Dados demonstram que o número de pessoas que moram sozinhas cresceu significativamente; no entanto, surpreendentemente, a vida solitária não corresponde de forma direta ao aumento no sentimento de solidão. Há séculos, a arquitetura vem evoluindo em direção à ampliação da privacidade e do espaço privado. Este vídeo analisa projetos arquitetônicos que buscam reverter essa tendência ao conceber cenários de moradia que incorporam mais oportunidades de interação pública. Entre eles, destaca-se o projeto City Hyde Park, do Studio Gang, em Chicago, com suas varandas anguladas. Contudo, o vídeo vai além, investigando exemplos que repensam radicalmente a arquitetura residencial, sua construção, seu desenho e a integração do espaço público.
O setor imobiliário avança rapidamente. Não faz muito tempo que potenciais compradores/as refinavam suas buscas dirigindo de um lado para o outro com um maço de anúncios impressos, e profissionais de design e construção dependiam de desenhos CAD e ilustrações artísticas para mostrar espaços ainda não construídos. Hoje em dia, os avanços na tecnologia gráfica nos trouxeram renderizações 3D interativas, facilitando para investidores/as, compradores/as e outras partes interessadas compreenderem de fato os projetos que estão visualizando.
Na esteira desses avanços, surgem também tecnologias capazes de entusiasmar e atrair compradores/as, como configuradores de vendas e tours interativos, nos quais visitantes podem escolher acabamentos e projetar seus próprios espaços bem diante de seus olhos; experiências de realidade virtual, em que arquitetos/as podem obter feedback de investidores/as sobre o projeto em etapas cruciais do processo; estudos de insolação, permitindo que potenciais ocupantes vejam como um espaço será afetado pela luz solar em diferentes momentos do dia; e gêmeos digitais, com os quais as cidades conseguem ter uma noção real do uso de um edifício, abrindo caminho para novas formas de otimizar a eficiência e projetar espaços melhores para os/as moradores/as.
Domino Park em Williamsburg, Brooklyn - Um exemplo de sucesso de espaço público que é utilizado por muitas comunidades. Imagem cortesia de Two Trees Management
A urgência para reduzir as emissões de gases de efeito estufa nunca foi tão grande, e alcançá-la exigirá medidas ousadas para edifícios, infraestrutura e comunidades. Reduções incrementais não são suficientes; precisamos focar na descarbonização total, o que significa eliminar as emissões de carbono causadas pelo nosso ambiente construído.
Essas grandes mudanças na forma como a energia é gerada e consumida trarão questões importantes sobre quem se beneficia e quem arca com os custos. Programas de incentivo focados em tecnologia podem acabar deixando nossas comunidades mais vulneráveis para trás, exacerbando um legado de subinvestimento e disparidades de saúde, além de falharem em atingir as metas essenciais de uma transição energética completa. Em vez disso, precisamos de soluções holísticas que priorizem as comunidades desfavorecidas e promovam a transição de edifícios que, de outra forma, seriam deixados de fora, gerando uma transformação de mercado de baixo para cima que beneficie a todas as pessoas.
A empresa de Steven J. Orfield, a Orfield Laboratories (OL), atua há 50 anos nas áreas de projeto, pesquisa e ensaios arquitetônicos, orientada pela premissa de que o aspecto fundamental do design é o usuário final, pois projetar sem considerar o conforto, a preferência e a satisfação do usuário constitui um fracasso. Nesse processo, a empresa desenvolveu normas de desempenho de edifícios para a maioria das tipologias comerciais e, agora, incorporou a essas diretrizes as necessidades de metade da população mundial: pessoas com deficiências perceptivas e cognitivas (DPC). O investimento financeiro para viabilizar essa iniciativa foi expressivo, mas esta se tornou uma das buscas mais importantes na vida de Orfield.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135154/quando-se-trata-de-design-para-pessoas-com-deficiencia-deixe-que-a-ciencia-conduza-o-processoSteven J. Orfield
Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de Pequim 2022 começaram oficialmente em 4 de fevereiro de 2022. Esta edição dos Jogos de Inverno adotou uma abordagem ousada ao adicionar duas zonas de neve em Zhangjiakou e Yanqing à zona de gelo em Pequim, criando um sistema inédito de três zonas.
O Instituto de Pesquisa e Design Arquitetônico da Universidade de Tsinghua (THAD) liderou o planejamento e o projeto arquitetônico geral de todas as instalações na Zona de Zhangjiakou e da Arena Shougang na Zona de Pequim. O planejamento e o projeto das instalações da Zona de Yanqing foram elaborados pelo China Architectural Design & Research Group (CADG). Arquitetos e arquitetas chineses assumiram o protagonismo da criação, pautando-se pelo princípio do desenvolvimento sustentável e integrando de forma estreita as metodologias de planejamento urbano e projeto arquitetônico ao longo do ciclo de construção de aproximadamente seis anos. A equipe propôs a estrutura de projeto de "intervenção espacial em escala integral" baseada no "Plano Geral, Plano Regulatório, Desenho Urbano, Projeto de Arquitetura e Projeto de Sistemas de Equipamentos", consolidando a prática chinesa para uma Olimpíada de Inverno sustentável.
Todos os anos, o festival Concéntrico em Logroño, na Espanha, reúne arquitetos/as e designers de todo o mundo com o intuito de usar a criatividade para construir uma cidade melhor. Na edição deste ano, alguns temas transversais se destacaram como pontos de interesse fundamentais para os/as profissionais de arquitetura e design participantes. Diversas instalações urbanas buscaram ajudar os cidadãos a redescobrir pontos de interesse em suas cidades e arredores, enquanto outras desafiaram as ideias frequentemente engessadas sobre como uma casa deve se parecer e funcionar. Muitos/as designers viram oportunidades no conceito do brincar livre, uma vez que essa atividade exploratória pode ativar espaços públicos subutilizados e engajar pessoas de todas as idades.
Desde 2015, o festival Concéntrico já apresentou 91 instalações e pavilhões ao longo de suas sete edições. O festival é conhecido principalmente por reunir arquitetos/as e designers emergentes, que recebem total liberdade para experimentar em novas vertentes do design ambiental. O festival é organizado pela Fundação Cultural dos Arquitetos de La Rioja juntamente com Javier Peña Ibáñez, idealizador da iniciativa, em colaboração com a Prefeitura de Logroño, o Governo de La Rioja, a Garnica e as Bodegas LAN, além de outras 30 instituições de apoio.
In Out Office / Alfredo Häberli. Imagem cortesia de Andreu World
Profissionais de arquitetura de interiores e de design costumam afirmar que um espaço de escritório bem projetado se traduz em maior produtividade, criatividade e satisfação no trabalho — contudo, o impacto é ainda maior do que a maioria costuma imaginar. Estudos recentes sugerem que o bom design impacta positivamente a cultura da empresa, fomenta o senso de comunidade e cria um ambiente saudável, feliz e motivador. De fato, ele influencia diretamente o recrutamento e a retenção de talentos: “o design do espaço de trabalho aumenta significativamente a atratividade das empresas empregadoras para profissionais em potencial”. Iluminação adequada, um layout flexível e recursos biofílicos são fatores importantes a serem considerados na fase de planejamento. No entanto, para atender plenamente ao conforto e ao bem-estar de quem utiliza o espaço, esses elementos devem ser combinados com um excelente design de mobiliário. Afinal, integrar peças ergonômicas de alta qualidade é uma maneira simples de elevar o ânimo, além de aprimorar a funcionalidade e a estética ao criar ou redecorar o espaço de trabalho.
O Snøhetta foi fundado com base nos três pilares principais do desenvolvimento sustentável estabelecidos pela Comissão Brundtland da Organização das Nações Unidas em 1987: crescimento econômico, proteção ambiental e igualdade social. Suas operações, fortemente pautadas por valores e propósitos, expandiram-se desde então para 330 profissionais em sete escritórios pelo mundo — desde sua cidade natal, Oslo, até Adelaide, Hong Kong, Paris e Innsbruck, além de seus escritórios parceiros em Nova York e São Francisco.
Os estudos sobre as mulheres começaram oficialmente na China no início da década de 1980. À medida que a sociedade se desenvolvia, as mulheres despertaram e passaram a assumir papéis de maior relevância. Embora já houvesse mulheres atuando na arquitetura há um século, Lin Huiyin só foi reconhecida como a primeira arquiteta do país na década de 1920, devido ao desenvolvimento tardio da profissão na China. Hoje, no entanto, cada vez mais arquitetas ocupam posições cruciais no setor.
Old Jaffa House 4 por Pitsou Kedem Architects. Imagem cortesia de German Design Awards 2022
A décima edição do German Design Awards foi apresentada pelo German Design Council. Os prêmios, de prestígio internacional, são concedidos a empresas cujos produtos e projetos inovadores se destacam nas categorias de “Excellent Product Design”, “Excellent Communications Design” e “Excellent Architecture”. Além das distinções “Winner” e “Special Mention”, o júri concedeu um total de 81 prêmios “Gold” — a honraria máxima da premiação.
Nas grandes cidades, é cada vez mais comum encontrar edificações que comportam diferentes configurações e distribuições em seus espaços internos. No final dos anos 1960, começaram a surgir as tipologias de duplex em edifícios entre empenas na cidade de Buenos Aires, quando o Código de Edificação permitia que fossem implantados nos recuos obrigatórios dos pavimentos superiores.
The Wood That Makes Our Cities explora os desafios ambientais, econômicos, industriais e técnicos envolvidos no uso da madeira em grandes estruturas e na arquitetura urbana, além de avaliar o futuro da construção em madeira. A publicação resgata os vinte anos de experiência do escritório com a construção em madeira por meio de cinco de seus projetos, contando com contribuições de especialistas em história, pesquisa acadêmica, manufatura, produção madeireira e silvicultura.
Embora o termo possa parecer recente, o conceito de biofilia vem sendo utilizado há décadas na arquitetura e no design. O princípio orientador é bastante simples: conectar as pessoas no interior dos edifícios com a natureza para promover seu bem-estar e qualidade de vida. Com a consolidação das tendências de design decorrentes dessa abordagem, a demanda passou a se concentrar em materiais orgânicos que emulam ambientes externos. Entre todas as opções, a madeira destaca-se como um dos materiais mais populares para trazer a natureza para os ambientes internos, não apenas por sua funcionalidade, mas também por seus múltiplos benefícios fisiológicos e psicológicos.
Desde a década de 1980, a impressão 3D tem aberto novos caminhos para o desenvolvimento da arquitetura, da engenharia e dos objetos do cotidiano. Diante da digitalização de processos analógicos, torna-se fundamental que os/as usuários/as compreendam as inovações tecnológicas atuais e seus benefícios. O projeto HIVE reinventa a arte e o ofício da construção com argila, combinando o fazer cerâmico tradicional, a geometria inteligente e a precisão robótica para erguer uma parede composta por 175 blocos de argila exclusivos impressos em 3D.
Como o segundo maior escritório de arquitetura do mundo, a Perkins&Will tem a responsabilidade de colocar as pessoas no centro de sua prática projetual, visto que seu trabalho impacta milhões de horas da experiência humana. O foco em sustentabilidade, saúde e justiça é um objetivo compartilhado por profissionais de projeto.
Durante os últimos dois anos que passei fotografando a Expo 2020 Dubai, fui frequentemente questionado por amigos e conhecidos sobre o que ela era exatamente. No momento em que se encerra, neste dia 31 de março, gostaria de responder a essa pergunta sob duas perspectivas. A maioria dos leitores e leitoras sabe que a expo faz parte de uma tradição que remonta ao século XIX — uma vitrine para empresas e nações, uma atração turística e um campo de testes para inovações técnicas. No entanto, ela é também um conjunto de estudos paradigmáticos sobre oportunidade, sustentabilidade e mobilidade, além de um empreendimento imobiliário lucrativo que cria um novo bairro nos Emirados Árabes e propõe um futuro modo de habitar. Talvez esta última referência seja a mais interessante, por ser justamente o que mais diferencia esta edição de suas predecessoras.
O desempenho das edificações é uma marca registrada da arquitetura no século XXI. Como os edifícios e a indústria da construção civil são grandes contribuintes para as emissões de carbono, os/as profissionais de projeto devem fazer todo o possível para reduzir o consumo de energia e a pegada de carbono de suas obras. Além disso, as edificações precisam contribuir para uma experiência positiva dos ocupantes, melhorando a saúde e a produtividade de quem as utiliza por meio de maior conforto visual e térmico e melhor qualidade do ar. Atualmente, espera-se também que os edifícios tenham um desempenho que extrapole seus limites físicos e impacte positivamente as comunidades do entorno, reduzindo suas contribuições para as ilhas de calor locais e o escoamento de águas pluviais, além de apoiar economias verdes locais e sistemas sustentáveis.
Com as metas de projeto de alto desempenho se tornando uma referência padrão para o mercado, os/as projetistas devem identificar os aspectos de alta performance que desejam contemplar e definir metas para os principais indicadores de desempenho. Ao acompanhar a performance de um edifício em cada etapa do projeto por meio de diversas simulações, as análises de desempenho fornecem um roteiro que conecta gradualmente a performance prevista aos valores projetados como meta.
Clínica Dr. Dragic em Novi Sad, Sérvia, projeto do Studio Fluid, 2015; foto de Ana Kostic. Imagem cortesia de Studio Fluid
Aliando sofisticação estética e baixa manutenção, a superfície sólida (Solid Surface) da Corian® Design auxilia arquitetos/as e designers a criarem espaços saudáveis que proporcionam total tranquilidade. O designboom e o ArchDaily dão continuidade à sua série de webinars em três partes com a fabricante do material, desta vez para explorar o futuro dos ambientes de saúde. Com a participação de representantes do Studio Fluid, da Operamed e da NOAS Sweden, importantes especialistas em arquitetura e design se juntam à conversa, que poderá ser assistida ao vivo — inscreva-se aqui.
Para além das fronteiras tradicionais do minimalismo escandinavo e do wabi-sabi japonês, as estéticas do extremo norte e do extremo oriente revelam mais paralelos do que se poderia supor à primeira vista — afinal, não é por acaso que são tão frequentemente combinadas, dando origem ao termo Japandi.
O recrutamento e a retenção de talentos são os maiores desafios para os escritórios de arquitetura. Por isso, para atrair profissionais qualificados/as que não apenas se alinhem à sua marca, mas também a elevem ao longo do tempo, é preciso investir em esforços de marketing, às vezes pensando fora da caixa.
Nos últimos anos, tem havido uma atenção cada vez maior à iluminação de interiores, especialmente no contexto do crescente número de escritórios em plano aberto (*open-plan*). Em grande parte do mundo — e sobretudo nos países nórdicos —, as pessoas chegam a passar de 80% a 90% de seu tempo em espaços fechados. A luz que nos cerca afeta tanto nosso ritmo circadiano quanto nossos hormônios, tornando o ambiente interno e sua iluminação fatores determinantes para o nosso bem-estar. As opiniões sobre qual seria a solução ideal de iluminação interna — e se ela de fato existe — são diversas e divergentes. Para compreender melhor essa dinâmica, a fabricante dinamarquesa de iluminação Louis Poulsen propôs-se a testar os efeitos de diferentes condições de iluminação artificial em sua própria sede em Copenhague.
Para vistas pitorescas à beira-rio, fortificações históricas e castelos, o destino é Luxemburgo. Já para vestígios imponentes da indústria siderúrgica, a escolha é a segunda maior cidade do país, Esch-sur-Alzette. Tendo sofrido, até recentemente, com o êxodo da indústria siderúrgica na década de 1970, Esch — situada a cerca de 16 quilômetros a nordeste da fronteira com a França — está emergindo como um polo cultural inesperado, onde a infraestrutura industrial vem sendo amplamente convertida em espaços de cultura e aprendizado. Esse renascimento é impulsionado por um generoso aporte financeiro decorrente de sua nomeação como Esch2022: Esch-sur-Alzette Capital Europeia da Cultura 2022 (Kaunas, na Lituânia, e Novi Sad, na Sérvia, também nomeadas Capitais Europeias da Cultura este ano, compartilham o título em 2022). Para Esch, o título traz 54,8 milhões de dólares em recursos de fontes europeias, nacionais, locais e privadas.
A arquitetura é humana. Apesar de sua beleza primorosa, tocas, colmeias, ninhos e formigueiros são criações do instinto. O projeto desenvolvido por seres humanos, por outro lado, avalia opções, meios e métodos de criação, solucionando anseios que vão muito além de meras adequações funcionais.
A humanidade se distingue de todas as outras formas de vida na Terra porque, para nós, o instinto é insuficiente. O mesmo ocorre com a arquitetura. Seus resultados são de duas ordens. Primeiro, assim como as criações do instinto, a construção humana precisa resistir à gravidade, proteger contra as intempéries, adequar-se ao seu local e ser exequível; do contrário, falha em sua Diretriz Principal.
“Viajar nem sempre é bonito. Nem sempre é confortável. Às vezes dói, chega a partir o coração. Mas tudo bem. A jornada transforma você; ela deve transformar. Deixa marcas na memória, na consciência, no coração e no corpo. Você leva algo consigo. E, com sorte, deixa algo bom para trás.” – Anthony Bourdain
A frase do saudoso Anthony Bourdain se aplica perfeitamente ao desenvolvimento de projetos de arquitetura no exterior. A curva de aprendizado é íngreme, repleta de riscos e recompensas. Como se preparar? Uma excelente referência está na atualização recente do documento de contrato da AIA (American Institute of Architects), o B161 - Agreement Between Client and Consultant for design consulting services where the Project is located outside the United States, publicado originalmente em 2002. A seguir, apresentamos uma breve introdução a esta nova versão do documento, disponível em aiacontracts.org.