaalis de tijolo que decoram residências, edifícios públicos e marcos urbanos, o legado do material está profundamente enraizado na identidade arquitetônica do subcontinente. No entanto, ninguém moldou a narrativa do tijolo na arquitetura indiana moderna com tanta eloquência quanto Laurie Baker.