Em muitas partes do mundo, o isolamento não se define apenas pela distância física. Ele pode descrever um assentamento montanhoso distante da infraestrutura urbana ou um bairro periférico à margem da visibilidade e das oportunidades. Nesses diversos contextos, a biblioteca tem se consolidado como uma das tipologias mais vitais — um espaço onde a arquitetura materializa preceitos de acessibilidade, inclusão e acolhimento comunitário.
Morar à beira-mar é, há muito tempo, um desejo marcante — atraído pela promessa de uma natureza amena, privacidade e acesso imediato à água. Historicamente, as casas de praia tendiam a ser rústicas e despojadas: em parte porque a infraestrutura em locais remotos e o transporte de materiais eram difíceis, e em parte porque seu charme residia em estar mais próximo dos elementos — de forma mais simples, rústica e direta.
Por conta disso, muitas das primeiras casas de praia foram construídas em madeira. O material oferecia vantagens claras: era leve, adaptável, de rápido manuseio e podia ser montado com o mínimo de maquinário pesado. Embora a madeira sofra com a ação do tempo e apresente baixa resistência à umidade carregada de sal, a madeira para uso externo carrega um caráter bruto e natural que reforçava o apelo do ideal da casa de praia.
A vida coletiva continua a ser um tema central no discurso habitacional contemporâneo, estendendo-se para além das questões de densidade ou tipologia para abranger preocupações mais amplas sobre o uso do solo, a coesão social e a identidade espacial. Esta seleção de projetos conceituais não construídos, enviada pela comunidade do ArchDaily, explora o potencial dos ambientes de vida compartilhada, não apenas como soluções habitacionais funcionais, mas como estruturas para interação, integração ambiental e continuidade cultural. Seja em contextos urbanos ou remotos, as propostas refletem um interesse crescente em repensar como o espaço doméstico pode apoiar tanto a privacidade individual quanto a vida comunitária.
A arquitetura de escolas de educação infantil há muito se destaca como um campo onde o design e a imaginação convergem. Ao contrário da maioria das tipologias de edifícios, esses espaços são concebidos não apenas para abrigar e funcionar, mas para moldar as primeiras experiências de curiosidade, brincadeira e interação social. Ao longo da história, o design de escolas infantis evoluiu junto com as mudanças pedagógicas, passando de primórdios modestos e utilitários para ambientes altamente intencionais que estimulam tanto o aprendizado quanto o encantamento. Nesse contexto, a arquitetura torna-se mais do que um pano de fundo — ela se transforma em um/a educador/a silencioso/a, capaz de nutrir o desenvolvimento emocional, cognitivo e físico.
Um prêmio de arquitetura atua como um dispositivo de legitimação, capaz de indicar quais abordagens, materiais e estratégias começam a ocupar uma posição central no discurso disciplinar. Ao reunir projetos com programas, escalas e condicionantes distintos, essas iniciativas tornam visíveis prioridades e direções emergentes no campo. Nesse sentido, o Design Awards da Shaw Contract consolidou-se como uma plataforma global de reconhecimento no design de interiores e como um termômetro das transformações que atravessam a disciplina, ao promover uma reflexão sobre o papel do design na construção de ambientes mais responsáveis, inclusivos e sustentáveis.
Nos últimos anos, o trabalho remoto tornou-se cada vez mais comum, criando a necessidade de espaços domésticos que acomodem tanto a vida profissional quanto a pessoal. Isso se aplica especialmente a artistas, para quem a integração entre moradia e espaços de trabalho é essencial. Muitas vezes, esses locais também precisam funcionar como áreas de exposição para a produção artística, como pinturas, esculturas, cerâmicas e outras criações.
Essa fusão entre ambientes de trabalho e de moradia tem influenciado as tendências de arquitetura e design de interiores, priorizando a flexibilidade, a multifuncionalidade e uma estética que estimule tanto a criatividade quanto o conforto. Plantas livres, móveis modulares e soluções de iluminação adaptáveis tornaram-se elementos fundamentais em projetos que buscam harmonizar o cotidiano pessoal e profissional de forma fluida.
A decisão de elevar uma edificação do solo é uma manobra técnica que exige planejamento substancial, expertise e consideração minuciosa. Trata-se de uma resposta arquitetônica deliberada às forças e fragilidades do local. Planícies de inundação, áreas úmidas e o degelo da tundra compartilham um elemento em comum: profissionais de arquitetura reconciliam riscos e vulnerabilidades por meio de estruturas elevadas. Nesse sentido, trata-se de uma resposta espacial e de uma necessidade estrutural.
Ex-alunos e ex-alunas do SCI-Arc continuam a deixar uma marca indelével no panorama global do design, liderando novas abordagens em arquitetura, tecnologia e práticas interdisciplinares. Com uma reputação consolidada no fomento à experimentação radical, a instituição formou profissionais cujos trabalhos desafiam convenções e redefinem as possibilidades espaciais. As conquistas recentes de seus diplomados e diplomadas destacam o papel do SCI-Arc na formação da próxima geração de arquitetos, arquitetas e pensadores criativos.
Que estruturas e infraestruturas mantêm os vínculos e relações entre o campo e a cidade? Como a arquitetura e as tecnologias emergentes manterão ou não essa coexistência de ambos os mundos no futuro? A redução da pegada ecológica, o impacto das mudanças climáticas, a descentralização das grandes cidades, a segurança alimentar e demais problemáticas contemporâneas interpelam profissionais de arquitetura e urbanismo em nível global sob o principal objetivo comum de melhorar a qualidade de vida da população e alcançar o bem-estar físico, mental e emocional no ambiente construído e natural.
Um bom design deve se adaptar às necessidades de quem o utiliza, e o design participativo busca reduzir a distância entre os/as arquitetos/as e as pessoas para as quais o projeto é concebido. Nesse sentido, projetos para crianças que as acolhem como protagonistas no processo de desenvolvimento demonstram como o potencial da escuta ativa e do codesign se reflete em espaços adaptados a uma escala menor e a um público em fase de aprendizado intenso.
Sejam jardins de infância, escolas, centros comunitários ou espaços públicos, os projetos participativos com crianças mostram como o processo de projeto pode ser uma troca enriquecedora para ambos os lados. Por um lado, as crianças aprendem sobre materiais, escalas, tomada de decisões e desenvolvem a consciência espacial. Por outro lado, os/as profissionais de arquitetura responsáveis por concretizar os desejos e necessidades desse público jovem podem exercitar a sensibilidade e a imaginação, reconhecendo uma visão de mundo diferente, focada na descoberta. Tudo isso se torna possível por meio da escuta e do diálogo aberto entre diferentes faixas etárias.
Como se manifesta o otimismo em cidades que já não podem contar com a perfeição como sua ambição máxima? Em todo o mundo, os ambientes urbanos carregam o peso de pressões sobrepostas: instabilidade climática, desigualdade espacial, fragmentação política, desconfiança pública e desinvestimento crônico em infraestrutura. Essas realidades tornam a ideia de uma cidade ideal cada vez mais distante da experiência vivida. Ainda assim, a esperança de construir sistemas melhores persiste. Embora as visões utópicas possam parecer uma fuga das crescentes complexidades do mundo moderno, o maior desafio para o urbanismo contemporâneo é confrontar essas complexidades, em vez de evitá-las.
A cidade de Kharkiv tem enfrentado desafios significativos devido à sua proximidade com a fronteira russa. Diante de tais circunstâncias, o prefeito de Kharkiv, Ihor Terekhov, destacou a necessidade de um novo marco urbano durante o Segundo Fórum de Prefeitos das Nações Unidas — um projeto que pudesse personificar renovação, resiliência e esperança. O Concurso Internacional para a Praça da Liberdade foi lançado como parte dessa visão, convidando especialistas locais e internacionais a proporem projetos inovadores para a Praça da Liberdade e para o Edifício da Administração Estatal Regional de Kharkiv.
Este concurso integra o escopo mais amplo do Conceito do Plano Diretor de Kharkiv (Kharkiv Masterplan Concept), uma iniciativa liderada pela Prefeitura de Kharkiv em colaboração com a Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE), a Norman Foster Foundation, a Arup, além de arquitetos/as e especialistas locais. O Plano Diretor busca orientar a regeneração de Kharkiv ao promover um ambiente urbano vibrante, inclusivo e voltado para o futuro, sem deixar de honrar a identidade histórica da cidade.
Os/As egressos/as do SCI-Arc continuam a deixar uma marca indelével no cenário global do design, abrindo caminhos para novas abordagens na arquitetura, na tecnologia e nas práticas interdisciplinares. Com a reputação de fomentar a experimentação radical, a escola formou diplomados/as cujos trabalhos desafiam convenções e redefinem as possibilidades espaciais. As conquistas recentes desses/as ex-alunos/as destacam o papel do SCI-Arc na formação da próxima geração de arquitetos/as e pensadores/as criativos/as.
Prompt: Uma imagem que personifica a essência das mídias sociais: uma tela gigante exibindo fotografias de projetos de arquitetura e interiores, com uma pessoa no centro, de costas, absorvendo a cena. Imagem cortesia de Enrique Tovar usando DaVinci AI
"Eu vi no Instagram!" Esta é uma frase recorrente em vários contextos, desde a recomendação do restaurante mais recente até o hotel mais badalado da cidade. A janela para observar e nos expor ao mundo exterior agora cabe na tela de nossos smartphones. Isso não significa necessariamente que tudo seja um cenário desolador. Ainda assim, reflete o fato de que somos constantemente inundados por dados e informações segmentados por algoritmos, tudo em um formato extremamente fácil de consumir. No mundo atual, bastam alguns segundos para se ter uma impressão duradoura de um edifício e de sua atmosfera — e essas primeiras impressões importam mais do que costumamos perceber.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143084/design-voltado-para-as-redes-sociais-a-arquitetura-esta-se-adaptando-as-tendencias-virais-e-aos-algoritmosEnrique Tovar
Yale Art + Architecture Building. Imagem cortesia de Gwathmey Siegel & Associates Architects
Em meados do século XIX, as universidades norte-americanas começaram a distinguir formalmente a arquitetura da engenharia civil e das ciências aplicadas. A arquitetura emergia como uma disciplina definida tanto pela competência técnica quanto pela investigação conceitual, pela imaginação espacial e pelo papel cultural ativo. À medida que essa identidade disciplinar evoluía nas décadas do pós-guerra, sua expressão construída se consolidou na linguagem arquitetônica emergente do Brutalisme.
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A Unidade de Serviços Básicos, um protótipo habitacional em escala real desenvolvido pela ELEMENTAL e Holcim, apresentado em Veneza durante a Bienal de Arquitetura de 2025. Imagem Cortesia de Holcim Awards
Durante a exposição Time Space Existence, organizada pelo European Cultural Centre em Veneza, a empresa de soluções construtivas Holcim e o arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker Alejandro Aravena, junto com seu escritório ELEMENTAL, apresentaram um protótipo em escala real que introduz uma nova abordagem para soluções de habitação incremental.
O protótipo habitacional — The Basic Services Unit — foi construído com a recentemente lançada tecnologia de biochar da Holcim, que transforma edifícios em sumidouros de carbono ao capturar permanentemente o carbono em um material de base biológica chamado biochar. Esse material é utilizado como componente em concretos, cimentos e argamassas de baixo carbono.
Há mais de cinco décadas, o fotógrafo suíço Thomas Mayer vem desenvolvendo uma linguagem serena, emocional e documental para a arquitetura. Sua lente captura momentos aleatórios e memoráveis do nosso ambiente construído — reflexos na chuva, longas horas azuis nos verões nórdicos e a escuridão silenciosa dos espaços sagrados. Reconhecido pelo ArchDaily como um dos principais nomes da fotografia de arquitetura, Mayer carrega um profundo fascínio pela luz e pelo espaço.
Em 1952, o compositor norte-americano John Cage apresentou pela primeira vez sua obra revolucionária "4'33''". Nela, a orquestra não emite nenhum som intencional durante quatro minutos e trinta e três segundos. Em vez disso, o que se ouve são respirações, movimentos e ruídos sutis que normalmente passariam despercebidos, mas que ali se tornam parte da própria composição. Com essa obra, Cage revelou que o silêncio absoluto não existe. Sempre há som, mesmo quando não planejado.
Da mesma forma, cada espaço arquitetônico possui sua própria paisagem sonora. O som se propaga, reflete, reverbera e se dissipa de acordo com os materiais, volumes e superfícies que encontra. Paredes rígidas e pés-direitos altos podem amplificar os ecos, ao passo que tecidos e painéis porosos os suavizam. A acústica, portanto, não é meramente uma preocupação técnica, mas uma forma de escuta materializada — uma ciência que opera no limite entre a percepção e a emoção. Por essa razão, trata-se de um campo complexo. Cada tipologia, seja um museu, templo, estúdio ou teatro, tem sua própria lógica sonora, e a compreensão dessas nuances é essencial para criar espaços que acolham o som, a voz e o silêncio com igual precisão.
Baseado em Florianópolis, Brasil, Eduardo Souza traz uma perspectiva refinada para a arquitetura, moldada por seu envolvimento de longa data com design, pesquisa e prática editorial. Tendo crescido em um ambiente profundamente conectado à arquitetura — seu pai é engenheiro civil e professor —, Eduardo desenvolveu desde cedo um fascínio pela criatividade, pelo fazer artesanal e pelo pensamento espacial. Essa base o levou naturalmente a cursar arquitetura e, mais tarde, a explorar o campo editorial, onde a escrita e a curadoria se tornaram extensões de sua paixão pela arquitetura.
Eduardo juntou-se ao ArchDaily como tradutor em seus primeiros anos e, progressivamente, assumiu diversas funções editoriais, desenvolvendo um profundo interesse pela interseção entre materiais, tecnologias e sistemas construtivos. Seu trabalho editorial concentra-se em revelar inovações que desafiam os modos tradicionais de se fazer arquitetura, enfatizando a coerência entre conceito, execução e contexto. Ele dedica atenção especial a práticas sustentáveis, como a circularidade, o uso de materiais locais e as reinterpretações vernáculas que respondem aos desafios ambientais e culturais de hoje.
O mundo moderno está desconectado. As interações on-line dominam o cotidiano das pessoas em escala global. Essa mudança não resulta apenas da ascensão da internet, mas reflete de forma nítida o declínio dos espaços públicos, em especial dos chamados "terceiros lugares". Os terceiros lugares, outrora essenciais para promover a comunidade e a coesão social, evoluíram drasticamente nas últimas décadas. No atual cenário mercantilizado, esses espaços enfrentam diversas exigências, tanto por parte de usuários/as quanto de designers, o que gera a necessidade de reconsiderar sua acessibilidade e seu propósito.
Como parte do contexto da experiência, o conceito de exposição na arquitetura está estreitamente ligado à percepção. Compreender a jornada do/a usuário/a, reconhecer as propriedades e características de cada elemento e revelar a metodologia por trás de seu funcionamento são aspectos vitais do processo de projeto e desenvolvimento desses espaços. De equipamentos, mobiliário e obras de arte a materiais e tecnologias de construção, a arquitetura e o design de interiores demonstram um potencial criativo cada vez mais significativo para desenvolver soluções que fundem perspectivas históricas, paisagísticas e sociais.