São diversas as tecnologias construtivas para configurar o sistema estrutural de um edifício. A partir da década de 1960, se tornou cada vez mais comum a adoção de técnicas que possibilitavam a interação entre diferentes materiais, diversificando não apenas a linguagem do projeto, como também buscando as principais vantagens de que cada elemento possui para enfrentar determinadas situações. Assim, com o passar dos anos, são diversos os exemplos que misturam concreto, madeira, pedras ou aço.
Os humanos são programados para responder positivamente à natureza; o som crepitante do fogo, o cheiro de chuva fresca no solo, as características medicinais das plantas e da cor verde, a proximidade dos animais etc. Isso, junto com as condições ambientais críticas de hoje e a rápida urbanização, mudou o foco dos arquitetos para projetos ecologicamente conscientes que aproximam as pessoas da natureza. Eles exploraram várias abordagens: estruturas de taipa, materiais e móveis reciclados, projetos guiados pela luz solar... A prática foi tão impulsionada pela onda verde que as linhas se confundiram entre o que é verdadeiramente sustentável e ecológico e o que é greenwashing. Mas o que proporcionou a conexão biológica mais inata com a natureza foi a biofilia e o ato de "trazer o exterior para dentro" através do design.
Os sótãos são pavimentos localizados na parte superior de uma casa, próximos à cobertura. Devido ao ângulo de caimento do telhado, eles costumam ter um formato inclinado, o que pode limitar seu espaço e fazer com o que eles sejam ambientes pouco utilizados. No entanto, apesar dessa particularidade, os sótãos podem ser aproveitados em um projeto de diversas maneiras e convertidos em espaços multifuncionais para os moradores de uma residência.
“O primeiro homem quis fazer um alojamento que lhe cobrisse, sem sepultá-lo”. Com alguns troncos encontrados na floresta ergueu um quadrado coberto por palha de forma que nem o sol e nem a chuva pudessem entrar, e assim, ele se sentiu seguro. A descrição acima refere-se simplificadamente à teoria da cabana primitiva desenvolvida pelo abade Marc-Antoine Laugier em meados de 1700. A pequena cabana rústica descrita por Laugier é um modelo sobre o qual ele imaginava a magnificência da arquitetura, fornecendo um importante ponto de referência para toda especulação sobre os fundamentos da construção e representando a primeira “ideia” arquitetônica.
A reciclagem é o processo de reaproveitamento de materiais descartados. Seu objetivo é reintroduzi-los na cadeia produtiva a fim de que ainda gerem valor e sejam reutilizados, aumentando a preservação dos recursos naturais e melhorando a qualidade de vida das pessoas. É considerada uma das alternativas mais eficientes para tratar os resíduos sólidos, tanto do ponto de vista ambiental quanto social, e está diretamente inserida no contexto da economia circular.
A tradição da arquitetura moderna atesta que a cobertura dos edifícios é passível de utilização, e área tão nobre quanto os ambientes internos. Afinal, o terraço jardim é um dos cinco pontos da nova arquitetura segundo Le Corbusier. Apesar de o terraço jardim ser um dos pontos “obrigatórios” da arquitetura moderna, a cobertura útil precede (e muito) o arquiteto porta-voz do Modernismo. Diferentes usos foram dados em diferentes épocas às coberturas planas: desde mirantes para estudos astronômicos ancestrais até áreas de cultivo mais contemporâneas, passando pela burocrática acomodação de instalações elétricas e sanitárias. A cobertura de um edifício oferece área livre e exposição direta ao céu, portanto, em situações citadinas adensadas, aproveitar-se desse espaço como área de lazer faz bastante sentido.
Um projeto arquitetônico pensado a partir do sistema neoliberal, só pode ser hostil. É o que diz Padre Júlio Lancellotti, figura ativa em ações de apoio a moradores de rua em São Paulo. Seu trabalho à frente da Pastoral do Povo da Rua tem merecidamente recebido a atenção da mídia nacional e internacional, além de ser frequentemente divulgado em suas próprias redes sociais, chamando a atenção do público e das autoridades para questões urgentes de desigualdade, invisibilização dos mais vulneráveis e a hostilidade de nossas arquiteturas e espaços públicos.
Muito comum em museus e galpões industriais, devido à escala dos objetos que devem abrigar, o pé-direito duplo oferece uma série de vantagens estéticas e funcionais. No caso de programas residenciais, não é diferente. Nestes projetos, está normalmente associado às áreas sociais ou próximo às escadas, conformando um ambiente que pode brindar diversos benefícios de acordo com seu desenho, o tornando mais espaçoso, iluminado e impressionante pela altura diferenciada. Por isso, apresentamos alguns exemplos sobre como melhor aproveitar o pé-direito duplo em sua casa.
O novo edifício que integra o Palmer Museum of Art na Penn State está programado para abrir suas portas em 1º de junho de 2024. Com 6.600 m², a nova estrutura está situada no The Arboretum na Penn State, com o objetivo de melhorar a acessibilidade e oferecer uma nova gama de comodidades, ao mesmo tempo em que duplica o espaço da galeria atual para abrigar um acervo crescente de mais de 10.000 peças. Projetado pela Allied Works e pelo escritório de paisagismo Reed Hilderbrand, o novo espaço conta com 20 galerias de arte, espaços educacionais e de eventos aprimorados, uma loja do museu, um café, um percurso de esculturas e terraços ao ar livre.
Primer Premio. Image Cortesía de Difuso Arquitectura – Proa Montevideo
Organizado pela Intendência de Montevidéu em conjunto com o Município B, e com o apoio da Sociedade de Arquitetos do Uruguai e o apoio institucional da Faculdade de Arquitetura, Design e Urbanismo, foi realizado o Concurso de Anteprojetos de Arquitetura para o Centro Cultural Mariano Arana (CCMA), visando transformar uma área emblemática da Ciudad Vieja de Montevidéu, a Rambla Portuaria e a Diagonal Fabini.
Projetar um banheiro exige um grande cuidado com os detalhes para que ele se mantenha bonito e organizado. A quantidade de produtos de higiene e cuidados de saúde, normalmente guardados nesse ambiente, exigem não apenas armários funcionais, mas também outras estratégias. Cada vez mais vemos a solução do nicho sendo utilizada para criar um recuo na parede que permite otimizar o espaço disponível e, de brinde, tornar o ambiente mais esteticamente agradável. Por isso, aqui trazemos alguns exemplos de nichos de banheiro e dicas para sua instalação, assim como outros exemplos que vão além das tradicionais saboneteiras.
Ao iniciar este novo ano, reservamos um momento para refletir sobre o impacto duradouro de célebres profissionais da arquitetura, do design e da curadoria que nos deixaram em 2023. O ano que passou testemunhou a partida de figuras influentes que, por meio de seu talento e dedicação, deixaram uma marca indelével no ambiente construído. Enquanto alguns/mas iniciaram suas carreiras com gestos ousados que remodelaram os paradigmas arquitetônicos, outros/as trabalharam de forma mais silenciosa, dedicando um olhar profundo à experiência humana ou às figuras invisíveis de nossa profissão.
O mundo acaba de vivenciar os meses mais quentes já registrados, e as perspectivas não são otimistas. O aumento das temperaturas está provocando uma demanda crescente por sistemas de refrigeração, colocando em risco a possibilidade de desencadear um ciclo vicioso de aumento no consumo de eletricidade e emissões de carbono. Em um cenário onde o planeta enfrenta uma crise climática e um rítimo de urbanização sem precedentes, a interseção entre a eficiência energética dos edifícios e as tecnologias de refrigeração nunca foi tão crucial.
O escritório MAD Architects revelou o projeto do Centro de Artes Nanhai em Foshan, Guangdong. Com uma área de 59.445 m², o complexo é composto por três elementos principais: um Grande Teatro, um Museu e um Centro Esportivo. Com o objetivo de promover a comunidade e a cultura tradicional, o centro apresenta uma forma ondulada que funciona como um novo portal público para a orla. Após sua conclusão, o Centro de Artes pretende se tornar um novo espaço público à beira-mar, integrando aspectos sociais e criativos.
O conforto ambiental é um dos quesitos que contribui para o bom desempenho da arquitetura. Nos memoriais descritivos de projeto, frequentemente a incidência de iluminação e ventilação naturais são pontuadas como características vantajosas que agregam à estética e ao funcionamento do programa. De certa maneira, o conforto ambiental é parte da função do edifício, não está necessariamente ligada à atividade que ocorre no interior da construção, mas definitivamente tem parte no desenrolar dela.
A contemporary building immersed in a built environment. This building is made of (material). An isometric view with realistic textures. Image via DALL.E 2
À medida que a inteligência artificial (IA) se torna mais acessível, testemunhamos exemplos que ilustram suas diversas aplicações. Destacam-se entre eles as ferramentas generativas, que se destacam em sua capacidade de "criar" imagens por meio de estímulos, ou prompts, muitas das quais se distinguem por sua composição e vivacidade. Esses sistemas de IA são redes neurais com bilhões de parâmetros, treinadas para criar imagens a partir de linguagem natural, usando um conjunto de dados de pares texto-imagem. Assim, embora a pergunta inicial feita por Turing na década de 1950, "As máquinas podem pensar?", ainda persista hoje, a geração de imagens e texto está fundamentada em informações existentes, limitando suas capacidades.
O que surpreendeu muitos é a proximidade cada vez mais aparente de superar o teste de Turing e a crescente semelhança, em termos de visualizações, com o que um arquiteto com habilidades nessa área pode alcançar. Enquanto o debate persiste na comunidade arquitetônica sobre se a IA pode processar conceitos arquitetônicos, este artigo explora como ela interpreta materiais para desenvolver essas representações visuais. Com isso em mente, um único estímulo foi desenvolvido para este experimento (com a materialidade como variável) para aprofundar nos resultados obtidos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1011417/a-inteligencia-artificial-correlaciona-a-materialidade-com-a-arquitetura-contemporanea-um-experimento-com-seis-materiais-de-construcaoEnrique Tovar
Seja para se aproximar da natureza, melhorar qualidades de conforto ou para fins estéticos, a integração entre interior e exterior é quase sempre buscada nos projetos arquitetônicos residenciais. Ao olhar para os espaços de estar, esse diálogo entre ambientes abertos e fechados ganham ainda mais motivos. Afinal, ele torna os usos da sala mais flexíveis e sugere diversas formas de ocupá-las, independente da quantidade de pessoas ou da época do ano.
FAU USP. Foto de victortsu, via Flickr. Licença CC BY-NC 2.0
Desde que os primeiros cursos de arquitetura foram criados no final do século XIX, poucas mudanças foram feitas em suas matrizes curriculares. A maioria dos cursos do mundo todo é focado em uma universidade neoliberal, cada vez mais projetada e definida pela produção de sucesso implacável e pelos moldes da indústria da construção.
Pouco se discute sobre o erro e a falha e a produção projetual é ainda extremamente voltada para formar star architects (arquitetos estrela) – termo usado para descrever arquitetos cuja celebridade e aclamação da crítica os transformaram em ídolos do mundo da arquitetura, criadores de grandes projetos e masterplans.
A arquitetura residencial na Índia é um reflexo direto das práticas étnicas e estilos de vida de seus cidadãos. As primeiras casas foram desenvolvidas como unidades de assentamentos comunitários maiores. A arquitetura das residências indianas está profundamente emaranhada com valores culturais, frequentemente centrados nas ideias de família e relações comunitárias. Geralmente, uma única casa abriga uma grande família e atende às necessidades de várias faixas etárias sob o mesmo teto. A vida multigeracional exige uma sintaxe espacial específica para possibilitar conexões.
O NEOM acaba de revelar "Leyja" como um novo destino turístico no noroeste da Arábia Saudita. Composta por três hotéis diferentes projetados por equipes de arquitetura de renome mundial, a região de Leyja está localizada em um vale antigo cercado por montanhas de 400 metros de altura. O projeto inclui um hotel impressionante assinado por Chris van Duijn, um hotel espelhado de Shaun Killa e um hotel vertical esculpido na rocha por Mario Cucinella. Com o objetivo de apoiar o turismo sustentável, o destino faz parte do plano Saudi Vision 2030.
O banheiro Huussi no pavilhão da Finlândia na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2023 descarta resíduos sem água. Fotógrafo: Ugo Carmeni
Embora haja registros de latrinas desde 3.100 a.C., a primeira privada foi criada em 1596 pelo inglês John Harington. Ele fez duas unidades: uma para ele e outra para a rainha Elizabeth 1ª.
A ideia não pegou à época e só em 1775 o escocês Alexander Cumming patenteou a privada moderna, já visando o escoamento num sistema de esgoto. Em 1885, outro inglês, Thomas Twyford criou a primeira privada em porcelana que substituiu as peças de madeira, descritas anteriormente.
Peças versáteis do mobiliário, as prateleiras desempenham um papel significativo na organização, decoração e otimização dos espaços domésticos, comerciais e industriais. Realizadas em diversos materiais e com uma infinidade de desenhos possíveis, elas ajudam a otimizar pequenos ambientes ao trazer versatilidade e acessibilidade para eles. Por isso, reunimos algumas sugestões que ajudam a tornar essas soluções tão comuns, que podem ser temporárias ou intrínsecas à arquitetura, num elemento de destaque no design de interiores.
No centro do Cairo, o Centro Jameel homenageia o modernismo e o patrimônio arquitetônico mameluco. O Abdul Latif Jameel Center for Middle East Management Studies exemplifica uma arquitetura eficaz e adaptável. O antigo edifício de educação empresarial — um marco no diversificado patrimônio acadêmico e arquitetônico do Cairo, caracterizado por elementos marcantes como fachadas de concreto — apresenta arcos de inspiração mameluca e muxarabis de madeira. A fotografia de Ebrahim Bahaa Eldin captura essa arquitetura singular e seu entorno.
Os ambientes urbanos estão em constante evolução, com as cidades se tornando os principais polos de diversidade cultural e vida econômica. De fato, o planeta caminha rapidamente em direção a um futuro no qual 70% da população mundial viverá em cidades até 2050. Profissionais da arquitetura estão no centro desse movimento revolucionário, repensando a própria natureza da cidade diante desse crescimento urbano acelerado. Em resposta a essa forte demanda por cidades mais novas e diversas, arquitetos/as e designers têm se inclinado para projetos multifuncionais e de uso misto. Ao atrair públicos diversos, a arquitetura de uso misto explora o potencial máximo de serviços e funções que uma estrutura pode oferecer.
Apresentando escritórios de arquitetura como Atelier 333, MOR Architects, BXB studio Bogusław Barnaś, Beek Architects, Frey Architekten e Kalbod Design Studio, entre outros, a seleção a seguir revela uma coleção de projetos arquitetônicos não construídos, enviados ao ArchDaily, que priorizam a multifuncionalidade em suas propostas. Do inovador Plata.forma em Laqlouq ao refúgio marítimo do The Ark, passando pela harmonia alpina da Swiss House, esses projetos redefinem o viver urbano.