As periferias constituem um dos campos de ação preferidos de quem trabalha com arquitetura social em contextos de "primeiro mundo". Em 2020, um grupo de estudantes do curso de Architecture for Humanity da YAcademy — a renomada escola internacional de arquitetura localizada em Bolonha, na Itália — teve a oportunidade de trabalhar com Michele De Lucchi para levar arte, beleza e qualidade às cinzentas periferias de Milão.
Quando consideramos algo comestível, compreendemos sua capacidade de ser comido, consumido ou ingerido, independentemente de seu sabor. Se a nossa relação contemporânea com o ambiente construído refletisse esse processo, no que se tornariam as cidades e os ambientes construídos?
A Era da Digitalização começou há quase 40 anos com a ascensão da tecnologia da informação. Com ela, vieram mudanças profundas na maneira como os seres humanos interagem e as indústrias operam — exceto, contudo, no campo da educação. Por muito tempo, apesar das tecnologias em constante evolução ao nosso redor, o aprendizado em sala de aula permaneceu o mesmo. O/A professor/a se posicionava diante dos/as estudantes, transmitindo conhecimento por meio de métodos convencionais de leitura, oratória e desenhos na lousa. Essa também tem sido a realidade do ensino de arquitetura até o momento. No entanto, os tempos estão mudando. Os/As estudantes de hoje cresceram cercados/as por tecnologias digitais e, por isso, podem se beneficiar de novos métodos de aprendizado, como a gamificação, para desafiar seus intelectos.
Muitos concordam com Roman Mars, do 99% Invisible, quando ele diz que "tendemos a não notar as coisas bem desenhadas" — mas muitos também concordam que o design costuma ser considerado algo para poucos. Por isso, devemos nos perguntar o que é verdadeiramente democrático na questão do design — e, a partir daí, podemos ajudar a definir e a contribuir com nossa visão para uma sociedade mais justa.
Sob a perspectiva do design e da arquitetura, podemos analisar a democratização do design sob diferentes ângulos: debatendo desde como incluir soluções para as necessidades cotidianas até como projetar de maneira inclusiva. Na base de tudo isso está a busca por respostas para melhorar a acessibilidade e a habitabilidade em nossas vidas.
Afinal, é possível que o design seja para todas as pessoas? E, se for assim, como alcançamos isso? Perguntamos a vocês, nossos leitores e leitoras, por meio de uma chamada aberta, e, após ler uma quantidade imensa de comentários recebidos, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, foi uma surpresa encontrar pontos em comum: não apenas todos nós vivenciamos o design de forma direta ou indireta, mas também precisamos dele para romper estereótipos e paradigmas. Leia alguns dos comentários a seguir.
O Europa Minimal Frame, um novo sistema arquitetônico de alumínio, foi desenvolvido pelo Departamento de P&D da empresa como um sistema de correr de alto desempenho, com ênfase na funcionalidade, no design e na estética. Recentemente premiado com o Red Dot Award: Product Design 2022 na categoria de Elementos de Design de Interiores, o sistema de alumínio Minimal Frame e sua inovação, funcionalidade e longevidade oferecem diversos benefícios para projetos que aspiram a um minimalismo capaz de aliar simplicidade estética e luxo.
O A’ Design Award nasceu "do desejo de destacar os melhores designs e produtos bem projetados". Trata-se de um prêmio internacional cujo objetivo é proporcionar a designers, arquitetos/as e inovadores/as de todas as áreas do design uma plataforma para apresentar seus trabalhos e produtos a um público global. A edição deste ano já está aberta para inscrições antecipadas; os/as profissionais podem registrar seus projetos aqui.
O acesso à moradia adequada é um direito humano. Contudo, diante do aumento drástico dos preços, de rendimentos que não crescem proporcionalmente e de políticas públicas ineficazes, a falta de lares seguros e acessíveis alimenta uma constante crise habitacional global. Na realidade, constatou-se que 90% de 200 cidades pesquisadas foram consideradas inacessíveis para se viver, com o impacto da COVID-19 apenas agravando a situação e forçando grande parte da população mundial a se submeter a condições de vida precárias. Espera-se que esse cenário se agrave ainda mais em um futuro próximo; até 2025, o Banco Mundial estima que 1,6 bilhão de pessoas serão afetadas pela escassez de moradias.
À medida que as empresas despertam para suas responsabilidades sociais e ambientais e definem novas metas rumo à circularidade absoluta, todo o léxico do design e da fabricação de mobiliário se transforma. Enquanto busca zerar seu impacto no equilíbrio ecológico do planeta, a indústria mobiliza um verdadeiro exército de "erres": da reutilização e ressignificação à reciclagem e ao reparo, passando pela remanufatura, reposição e, cada vez mais, pelo aluguel.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134681/haworth-retrabalhar-reparar-reciclar-reutilizarEmma Moore
99+Imaginaris foi um convite a renomados/as arquitetos/as de diversas partes do mundo para especular sobre o futuro de Barcelona. No contexto do Festival Model, os/as curadores/as Eva Franch i Gilabert e Josep Maria Montaner, juntamente com o projeto, coordenação e montagem expográfica da Fundación Enric Miralles, deram origem a uma ampla série de esboços, ideias, visões e modelos: de uma Barcelona comestível de Areti Markopoulou a uma Barcelona com pontos de inflexão de Zaida Muxí.
O catálogo da exposição resultante é um arquivo diverso de manifestos desenhados — um documento que nos permite analisar e debater sobre os próximos modos possíveis de habitar a cidade. Apresentamos a seguir o texto curatorial de 99+Imaginaris, junto a cada uma das visões dos/as autores/as.
A coprodução tem a capacidade de potencializar processos e atores, bem como de se aproximar de espaços e sistemas que tradicionalmente foram invisibilizados pelas políticas públicas urbanas e pelas agendas arquitetônicas convencionais. Em uma conjuntura de insegurança alimentar, agravada pela pandemia e pelo pós-pandemia, o projeto ‘KNOW - Conhecimento em ação para la igualdade urbana’, por meio de uma metodologia participativa e de uma articulação horizontal entre os agentes envolvidos, busca consolidar a criação de uma rede de cuidados que supere as lacunas multidimensionais para além da insegurança alimentar. Dois projetos-piloto foram desenvolvidos no distrito de San Juan de Lurigancho; as áreas de intervenção foram identificadas em decorrência das carências de infraestrutura para o funcionamento das cozinhas comunitárias, uma situação recorrente em outras periferias de Lima.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135146/conhecimento-em-acao-para-a-igualdade-urbana-praticas-comunitarias-para-a-seguranca-alimentar-em-san-juan-de-luriganchoBelen Desmaison, Lia Elier y Diego Vivas
Em um mundo no qual nossa compreensão sobre o que define o luxo passa por uma profunda transformação, o MDF — outrora um humilde material de construção — ganha um novo protagonismo. No campo específico do design e da arquitetura, o que hoje se considera luxuoso não é tanto o recurso raro e brilhante, mas sim aquilo que é produzido de forma consciente e sustentável. Esse luxo não se define por quilates ou brilho, mas por circularidade, durabilidade e adaptabilidade. Nas mãos certas, o que é simples pode se tornar nobre.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135295/mobiliario-e-elementos-fixos-esculturais-a-nova-geracao-de-produtos-em-mdfEmma Moore
A arquitetura sempre desempenhou um papel fundamental em exposições. Museus, exibições e mostras não são apenas ofertas culturais, mas são definidos pelo espaço, por um itinerário expositivo capaz de surpreender e fascinar o/a visitante, que é atraído/a para uma experiência ativa e inspiradora.
Para uma exposição, a arquitetura é tão fundamental quanto as obras de arte, coleções, artefatos e seus conteúdos. O curso “Architecture for Exhibition” foi criado sob essas premissas: seu objetivo é capacitar profissionais de design que sejam capazes de materializar diversas experiências artísticas e museológicas, potencializando a narrativa dinâmica por trás de cada proposta cultural. Os/as estudantes adquirirão novas habilidades em expografia e ingressarão em um ambiente altamente prestigioso — a cultura —, que hoje registra uma demanda crescente por parte dos clientes mais críticos e exclusivos.
Felizmente, a arquitetura tem o poder de resolver inúmeros problemas do mundo moderno e da forma como nele vivemos, e existem caminhos infinitos para isso. Contudo, nem toda arquitetura é eficaz em apresentar soluções e, ao mesmo tempo, demonstrar sensibilidade e provocar reflexões. Com um portfólio que se consolida a cada ano, o SO–IL, escritório de arquitetura sediado em Nova York, vem provando que os edifícios podem, de fato, alcançar esse objetivo e ir muito além.
Nas décadas de 1960 e 1970, surgiu uma série de críticas à cidade moderna. A crítica contundente de Jane Jacobs àqueles que pretendiam reestruturar a cidade de Nova York foi a que teve impacto mais imediato, enfraquecendo o domínio de Robert Moses e de seus seguidores, mas outras obras exerceram uma influência mais ampla sobre arquitetos/as e urbanistas atuantes. Como observador das cidades da região da Baía de São Francisco, perguntei-me se os livros desse período poderiam lançar luz sobre as questões atuais do adensamento em contextos urbanos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134534/como-os-criticos-de-outrora-pensavam-a-densidade-urbanaJohn J. Parman
JULIA GUARINO FICHTER, Primer arquitecta recibida en Uruguay, Revista Mundo Uruguayo Nº2049 (31/07/1958), pág.6 (ejemplar del IHA). Tomado para Nómada Uy. Image Cortesía de Medios Audiovisuales FADU - UdelaR
Nascida em 17 de julho de 1897, Julia Guarino Fiechter tornou-se a primeira mulher a obter o título de arquiteta no território uruguaio, por volta de 1923. Embora fosse natural de Éboli, na província de Salerno, Itália, cresceu e desenvolveu toda a sua vida profissional no Uruguai após se formar na Faculdade de Arquitetura da Universidade da República, atuando também como desenhista e professora.
O novo centro de outdoor living NOA na Bélgica oferece inspiração ilimitada para a concepção de projetos criativos para áreas externas, graças à colaboração de 24 marcas de alto padrão de outdoor living. Assista ao vídeo para saber mais.
A história da memorável cortina que dá vida ao DAAily bar no Swiss Corner durante a Semana de Design de Milão vai muito além de seus padrões coloridos e naturais. Conforme explicou o artista de origem suíça Douglas Mandry, criador da obra em colaboração com a Bally e a Christian Fischbacher, durante sua Live Talk junto à instalação no DAAily bar, "Meu trabalho é movido pelas transformações globais que enfrentamos, abordando questões de mudança climática e consciência ambiental por meio de elementos visíveis."
O slow living é uma tendência inspirada pelo crescente interesse em atenção plena (mindfulness) e sustentabilidade — e por nossa crescente necessidade cultural de escapar dos efeitos negativos do ritmo acelerado da vida digital e do consumo excessivo. No entanto, de que forma exatamente o design de nossos espaços internos e externos pode interpretar essa tendência e nos ajudar a desacelerar?
The Second Studio (antigamente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast explícito sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelo arquiteto David Lee e pela arquiteta Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais criativos em conversas sem roteiro que abrem espaço para reflexões profundas e discussões pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios são entrevistas, enquanto outros trazem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações informais sobre a vida cotidiana e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify, e YouTube.
Esta semana, David e Marina conversam com Jonathan Feldman, arquiteto, sócio-fundador e CEO do Feldman Architecture, para discutir sua transição da astronomia e do inglês antes de estudar arquitetura; a captação de novos clientes; o início e a evolução de seu escritório; ideias fundamentais para a implementação de um design sustentável; e muito mais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134167/podcast-the-second-studio-entrevista-com-jonathan-feldmanThe Second Studio Podcast
Os fungos estão em quase todos os lugares — no ar que respiramos, no solo em que pisamos, na nossa alimentação e, sim, eles também vivem dentro de nós.
Doreen Adengo, arquiteta ugandense e pioneira, faleceu em 22 de julho deste ano, após lutar contra uma longa doença. Ela fundou o Adengo Architecture, um escritório sediado em sua cidade natal, Kampala. Como designer que estudou nos Estados Unidos, trabalhou em escritórios em Nova York, Washington e Londres, e lecionava na Uganda Martyrs University, seu legado é nada menos que extraordinário. Trata-se de um legado que abrange disciplinas e geografias — mas também profundamente enraizado no contexto da África, de Uganda e de Kampala.
A arquitetura de hangares é uma tipologia relativamente recente. Desde que os irmãos Wright guardaram e consertaram sua aeronave em um hangar de madeira construído em 1902, projetistas e construtores/as vêm repensando o potencial dessas estruturas. Para além dos aeroportos e terminais propriamente ditos, os hangares se diferenciam por serem projetados especificamente para abrigar aeronaves ou veículos aeroespaciais. Hoje, como essa tipologia pode ser desafiada e reinventada?
O arquiteto Félix Candela – de nacionalidades espanhola e mexicana – é um dos arquitetos do século XX mais reconhecidos mundialmente por construir uma trajetória que explorou o concreto armado por meio de diferentes experimentos que resultaram nas famosas cascas, elementos estruturais e de design que sustentam muitas de suas obras, tais como o Pavilhão de Raios Cósmicos na UNAM, Cidade do México (1951); a Capela de Palmira em Cuernavaca (1958); o Restaurante Los Manantiales, Xochimilco (1958); e o Palácio dos Esportes para os Jogos Olímpicos de 1968 na Cidade do México.