Vladimir Belogolovsky

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Zhang Ke, do ZAO/standardarchitecture: "Uma nova revolução é possível hoje?"

O arquiteto Zhang Ke, sediado em Pequim, formou-se inicialmente na principal instituição de ensino da China, a Universidade de Tsinghua, e posteriormente graduou-se na GSD de Harvard em 1998. A primeira proporcionou-lhe conhecimento técnico, ao passo que a segunda o estimulou a questionar os elementos essenciais da profissão, como o porquê de construirmos. Após trabalhar por três anos em Boston e Nova York, Ke retornou a Pequim para abrir seu próprio escritório em 2001.

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"Identifico formas com energia": Li Xiaodong, do Li Xiaodong Atelier

Uma das primeiras impressões que tive do arquiteto radicado em Pequim e professor da Universidade de Tsinghua, Li Xiaodong (n. 1963), foi sua autoconfiança tranquilizadora. Após nossa entrevista, o professor Li me fez uma pergunta própria: eu gostaria de lecionar em sua faculdade? “Nunca dei aula na minha vida”, respondi. Ele rapidamente rebateu: “Eu sei. Você consegue ensinar. Sim ou não?” Se aprendi alguma coisa sobre a vida, é que, quando as oportunidades surgem, devemos agarrá-las primeiro e pensar depois. “Se ele está tão confiante em mim, por que eu não deveria confiar nele?”, raciocinei.

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"Acredito em perguntas que são eternas": Dong Gong, do Vector Architects

Espera-se hoje que os/as arquitetos/as se distanciem do desenho de edifícios ou objetos icônicos para focar na criação de ambientes construídos envolventes; que deixem de idealizar projetos utópicos e formais pautados pela busca artística para se concentrarem em soluções puramente pragmáticas. A China, naturalmente, reflete essas tendências de forma expressiva, já que muitos/as arquitetos/as chineses/as rapidamente produziram exatamente o tipo de projeto que agrada à crítica: de escala modesta, com expressão direta, baseados em técnicas construtivas locais e no uso inventivo de materiais tradicionais. Os resultados, por mais atraentes que sejam, parecem carecer de variedade e de ousadia. Deve haver outro caminho, menos formulado.

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"Fracassei como artista, mas me tornei um arquiteto artístico": Entrevista com Yung Ho Chang, do Atelier FCJZ

O arquiteto de Pequim Yung Ho Chang, junto com sua esposa Lijia Lu, iniciou sua prática em 1993 sob o nome Feichang Jianzhu, atelier FCJZ. O nome significa literalmente "arquitetura fora do comum", um nome simbólico para o escritório que se tornou o primeiro escritório de arquitetura independente da China, lançando as bases da prática contemporânea no país. Chang é apontado como o pai da arquitetura contemporânea chinesa. Ele cresceu no seio de uma proeminente família de arquitetos. O pai de Chang, Zhang Kaiji [o nome chinês de Yung Ho Chang é Zhang Yonghe], era classicista. Ele foi um dos arquitetos-chefes do Instituto de Projeto Arquitetônico de Pequim e o arquiteto responsável pelo projeto do que é hoje o Museu Nacional da China, na Praça da Paz Celestial (Tiananmen). Chang estudou arquitetura em Nanjing, obteve seu bacharelado na Ball State University em Muncie, Indiana, e seu mestrado em arquitetura na Universidade da Califórnia em Berkeley. Lecionou tanto na China quanto nos Estados Unidos, inclusive na GSD de Harvard, e chefiou o departamento de arquitetura do MIT de 2005 a 2010. Em 2012, ano em que passou a integrar o júri do Prêmio Pritzker, seu compatriota Wang Shu tornou-se o primeiro arquiteto chinês a receber a honraria. A seguir, apresentamos um trecho da minha conversa com Yung Ho Chang em seu escritório em Pequim.

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Sergei Tchoban: "Não podemos evitar olhar para a arquitetura. Arquitetura deve ser bela"

Após ser educado no Instituto Repin de Pintura, Escultura e Arquitetura em São Petersburgo, Sergei Tchoban se mudou para a Alemanha aos 30 anos de idade. Ele agora executa práticas paralelas em Berlim e Moscou, após tornar-se sócio-gerente da NPS Tchoban em 2003 e co-fundador da SPEECH com Sergey Kuznetsov em 2006. Em 2009, a Fundação Tchoban foi formada em Berlim para celebrar a arte perdida de desenhar através de exposições e publicações. O Museu de Desenho Arquitetônico da Fundação foi construído em Berlim em 2013 para o projeto da Tchoban. Nesta última entrevista para sua série “Cidade das Ideias”, Vladimir Belogolovsky conversou com Tchoban durante seu recente encontro em Paris sobre identidades arquitetônicas, inspirações, a paixão fanática do arquiteto pelo desenho e intangíveis como a beleza.

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“A arquitetura acontece porque acreditamos em um futuro melhor”: uma conversa com Jürgen Mayer H

“A arquitetura acontece porque acreditamos em um futuro melhor”: uma conversa com Jürgen Mayer H - Arch Daily Entrevistas
Museum Garage Miami / Jürgen Mayer. Image © Miguel Guzman

O arquiteto Jürgen Mayer H. fundou sua empresa J.MAYER.H em Berlim em 1996. Estudou na Alemanha (Universidade de Stuttgart) e nos EUA (Cooper Union e Princeton). Em 2010, Mayer H. disse que, embora sua sólida formação profissional na Alemanha o tenha equipado com o know-how sobre os aspectos técnicos e práticos da arquitetura, ele ainda não tinha uma visão clara sobre como desenvolver seu próprio pensamento e uma linguagem arquitetônica.

Anos de questionamento e experimentação acabaram levando ao desenvolvimento de sua própria voz peculiar. Os edifícios de Mayer H. trouxeram identidades únicas para muitos lugares ao redor do mundo, particularmente através do uso de padrões de proteção de dados que provocaram a criação de uma arquitetura diferente de tudo visto anteriormente. Em minha recente visita ao seu estúdio na Berlim Ocidental, discutimos a identidade do arquiteto. Quando confrontei Mayer H. sobre o que ele pensa sobre seu estilo de assinatura nos momentos em que não é mais celebrado pela mídia, ele disse: “Isso começou como minha voz e agora é a contribuição de uma equipe inteira. Não há intenção ou estratégia, apenas nossa própria capacidade de trabalhar com o meio da arquitetura”.

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"Prefiro quando a forma segue a força": uma entrevista com Helmut Jahn

Nos últimos anos, algo aconteceu com a disposição de arquitetos e arquitetas em buscar a originalidade. As visões mais ousadas agora costumam vir da velha guarda da arquitetura — e, francamente, gosto muito mais de conversar com essas pessoas. A insistência atual em encontrar um terreno comum empurrou tantos profissionais mais jovens para um estado de espírito de imitação quase zumbi. Para mim, no entanto, terreno comum significa não pensar da mesma forma — só assim há espaço para o debate.

Minha conversa mais recente com Helmut Jahn em seu escritório em Chicago é um exemplo claro disso. “A arquitetura consiste inteiramente em seguir o próprio instinto. Prefiro quando a forma segue a força, e não a função”, me disse ele. Sua carreira distinta foi marcada por idas e vindas, e ele não planeja deixar de explorar novas ideias tão cedo. Seu Thompson Center de 1985, com planta em quadrante, reinventou uma tipologia governamental trivial em um imponente espaço público, com sua fachada curva de vidro colorido inaugurando de forma decisiva o período pós-modernista em Chicago (um período que pensávamos ter acabado, mas que hoje parece contínuo, englobando todos os movimentos pós-modernos como meras nuances e variações). A arquitetura de Jahn abalou e modernizou diversas cidades globais e, com o tempo e a experiência, o que começou como uma rebelião contra o *modus operandi* “menos é mais” de Mies amadureceu em uma produção sutil, comedida, mas inquestionavelmente audaciosa de torres, aeroportos, centros de convenções, sedes corporativas e, acima de tudo, espaços públicos. Como o próprio Jahn diz: “...tudo o que você não precisa é um benefício. Você não apenas precisa ter menos coisas, mas, com as coisas que lhe restam, precisa fazer mais”.

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"Quero construir mais leve": Francisco Gonzalez Pulido, do FGP Atelier

Após se formar no Tecnológico de Monterrey, uma das principais instituições de ensino técnico do México, Francisco Gonzalez Pulido trabalhou em projetos de concepção e construção por seis anos antes de partir para os EUA, onde obteve seu mestrado na GSD de Harvard em 1999. No mesmo ano, o arquiteto começou a trabalhar com Helmut Jahn em Chicago, onde permaneceu por 18 anos — passando de estagiário a presidente da empresa em 2012, momento em que rebatizou o escritório como Jahn. Àquela altura, ele já havia desenvolvido um corpo de trabalho próprio na firma. No ano passado, Gonzalez Pulido fundou o FGP Atelier em sua cidade adotiva.

Hoje, o estúdio conta com uma dezena de arquitetos e arquitetas e supervisiona o projeto de alguns arranha-céus na China, um estádio de beisebol na Cidade do México e edifícios universitários em Monterrey, entre outros projetos. A entrevista a seguir foi realizada no FGP Atelier em Chicago, ocasião em que o arquiteto foi categórico ao transmitir sua visão: “A arquitetura é muito rígida, muito formal. É hora de se libertar... Quero construir de forma mais leve. Quero construir de forma mais inteligente.”

"Quero construir mais leve": Francisco Gonzalez Pulido, do FGP Atelier - Arch Daily Entrevistas"Quero construir mais leve": Francisco Gonzalez Pulido, do FGP Atelier - Arch Daily Entrevistas"Quero construir mais leve": Francisco Gonzalez Pulido, do FGP Atelier - Arch Daily Entrevistas"Quero construir mais leve": Francisco Gonzalez Pulido, do FGP Atelier - Arch Daily EntrevistasQuero construir mais leve: Francisco Gonzalez Pulido, do FGP Atelier - Mais Imagens+ 36

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“Aprendemos tanto com o ordinário quanto com o extraordinário”: Robert Venturi e Denise Scott Brown

Há tantas complexidades e contradições na vida em geral e na arquitetura em particular. Escrevo esta introdução para uma entrevista que realizei em 2004 com Robert Venturi e sua parceira na vida e na arquitetura, Denise Scott Brown, enquanto visito a Universidade Tsinghua, em Pequim, onde fui convidado a lecionar neste outono. Teria sido mera coincidência quando, no último momento antes de sair do meu apartamento em Nova York, peguei, quase por acaso, uma edição de 2001 da revista Architecture com Venturi na capa e sua frase contraditória: “Não sou agora e nunca fui um pós-modernista.”

Soube do falecimento de Venturi na semana passada, no meu primeiro dia de aula em Tsinghua; a notícia chegou enquanto eu e os/as estudantes discutíamos suas propostas para melhorar o campus. Em mais uma estranha coincidência, pouco antes da nossa entrevista, Venturi e Scott Brown vinham trabalhando em uma proposta própria para esse mesmo campus. Foi, portanto, uma surpresa agradável e agridoce ouvir meus/minhas estudantes falarem em libertar o campus de maneira muito semelhante àquela com que o livro de Venturi, Complexidade e Contradição em Arquitetura, atacou a então dominante arquitetura do minimalismo e da abstração há mais de 50 anos.

Suas ideias e as de Scott Brown para este campus não se materializaram, mas seu pensamento analítico e frequentemente rebelde influenciou profundamente a forma como estudantes locais e arquitetos/as de todo o mundo abordam a arquitetura. Foi Venturi quem libertou nossa disciplina; foi ele quem nos libertou e nos incentivou a fazer nossas próprias perguntas, a nos afastar de todos os tipos de dogmas e a provocar ideias de hibridização. A seguir, apresentamos um trecho da minha conversa com os/as arquitetos/as em seu escritório na Filadélfia, há 14 anos.  

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"Criar problemas é muito mais divertido que resolvê-los": entrevista com Liz Diller e Ricardo Scofidio

É tão revigorante ouvir algo como o que eu acabei de ouvir: “Procuramos fazer tudo de maneira diferente. Pensamos diferentemente. Podemos dizer que não fazemos parte de nenhum estilo ou grupo.” A seguir, apresentarei um resumo da minha recente conversa com Liz Diller e Ric Scofidio em seu movimentado escritório de Nova Iorque. Falamos sobre como a maioria dos arquitetos segue trabalhando segundo sistemas bastante convencionais, o que fazer para evitá-los e como reinventar-se a cada novo projeto. Na cidade de Nova Iorque encontram-se alguns dos projetos mais representativos desenvolvidos pela Scofidio + Renfro, como o popular High Line Park, a remodelação do Lincoln Center, o Columbia University Medical Center e o fantástico "The Shed", um museu totalmente dinâmico e aberto que está sendo construído no Hudson Yards para atender às crescentes demandas dos artistas contemporâneos, porque ninguém sabe (nem pretende definir) como será a arte no futuro.

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Manuel Zornoza, da LATITUDE: "Ficamos fascinados com esta ideia — Como se constrói uma cidade do zero?"

Manuel N. Zornoza cresceu em Alicante, Espanha e, após estudar em Madri (UAX) e Londres (na AA), mudou-se para a China em 2010 para escapar da crise econômica que sufocava a atividade arquitetônica em seu país natal. Nos últimos oito anos, o pequeno, porém próspero, escritório do jovem arquiteto construiu mais de uma dezena de projetos — de lojas a conversões de galpões industriais e um tradicional hutong chinês —, todos na China. Isso não significa, contudo, que Zornoza tenha deixado suas raízes para trás. Atualmente, ele também mantém um pequeno escritório em Madri, que desenvolve projetos tanto na China quanto na Espanha.

Esta entrevista foi realizada em um trem-bala de Pequim a Tianjin, para onde partimos em busca da arquitetura recente que tem atraído tanta atenção da mídia para esta metrópole emergente.

Manuel Zornoza, da LATITUDE: "Ficamos fascinados com esta ideia — Como se constrói uma cidade do zero?" - Arch Daily EntrevistasManuel Zornoza, da LATITUDE: "Ficamos fascinados com esta ideia — Como se constrói uma cidade do zero?" - Arch Daily EntrevistasManuel Zornoza, da LATITUDE: "Ficamos fascinados com esta ideia — Como se constrói uma cidade do zero?" - Arch Daily EntrevistasManuel Zornoza, da LATITUDE: "Ficamos fascinados com esta ideia — Como se constrói uma cidade do zero?" - Arch Daily EntrevistasManuel Zornoza, da LATITUDE: Ficamos fascinados com esta ideia — Como se constrói uma cidade do zero? - Mais Imagens+ 12

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Sergey Skuratov, do Sergey Skuratov Architects: "Imagino o edifício como um ser vivo"

Sergey Skuratov, do Sergey Skuratov Architects: "Imagino o edifício como um ser vivo" - Arch Daily Entrevistas
Copper House / Sergey Skuratov Architects. Imagem cortesia de Sergey Skuratov Architects

Sergey Skuratov, fundador do escritório Sergey Skuratov Architects, uma premiada prática russa (Arquiteto do Ano em 2008), é conhecido por seu portfólio elegante e de excelente composição. Projetos como a Copper House, a Art House e a House on Mosfilmovskaya Street demonstram sua sensibilidade em relação à materialidade e sua capacidade de manter a visão conceitual intacta até a realidade construída. Nas últimas duas décadas, Skuratov conseguiu produzir toda uma vertente de arquitetura de nível internacional em Moscou, muito mais do que qualquer outro/a profissional local. Seus projetos, predominantemente complexos residenciais e corporativos, permanecem atraentes e versáteis sem nunca se renderem ao conservadorismo.

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Philip Yuan, do Archi-Union Architects: "O processo de construção pode ser elevado a performance artística"

Embora os discretos pavilhões Suíço e Britânico tenham sido os grandes (e talvez excessivamente literais) vencedores da Bienal de Arquitetura de Veneza deste ano, cujo tema foi *Freespace*, foram os chineses que de fato colocaram seu incansável progresso arquitetônico em exibição. Situado nos fundos do Arsenale, o Pavilhão Chinês apresentou dezenas de obras construídas no interior do país, em que cada projeto demonstrava um impacto social significativo por meio do envolvimento dos moradores dos vilarejos no processo de produção. Entre os nomes da arquitetura chinesa com maior visibilidade no pavilhão estava Philip Yuan, atuante no ensino e na prática profissional em Xangai, cujo escritório Archi-Union Architects se tornou uma voz de peso no já singular cenário da arquitetura contemporânea chinesa.

No dia 19 de julho de 2018, o/a curador/a Vladimir Belogolovsky se juntará ao/à galerista e curador/a Ulrich Müller para debater o trabalho de Philip Yuan na abertura da exposição Archi-Union Architects Collaborative Laboratory na Architektur Galerie Berlin. A entrevista de Belogolovsky com Philip Yuan segue abaixo:

Philip Yuan, do Archi-Union Architects: "O processo de construção pode ser elevado a performance artística" - Arch Daily EntrevistasPhilip Yuan, do Archi-Union Architects: "O processo de construção pode ser elevado a performance artística" - Arch Daily EntrevistasPhilip Yuan, do Archi-Union Architects: "O processo de construção pode ser elevado a performance artística" - Arch Daily EntrevistasPhilip Yuan, do Archi-Union Architects: "O processo de construção pode ser elevado a performance artística" - Arch Daily EntrevistasPhilip Yuan, do Archi-Union Architects: O processo de construção pode ser elevado a performance artística - Mais Imagens+ 19

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Han Wenqiang, do ARCHSTUDIO: “Chamemos meu trabalho de a arte da coordenação”

Em toda a obra do escritório ARCHSTUDIO, sediado em Pequim, há uma constante sensibilidade em relação à cultura e à história. Isso não significa que os projetos do escritório não sejam modernos — muito pelo contrário —, mas sim que o trabalho do fundador Han Wenqiang infunde materiais e formas modernas com uma sensibilidade nitidamente chinesa, algo tão evidente em seus projetos para uma instalação de embalagem de alimentos quanto em um santuário budista (inclusive, ambos os projetos foram vencedores do prêmio ArchDaily Building of the Year, em 2017 e 2018, respectivamente). Na mais recente entrevista de sua série “City of Ideas”, Vladimir Belogolovsky conversa com Han sobre se a arquitetura é uma forma de arte e o que significa criar uma arquitetura “chinesa” no século XXI.

Han Wenqiang, do ARCHSTUDIO: “Chamemos meu trabalho de a arte da coordenação” - Arch Daily EntrevistasHan Wenqiang, do ARCHSTUDIO: “Chamemos meu trabalho de a arte da coordenação” - Arch Daily EntrevistasHan Wenqiang, do ARCHSTUDIO: “Chamemos meu trabalho de a arte da coordenação” - Arch Daily EntrevistasHan Wenqiang, do ARCHSTUDIO: “Chamemos meu trabalho de a arte da coordenação” - Arch Daily EntrevistasHan Wenqiang, do ARCHSTUDIO: “Chamemos meu trabalho de a arte da coordenação” - Mais Imagens+ 48

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Will Alsop: “Essa é a arte da arquitetura — reunir tudo à sua própria maneira”

Durante meus encontros com Will Alsop — dois em seu estúdio em Londres, em 2008 e 2010, e outro durante nossa viagem de quatro dias a Moscou, no inverno de 2011, onde organizei sua palestra para a revista SPEECH —, ele me impressionou como a alma mais genuína, artística e de espírito livre entre todos os arquitetos e arquitetas que conheci. Calatrava, Hadid e Gehry podem parecer grandes artistas, mas, por mais inventivos que sejam, todos se dedicam a moldar edifícios. Já Alsop se envolvia em um trabalho completamente livre e sem amarras, como um verdadeiro artista. Parece que suas obras lúdicas — "manchas e borrões", como ele as chamava — são concebidas como puras fantasias para, muito mais tarde, serem transformadas em arquitetura por sua equipe. No fim das contas, ele tinha que “vendê-las” aos clientes como edifícios funcionais.

As criações de Alsop trazem magia ao mundo real; elas conectam realidades e sonhos de maneiras fantásticas. No entanto, nunca pensei que gostaria de seus edifícios. Eu via suas renderizações e fotografias como caricatas, até visitá-los pessoalmente em Londres e Xangai, entre outros lugares. Foi então que meus preconceitos se dissiparam. Essas estruturas despertam felicidade e curiosidade nas pessoas; elas desarmam as críticas mais severas e enriquecem nossas experiências. A conversa a seguir com Alsop, que faleceu em 12 de maio aos 70 anos, é uma versão condensada da entrevista baseada em dois de nossos encontros de várias horas.

Will Alsop: “Essa é a arte da arquitetura — reunir tudo à sua própria maneira” - Arch Daily EntrevistasWill Alsop: “Essa é a arte da arquitetura — reunir tudo à sua própria maneira” - Arch Daily EntrevistasWill Alsop: “Essa é a arte da arquitetura — reunir tudo à sua própria maneira” - Arch Daily EntrevistasWill Alsop: “Essa é a arte da arquitetura — reunir tudo à sua própria maneira” - Arch Daily EntrevistasWill Alsop: “Essa é a arte da arquitetura — reunir tudo à sua própria maneira” - Mais Imagens+ 55

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Atelier Deshaus: "A ideia não é criar um objeto, mas construir um caminho"

Na emergente constelação de arquitetos/as de renome na China, poucos escritórios despertam tanta surpresa quanto o Atelier Deshaus. Com projetos que vão do monumental ao modesto, sua obra não se curva a regras estilísticas, mas todas as suas propostas emanam uma aura enigmática. Nesta entrevista, a mais recente da série “City of Ideas” de Vladimir Belogolovsky, os sócios-diretores Liu Yichun e Chen Yifeng discutem o papel da identidade em seu trabalho e como buscam conectar seus edifícios à paisagem.

Vladimir Belogolovsky: É verdade que cada um projeta edifícios diferentes no escritório? Por que adotaram essa dinâmica?

Liu Yichun: Tem sido assim desde 2010. Antes disso, sempre projetávamos tudo juntos. Tínhamos discussões intermináveis e divergências constantes. Por essa razão, decidimos seguir caminhos paralelos. Essa abordagem trouxe maior eficiência e nos ajudou a consolidar ideias mais claras sobre nossas visões independentes de arquitetura. Além disso, contribui para diversificar nossa produção e evitar a consolidação de um estilo único e facilmente reconhecível.

Chen Yifeng: Para nós, é importante expressar nossas soluções de maneiras distintas, embora, fundamentalmente, trabalhemos em uma mesma direção e compartilhemos da mesma base conceitual.

Atelier Deshaus: "A ideia não é criar um objeto, mas construir um caminho" - Arch Daily EntrevistasAtelier Deshaus: "A ideia não é criar um objeto, mas construir um caminho" - Arch Daily EntrevistasAtelier Deshaus: "A ideia não é criar um objeto, mas construir um caminho" - Arch Daily EntrevistasAtelier Deshaus: "A ideia não é criar um objeto, mas construir um caminho" - Arch Daily EntrevistasAtelier Deshaus: A ideia não é criar um objeto, mas construir um caminho - Mais Imagens+ 23

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Ma Yansong: “Algumas pessoas podem dizer que meu trabalho é futurista, mas eu o vejo como tradicional”

Com as formas não convencionais e onduladas de seus edifícios — e o fato de sua trajetória rumo ao sucesso na arquitetura ter incluído uma passagem pelo escritório de Zaha Hadid —, Ma Yansong é frequentemente rotulado de forma equivocada como um arquiteto da geração mais recente de desconstrutivistas, interessado apenas em formas futuristas que desafiam os limites da tecnologia pela inovação como um fim em si mesmo. Na realidade, contudo, os projetos de Ma, especialmente aqueles em seu país natal, a China, estão profundamente enraizados na natureza e na tradição, conforme ele explica nesta última entrevista da série “City of Ideas” de Vladimir Belogolovsky.

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Benjamín Romano: "Foco em melhorar o edifício"

Visitar a Cidade do México várias vezes nos últimos meses me permitiu conhecer alguns dos principais nomes da arquitetura local. Com isso, acabei sendo direcionado a outros/as arquitetos/as que ainda não conhecia, mas que logo descobri serem, na verdade, os/as profissionais mais reverenciados/as do país, segundo a comunidade local. Refiro-me, em especial, a Alberto Kalach e Mauricio Rocha, cujas entrevistas foram publicadas nesta coluna no ano passado, e a Benjamín Romano, cujo nome surgiu quando pedi a vários/as arquitetos/as que indicassem seu edifício favorito dos últimos anos na Cidade do México. Ao lado do favorito absoluto, a Biblioteca Vasconcelos de Kalach, outra estrutura se destacou: a Torre Reforma, uma torre de escritórios de 57 andares, o edifício mais alto da cidade. A conversa a seguir com Romano, responsável pelo projeto, ocorreu dentro dessa estrutura excepcionalmente potente e inventiva.

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