O concreto está longe de ser um consenso. Há quem o ame e quem o odeie. Pode parecer tão duro quanto o granito ou tão macio quanto o veludo — tudo dependendo de quais mãos o moldam. Tratado com precisão de engenharia ou com um toque de sensibilidade artística, o concreto deixa de ser apenas um material e passa a ter vida própria. Brinca com a luz, surpreende pela textura e, de alguma forma, dá forma ao silêncio. Embora denso e estrutural, o concreto pode assumir uma presença quase imaterial: leve, etérea e contemplativa. Em certos espaços, parece desaparecer, dissolvendo-se nas sombras ou vibrando com a luz circundante. Mais do que um simples elemento construtivo, torna-se uma linguagem, capaz de evocar emoção, espiritualidade e tempo.
Entre os Andes, a costa e a Amazônia, a arquitetura do Equador evoluiu como um reflexo de sua geografia em camadas, um lugar onde clima, topografia e cultura se encontram. Ao longo do território, a arquitetura tem sido um ato de adaptação: das tradições vernáculas enraizadas no trabalho coletivo e nos materiais locais às influências coloniais e modernistas que redesenharam suas cidades. Essa diversidade gerou sistemas construtivos distintos, de estruturas de bambu e cana na costa a construções de terra e pedra nos Andes, formando um acervo de design adaptativo que continua a influenciar a prática contemporânea.
Contudo, na última década, a arquitetura equatoriana passou por uma transformação silenciosa, mas profunda. Novos programas acadêmicos e referências internacionais estimularam uma conscientização crescente sobre o clima e a justiça social. Profissionais emergentes da arquitetura estão redefinindo a prática por meio de oficinas, estúdios coletivos e experimentação in loco que atenuam a fronteira entre projeto e ativismo. Longe de focar na arquitetura como um mero objeto, essa nova geração aborda o projeto como um processo — focado na colaboração, na sustentabilidade e na identidade cultural. Seus questionamentos mudaram a linguagem projetual: a pergunta já não é mais o que construir, mas com quem.
Dando continuidade à nossa tradição anual, perguntamos aos nossos leitores e leitoras quem deveria receber o Prêmio Pritzker de 2025, a honraria mais prestigiosa da arquitetura.
Fundado por Jay Pritzker e administrado pela Fundação Hyatt nos Estados Unidos, o Prêmio Pritzker reconhece arquitetos e arquitetas vivos/as, independentemente de sua nacionalidade, cujo trabalho tenha gerado um impacto duradouro e significativo para a humanidade por meio da arte da arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142664/leitores-do-archdaily-escolhem-quem-deve-vencer-o-premio-pritzker-2025ArchDaily Team
Poucas encomendas de projeto permitem que profissionais de arquitetura foquem em usuários não humanos, e menos ainda envolvem cavalos. Embora animais de estimação como cães e gatos sejam inspirações frequentes, as necessidades específicas dos cavalos apresentam um desafio único no projeto de estábulos. Como os cavalos — os habitantes principais das instalações — não conseguem expressar suas necessidades, o projeto depende dos requisitos rigorosos determinados pelo manejo humano, exigindo um equilíbrio entre a eficiência operacional e o máximo de conforto e segurança para os animais. As equipes de projeto costumam abordar essa questão por meio de três princípios fundamentais: Conforto e Bem-Estar Equino, Materialidade Contextual e Eficiência Operacional. Dessa forma, os layouts resultantes são caracterizados por um zoneamento rigoroso que separa claramente os programas em áreas residenciais (baías), de serviço (selaria, depósitos, lavagem e alimentação) e de treinamento (pistas e andadores). Os projetos também consideram o bem-estar visual: sendo os cavalos animais sociais, as cocheiras são posicionadas de forma estratégica para promover linhas de visão entre os animais e para o exterior, frequentemente empregando sistemas de venezianas ou fechamentos vazados. Além disso, busca-se uma iluminação difusa através de materiais como painéis translúcidos, evitando sombras nítidas que possam gerar estresse nas pistas de treinamento. Do mesmo modo, os fluxos de circulação são desenhados para garantir o movimento seguro e eficiente tanto de pessoas quanto dos animais.
Nicolás Valencia conversa em Lima com os arquitetos peruanos Mariana Jochamowitz e Nicolás Rivera sobre a Revista A da Pontificia Universidad Católica del Perú e sua participação na Bienal Iberoamericana de Arquitetura e Urbanismo 2024 com a oficina "Clímax, Fanzine para uma comunidade em crisis".
https://www.archdaily.com.br/pt/1142678/mariana-jochamowitz-e-nicolas-rivera-por-que-fazer-fanzines-de-arquiteturaArchDaily Team
O período de inscrições para o Concurso MICROHOME 2025 está chegando ao fim. O certame oferece uma premiação total de 100.000 EUR para celebrar soluções sustentáveis e inovadoras em habitação compacta. Patrocinado pela Kingspan, este concurso global convida arquitetos/as, designers e mentes criativas a redefinirem o conceito de moradia em pequena escala.
Acesse a página do concurso para se inscrever antes do prazo final, em 13 de fevereiro de 2025.
Para muitos lares na América Latina, fogões e aquecedores alimentados por combustíveis fósseis e biomassa, como o gás natural ou a lenha, constituem uma opção econômica e acessível. No entanto, esses aparelhos apresentam certos desafios: são fontes de emissão de gases de efeito estufa (GEE), contribuem para a poluição interna (ou intradomiciliar) e evidenciam a necessidade de políticas que promovam uma matriz energética residencial mais limpa. Esses desafios tornam-se ainda mais urgentes quando se considera que 2024 foi o ano mais quente já registrado, com um aumento de 1,5 ºC em relação aos níveis pré-industriais, impulsionado por recordes de emissões de GEE decorrentes de atividades humanas. Esse cenário reforça a importância de adotar soluções sustentáveis em escala global em todos os setores, incluindo o residencial.
O SketchUp 2025 introduz novas ferramentas e aprimoramentos voltados para melhorar a forma como arquitetos/as e designers visualizam, colaboram e comunicam seus trabalhos.
Esta versão traz materiais mais realistas e ambientes imersivos, facilitando a criação de representações visuais impactantes de modelos arquitetônicos. Essas atualizações de visualização estão disponíveis no SketchUp para Desktop, Web e iPad, bem como no LayOut e no 3D Warehouse, proporcionando uma experiência consistente entre as plataformas.
Há quase 65 anos, a marca DETAIL é sinônimo de pesquisa minuciosa e documentação arquitetônica abrangente. Os artigos da revista e os livros especializados demonstram como uma arquitetura excepcional é planejada, projetada e executada. Eles oferecem um conhecimento aprofundado sobre construção civil, tipologias edilícias e aspectos técnicos da arquitetura.
A DETAIL tornou-se especialmente renomada por seus desenhos construtivos, que são cuidadosamente pesquisados pela equipe editorial e redesenhados por uma equipe interna de CAD em um estilo padronizado.
Antes vistos como puramente utilitários, os blocos de concreto aparentes vêm, cada vez mais, fazendo parte de uma transformação arquitetônica. Em regiões de clima quente, onde o isolamento térmico é desnecessário, o material pode ser deixado exposto, livre de revestimentos, acabamentos ou adornos. Com isso, a textura, a paginação e a forma passam a definir a personalidade da edificação e a simplificar a construção, ao mesmo tempo em que abrem novas possibilidades de expressão e identidade. Essa abordagem também serve de plataforma para explorar o conceito de honestidade material. Além de seu valor estético, o uso do material "ao natural" pode reduzir significativamente os custos de construção e minimizar a manutenção ao longo da vida útil do edifício.
Bolete Lounge BIO®. Imagem cortesia de Andreu World
Qual é o panorama global atual sobre a reciclabilidade dos materiais utilizados na arquitetura? Até que ponto as sociedades contemporâneas estão realmente comprometidas em reduzir o impacto ambiental? No esforço para viver em equilíbrio com a natureza, a substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis é uma das principais estratégias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater o aquecimento global. Buscar inspiração na natureza como forma de protegê-la significa criar projetos que incorporem sustentabilidade, circularidade e reciclabilidade desde o primeiro esboço. Dos sistemas construtivos aos acabamentos de superfície, o uso de biomateriais na arquitetura reflete uma mentalidade baseada na responsabilidade de longo prazo pelo ciclo de vida completo do material.
Este artigo de Carlos Arroyo Zapatero foi publicado originalmente com o título "Artealização e ecologia: paisagens produtivas sustentáveis" na edição nº 24 da revista Dearq em 01/01/2019 (https://doi.org/10.18389/dearq24.2019.02) e faz parte de uma colaboração conjunta de difusão.
Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge como "Five Women Architects Revitalize a Giant Public-Housing Project in Rome."
O Corviale é um dos maiores conjuntos de habitação social do pós-guerra na Itália e, sem dúvida, um dos mais polêmicos. Reverenciado e detestado na mesma medida, o complexo continua a ser um local de peregrinação para escolas de arquitetura de todo o mundo. Il Serpentone (A Grande Serpente), como é carinhosamente chamado, estende-se por quase um quilômetro em linha reta — um edifício monolítico e brutalista que paira sobre a paisagem na periferia de Roma. No entanto, não há nada de sinuoso em uma construção feita de 750 mil metros quadrados de concreto armado condensados em 60 hectares. Esse colossal arranha-céu horizontal é formado por estruturas gêmeas de 30 metros de altura cada, conectadas por labirintos de corredores longos, passarelas externas e pátios internos. Dividido em cinco unidades habitacionais, cada uma com sua própria entrada e escada, o complexo abriga 1.200 apartamentos e até 6.000 pessoas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131231/chilometro-verde-cinco-arquitetas-revitalizam-o-corviale-um-gigantesco-projeto-de-habitacao-social-em-romaMarina Engel
Os primeiros módulos residenciais de madeira do Juf Nienke, um novo projeto habitacional circular e pré-fabricado de madeira desenvolvido por SeARCH, RAU e DS landscape architects, foram instalados em Amsterdã. O projeto contará com 61 moradias de aluguel feitas inteiramente de madeira e ficará localizado na entrada de Centrumeiland, uma porção de terra recentemente aterrada no lago IJmeer que abrigará 1.500 unidades residenciais. O empreendimento está previsto para ser um dos edifícios residenciais mais sustentáveis dos Países Baixos, incorporando uma estrutura inovadora de madeira laminada cruzada e utilizando materiais reciclados.
Primer Premio. Image Cortesía de Arq. Ezequiel Spinelli
Organizado pelo Colegio de Arquitectos de la Provincia de Santa Fe DSP y Distrito 1 e promovido pela Federação Argentina de Entidades de Arquitetos (FADEA), o Concurso Nacional de Anteprojetos de um edifício para o Centro de Experimentação, Inovação e Desenvolvimento do Design e da Construção (CEIDDC) busca responder a um programa educacional dentro da Faculdade de Arquitetura, Design e Urbanismo (FADU) da Universidade Nacional do Litoral (UNL), em Santa Fe, Argentina.
O júri foi constituído pelo Arq. Ian Dutari pela FADEA, pela Arq.ª Ma. Isabel Rinaldi pelo CAPSF, pelo Arq. Gustavo Barrirero pelo CAD1, pelo Arq. Roberto Frangella pelos participantes e pelo Arq. Sergio Cosentino pelo promotor (UNL). No total, foram recebidos 65 trabalhos, dentre os quais foram concedidos três prêmios e uma série de menções honrosas. A seguir, apresentamos as propostas premiadas.
A ilustradora e estudante de arquitetura equatoriana Ariel Triana Ayarza (Arluz Ilustraciones) criou uma série que explora, por meio de imagens digitais, a arquitetura de Guayaquil. A coleção gráfica tem como objetivo destacar a beleza dos ícones patrimoniais, dos edifícios coloniais e de todas as obras representativas que fazem parte da identidade da cidade.
O que é preciso para construir uma cidade inteligente do zero? Ou, talvez, a verdadeira questão seja: o que é preciso para construir uma cidade inteligente do zero e torná-la bem-sucedida? Por mais de uma década, arquitetos/as e urbanistas trabalharam lado a lado para criar Songdo, um distrito de negócios totalmente novo que buscava representar os avanços sul-coreanos em tecnologia e infraestrutura. Songdo já foi um modelo de como viveríamos nas cidades do futuro — mas, hoje, a realidade do que essa cidade inteligente rapidamente se tornou nos faz repensar como a combinação entre tecnologia e comunidade pode ter falhado.
E se pudéssemos visitar qualquer edifício, independentemente de ter sido de fato construído? Ou, até mesmo, após ter sido demolido? Este vídeo e o link abaixo se concentram em uma única residência — a One Half House, projetada por John Hejduk — com o objetivo de ressuscitá-la e explorá-la. O projeto utiliza o programa Enscape para percorrer o edifício, buscando preservar e compartilhar a experiência de uma arquitetura que não existe em formato construído. O vídeo apresenta uma linha do tempo para contextualizar o papel da casa na carreira e na obra de John Hejduk, uma análise da edificação e as primeiras impressões ao percorrê-la pela primeira vez. Em especial, a One Half House foi fundamental para se pensar em como os volumes arquitetônicos podem se relacionar no espaço sem o elemento ordenador de uma grelha ou de uma parede. Que magia e quais outros aprendizados estariam latentes no projeto, ocultos até o momento em que pudéssemos experimentá-lo?
40 viviendas públicas sostenibles en Sant Feliu de Llobregat, Barcelona. Image Cortesía de AMB Área Metropolitana de Barcelona
Por meio do IMPSOL (Instituto Metropolitano de Promoção de Solo e Gestão Patrimonial), a Área Metropolitana de Barcelona (AMB) deu início à construção de uma nova série dehabitações de interesse social(VPO) na rua Anselm Clavé, em Sant Feliu de Llobregat (Barcelona, Espanha). A elaboração do projeto e a direção da obra estão a cargo de Guillermo López, do MAIO Architects.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131202/utopias-iztapalapa-projeto-vencedor-no-concurso-acao-x-habitacao-e-assentamentos-frente-a-covid-19ArchDaily Team
Pouco mais de um ano após o início da pandemia no Peru, uma equipe multidisciplinar do OjoPúblico e do Espacio y Análisis realizou uma ampla pesquisa baseada em diversos bancos de dados geográficos e socioeconômicos que revela as grandes disparidades no acesso a espaços públicos e áreas verdes em 44 distritos de Lima e Callao (Peru). Em várias cidades do mundo, a pandemia demonstrou quão desigual é a distribuição do espaço público, especialmente nos bairros de baixa renda e nas áreas vulneráveis, onde há escassez de espaços de convivência, como áreas verdes, parques ou playgrounds. Por meio do relatório cartográfico, a equipe demonstra como mais da metade dos distritos de Lima e Callao não ultrapassam os 3 metros quadrados de áreas de lazer por habitante, expõe os contrastes urbanos em diversos limites distritais com níveis socioeconômicos elevados e evidencia os desafios pendentes das autoridades locais para aumentar e melhorar a qualidade das áreas de lazer.
Fundado em Xangai em 2016, o atelier tao+c desenvolve uma prática que abrange desde uma luminária pendente até um quarteirão inteiro, estendendo-se de interiores residenciais urbanos mínimos à renovação de antigas casas rurais, e de lojas de rua a comunidades de jovens. Alinhando a prática projetual à pesquisa, o estúdio dedica-se simultaneamente a temas como a revitalização de edifícios antigos e a organização de objetos e assentamentos em espaços habitacionais. Sem restrições de tipologia ou escala, os projetos do atelier tao+c centram-se na escala, na tectônica, nas relações de proximidade e intimidade, bem como na conciliação entre o passado e o imediato, redefinindo a exploração e a compreensão tipológica para revelar o potencial latente de cada lugar.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131206/vagas-em-xangai-atelier-tao-plus-c-arquiteto-a-designer-de-interiores-designer-de-ff-and-e-e-estagiario-aMilly Mo
Foram divulgados os resultados do Concurso Nacional de Anteprojetos "Novo centro administrativo provincial na cidade de Rawson". Organizada pelo Colégio de Arquitetos da província de Chubut (CACH), promovida pelo Ministério de Infraestrutura, Energia e Planejamento da província e patrocinada pela Federação Argentina de Entidades de Arquitetos (FADEA), a convocatória convidou os/as arquitetos/as do país a desenharem propostas urbanas e arquitetônicas para o desenvolvimento de uma infraestrutura de escritórios públicos (edifícios institucionais para os diversos órgãos da administração provincial) que revitalizem a área do Antigo Zoológico, um vazio urbano da cidade de Rawson com alto potencial de desenvolvimento.
Com foco nas diferentes tipologias residenciais, a seleção desta semana de Melhores Projetos de Arquitetura Não Construída destaca projetos conceituais enviados pela comunidade do ArchDaily. De empreendimentos urbanos a minicasas, o artigo explora o tema da arquitetura residencial e apresenta abordagens de várias partes do mundo.
Apresentando desde uma cabana em meio à floresta verdejante do norte do Irã, passando por um empreendimento na Geórgia que propõe uma proporção de 80% de espaço recreativo para 20% de habitação, até um projeto em Paris que questiona nossa realidade urbana e repensa as formas tradicionais de moradia, esta seleção aborda uma infinidade de escalas. Além disso, destaca-se uma série de casas de praia na Grécia, Itália, Argentina e Letônia, cada uma respondendo a uma paisagem e topografia distintas. Outras propostas em destaque incluem a renovação de conjuntos residenciais existentes em Moscou, a transformação de uso predominantemente residencial de uma antiga fábrica em Manchester e um conjunto de blocos agrupados em torno de um jardim comunitário elevado nos Países Baixos.