A madeira é, indiscutivelmente, uma escolha elegante para projetos de arquitetura, oferecendo uma estética natural e acolhedora que valoriza qualquer espaço. No entanto, quando exposta às intempéries, essa mesma madeira exige um alto nível de manutenção. A ação do sol, da chuva e das variações de temperatura pode comprometer sua aparência e integridade ao longo do tempo, demandando cuidados regulares para preservar sua beleza original. Para muitos, esse é o preço a se pagar pela estética insubstituível do material, mas tem crescido a busca por alternativas que aliem beleza natural e durabilidade, permitindo desfrutar do charme da madeira com menos esforço.
Copenhague foi fundada por volta do século XI a partir de uma pequena vila de pescadores chamada "Havn" (porto), que servia como ponto estratégico para o comércio e a navegação. Ao longo do tempo, esse assentamento transformou-se em uma cidade industrial até se tornar a capital da Dinamarca. Apesar de sua dimensão reduzida, Copenhague exerce uma influência global significativa como modelo de vida urbana. Espalhada por duas ilhas, a cidade é reconhecida como uma das mais habitáveis do mundo, compensando sua escala modesta com um caráter marcante, refletido em sua vida urbana vibrante e em um horizonte pontuado por torres históricas, edifícios de baixa altura e uma mescla de arquitetura antiga e moderna.
Em uma era em que passamos grande parte do tempo em espaços fechados, a arquitetura contemporânea oferece uma abordagem inovadora: dissolver as barreiras entre o interior e o exterior. Essa fusão, hoje uma característica marcante de muitos projetos atuais, reflete um desejo crescente de viver em sintonia com a natureza, promovendo uma harmonia que transcende as paredes e restaura a conexão humana com o entorno natural. Grandes aberturas que emolduram as paisagens e o uso de princípios do design biofílico diluem os limites entre o interior e o exterior, criando espaços flexíveis e banhados de luz, nos quais a natureza é incorporada ao espaço arquitetônico. Essa integração surge de decisões de projeto meticulosas, viabilizadas por avanços tecnológicos como vidros de alto desempenho e sistemas inteligentes, que permitem essa conexão sem sacrificar o conforto nem a eficiência energética.
Superior, da esquerda para a direita: Bernard Tschumi, Anupama Kundoo, Catherine Opie. Centro, da esquerda para a direita: Erin Besler, Héctor Esrawe, Ana María León. Inferior, da esquerda para a direita: Mario Gooden, Sekou Cooke, Liam Young. Imagem cortesia de SCI-Arc
O SCI-Arc (Southern California Institute of Architecture) foi fundado em 1972 com base no conceito de uma "faculdade sem paredes". Seu nome original era New School, simbolizando uma mudança de paradigma no ensino de arquitetura, com foco em uma relação horizontal entre docentes e estudantes e na experimentação, tornando a instituição uma das poucas escolas de arquitetura independentes do mundo. Em 2022, a instituição completa 50 anos e planejou um calendário repleto de eventos e projetos que acontecerão ao longo do ano.
Jardim de infância “St. Severin”, Garching. Imagem cortesia de LAMILUX
O ambiente em que vivemos influencia a forma como nos sentimos — algo que todos nós já vivenciamos. Para estudantes, é mais fácil estudar em um local iluminado; artistas buscam atmosferas inspiradoras; e o nosso humor pode melhorar com a paleta de cores certa. Esses aspectos também são fundamentais para creches, jardins de infância e escolas, já que um design voltado para as crianças pode estimular a curiosidade e a imaginação de forma lúdica. O design de um espaço apoia o aprendizado e a criatividade infantil. Sistemas de iluminação natural, por exemplo, inundam os ambientes de luz, fazendo com que pareçam mais amplos e acolhedores.
Centro de Arte Xi'an Qujiang por Xiaoxia Wang - gad. Imagem cortesia de A'Design Award and Competition
“O bom design merece grande reconhecimento”. Essa premissa sintetiza o A'Design Award and Competition, uma premiação voltada a designers, mentes inovadoras e empresas que desejam se destacar e atrair a atenção da mídia, de editores/as e de compradores/as. Esses aspectos são especialmente importantes no universo do design, onde milhões de produtos e projetos são lançados diariamente e, frequentemente, acabam eclipsados, sem receber o devido prestígio. Diante disso, todos os anos são submetidos ao A' Design Award projetos focados em inovação, tecnologia, design e criatividade. A premiação oferece uma oportunidade única de reconhecimento, contando com a curadoria de um júri renomado e a possibilidade de um lançamento internacional bem-sucedido. O A'Design Award engloba uma série de serviços de relações públicas, publicidade e marketing para celebrar o sucesso de seus/suas vencedores/as. Além disso, diferentemente de outras premiações da área, a inscrição é totalmente gratuita.
No universo do design de interiores e da arquitetura, a iluminação evoluiu de uma mera necessidade funcional para uma ferramenta poderosa na criação de ambientes agradáveis, no destaque de elementos de projeto e na definição da atmosfera para as pessoas que utilizam os espaços. Nesse sentido, os sistemas de iluminação embutida têm sido divisores de águas, especialmente quando combinados com a tecnologia LED, oferecendo inúmeras possibilidades de transformação dos espaços. As fitas de LED, em trabalho de destaque, revolucionaram a iluminação ao proporcionar eficiência energética, longevidade, versatilidade e uma personalização antes difícil de se alcançar com as lâmpadas tradicionais. Elas alteraram profundamente a forma como iluminamos residências, escritórios e estabelecimentos comerciais, inaugurando uma nova era na tecnologia luminotécnica.
HSG Learning Center / Foto de Roland Halbe. Imagem cortesia de Holcim
A necessidade de reduzir a pegada de carbono da indústria da construção e sua dependência de recursos naturais virgens é o desafio mais urgente enfrentado pelo setor. Portanto, é de extrema importância fomentar inovações que possam aprimorar os materiais de construção existentes e torná-los ecológicos, de modo a enfrentar com sucesso sua significativa pegada de carbono e fechar o ciclo dos materiais.
O concreto, por exemplo, é utilizado desde a época dos antigos romanos, tendo se mostrado um material de construção durável, resistente, acessível e versátil. Hoje, é o recurso manufaturado mais utilizado no mundo. Contudo, seus métodos de produção geram preocupações ambientais: em primeiro lugar, devido ao alto consumo de recursos naturais como areia e cascalho; e, em segundo lugar —e ainda mais importante— por conta das emissões de CO₂ associadas à produção de seu ingrediente principal: o cimento.
Atualmente, os sistemas de drywall e gesso estão presentes em quase todas as obras de arquitetura. Esses sistemas permitem revestir edificações com produtos que combinam, entre outros atributos, facilidade de construção, segurança contra incêndios e possibilidade de reciclagem, tanto em estruturas históricas quanto em construções completamente novas. Desde 1998, a Saint-Gobain — uma das maiores distribuidoras desse tipo de sistema — premia os projetos que melhor os aplicam em suas soluções, dividindo-os em 6 categorias (Forros, Gesso, Placas de Gesso, Inovação e Sustentabilidade, Residencial e Não Residencial). Os projetos apresentados visam demonstrar como os/as arquitetos/as conseguiram unir engenhosamente os produtos da empresa a soluções inovadoras para superar os desafios impostos pelas obras ou seus contextos.
Em sua 12ª edição, o prêmio contou com participantes de 30 países diferentes, que apresentaram 74 projetos. Conheça os 14 premiados a seguir:
Construir uma cúpula monumental sem o uso de correntes de ferro externas ou de cimbres tradicionais foi o enorme desafio enfrentado por Filippo Brunelleschi na Catedral de Santa Maria del Fiore, em Florença. Para demonstrar a viabilidade de sua proposta e orientar a obra, ele recorreu a uma maquete de madeira em grande escala que desempenhou um papel fundamental no estudo das proporções, no encaixe das nervuras e na disposição inovadora dos tijolos em escama de peixe (sistema a spina di pesce). Como ferramenta técnica essencial, esse modelo — que ainda está em exibição no Museo dell'Opera del Duomo em Florença — orientou os mestres de obras ao longo de toda a construção, consolidando-se como um exemplo seminal do valor das maquetes no planejamento arquitetônico, na comunicação construtiva e na experimentação.
A prática de combinar materiais para obter um melhor desempenho acompanha a humanidade desde as primeiras construções. Um dos primeiros exemplos conhecidos surgiu há mais de cinco mil anos, quando civilizações na Mesopotâmia e no Egito misturavam lama e palha para moldar tijolos de adobe secos ao sol. Leve e fibrosa, a palha impedia fissuras e aumentava a resistência, enquanto a lama atuava como aglutinante e proteção. Essa invenção simples, mas engenhosa, pode ser considerada o primeiro compósito da história, ilustrando a intuição ancestral de que materiais distintos, quando combinados, podem se tornar algo mais forte e melhor.
Historicamente, o conceito de infância como o conhecemos hoje simplesmente não existia e, até a Idade Média, as crianças eram vistas como adultos em miniatura. Segundo o historiador Philippe Ariès, foi apenas a partir do século XVII que a infância começou a ser compreendida como uma etapa distinta do desenvolvimento, que exigia cuidados, educação e proteção específicos. No entanto, essa evolução no reconhecimento não se refletiu de forma consistente no desenho e na organização do espaço urbano.
No restaurante Steirereck am Pogusch, arquitetura e gastronomia parecem falar a mesma língua: a da transformação sensível das matérias-primas. Ingredientes locais, como folhas, raízes e flores, transformam-se em pratos surpreendentes, nos quais a simplicidade é elevada ao extraordinário. Da mesma forma, o edifício, longe de ser uma estrutura estática, oferece uma experiência tátil e visual única. Um dos elementos mais intrigantes é o uso de painéis de alumínio espumado estabilizado que, em vez de evocar a frieza e a rigidez frequentemente associadas ao metal, foram manipulados para transcender suas características convencionais. Eles parecem respirar, com suas superfícies porosas e texturizadas que absorvem e refletem a luz, criando um jogo de sombras e brilho que evoca a leveza e a qualidade orgânica dos materiais naturais.
O granilite há muito tempo se posiciona na interseção entre durabilidade, expressão artística e apelo atemporal. Originado na Itália como uma alternativa pragmática para reaproveitar fragmentos de mármore em pisos, o granilite tornou-se sinônimo de elegância e resistência na arquitetura. Tradicionalmente feito à mão com pedriscos e cal — e, posteriormente, cimento —, o material criava superfícies contínuas e sem emendas que celebravam tanto o trabalho artesanal quanto a durabilidade. Com o tempo, à medida que os métodos construtivos evoluíram e os projetos passaram a exigir maior eficiência, adaptabilidade e modularidade, o granilite expandiu-se para além de seus limites tradicionais. De sistemas moldados in loco a formulações modernas à base de epóxi, o material evoluiu para uma solução versátil que viabiliza espessuras menores, instalação mais rápida e uma gama mais ampla de cores e agregados. Hoje, o granilite pré-moldado complementa o método tradicional, abrindo caminho para novas aplicações — de escadas e revestimentos de parede a mobiliários e elementos de design sob medida — sem comprometer o desempenho ou a estética.
A fascinação da humanidade pelo desconhecido é um impulso atemporal, enraizado na curiosidade e no desejo de expandir limites, desvendar mistérios e abrir portas para novas fronteiras. O que antes era representado por viagens e pela descoberta de novas ilhas e continentes, agora é buscado na vastidão do Universo. À medida que buscamos respostas, provocamos novas perguntas e abrimos portas para possibilidades infinitas, esse impulso continua a nos inspirar. Ele moldou inúmeras obras literárias e cinematográficas, transformando a exploração interestelar de um conceito de ficção científica em uma visão cada vez mais fundamentada na realidade.
Um desses projetos visionários é o Project Hyperion, liderado pela Initiative for Interstellar Studies (i4is), que desafia a humanidade a desenvolver soluções práticas para viagens interestelares por meio de um concurso de projeto. Ao conceber naves geracionais—habitats imensos e autossustentáveis capazes de abrigar sociedades multigeracionais em viagens de séculos—o projeto não apenas expande as fronteiras da tecnologia, mas também estimula a inovação social, ampliando os limites da nossa imaginação coletiva. Ainda há tempo para enviar sua proposta de projeto até 9 de março, com a Fase 2 iniciando em 4 de maio.
Concursos abertos de arquitetura são, há muito tempo, considerados portas de entrada para novas ideias. Eles garantem condições equitativas ao propor uma chamada única, um conjunto de regras claro e uma avaliação baseada exclusivamente na qualidade do trabalho, realizada de forma anônima. Para os organizadores — sejam cidades, instituições ou empresas —, representam uma maneira de reunir propostas relevantes em um fórum público transparente, respaldado por um júri qualificado. Não por acaso, os concursos marcaram momentos decisivos na história da disciplina, como o concurso para o Centre Pompidou em Paris, que projetou Renzo Piano e Richard Rogers ao estrelato com seu "edifício do avesso", ou aquele para a nova capital do Brasil, vencido por Lúcio Costa com o Plano Piloto que sintetizou a cidade em dois eixos que se cruzam, interpretados ora como um avião, ora como uma cruz.
Afinal, por que os concursos ainda são importantes para a arquitetura hoje? Para além de seu papel histórico na concepção de projetos icônicos, eles continuam a servir como campos de testes para novas ideias, talentos e inovações. Nas seções a seguir, exploramos os concursos sob três ângulos: as motivações que levam arquitetos e arquitetas a continuarem participando deles, as razões pelas quais os organizadores continuam a promovê-los e um roteiro prático de estratégias para ajudar você a abordar seu próximo concurso com clareza e propósito.
O trabalho sempre evoluiu, adaptando-se às ferramentas, tecnologias e estruturas sociais de sua época. Nas primeiras sociedades humanas, a sobrevivência básica era a força motriz do trabalho, com caçadores-coletores dividindo tarefas essenciais para atender às necessidades mais elementares. A Revolução Agrícola marcou um ponto de inflexão, introduzindo assentamentos permanentes e a especialização, o que levou ao surgimento da divisão do trabalho nas civilizações antigas. Com o passar do tempo, a Idade Média viu o surgimento do sistema feudal, enquanto o comércio e as corporações de ofício lançaram as bases para uma mudança monumental: a Revolução Industrial. Essa era transformou o trabalho de uma produção artesanal e doméstica em sistemas de manufatura centralizados e em grande escala.
Antes da industrialização, muitas pessoas prestavam serviços a partir de suas próprias casas. No entanto, à medida que as fábricas cresceram, a força de trabalho centralizou-se, transformando a relação entre profissionais e o local de trabalho. A ascensão do setor de serviços e das corporações modernas deu origem a espaços de escritório que eram frequentemente rígidos e compartimentados, como as icônicas baias do século XX. Hoje, à medida que o trabalho se torna cada vez mais digital e descentralizado, os escritórios se transformam novamente. Layouts abertos, zonas especializadas e cabines modulares (pods) estão substituindo configurações estáticas, promovendo flexibilidade, foco, colaboração e bem-estar. Mas de que forma as inovações nos ambientes de trabalho modernos respondem às demandas de profissionais de hoje?
A trajetória do vidro na arquitetura reflete a evolução tecnológica da humanidade. Durante séculos, foi um material frágil e opaco, restrito a pequenas aberturas em igrejas ou residências aristocráticas, com dimensões limitadas, transparência irregular e um papel majoritariamente secundário. Com a Revolução Industrial e os avanços nos processos de fabricação, essa condição mudou drasticamente. Dos vitrais artesanais e imperfeitos, passamos a contar com uma ampla gama de aplicações arquitetônicas, desde fachadas de arranha-céus totalmente envidraçadas até passarelas de pedestres translúcidas, coberturas leves, divisórias inteligentes e elementos móveis. Um dos usos mais surpreendentes — outrora considerado inviável — é a interação direta do vidro com grandes volumes de água. Hoje, vemos piscinas com paredes ou fundos transparentes que se projetam para fora dos edifícios, flutuam sobre as ruas ou se fundem visualmente com o entorno, criando experiências sensoriais marcantes. Um feito notável, especialmente considerando que, por muito tempo, o vidro foi tido como frágil demais para ambientes submersos.