Eduardo Souza

Editor Sênior de Brands & Materials no ArchDaily. Arquiteto e Mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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Além do armazenamento: projetando armários como afirmações arquitetônicas

O conceito de guarda-roupa cápsula, popularizado nos anos 1970 por Susie Faux, propõe um exercício de síntese: um conjunto compacto de peças versáteis, capazes de se combinar de inúmeras maneiras para se adaptar a diferentes ocasiões. Na cultura visual, existem algumas metáforas para isso: em desenhos animados como Doug Funnie ou O Laboratório de Dexter, abrir o armário revelava fileiras de roupas idênticas, prontas para simplificar a vida (e, no caso de quem desenhava, o próprio trabalho). No mundo real, personalidades como Steve Jobs transformaram essa lógica em método ao adotar um uniforme diário, eliminando a pequena — mas recorrente — decisão de "o que vestir?" e poupando tempo e energia para questões mais importantes.

Para outras pessoas, no entanto, essa escolha está longe de ser um fardo. Escolher o que vestir é um momento de prazer, capaz de definir o tom do dia e influenciar o humor. Sob essa perspectiva, o guarda-roupa também se torna uma extensão da identidade, um espaço onde as escolhas práticas e simbólicas se encontram. Não por acaso, expressões como "sair do armário" ou "ter um esqueleto no armário" estão profundamente enraizadas na linguagem, revelando a dimensão cultural desse elemento doméstico. No design de interiores contemporâneo, essa noção ganha novas camadas: o armário pode definir o caráter de um espaço, guiar a circulação, influenciar a percepção e até moldar a atmosfera de um ambiente.

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Transformando resíduos de pranchas de surfe em casas resilientes ao clima no Havaí

O surfe é, sem dúvida, um dos esportes mais impactantes visualmente e fascinantes. Uma coreografia fluida que combina força e delicadeza, como uma dança sobre as ondas, atrai entusiastas por todos os oceanos do mundo. No entanto, por trás dessa imagem de liberdade e conexão com a natureza, o esporte também carrega contradições. É um símbolo de vida ao ar livre e respeito pelo oceano, mas, por outro lado, é marcado por disputas territoriais pelas ondas e por uma pegada ambiental que raramente recebe a mesma atenção dedicada à sua estética. Em tempos de crise climática, esse paradoxo se torna ainda mais evidente. O surfe depende diretamente da saúde dos ecossistemas marinhos — justamente os mais afetados pela poluição e pelo aquecimento global. Essa tensão tem impulsionado uma nova geração de shapers, arquitetos/as e designers de materiais a buscar alternativas, desde espumas biodegradáveis e recicladas até o reaproveitamento de resíduos industriais, a fim de reconectar o esporte à sua dimensão ecológica.

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Sala dentro de sala: espaços acústicos que se adaptam às necessidades contemporâneas

Os ambientes de trabalho e de aprendizado passaram por profundas transformações nas últimas décadas. Nos escritórios, as estações de trabalho fechadas e as salas compartimentadas deram lugar a layouts abertos e colaborativos. Em escolas e universidades, as salas de aula tradicionais, com configurações rígidas, lousas e fileiras de carteiras, foram substituídas por espaços mais dinâmicos, flexíveis e interativos. Em ambos os contextos, o objetivo era incentivar a integração, a criatividade e a troca constante. No entanto, essa abertura também trouxe novos desafios: o aumento das distrações, a sobrecarga sensorial e a dificuldade de encontrar momentos de foco ou introspecção. Quanto mais removemos barreiras em prol da fluidez e da colaboração, mais essencial se torna oferecer momentos de quietude, intimidade e equilíbrio sensorial para quem precisa se autorregular. O desafio é tanto espacial quanto psicológico, levantando uma questão fundamental para a arquitetura: como podemos apoiar a conexão e o recolhimento, a atividade e o silêncio, ao mesmo tempo?

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Um conto de dois estudantes: como as decisões de projeto em etapas iniciais moldam o sucesso educacional

Dois estudantes sentam-se a uma carteira de distância. Um/a se destaca em ciências; o/a outro/a tem dificuldades. Um/a recebe elogios, o/a outro/a, críticas. Um/a ganha confiança, o/a outro/a a perde aos poucos. É fácil presumir que a diferença se deve ao esforço, à criação ou à habilidade natural. Mas e se o verdadeiro fator decisivo fosse a própria sala de aula? Imagine que o/a estudante que ficou para trás sentasse, todos os dias, em uma carteira ofuscada pelo brilho excessivo de janelas mal posicionadas. Com assentos fixos na sala, não era possível mudar de lugar. Com o tempo, essa distração pequena, mas constante, transformou-se em desinteresse, e o desinteresse minou sua confiança. Uma reação em cadeia desencadeada não pelo esforço, mas pelo design.

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Explorando as vantagens do método design-build no desenvolvimento imobiliário

O modelo Design-Build é um método de entrega de projetos cada vez mais atraente, oferecendo benefícios como maior controle, redução de riscos, eficiência de custos e prazos de conclusão mais rápidos. No cerne dessa abordagem estão o trabalho em equipe e a colaboração, contrastando fortemente com o método tradicional, que separa a etapa de projeto da licitação com preço fechado por parte das construtoras. O Design-Build motiva naturalmente todos os envolvidos a buscar formas de aumentar a produtividade e a qualidade, garantindo equidade e transparência nos custos.

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O concreto como meio de emoção e expressão na arquitetura

O concreto está longe de ser um consenso. Há quem o ame e quem o odeie. Pode parecer tão duro quanto o granito ou tão macio quanto o veludo — tudo dependendo de quais mãos o moldam. Tratado com precisão de engenharia ou com um toque de sensibilidade artística, o concreto deixa de ser apenas um material e passa a ter vida própria. Brinca com a luz, surpreende pela textura e, de alguma forma, dá forma ao silêncio. Embora denso e estrutural, o concreto pode assumir uma presença quase imaterial: leve, etérea e contemplativa. Em certos espaços, parece desaparecer, dissolvendo-se nas sombras ou vibrando com a luz circundante. Mais do que um simples elemento construtivo, torna-se uma linguagem, capaz de evocar emoção, espiritualidade e tempo.

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Precisão sem contato e a revolução dos sensores TOF em espaços públicos

Nas últimas décadas, uma revolução silenciosa vem transformando a maneira como interagimos com os objetos e sistemas no nosso cotidiano. O que antes exigia manivelas ou mecanismos rotativos, e posteriormente o pressionar de um botão, agora dá lugar a experiências cada vez mais fluidas, intuitivas e livres de toque. Essa mudança é evidente em banheiros públicos, onde a minimização do contato físico promove uma melhor higiene e reduz a propagação de patógenos. Ela também reflete uma transformação mais ampla nos paradigmas de conforto, acessibilidade e eficiência. Dispositivos sem toque, antes restritos a aplicações isoladas em hospitais, aeroportos ou edifícios corporativos, tornaram-se padrão em projetos que priorizam a experiência de uso e a sustentabilidade.

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Construindo cidades para crianças: ruas que desaceleram, brincam e ensinam

Historicamente, o conceito de infância como o conhecemos hoje simplesmente não existia e, até a Idade Média, as crianças eram vistas como adultos em miniatura. Segundo o historiador Philippe Ariès, foi apenas a partir do século XVII que a infância começou a ser compreendida como uma etapa distinta do desenvolvimento, que exigia cuidados, educação e proteção específicos. No entanto, essa evolução no reconhecimento não se refletiu de forma consistente no desenho e na organização do espaço urbano.

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Entre matéria e gesto, arquiteturas que pensam através dos detalhes

Um projeto pode ser desenhado em linhas gerais, mas é construído nos detalhes. Por mais simples que pareça, uma escada envolve um nível significativo de engenharia. Algumas são visivelmente mais cansativas ou difíceis de subir e descer. Para solucionar isso, no século XVII, o arquiteto François Blondel propôs uma fórmula para garantir a proporção ideal entre espelho e piso — uma equação que, quando respeitada, proporciona um percurso confortável. No entanto, há outro fator igualmente decisivo: todos os degraus devem ser idênticos. Isso pode soar trivial e lógico, mas executar qualquer coisa com precisão é sempre um desafio construtivo. Nosso corpo se adapta rapidamente às dimensões dos degraus, e qualquer variação (mesmo mínima) pode causar tropeços sucessivos ou passos em falso. Um detalhe aparentemente insignificante, quando mal resolvido, pode comprometer o bem-estar e a segurança de um edifício inteiro.

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Podemos construir com alimentos? Experimentos circulares no Matter Matters Lab

O que significa construir com cuidado, utilizando aquilo que os outros deixam para trás? Essa pergunta molda o trabalho do Matter Matters Lab, uma iniciativa fundada pela arquiteta e pesquisadora Catherine Söderberg Esper durante o isolamento da pandemia. A partir de experiências multiculturais e motivada por uma transformação pessoal durante a maternidade, Catherine começou a investigar resíduos cotidianos como matéria-prima para sistemas construtivos regenerativos. Seu primeiro experimento consistiu em colar seus próprios cabelos cortados usando cola branca, dando início a uma abordagem radicalmente íntima e artesanal. Desde então, o laboratório tem se concentrado em transformar resíduos orgânicos em materiais arquitetônicos de baixo impacto, inspirando-se em sistemas de conhecimento indígenas e buscando romper com modelos extrativistas na construção civil. Projetos como os Avocado Bricks, feitos a partir de caroços de abacate descartados, exemplificam essa abordagem local, circular e enraizada na ideia de reciprocidade entre matéria, lugar e cuidado, oferecendo uma nova maneira de construir com resíduos.

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Redefinindo edifícios inteligentes por meio da IA e da inovação de baixo carbono

A humanidade raramente aceita grandes transformações de imediato, sendo muitas vezes freada pelo medo, pelo ceticismo ou pelo apego ao que já funciona. A prensa de Gutenberg despertou o temor da desinformação; a eletrificação urbana gerou alertas por parte de médicos; e a informatização dos escritórios acendeu preocupações sobre a desvalorização da experiência humana. Tais rupturas frequentemente provocam resistência, mas tendem a abrir espaço para a reflexão crítica e para a inovação.

Hoje, com a ascensão da inteligência artificial e a rápida sucessão de inovações tecnológicas, vivemos mais um desses pontos de inflexão. O debate é amplo, inevitável e, como sempre, necessário. Na TRUE Conference 2025, realizada pela Midea Building Technologies (MBT), essa discussão assume dimensões práticas e estratégicas ao articular os avanços digitais a metas tangíveis de sustentabilidade, eficiência e qualidade de vida.

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Um projeto que reúne mobilidade urbana, tecnologia cerâmica e arte pública

Um projeto que reúne mobilidade urbana, tecnologia cerâmica e arte pública - Image 2 of 4
© Joanne Ly

A nova Estação Arden, em Melbourne, vai além de seu papel funcional como polo de transporte. Inaugurada como um componente fundamental do projeto Metro Tunnel, a estação expande a infraestrutura ferroviária da cidade ao aliviar a pressão sobre outras linhas e melhorar a frequência dos serviços, ao mesmo tempo em que se estabelece como um elemento determinante na transformação urbana das zonas norte de Melbourne. Localizada em uma antiga área industrial em processo de revitalização, a estrutura ancora o desenvolvimento futuro de um novo distrito projetado para abrigar até 34.000 residentes e 15.000 postos de trabalho nas próximas décadas.

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Qual camada permanece? Restauro, identidade e design contemporâneo na Espanha

O teórico André Corboz, conhecido por suas contribuições para a leitura crítica do território, propõe que as cidades devem ser compreendidas como um palimpsesto. Ou seja, uma superfície continuamente reescrita, onde vestígios de camadas anteriores permanecem visíveis mesmo após sucessivas intervenções. Para ele, a cidade não é uma entidade estática, mas um organismo em constante transformação, no qual camadas históricas, funcionais e simbólicas se sobrepõem. Por essa razão, trabalhar em projetos de restauração ou reabilitação de edifícios históricos é algo particularmente complexo, que exige uma reflexão cuidadosa sobre a abordagem a ser adotada: as ampliações e reformas devem buscar total coerência com a linguagem original ou se afirmar como expressões arquitetônicas de seu próprio tempo?

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Arquitetura Lenta como Prática Ética de Projeto e Construção

Na Capela de Campo Bruder Klaus, projetada por Peter Zumthor, o processo de construção contou com a participação direta de habitantes do pequeno vilarejo suíço de Mechernich. Utilizando uma fôrma interna feita de troncos de madeira dispostos verticalmente, o concreto foi preparado em pequenos lotes e vertido manualmente, dia após dia, formando camadas marcadas por variações sutis de mistura e aplicação. Ao final do processo, a estrutura de madeira foi reduzida a cinzas, deixando o interior da capela impregnado com marcas de fogo e revelando uma superfície escura e tátil. O resultado foi um espaço silencioso e profundamente significativo, onde a ação coletiva, o tempo e a transformação da matéria se tornaram parte da arquitetura. Centrado em recursos disponíveis localmente e técnicas manuais, esse método construtivo evidencia como a escolha dos materiais e do sistema construtivo pode moldar a experiência de um espaço, revelar o tempo investido e incrustar a cultura de um lugar na própria matéria da arquitetura. Dessa forma, oferece um exemplo de como a própria construção pode se tornar um ato regenerativo, restaurando significados, conectando comunidades e honrando os ciclos da matéria.

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Refrações em movimento conforme as piscinas se tornam formas luminosas

A trajetória do vidro na arquitetura reflete a evolução tecnológica da humanidade. Durante séculos, foi um material frágil e opaco, restrito a pequenas aberturas em igrejas ou residências aristocráticas, com dimensões limitadas, transparência irregular e um papel majoritariamente secundário. Com a Revolução Industrial e os avanços nos processos de fabricação, essa condição mudou drasticamente. Dos vitrais artesanais e imperfeitos, passamos a contar com uma ampla gama de aplicações arquitetônicas, desde fachadas de arranha-céus totalmente envidraçadas até passarelas de pedestres translúcidas, coberturas leves, divisórias inteligentes e elementos móveis. Um dos usos mais surpreendentes — outrora considerado inviável — é a interação direta do vidro com grandes volumes de água. Hoje, vemos piscinas com paredes ou fundos transparentes que se projetam para fora dos edifícios, flutuam sobre as ruas ou se fundem visualmente com o entorno, criando experiências sensoriais marcantes. Um feito notável, especialmente considerando que, por muito tempo, o vidro foi tido como frágil demais para ambientes submersos.

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Quando o metal respira: a pele porosa do Restaurante Steirereck

No restaurante Steirereck am Pogusch, arquitetura e gastronomia parecem falar a mesma língua: a da transformação sensível das matérias-primas. Ingredientes locais, como folhas, raízes e flores, transformam-se em pratos surpreendentes, nos quais a simplicidade é elevada ao extraordinário. Da mesma forma, o edifício, longe de ser uma estrutura estática, oferece uma experiência tátil e visual única. Um dos elementos mais intrigantes é o uso de painéis de alumínio espumado estabilizado que, em vez de evocar a frieza e a rigidez frequentemente associadas ao metal, foram manipulados para transcender suas características convencionais. Eles parecem respirar, com suas superfícies porosas e texturizadas que absorvem e refletem a luz, criando um jogo de sombras e brilho que evoca a leveza e a qualidade orgânica dos materiais naturais.

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O eletrodoméstico como expressão da cultura material

A história dos eletrodomésticos reflete com fidelidade a transformação do lar moderno e da vida doméstica ao longo do século XX. Originados dos avanços técnicos da Revolução Industrial e impulsionados pela eletrificação urbana, esses aparelhos foram criados para mecanizar tarefas cotidianas como cozinhar, limpar e conservar alimentos. Um marco fundamental nessa evolução foi a Cozinha de Frankfurt, projetada em 1926 pela arquiteta austríaca Margarete Schütte-Lihotzky. Considerada a precursora da cozinha moderna, ela incorporava princípios de eficiência inspirados na organização científica do trabalho, com espaços otimizados e equipamentos integrados para agilizar as tarefas domésticas. Desenvolvida para a habitação social em Frankfurt, essa cozinha sintetiza o espírito funcionalista da Bauhaus e estabelece uma conexão direta com as inovações do design alemão — contexto no qual a Gaggenau também consolidaria sua identidade, aliando precisão técnica e sofisticação estética.

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Casamento de Materiais: Quando a Madeira Dialoga com suas Contrapartes Contemporâneas

A matemática nos mostra como, a partir de apenas alguns elementos, podemos gerar combinações quase infinitas e como cada novo arranjo pode transformar completamente o conjunto original. Teorias como as do caos e da complexidade apontam na mesma direção: pequenas variações iniciais, como uma escolha, um desvio ou um novo elemento, podem desencadear mudanças profundas e inesperadas. Na arquitetura, isso se manifesta de forma concreta no cotidiano de profissionais de projeto. A escolha dos materiais e a forma como são combinados pode parecer uma decisão meramente estética ou funcional, mas tem o poder de redefinir a linguagem de um edifício, o rumo do projeto e sua relação com o entorno e seus habitantes.