
Em climas temperados e frios, a arquitetura geralmente começa com um gesto defensivo. A envoltória do edifício é um limite vedado, projetado para resistir ao ambiente externo por meio de isolamento, barreiras de vapor e controle mecânico.

Em climas temperados e frios, a arquitetura geralmente começa com um gesto defensivo. A envoltória do edifício é um limite vedado, projetado para resistir ao ambiente externo por meio de isolamento, barreiras de vapor e controle mecânico.

A habitação coletiva é uma marca registrada da Europa. Em sua segunda edição, a premiação busca projetos que evidenciem seu impacto social e os marcos regulatórios e de políticas públicas que os viabilizam. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 30 de abril.
A modernidade pós-industrial gerou uma ampla gama de modelos de habitação coletiva que deixaram uma marca duradoura nas cidades europeias e na história da arquitetura: desde os Hofs de Viena e a Weissenhofsiedlung até a Unité d'habitation de Le Corbusier e as obras apresentadas na Interbau de Berlim.
Os excessos do movimento moderno projetaram uma longa sombra sobre a habitação social — um estigma que a pós-modernidade não foi capaz de dissipar. Contudo, desde a virada do milênio, novas formas de habitação coletiva têm ressurgido, reconectando-se com os ideais do Estado de bem-estar social diante das pressões da urbanização, das tensões do mercado imobiliário e da urgência ecológica.

Nicolás Valencia conversa com os arquitetos chilenos Emilio de la Cerda e Paulette Sirner sobre Arquivo Christian de Groote: cinco décadas de arquitetura, uma publicação detalhada sobre a vasta produção de um dos principais arquitetos chilenos da segunda metade do século XX.

Dez anos atrás, o ArchDaily Brasil lançou a primeira edição do Prêmio Obra do Ano. Durante esta última década, centenas de projetos arquitetônicos têm sido reconhecidos como os melhores do mundo lusófono, graças à inteligência coletiva dos leitores do ArchDaily Brasil.
Hoje começa o Prêmio Obra do Ano 2026, e mais uma vez contamos com a comunidade do ArchDaily Brasil para escolher as melhores obras construídas em território de língua portuguesa. Durante as próximas três semanas, vocês serão os responsáveis por escolher os 15 finalistas e os 3 vencedores desta edição.
Participam todas as obras publicadas durante 2025, dos seguintes países: Brasil, Portugal, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Timor-Leste, Guiné Equatorial, Macau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Nesta primeira fase, os leitores podem nomear uma obra por día para passar à etapa dos finalistas, que serão anunciados no dia 8 de abril.

A arquitetura da América Latina e da Espanha é testemunho da riqueza e diversidade de culturas, tradições, necessidades e soluções que definem esses territórios. Com mais de 700 projetos construídos em países de língua espanhola publicados no ArchDaily em Español, chegou o momento de explorar, debater e escolher os favoritos para o prêmio Obra do Ano 2026.
Em sua décima sétima edição, o Obra do Ano reafirma seu lugar como o maior prêmio de arquitetura do mundo hispânico, decidido por sua comunidade. A partir de hoje, 24 de março, as leitoras e os leitores assumem a responsabilidade de escolher as melhores obras arquitetônicas de 2025.
Durante as próximas três semanas, a inteligência coletiva de nossa comunidade percorrerá centenas de projetos construídos em países de língua espanhola: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

No século XIX, redes ferroviárias inteiras tornaram-se obsoletas quase da noite para o dia, não por deterioração física, mas devido a mudanças nos padrões técnicos que as sustentavam. A expansão das ferrovias pela Europa e América do Norte adotou diferentes bitolas (a distância transversal entre os trilhos) e, à medida que um padrão dominante surgia gradualmente, essas infraestruturas tornaram-se incompatíveis entre si. Isso exigiu adaptações em larga escala, conversões ou mesmo reconstruções completas, no episódio que ficou conhecido como a "Guerra das Bitolas".
Com a adoção em massa das redes de telecomunicações no século XX, cidades do mundo todo construíram grandes edifícios de centrais telefônicas, repletos de equipamentos eletromecânicos responsáveis pelo roteamento de chamadas entre regiões. Essas estruturas eram elementos de infraestrutura altamente especializados, que frequentemente ocupavam quarteirões inteiros e se organizavam em torno de maquinários técnicos de grande escala. Com a transição para as tecnologias de comutação digital e, posteriormente, a ampla adoção da telefonia móvel, grande parte desse equipamento tornou-se obsoleta em poucas décadas. Os próprios edifícios muitas vezes permaneciam estruturalmente íntegros, mas os sistemas que haviam sido projetados para suportar já tinham evoluído além deles.

O ArchDaily China completa 11 anos este ano. O design fundamentado na cultura e no território chineses tornou-se parte essencial do intercâmbio global de arquitetura, consolidando-se como um tema de grande relevância no cenário internacional de desenvolvimento da arquitetura e do design. O ArchDaily China leva informações e consultoria global de arquitetura e design para leitores/as chineses/as, além de apresentar a arquitetura e o design da China para o mundo. Mantemos firme nossa intenção original de ser uma plataforma aberta que beneficia o público, tornando o setor de arquitetura e design mais inclusivo e igualitário.
Este ano, renovamos o convite ao público leitor chinês, com a expectativa de que todos/as possam participar da seleção do Prêmio Obra do Ano 2026 na China. Por meio de uma votação imparcial e descentralizada, cada participante atua como membro do júri, selecionando os projetos de arquitetura e design chineses mais representativos para a comunidade global. Nas próximas três semanas, o processo de seleção será dividido em duas etapas. Na primeira fase, a votação contemplará 455 projetos publicados no último ano, e os 15 mais indicados passarão para a lista de finalistas. Na segunda fase, esses 15 projetos de destaque serão votados novamente para definir o grande vencedor, o segundo e o terceiro colocados do ano.
O Prêmio Obra do Ano 2026 na China é apresentado por Dornbracht, marca reconhecida por seus designs inovadores para arquitetura, presentes internacionalmente em cozinhas e banheiros.

Algumas das transformações mais significativas das paisagens sul-americanas foram produzidas não pelas cidades, mas por grandes infraestruturas construídas para extrair e distribuir recursos naturais. Operações de mineração, sistemas de energia e redes de transporte conectaram paisagens remotas a estruturas econômicas mais amplas, ao mesmo tempo em que transformaram territórios rurais e assentamentos urbanos em todo o continente. Essas infraestruturas não apenas ocupam o espaço; elas o reorganizam. Além de apoiar o crescimento econômico, elas reconfiguraram territórios de maneiras que continuam a gerar debates políticos, ambientais e sociais em todo o continente. Sob essa perspectiva, os territórios podem ser compreendidos não como áreas geográficas fixas, mas como sistemas socioecológicos moldados por relações culturais, ambientais e políticas — ponto enfatizado pelo antropólogo Arturo Escobar em seu trabalho sobre o pensamento territorial na América Latina.

A histórica cidade de Deir ez-Zor, no leste da Síria, enfrentou uma parcela desmedida de calamidades após o início da guerra em 2011. Após sofrer a destruição causada por violentos combates entre grupos armados e o governo central, além da ocupação pelo Estado Islâmico, o terremoto de fevereiro de 2023 trouxe ainda mais danos. Por trás das manchetes, no entanto, encontra-se uma cidade milenar que remonta suas origens aos primórdios da civilização às margens do Rio Eufrates, com uma arquitetura viva dos períodos otomano e do Mandato Francês. Vencedor do prêmio ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o projeto Deir ez-Zor Heritage Library busca revitalizar a cidade e apoiar uma reconstrução sensível por meio da documentação e promoção de seu patrimônio edificado.

De nacionalidade chilena, Smiljan Radić Clarke desenvolveu um corpo de trabalho que resiste a categorizações fáceis. Seus edifícios frequentemente parecem ao mesmo tempo ancestrais e provisórios, portando uma presença monumental enquanto retêm uma inesperada sensação de fragilidade. Pedra, concreto, madeira, tecido e fibra de vidro são combinados de maneiras inesperadas, produzindo arquiteturas que oscilam entre a permanência e a efemeridade. Em vez de buscar uma linguagem formal estável, o/a laureado/a com o Prêmio Pritzker de 2026 aborda a arquitetura como um campo aberto de experimentação, no qual o comportamento dos materiais e a percepção estrutural são constantemente testados.

Em uma era dominada por telas e imagens digitais, o caráter pleno de um objeto de design muitas vezes permanece oculto. Apenas no encontro presencial com um objeto é que se pode sentir sua textura, notar como ele interage com a luz ou até mesmo perceber seu aroma sutil. Essas qualidades sensoriais — tão difíceis de transmitir online — revelam por que as feiras de design continuam a ser relevantes. Cada vez mais, esses eventos se consolidam como espaços de experimentação no design contemporâneo, onde ideias sobre materiais, colaboração e responsabilidade social são exploradas publicamente. Programas curatoriais, exposições e instalações experimentais transformam esses encontros em ambientes onde designers, fabricantes e pesquisadores(as) testam novas possibilidades para o ambiente construído.

No sul da China, existe um mito urbano recorrente — especialmente em Hong Kong, Shenzhen e Guangzhou — sobre a importância de escolher um imóvel que evite a luz poente. Ao longo de décadas, o sol voltado para o oeste tem se mostrado uma condição particularmente difícil de conviver: seu ângulo baixo no fim da tarde, seu agressivo ganho de calor (especialmente no verão) e a maneira como penetra profundamente nos interiores. Com o aquecimento global e as estações cada vez mais quentes e longas, aquele tão romantizado "brilho do entardecer" é cada vez menos vivenciado como romance e mais como ofuscamento, calor e fadiga. Embora essa sabedoria circule como uma regra prática popular, ela carrega uma inegável clareza arquitetônica sobre a orientação dos edifícios: evitar a luz poente não diz respeito apenas ao conforto térmico, mas também a evitar a forma mais forte e intrusiva de iluminação direta — uma luz que incide no ângulo mais implacável, lavando superfícies, achatando a profundidade e transformando os ambientes em campos de desconforto de alto contraste.

Na capital do Irã, Teerã, o movimento define a cidade. Todos os dias, milhões de pessoas navegam por uma paisagem moldada por rodovias, corredores de tráfego e quadras urbanas densas. Ao longo de décadas de rápida expansão, a infraestrutura tornou-se a linguagem dominante do desenvolvimento. As ruas priorizam os veículos, as calçadas funcionam como canais estreitos de passagem e muitos espaços públicos operam principalmente como rotas de trânsito, e não como locais de encontro. Em partes da Ásia Ocidental, os conflitos contínuos também remodelaram as paisagens urbanas da região, onde ambientes arquitetônicos significativos foram danificados ou transformados. Nesse contexto mais amplo, a preservação e a criação de espaços cívicos cotidianos tornam-se cada vez mais significativas. Reconhecido com o Prêmio Aga Khan de Arquitetura, o projeto da Jahad Metro Plaza, assinado pelo escritório KA Architecture Studio, demonstra como intervenções infraestruturais modestas podem remodelar a vida cívica de uma cidade.
A rede de metrô desempenha um papel central no cotidiano de Teerã. Ela conecta distritos distantes e sustenta o ritmo da metrópole. No entanto, os pontos de encontro entre a cidade subterrânea e a superfície raramente são concebidos como ambientes cívicos. As entradas do metrô costumam se apresentar como fragmentos de infraestrutura: escadas que descem ao subsolo, cercadas por grades, quiosques e caminhos de circulação improvisados. Funcionam de maneira eficiente como portais de transição, mas raramente como espaços de permanência.

Situada no quebra-mar externo do Port de Cap-d'Ail, ao lado de Mônaco, a Beach House ocupa um limiar entre a terra e o mar. Cercada por água e barcos ancorados, a edificação estabelece um diálogo próximo com o porto, exposta às mudanças de luz, aos reflexos e à atmosfera do Mediterrâneo. Diante desse cenário, a casa se apresenta quase como mais uma embarcação atracada ao longo da muralha do porto.
No entanto, quando Dave Rowles assumiu o projeto de arquitetura, a residência apresentava pouco desse caráter em seu interior. A antiga casa unifamiliar havia sido completamente desmantelada, restando apenas uma casca de concreto aparente. A reforma, portanto, partiu de uma questão fundamental: como um espaço interno pode capturar as qualidades de seu entorno? Em vez de competir com o forte contexto marítimo, a proposta se concentrou em criar um interior sereno e focado na materialidade, que emoldura e amplifica a beleza e a experiência da paisagem circundante, utilizando detalhes em carvalho, cedro, mármore e aço inoxidável. Em colaboração com a barth, empresa especializada em execução de interiores sob medida, Rowles transformou a estrutura de concreto em um espaço coeso, no qual materiais naturais, luz e detalhes refinados definem tanto os ambientes internos quanto os externos.

Em um cenário social e ambiental em constante mutação, como o projeto de arquitetura pode responder às transformações e, ao mesmo tempo, dialogar de forma significativa com aquilo que permanece? O 1110 Office for Architecture, sediado em Osaka, no Japão, aborda essa questão por meio de um conjunto de obras definido por reformas residenciais minuciosas e intervenções espaciais precisas.
Reconhecido como um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o escritório desponta como uma voz emergente na redefinição do papel da arquitetura em contextos de mudança.

Fundado em 2015 em Ahmedabad por Anand Sonecha, o SEAlab é um escritório moldado por um envolvimento lento e contemplativo com o lugar, a proporção e a participação. Reconhecido como um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o estúdio constrói com materiais simples e técnicas locais, buscando criar ambientes que são tanto vivenciados quanto vistos. Esse ethos tornou-se particularmente tangível em Gandhinagar, onde a Escola para Crianças Cegas e com Deficiência Visual não começou como uma instituição projetada sob medida para esse fim. A escola funcionava em um edifício escolar de ensino fundamental já existente, com salas de aula posicionadas acima dos dormitórios e doze crianças compartilhando um único quarto. O espaço era limitado, assim como as oportunidades de crescimento. O novo edifício acadêmico era necessário para expandir a capacidade, melhorar as condições de vida e apoiar uma maior independência dos/as estudantes.

A Costa Rica é um pequeno país da América Central, internacionalmente reconhecido por seu turismo, biodiversidade e clima tropical. Diante deste contexto, as estratégias de design tropical voltadas ao projeto hoteleiro costumam ser mais estudadas, mas projetos de cabanas residenciais podem representar uma abordagem mais cirúrgica para a compreensão da paisagem. Muitas vezes situadas em áreas florestais ou de selva remotas, essas cabanas, além de incorporarem as estratégias comuns de design tropical, precisam priorizar a durabilidade de longo prazo e os baixos custos de manutenção, sobretudo em regiões onde o acesso para reparos é logisticamente complexo. Isso exige uma filosofia projetual que privilegie a resiliência tanto estrutural quanto climática.
Construir nesse contexto requer respostas de projeto precisas a dois principais estressores ambientais: a precipitação extrema e a alta umidade. O clima tropical da Costa Rica, embora varie conforme a altitude, geralmente apresenta uma média mensal de chuvas superior a 150 mm em várias regiões. Essa carga constante de água pode criar o efeito de "bulbo úmido", no qual o ar estagnado e saturado acelera a degradação dos materiais internos e causa desconforto fisiológico aos habitantes. Para projetar de forma eficaz sob tais condições, a arquitetura contemporânea de cabanas adota uma estratégia tríplice: intervenção mínima no terreno, criação de gradientes térmicos e mitigação climática passiva.

Nicolás Valencia conversa em Santiago com o arquiteto chileno Cristián Izquierdo, autor do livro Composición centralizada, uma seleção de oito ensaios sobre oito casas projetadas e construídas por Izquierdo no Chile, entrelaçando teoria e prática.
Quem é Cristián Izquierdo? É arquiteto pela Pontifícia Universidade Católica do Chile e mestre (MSc) pela Columbia University. É sócio da Izquierdo Lehmann Arquitectos e fundador do Taller Tecton, onde desenvolve projetos cívicos de baixas emissões. É autor de Composición Centralizada e El material de lo construido. Recebeu reconhecimentos como o Architectural Record Design Vanguard e a Medalha AOA de Arquiteto Jovem Destacado. É professor na Pontifícia Universidade Católica do Chile.

No competitivo cenário atual do design, a Modelagem de Informação da Construção (BIM) já não é apenas uma tendência — tornou-se um requisito básico. Ainda assim, muitos escritórios enfrentam dificuldades para equilibrar a complexidade e o esforço envolvidos com o valor real que obtêm em troca. Mas e se fosse possível colher os benefícios do BIM sem aumentar a carga de trabalho de forma desnecessária? Adotar uma abordagem enxuta (lean) para o BIM — focada em eficiência, clareza e resultados reais do projeto — pode ajudar as equipes de arquitetura a simplificar seus fluxos de trabalho, fortalecer a colaboração e manter o controle criativo desde a concepção até a entrega.

Qualquer estudante de arquitetura sabe muito bem o que é passar noites em claro trabalhando sem parar, correndo para finalizar um projeto com o prazo final se aproximando. Revisando cada detalhe, dando os últimos retoques e torcendo pelo melhor. A recompensa? Ver o projeto finalizado, discuti-lo com colegas de classe e poder sonhar com a concepção ideal de como um espaço deve parecer e ser vivenciado.
Durante a seleção dos finalistas ao longo das últimas duas semanas, o júri do ArchDaily tinha plena consciência do que significa ser estudante de arquitetura. Composto por arquitetos e arquitetas, o comitê estudou, analisou e debateu cuidadosamente cada proposta, compreendendo o esforço dedicado a cada envio. O resultado é uma lista de finalistas que exemplifica o espírito do Student Project Awards e sua missão de reconhecer a criatividade e a visão de estudantes que estão redefinindo a prática e o discurso arquitetônico.

Símbolos do desenvolvimento tecnológico e da densidade urbana, os edifícios em altura, tal qual conhecemos hoje, surgiram no final do século XIX, principalmente nos Estados Unidos, como resposta ao crescimento acelerado do comércio urbano e à necessidade de expandir as cidades sem ocupar mais território. O termo arranha-céu, por exemplo, foi cunhado na década de 1880 e originalmente se referia a edifícios com cerca de 10 a 20 pavimentos — uma altura impressionante para a época.
No entanto, a ideia de construir verticalmente é bem mais antiga do que os arranha-céus de aço e vidro sugerem. Muito antes da revolução industrial, algumas sociedades já experimentavam formas de urbanização vertical como solução para limitações de espaço, defesa territorial ou adaptação ambiental.

O Complexo de Ciências da Saúde Myron e Berna Garron (SAMIH), na Universidade de Toronto Scarborough, foi moldado por uma diretriz clara e inegociável: pelo menos 20% do consumo de energia do edifício deveria ser gerado a partir de fontes renováveis instaladas no local. Para atender a essa exigência ambiciosa, a equipe de projeto investigou como a tecnologia solar poderia ir além da cobertura e se integrar à própria arquitetura, posicionando a obra em um movimento mais amplo em direção a uma arquitetura sustentável de alto desempenho. A instalação de aproximadamente 5.850 metros quadrados (63.000 pés quadrados) abriga programas de ensino, pesquisa e treinamento clínico dedicados à formação de futuros/as profissionais de saúde. Projetado por Diamond Schmitt Architects e MVRDV, o projeto inicialmente seguiu um caminho convencional, combinando uma fachada sóbria com painéis fotovoltaicos na cobertura.

Nos últimos anos, a construção com terra tem despertado um interesse renovado na arquitetura. Materiais como o adobe, a taipa de pilão e os blocos de terra comprimida, outrora associados principalmente a tradições vernáculas, vêm sendo cada vez mais explorados por arquitetos e arquitetas contemporâneos. Longe de representar um simples retorno ao passado, esse interesse renovado reflete uma revisão mais ampla de como a arquitetura se relaciona com os materiais, os recursos locais e as condições ambientais.
Durante séculos, a construção com terra fez parte do cotidiano construtivo de diversas regiões do mundo. Técnicas como o adobe, a taipa de pilão, o cob e outros sistemas à base de terra desenvolveram-se gradualmente por meio da adaptação ao clima, aos recursos disponíveis e às práticas construtivas locais. Esses métodos respondiam diretamente às condições ambientais ao mesmo tempo em que moldavam modos culturais de construir. Esse conhecimento circulava através de práticas coletivas, e não por meio do ensino formal de arquitetura, permitindo que as técnicas evoluíssem a partir de uma experimentação contínua.