Vladimir Belogolovsky

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“Nos anos 1990, todos nós nos tornamos livres”: em conversa com Jiakun Liu, da Jiakun Architects

Jiakun Liu nasceu em 1956 em Chengdu, na China. A arquitetura não foi sua primeira opção de estudo, já que originalmente ele queria ser artista. Ao ouvir que a arquitetura tinha relação com o desenho, ele se candidatou ao Instituto de Arquitetura e Engenharia de Chongqing, sem compreender totalmente qual seria seu papel como arquiteto. Após sua graduação em 1982, Liu trabalhou na Academia de Design Arquitetônico de Chengdu por dois anos, uma experiência que não o agradou. Assim, ele partiu em uma jornada de autodescoberta que durou mais de uma década, passando temporadas no Tibet e em Xinjiang, no oeste da China, onde praticou meditação, pintura e escrita, produzindo diversas obras de ficção, enquanto trabalhava formalmente como escritor na Academia de Literatura. 

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“Queremos construir nossa própria utopia”: Em conversa com Dimitri Shapakidze, do Laboratory of Architecture #3

Fundado em 2006 por três sócios – Dimitri Shapakidze, Irakli Abashidze e Otar Nemsadze, em Tbilisi, na Geórgia, Laboratory of Architecture #3 é conhecido por projetos enigmáticos como o Grove Design Hotel (2017) e o Mediatheque (2017), ambos em Tbilisi, e o Visitor Center for Architectural Miniatures Park (2016) em Shekvetili, Geórgia. Nemsadze deixou a sociedade em 2011 para dar continuidade aos seus estudos nos Países Baixos e avançar em sua carreira independente. Em 2018, ele cofundou a Bienal de Arquitetura de Tbilisi e atualmente realiza seu doutorado na Universidade Estatal de Tbilisi. O escritório chamou a atenção desde o início. O primeiro projeto dos sócios foi uma residência privada para um empresário local, e o hotel na rua Leselidze, em Tbilisi, foi o resultado de um concurso que venceram logo no ano de estreia. Apenas seis anos após sua fundação, o Laboratory of Architecture #3 recebeu o prêmio de Melhor Arquiteto do Ano de 2012 na Geórgia. Os dois sócios atuais, Shapakidze (n. 1983, Tbilisi) e Abashidze (n. 1984, Tbilisi), conhecem-se desde a infância. Eles eram vizinhos e, mais tarde, estudaram na Universidade Técnica da Geórgia, em Tbilisi, com um ano de diferença. Ambos trabalharam para escritórios locais de arquitetura enquanto estudavam e abriram seu próprio escritório logo após a formatura. A entrevista a seguir com Dimitri Shapakidze ocorreu durante um almoço no Grove Design Hotel.

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“Vejo meu trabalho como autobiográfico”: Em conversa com Li Hua, do TAO

O arquiteto Li Hua nasceu em 1972 na China. Ele estudou arquitetura na principal instituição de ensino do país, a Universidade Tsinghua, onde obteve seu bacharelado (1994) e seu mestrado (1997). Continuou seus estudos na Universidade de Yale, obtendo seu segundo mestrado em arquitetura em 1999. Em seguida, Hua permaneceu nos EUA, trabalhando em Nova York no escritório Herbert Beckhard Frank Richlan & Associates. Os fundadores da empresa haviam sido sócios no escritório de Marcel Breuer antes de iniciarem a própria prática no início dos anos 1980. Essa experiência introduziu Hua ao trabalho com alvenaria e concreto pré-moldado, atuando em projetos culturais e educacionais na região de Nova York. Ao retornar a Pequim em 2003, Hua fundou o Universal Architecture Studio (UAS) com um antigo colega de classe de Tsinghua. Paralelamente, iniciou sua carreira docente — primeiro na Academia Central de Belas Artes (CAFA) e, posteriormente, em sua alma mater. Em 2009, Hua desfez a sociedade e estabeleceu seu próprio escritório, o Trace Architecture Office (TAO). Atualmente, seu escritório conta com cerca de vinte arquitetos e arquitetas. Entre os projetos construídos mais proeminentes do TAO estão a Escola Secundária Huandao na província de Hainan (2018), a Fazenda de Café Xinzhai em Yunnan (2018), a Fábrica de Balsas de Bambu de Wuyishan em Fujian (2013) e o Museu do Papel Artesanal em Yunnan (2010). O arquiteto recebeu diversas honrarias de prestígio e foi finalista do Prêmio Aga Khan em 2013. A entrevista a seguir foi realizada no escritório do arquiteto em Caochangdi Village, um próspero polo de arte e cultura na periferia de Pequim.

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“O objetivo é aproveitar qualidades espontâneas e genuínas”: Em conversa com Wang Shuo, do META-PROJECT

O arquiteto Wang Shuo nasceu em 1981 em Pequim. Cresceu em uma família de neurocientistas e era particularmente talentoso em matemática, chegando a vencer as olimpíadas nacionais de matemática no ensino médio. No entanto, em vez de seguir a carreira de ciência da computação, como fizeram muitos de seus colegas de classe, decidiu estudar arquitetura. A decisão foi inteiramente intuitiva. Obteve seu bacharelado em arquitetura pela Universidade de Tsinghua, em Pequim, em 2004. O título de mestre foi concluído na Rice University, em Houston, em 2006. Sua tese, intitulada Wild Beijing, focou na emergência do urbanismo espontâneo em Pequim. Após concluir sua formação, Wang trabalhou por um ano no escritório GLUCK+, de Peter Gluck, em Nova York. A empresa é conhecida por se especializar em projetos práticos de concepção e construção (design-build) e por atuar como empreiteira geral, o que confere aos/às arquitetos/as grande controle sobre a qualidade da execução. Após seu período nos Estados Unidos, mudou-se para a Europa por dois anos, trabalhando na OMA em Roterdã. Lá, colaborou com Rem Koolhaas, dedicando-se especialmente a projetos em que diversas camadas da vida social, cultural e cotidiana se sobrepunham para criar espaços ativos e genuinamente contemporâneos. 

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“A arquitetura é algo que você jamais esquecerá”: em conversa com Gilles Saucier, da Saucier+Perrotte Architectes

Gilles Saucier, um dos principais arquitetos canadenses e sócio de projeto do escritório de Montreal Saucier+Perrotte Architectes , fundado em 1988, convidou-me ao seu estúdio para discutir como inicia seus projetos e onde busca suas inspirações. À primeira vista, ao observar e até mesmo visitar seus edifícios, pode-se pensar que o arquiteto se dedica exclusivamente ao desempenho e à eficiência. Suas edificações arrojadas e de execução impecável podem remeter a carros de Fórmula 1. Contudo, ao entrar no escritório de Saucier — um laboratório escuro e misterioso onde ele próprio experimenta com raízes de árvores, galhos, madeira, vidro, rochas, resina, cera de abelha e outros materiais orgânicos —, as verdadeiras intenções de seu trabalho começaram a se revelar.

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“Para ser um/a bom/a arquiteto/a, é preciso ser destemido/a”: Em conversa com John Ronan

John Ronan (n. 1963, Grand Rapids, Michigan) é conhecido por seus edifícios atmosféricos e sensoriais, cuja complexidade espacial tende a se revelar camada por camada à medida que o/a visitante se desloca por eles. Seu foco está no uso da materialidade de maneiras que reinventam a arquitetura. Ronan possui mestrado em Arquitetura com distinção pela Harvard University Graduate School of Design (1991) e bacharelado em Ciências pela University of Michigan (1985). Ele leciona arquitetura no Illinois Institute of Technology desde 1992. O escritório John Ronan Architects foi fundado em Chicago em 1999, ano em que Ronan venceu o concurso Townhouse Revisited, promovido pela Graham Foundation. Em 2006, o escritório foi destaque no programa Emerging Voices, da Architectural League de Nova York, e na exposição Young Chicago, no Art Institute of Chicago. Em 2007, o arquiteto foi selecionado para construir a prestigiosa sede da Poetry Foundation em Chicago, entre 50 concorrentes internacionais. Sua monografia Explorations: The Architecture of John Ronan foi publicada pela Princeton Architectural Press em 2010. Em 2016, o escritório foi um dos sete finalistas internacionais selecionados para o projeto da Biblioteca Presidencial Obama. A entrevista a seguir é uma versão condensada de nossa conversa no estúdio do arquiteto em Chicago. 

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Steven Holl: “Estou interessado na arquitetura que fala com a alma"

A cidade de Nova Iorque tem agora três edifícios de Steven Holl: o Higgins Hall Insertion no Pratt Institute no Brooklyn (2005), o Campbell Sports Center da Columbia University em Upper Manhattan (2013) e a Hunters Point Community Library em Long Island City, Queens, inaugurado em setembro do ano passado. O evento coincidiu com a publicação do novo livro de Holl, Compression, que leva uma imagem abstrata da Biblioteca em sua capa. Este é o quinto volume da produção teórica do arquiteto, um trabalho há 30 anos em andamento, publicado pela Princeton Architectural Press. O novo edifício, do tamanho do letreiro vermelho de néon da Pepsi instalado nas proximidades, é um robusto paralelogramo de concreto, marcado por aberturas de vidro que percorrem a fachada cortando vários pavimentos. Construído em frente a um passeio público a poucos metros do East River, de frente para o complexo das Nações Unidas, o edifício se encontra em um privilegiado lugar de destaque. O novo prédio é um ponto de referência, visível da orla leste de Manhattan e das balsas e, embora tenha levado nove anos para ser concluído, sua simples existência é um sinal positivo do compromisso de Nova Iorque com projetos públicos.

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“Arquitetura é a arte de colocar as coisas no seu devido lugar”: uma conversa com Alberto Campo Baeza

Alberto Campo Baeza nasceu em 1946 na cidade de Valladolid, no centro norte da Espanha mas passou boa parte de sua infância e juventude na extremidade oposta do país, na cidade portuária de Cádiz, no sul da Andaluzia. Graduado arquiteto pela Universidade Politécnica de Madri em 1971, Campo Baeza obteve seu título de doutor em arquitetura pela mesma instituição pouco mais de dez anos depois. Desde então, assumiu o papel de professor catedrático na Escola Superior de Arquitetura de Madri (ETSAM), onde leciona há mais de 40 anos. Ele encara a arquitetura como uma ferramenta para a concretização de idéias e conceitos abstratos. A transfiguração da subjetividade do mundo em estruturas corpóreas simples e cristalinas, apoiando-se em elementos arquitetônicos singelos como volumes retangulares estoicamente enraizados em seus contextos específicos, paredes sólidas e profundas e estruturas honestas. Na arquitetura de Campo Baeza não há lugar para formas complexas ou quaisquer exageros. Formas autênticas e despretensiosas acentuam as relações primárias entre a volumetria pura de seus edifícios e a exuberância da paisagem que os cerca. A arquitetura de Campo Baeza fala sobre transparência e precisão, planos, linhas e ângulos. Embora sua obra construída seja bastante concisa – em sua maioria projetos em pequena escala –, ela representa um dos legados mais completos, consistentes e inspiradores que a arquitetura contemporânea já produziu.

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“Tentamos desacelerar as coisas”: em conversa com Carme Pigem, do RCR Arquitectes

Tenho a sorte de ter conhecido inúmeros edifícios e espaços magníficos; por isso, ao viajar recentemente a Olot, perto de Girona, na Espanha, para explorar as obras do RCR Arquitectes, laureados com o Prêmio Pritzker de 2017, acreditei estar totalmente preparado. Contudo, embora já conhecesse suas obras por meio de publicações, o que encontrei pessoalmente me comoveu de forma surpreendente e admirável. A engenhosidade e o brilho singulares dessas estruturas, tão integradas aos seus lugares e consequentes de seus respectivos programas, potencializam a arquitetura e despertam sensações verdadeiramente especiais e inesquecíveis. 

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“É um sentimento divino quando se pode deixar a primeira marca no solo”: em conversa com Eli Armon

Eliezer Armon nasceu em Tel Aviv, Israel, em 1955. Ele experimentou diversas opções de carreira, incluindo estudos de engenharia, matemática e três anos e meio de serviço nas Forças de Defesa de Israel, antes de, aos 25 anos, decidir-se pela arquitetura.  Ao longo do caminho, também se dedicou aos estudos da Cabala e às artes marciais; após 50 anos de prática, é mestre de 6º Dan no método Dennis de Jiu-Jitsu de sobrevivência. Ambas as paixões contribuíram profundamente para seu trabalho como arquiteto. Além disso, após anos de serviço na reserva das Forças de Defesa de Israel, foi dispensado com a patente de tenente-coronel. Armon graduou-se pela Faculdade de Arquitetura do Technion, em Haifa, em 1985. Após trabalhar em um grande escritório em Tel Aviv, foi contratado como engenheiro-chefe de Immanuel, um pequeno assentamento em Samaria. Poucos anos depois, tornou-se engenheiro-chefe de Be'er Sheva, a capital do Negev e a maior cidade do sul de Israel, tornando-se, aos 35 anos, o engenheiro municipal mais jovem de todo o país. Ele foi responsável pelo planejamento de habitação e infraestrutura na região, liderando o projeto e a construção de 10.000 unidades habitacionais em Be’er Sheva, o que resultou em um rápido crescimento da cidade. 

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“O que eu realmente gosto é de velocidade”: Em conversa com Odile Decq

Odile Decq nasceu em 1955 em Laval, na França, e estudou na École Régionale d'Architecture em Rennes, na Bretanha. Formou-se na École Nationale Supérieure D'architecture de Paris-La Villette em 1978 e obteve seu diploma no Instituto de Estudos Políticos de Paris em 1979. Decq estabeleceu seu escritório em Paris no mesmo ano e logo conheceu Benoît Cornette, que estudava medicina na época, mas migrou para a arquitetura. Em 1985, ele obteve seu diploma de arquitetura e o casal rebatizou a empresa como ODBC. Em 1996, o ODBC ganhou o Leão de Ouro em Veneza por seus desenhos, selecionados entre um grupo de vozes emergentes convidadas que incluía Zaha Hadid, Enric Miralles, Liz Diller e Ric Scofidio. Aquele foi o início dos desenhos por computador, expressando movimento, ambiguidades, sobreposições e uma nova dinâmica geral que caracteriza as formas e espaços libertos de Decq.

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“O objetivo é criar um edifício imortal”: Em conversa com Boris Bernaskoni

Boris Bernaskoni (nascido em 1977 em Moscou, Rússia) é o principal arquiteto russo de sua geração. Seu interesse reside no que a tecnologia pode realizar hoje, de modo que sua arquitetura seja capaz de utilizá-la amanhã. Seu trabalho não se concentra na estética de fachada que, segundo o arquiteto, é coisa do passado. Em vez disso, ele propõe metodologias e protótipos radicalmente novos. No futuro, acredita Bernaskoni, os edifícios serão imortais porque irão evoluir continuamente e se adaptar às demandas e tecnologias mais recentes. A capacidade de se transformar com o tempo será o recurso mais precioso da arquitetura.

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“Foi importante para nós dois voltar para casa”: Em conversa com Neri&Hu

Lyndon Neri (n. 1965, Filipinas) formou-se em Harvard e Rossana Hu (n. 1968, Taiwan) em Princeton; eles se conheceram durante a graduação na Universidade da Califórnia em Berkeley. Antes de fundarem o Neri&Hu em 2004 em Xangai — um escritório prolífico e multidisciplinar com mais de 100 arquitetos/as e designers internacionais —, o casal trabalhou por uma década no Michael Graves & Associates em Princeton. Entre suas obras mais reconhecidas estão o The Waterhouse no South Bund em Xangai, o The Walled – Tsingpu Yangzhou Retreat e a Capela de Suzhou. Além de comandarem o escritório de arquitetura e estúdio de design, os sócios lideram a loja Design Republic e atuam como diretores criativos da marca de mobiliário Stellar Works. A seguir, apresentamos um trecho de nossa conversa franca em seu escritório em Xangai.

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Ricardo Bofill: “Por que as cidades históricas são mais bonitas que as modernas?"

Para os não iniciados, Ricardo Bofill pode parecer algo como um camaleão. Comparando o pós-modernismo de seus projetos em Paris dos anos 80, suas recentes torres de aço e vidro e o estoicismo estéril de sua própria casa e estúdio, que ele reformou na década de 1980, seria perdoado pensar que não há consistência presente em todo o seu trabalho. No entanto, como Bofill revela nesta entrevista de Vladimir Belogolovsky, da série "City of Ideas" (2016), seus projetos são realmente enraizados em conceitos de regionalismo e processo que, embora recentemente sejam populares na comunidade arquitetônica em geral, têm apoiado sua mente arquitetônica desde os seus vinte anos.

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“Transformamos cada projeto em uma oportunidade”: Em conversa com Giorgi Khmaladze

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O arquiteto Giorgi Khmaladze nasceu em Tbilisi, Geórgia, em 1982. Após se formar na Academia Estatal de Arte de Tbilisi em 2002, foi aceito na AA em Londres, mas não tinha recursos para estudar lá na época. Ele permaneceu na Geórgia, trabalhando em projetos próprios e participando de diversos concursos internacionais de arquitetura. Em 2010, Khmaladze tornou-se o primeiro georgiano a ser aceito na GSD de Harvard com uma bolsa de estudos integral, financiada em parte pela universidade e em parte pelo governo da Geórgia. Graduou-se com o título de mestre em arquitetura em 2012 e retornou à sua prática em Tbilisi. Em 2014, seu inovador posto de gasolina e McDonald's em Batumi venceu o prêmio ArchDaily Building of the Year de 2014 na categoria Arquitetura Comercial. Outros projetos do arquiteto incluem o Pavilhão Nacional da Geórgia na Expo Xangai 2010 e a Fábrica de Produção de Café em Tbilisi. Nós nos encontramos no pequeno escritório do arquiteto, localizado em um atraente volume de vidro prismático com um marcante exoesqueleto de concreto projetado por ele mesmo. Conversamos sobre as intenções e inspirações do arquiteto, e sobre como cada um de seus projetos começa do zero.

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“Todos podem opinar, mas no final quem decide sou eu”: Em conversa com César Pelli

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A grandeza de uma cidade deve ser julgada pela sua capacidade de reunir obras de arquitetura extraordinárias. Elas podem ser fantásticas por sua gastronomia, música ou estilo de vida em geral, mas, se não houver arquitetura, tornam-se difíceis de compreender; não têm âncora, base ou memória... de certa forma, não são reais. Talvez eu seja maximalista, mas visitei várias cidades com um único objetivo em mente: ver um único edifício extraordinário. Para constar, essas cidades incluem Fort Worth, Bilbao, Valência, San Sebastián, Guangzhou, Sydney e Kuala Lumpur, entre outras. A última da lista adquiriu sua imagem instantaneamente reconhecível em 1996, quando as Torres Gêmeas Petronas, de 88 andares, se ergueram imponentes em seu horizonte. Esses edifícios singulares permaneceram como os mais altos do mundo até 2004. Esta estrutura icônica foi projetada pelo arquiteto argentino-americano César Pelli, que faleceu na semana passada aos 92 anos.

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“O objetivo é atacar a arquitetura!”: Em conversa com James Wines, do SITE

Como fundador do SITE (Sculpture in the Environment), escritório de arquitetura amplamente conhecido por sua seminal série de edifícios para a rede de lojas de departamento BEST na década de 1970, James Wines (n. 1932, Oak Park, Illinois), originalmente artista plástico, introduziu uma abordagem singular ao praticar a arquitetura como forma de crítica cultural. Essa postura repercutiu profundamente, encantando o público e enfurecendo muitos/as arquitetos/as e críticos/as por corromper a arquitetura com suas ideias espirituosas. Seus edifícios estiveram entre os primeiros a dialogar diretamente com a natureza, tanto pelo puro deleite quanto para levantar questões ambientais.

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“Os edifícios têm seus próprios fundamentos filosóficos”: Em conversa com Nikoloz Lekveishvili e Natia Lekveishvili, da TIMM Architecture, Tbilisi, Geórgia

“Os edifícios têm seus próprios fundamentos filosóficos”: Em conversa com Nikoloz Lekveishvili e Natia Lekveishvili, da TIMM Architecture, Tbilisi, Geórgia - Image 1 of 4“Os edifícios têm seus próprios fundamentos filosóficos”: Em conversa com Nikoloz Lekveishvili e Natia Lekveishvili, da TIMM Architecture, Tbilisi, Geórgia - Image 2 of 4“Os edifícios têm seus próprios fundamentos filosóficos”: Em conversa com Nikoloz Lekveishvili e Natia Lekveishvili, da TIMM Architecture, Tbilisi, Geórgia - Image 3 of 4“Os edifícios têm seus próprios fundamentos filosóficos”: Em conversa com Nikoloz Lekveishvili e Natia Lekveishvili, da TIMM Architecture, Tbilisi, Geórgia - Image 4 of 4“Os edifícios têm seus próprios fundamentos filosóficos”: Em conversa com Nikoloz Lekveishvili e Natia Lekveishvili, da TIMM Architecture, Tbilisi, Geórgia - Mais Imagens+ 43

Nikoloz Lekveishvili (n. 1986), natural de Tbilisi, Geórgia, deixou seu país em 2004 para cursar o bacharelado na Universidade de Belas Artes Mimar Sinan de Istambul e obteve o título de mestre em Arquitetura no Politecnico Di Milano. Em seguida, atuou na Itália, Alemanha, Turquia e Índia até 2017, ano em que regressou à sua terra natal, atraído por novas oportunidades econômicas e pelo efervescente cenário criativo desta antiga república soviética no Cáucaso. No mesmo ano, Nikoloz fundou seu escritório, o TIMM Architecture, junto com sua irmã mais nova, Natia Lekveishvili (n. 1989), graduada pela Universidade Técnica da Geórgia em 2012 e com experiência em escritórios locais de arquitetura e construção integrada.

O escritório da dupla fica no coração da parte antiga de Tbilisi, no mesmo edifício onde seus pais, professores e profissionais de arquitetura, comandam um escritório voltado à pesquisa, conhecido por documentar monumentos históricos na região. Reunimo-nos com Nikoloz e Natia em seu estúdio, que também funciona como um salão de arquitetura aberto a jovens arquitetos/as e estudantes. Na conversa a seguir, os/as arquitetos/as falam sobre uma jornada de emoções, a transição da luz para a escuridão, o interesse pelo Kintsugi, as marcas do tempo, o tratamento de edifícios como seres humanos e a importância de ser egoísta para criar uma arquitetura única e pessoal.