Eduardo Souza

Editor Sênior de Brands & Materials no ArchDaily. Arquiteto e Mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

Espaços imersivos: quando a arquitetura se torna experiência

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Nas salas das Ninfeias no Musée de l'Orangerie em Paris, Claude Monet concebeu uma galeria em 360 graus onde o público visitante se vê envolto por paisagens contínuas, dissolvendo as fronteiras entre pintura e ambiente. Ali, ele buscou não apenas representar a natureza por meio de seu estilo marcante, mas construir uma atmosfera, um estado perceptivo que se habita literalmente. A arquitetura, tradicionalmente associada à materialidade e à permanência, ganha assim uma nova dimensão de tempo, movimento e experiência sensorial.

De maneira semelhante, quando a arquitetura contemporânea transforma seus planos em superfícies ativas, ela expande essa busca por imersão e presença, agora amplificada pela tecnologia. Na entrada da nova Mammut Tower da SOPREMA em Oberroßbach, Alemanha, a arquitetura e a narrativa digital convergem. Projetado e executado por ASB GlassFloor, o recém-concluído saguão é um ambiente imersivo que combina vidro, luz e som em uma experiência espacial e sensorial completa, demonstrando como as tecnologias interativas podem se tornar materiais arquitetônicos por direito próprio.

Expansão do Four Winds Field destaca o uso de tijolos finos em projeto de estádio moderno

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Desde sua inauguração em 1987, o Four Winds Field — casa do time da Minor League AA, o South Bend Cubs — passou por diversas transformações. Em cada uma delas, o tijolo permaneceu como um elemento arquitetônico central, evocando tradição, permanência e um caráter urbano marcante. Agora, com uma grande expansão em andamento, o estádio reafirma esse legado ao mesmo tempo em que adota técnicas construtivas inovadoras, com destaque para a integração do tijolo em plaqueta (thin brick) como uma solução contemporânea que honra o passado sem comprometer o desempenho técnico.

De resíduos negligenciados a oportunidade circular: plásticos na construção

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Assim como a famosa boneca russa Matryoshka, abrir uma embalagem muitas vezes parece revelar camadas infinitas. Dentro de uma caixa de papelão, pode haver isopor moldado, depois várias almofadas de ar de plástico e, finalmente, um plástico filme individual em torno de cada peça. Mesmo um produto pequeno pode deixar um rastro de resíduos plásticos muito maior do que seu próprio tamanho. Agora, imagine essa lógica aplicada a um canteiro de obras, onde cada componente, cada entrega de materiais, costuma chegar envolto em múltiplas camadas de proteção. O que já parece excessivo no varejo ganha proporções monumentais quando repetido diariamente em grandes projetos de construção.

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O Papel do/a Arquiteto/a Está Mudando: De Visionário/a Solitário/a a Ativista Coletivo/a

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Por muito tempo, a arquitetura foi entendida como uma atividade essencialmente individual, dependente da figura de um gênio criativo e centrada na habilidade de resolver problemas por meio do desenho. Com o tempo, essa imagem começou a se desgastar. O protagonismo outrora concentrado em poucos nomes atingiu seu auge na era dos *starchitects* e, gradualmente, passou a se distribuir entre escritórios, coletivos e equipes multidisciplinares. Hoje, profissionais da arquitetura expandem suas fronteiras para outros campos, como gastronomia, música, design e o ambiente corporativo, aplicando o pensamento espacial para enfrentar desafios de diversas naturezas. À medida que as crises sociais, ambientais e políticas se aprofundam, o papel do/a arquiteto/a continua a evoluir, deixando de lado a autoria solitária para se consolidar em uma atuação baseada na mediação, no ativismo e na agência coletiva de transformação. Essa mudança reflete um despertar ético e o reconhecimento de que o projeto, a regulamentação e o cuidado são dimensões indissociáveis da prática contemporânea.

Qual camada permanece? Restauro, identidade e design contemporâneo na Espanha

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O teórico André Corboz, conhecido por suas contribuições para a leitura crítica do território, propõe que as cidades devem ser compreendidas como um palimpsesto. Ou seja, uma superfície continuamente reescrita, onde vestígios de camadas anteriores permanecem visíveis mesmo após sucessivas intervenções. Para ele, a cidade não é uma entidade estática, mas um organismo em constante transformação, no qual camadas históricas, funcionais e simbólicas se sobrepõem. Por essa razão, trabalhar em projetos de restauração ou reabilitação de edifícios históricos é algo particularmente complexo, que exige uma reflexão cuidadosa sobre a abordagem a ser adotada: as ampliações e reformas devem buscar total coerência com a linguagem original ou se afirmar como expressões arquitetônicas de seu próprio tempo?

Entre matéria e gesto, arquiteturas que pensam através dos detalhes

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Um projeto pode ser desenhado em linhas gerais, mas é construído nos detalhes. Por mais simples que pareça, uma escada envolve um nível significativo de engenharia. Algumas são visivelmente mais cansativas ou difíceis de subir e descer. Para solucionar isso, no século XVII, o arquiteto François Blondel propôs uma fórmula para garantir a proporção ideal entre espelho e piso — uma equação que, quando respeitada, proporciona um percurso confortável. No entanto, há outro fator igualmente decisivo: todos os degraus devem ser idênticos. Isso pode soar trivial e lógico, mas executar qualquer coisa com precisão é sempre um desafio construtivo. Nosso corpo se adapta rapidamente às dimensões dos degraus, e qualquer variação (mesmo mínima) pode causar tropeços sucessivos ou passos em falso. Um detalhe aparentemente insignificante, quando mal resolvido, pode comprometer o bem-estar e a segurança de um edifício inteiro.

CarbonSpace: Projetando com carbono desde o primeiro esboço

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Todo ato de construir começa com a transformação de matérias-primas, energia e solo, o que inevitavelmente acarreta impactos ambientais. Isso engloba todas as alterações que um processo desencadeia no mundo natural: da extração de recursos às emissões de poluentes, do consumo de energia à perda de biodiversidade. Mensurar esse impacto é complexo, pois envolve múltiplas dimensões. O carbono consolidou-se como a métrica comum, traduzindo esses efeitos em emissões de gases de efeito estufa (equivalente de CO₂) diretamente ligadas ao aquecimento global. Essa padronização tornou o indicador onipresente e comparável entre diferentes materiais, sistemas e setores. Reduzir as emissões de carbono significa, portanto, atacar a raiz do aquecimento global — uma tarefa de urgência máxima para a indústria da construção, responsável por cerca de 39% das emissões globais. Em resposta a esse desafio, o MVRDV NEXT, divisão de inovação e ferramentas digitais do escritório de arquitetura holandês, lançou o CarbonSpace, uma plataforma aberta e gratuita que leva a contabilidade de carbono diretamente para a mesa de projeto, ainda na fase do rascunho em guardanapo.

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Repense o poder da luz natural: Redefinindo espaços horizontais com luz vertical

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A arquitetura vai além de sua função fundamental de definir espaços e proporcionar proteção; ela molda a experiência das pessoas, influenciando sensações de conforto, amplitude e bem-estar. Entre os muitos elementos que compõem uma edificação, as aberturas desempenham um papel crucial ao conectar o interior e o exterior, equilibrando privacidade e transparência, além de permitir a entrada de ventilação e iluminação natural. Em especial, a luz natural transforma ambientes, define atmosferas e realça detalhes arquitetônicos, tornando os espaços mais dinâmicos e convidativos.

As janelas, que outrora eram simples aberturas nas paredes, evoluíram graças aos avanços em materiais e tecnologia, maximizando a eficiência e ampliando seu papel no projeto arquitetônico. Se a arquitetura gótica exibia vitrais maravilhosos através de imponentes janelas altas, a arquitetura moderna migrou para formas horizontais e fachadas totalmente envidraçadas, transformando a maneira como a luz do dia é integrada aos espaços. No entanto, depender exclusivamente do envidraçamento de fachada apresenta uma limitação: a luz natural muitas vezes fica confinada ao perímetro do edifício, deixando as áreas centrais na sombra. As aberturas zenitais, como claraboias e janelas para coberturas planas, superam esse desafio ao canalizar a luz natural para as profundezas dos espaços internos, reduzindo a dependência da iluminação artificial.

Construindo conhecimento, não apenas estruturas: redefinindo o papel do/a arquiteto/a em tempos de incerteza

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Atribui-se a Aristóteles o provérbio "uma andorinha só não faz verão". Na natureza, a chegada dessas aves migratórias costuma anunciar a mudança das estações, um símbolo universal de renovação e esperança. Contudo, é apenas quando muitas delas levantam voo que o verdadeiro calor do verão se inicia. O mesmo pode acontecer na arquitetura: um projeto isolado, por mais exemplar que seja, raramente transforma uma realidade por si só. Quando, no entanto, uma obra ensina, inspira e pode ser replicada, ela se torna o prenúncio de algo maior.

Iniciativas que combinam tecnologias simples, materiais locais e processos participativos mostram como construir também pode ser um ato de aprendizado. Estruturas e tijolos moldam lugares de ensino mútuo, onde arquitetos/as e moradores/as compartilham conhecimentos e constroem juntos, multiplicando habilidades e fortalecendo laços. Esses projetos apontam para a possibilidade de um verão coletivo, um futuro no qual o conhecimento se propague de forma tão ampla quanto as paredes que o abrigam.

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Reinventando o ritual de cozinhar com a IA no coração da casa

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O papel da cozinha passou por uma transformação notável, evoluindo de um espaço puramente funcional para o hub central do lar, onde a criatividade prospera e conexões significativas são estabelecidas. Essa mudança está intimamente ligada à crescente popularidade do ato de cozinhar como um hobby, impulsionada pela profusão de programas de TV voltados à culinária e canais dedicados ao tema. Trata-se de um reflexo de um movimento cultural mais amplo em direção à autenticidade em um mundo cada vez mais digital — um contraponto ao ritmo acelerado da vida moderna que valoriza um estilo de vida mais lento e consciente, frequentemente chamado de "slow living".

Essa tendência também se alinha a um foco crescente na saúde e no bem-estar, bem como a uma valorização renovada da natureza e do patrimônio cultural. Hoje, a cozinha é muito mais do que um local de preparação de refeições: é onde as famílias se reúnem, amigos e amigas se conectam, e as habilidades culinárias são aprimoradas e celebradas. Contudo, mesmo uma atividade tão elementar e prática quanto cozinhar pode ser transformada pela tecnologia. Para além dos eletrodomésticos e utensílios eletrônicos tradicionais que simplificam diversos processos, a Inteligência Artificial desponta como uma forte aliada na cozinha moderna.

Explorando a interação entre corpo, dados e espaço no design contemporâneo de banheiros

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Acompanhando uma tendência mais ampla nos espaços arquitetônicos, os banheiros deixaram de ter funções estritamente utilitárias para se tornarem ambientes integrados a sistemas inteligentes, nos quais parâmetros físicos, cognitivos e sensoriais são considerados no desenvolvimento de soluções espaciais. No entanto, vale sempre lembrar que a tecnologia de ponta nem sempre garante uma experiência melhor. Embora a automação de alto padrão e os controles digitais ofereçam recursos impressionantes, costumam ser os recursos sutis e fáceis de usar — aqueles que parecem intuitivos, e não intrusivos — que deixam uma impressão duradoura. São essas inovações silenciosas que elevam as rotinas diárias sem complicá-las desnecessariamente. A adoção da ergonomia centrada no usuário e na usuária — uma abordagem de design que toma as necessidades e limitações humanas como ponto de partida — tem norteado a criação de componentes que respondem de forma adaptativa à presença, ao comportamento e às preferências de quem os utiliza. Tecnologias como bacias sanitárias com funções automatizadas, torneiras acionadas por proximidade, caixas de descarga embutidas e controles intuitivos de temperatura não apenas aumentam o conforto e a acessibilidade, mas também contribuem para uma gestão mais eficiente dos recursos hídricos e energéticos.

Projetando os Sentidos: Como a Sinestesia Molda o Nosso Mundo Construído?

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O Museu Judaico de Berlim, projetado por Daniel Libeskind, utiliza a sinestesia para evocar sentimentos de desorientação, perda e memória por meio de uma geometria fragmentada, iluminação contrastante e escolhas de materiais. Inspirado em uma Estrela de Davi despedaçada, o edifício conduz os/as visitantes por corredores inclinados e estreitos, gerando instabilidade e desconforto. A luz, ora filtrada por frestas, ora quase totalmente ausente em certas áreas, reforça a atmosfera opressiva. O concreto aparente, com sua textura fria e rígida, intensifica essa experiência, enquanto o vazio ressoa com ecos e silêncio. No espaço Shalekhet (Folhas Caídas), placas de metal em forma de rostos emitem sons perturbadores ao serem pisadas, criando uma experiência auditiva desconfortável. O museu transcende sua função como espaço expositivo e se torna uma experiência arquitetônica imersiva, na qual luz, som, textura e forma se combinam para transmitir a dor e a memória do Holocausto.

Do descartável ao sustentável: a transformação do poliuretano reciclado em produtos de alto desempenho

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O poliuretano (PU) surgiu como solução para a escassez de recursos na década de 1930, mas hoje consolidou-se como um material fundamental em diversos setores, desde o isolamento térmico até o estofamento. Desenvolvido em 1937 por Otto Bayer e sua equipe na Alemanha, o PU foi concebido originalmente como uma alternativa econômica e versátil à borracha. O material rapidamente ganhou popularidade em revestimentos e adesivos devido à sua forte aderência e propriedades protetoras. O poliuretano é produzido pela reação entre polióis e isocianatos que, ao gerar calor na presença de agentes de expansão (como água ou gases), cria bolhas que expandem o material, resultando em uma espuma de densidade e estrutura ajustáveis. Essa flexibilidade permitiu que o PU revolucionasse indústrias inteiras com produtos voltados ao isolamento e ao preenchimento. No entanto, sua durabilidade e natureza não biodegradável geraram crescentes preocupações ambientais. Diante disso, empresas como a Purman lideram iniciativas de reciclagem de resíduos de PU, ajudando a mitigar seu impacto ambiental ao mesmo tempo em que promovem alternativas mais sustentáveis.

Ver Através das Paredes: Reuso Adaptativo por Meio de Dados, IA e Design Circular

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Por trás de camadas de gesso, tinta e acabamentos, esconde-se uma complexa rede de tubulações, conduítes elétricos, vigas e outros elementos estruturais que fazem um edifício funcionar e se manter de pé, mas que permanecem invisíveis aos olhos do dia a dia. Nessas camadas, acumulam-se vestígios de diferentes épocas: sistemas substituídos, adaptações improvisadas e soluções técnicas que um dia responderam a contextos e urgências específicas. No reuso adaptativo, o maior desafio costuma começar antes mesmo do início das obras: compreender o que está por trás das paredes quando há pouca ou nenhuma documentação confiável disponível. Durante uma reforma, surpresas agradáveis ou desagradáveis são inevitáveis. O inesperado faz parte do processo, mas também representa fatores de custo, atraso e risco que frequentemente desestimulam investidores e profissionais a se envolverem nesse tipo de projeto.

Casamento de Materiais: Quando a Madeira Dialoga com suas Contrapartes Contemporâneas

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A matemática nos mostra como, a partir de apenas alguns elementos, podemos gerar combinações quase infinitas e como cada novo arranjo pode transformar completamente o conjunto original. Teorias como as do caos e da complexidade apontam na mesma direção: pequenas variações iniciais, como uma escolha, um desvio ou um novo elemento, podem desencadear mudanças profundas e inesperadas. Na arquitetura, isso se manifesta de forma concreta no cotidiano de profissionais de projeto. A escolha dos materiais e a forma como são combinados pode parecer uma decisão meramente estética ou funcional, mas tem o poder de redefinir a linguagem de um edifício, o rumo do projeto e sua relação com o entorno e seus habitantes.

Podemos construir com alimentos? Experimentos circulares no Matter Matters Lab

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O que significa construir com cuidado, utilizando aquilo que os outros deixam para trás? Essa pergunta molda o trabalho do Matter Matters Lab, uma iniciativa fundada pela arquiteta e pesquisadora Catherine Söderberg Esper durante o isolamento da pandemia. A partir de experiências multiculturais e motivada por uma transformação pessoal durante a maternidade, Catherine começou a investigar resíduos cotidianos como matéria-prima para sistemas construtivos regenerativos. Seu primeiro experimento consistiu em colar seus próprios cabelos cortados usando cola branca, dando início a uma abordagem radicalmente íntima e artesanal. Desde então, o laboratório tem se concentrado em transformar resíduos orgânicos em materiais arquitetônicos de baixo impacto, inspirando-se em sistemas de conhecimento indígenas e buscando romper com modelos extrativistas na construção civil. Projetos como os Avocado Bricks, feitos a partir de caroços de abacate descartados, exemplificam essa abordagem local, circular e enraizada na ideia de reciprocidade entre matéria, lugar e cuidado, oferecendo uma nova maneira de construir com resíduos.

Arquitetura em um ponto de virada: trabalhando de forma mais inteligente com a IA

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Diferente de um livro ou de uma peça musical, que podem ser facilmente deixados de lado se não despertarem interesse, a arquitetura impõe outra realidade. Um edifício perdura por décadas, moldando a paisagem e influenciando a vida de seus ocupantes por muitos anos. Essa permanência traz consigo um conjunto único de desafios: profissionais da arquitetura devem projetar espaços que impactam a vida coletiva, muitas vezes sob prazos apertados, orçamentos limitados e forte pressão. Além de lidar com regulamentações complexas e coordenar a construção, enfrenta-se a falsa percepção de que projetar é algo simples ou que qualquer pessoa poderia fazer. O constante malabarismo entre qualidade, custo e rapidez frequentemente resulta em sacrifícios — seja de tempo, de saúde ou da própria integridade do projeto. Esse ciclo não apenas desgasta a profissão, mas também enfraquece a compreensão da sociedade sobre o real valor do design.

O conhecido triângulo do "bom, rápido e barato" raramente se resolve sem que o/a arquiteto/a sacrifique seu próprio tempo, saúde ou até mesmo a qualidade do projeto. Repetida há décadas, essa equação alimenta um ciclo de desgaste que não apenas mina a profissão, mas também deprecia o valor do design na sociedade, diminuindo o papel de uma disciplina tão bela e fundamental.

Revestimento de Fachada Ventilada em Ardósia Natural: Uma Solução para Casas Passivas

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Inspirada nas casas solares experimentais desenvolvidas após a crise do petróleo dos anos 1970, a certificação Passive House surgiu no final da década de 1980 como uma resposta às crescentes preocupações com a eficiência energética e o impacto ambiental da indústria da construção. Seu objetivo é ao mesmo tempo simples e radical: reduzir as demandas de aquecimento e resfriamento ao mínimo absoluto por meio de estratégias passivas, ventilação mecânica controlada e uma envoltória predial extremamente eficiente — eliminando a necessidade de sistemas complexos ou caros.

A escolha dos materiais de revestimento externo desempenha um papel estratégico para alcançar esse desempenho. Superfícies mal projetadas, pontes térmicas ou falhas de vedação podem comprometer toda a lógica térmica do edifício, especialmente em climas rigorosos. Nesse cenário, os sistemas de fachada ventilada se destacam: ao criarem uma camada de ar ventilada entre o revestimento e a parede estrutural, eles promovem um fluxo de ar contínuo, controlam a umidade e aumentam a estabilidade térmica. Materiais que combinam desempenho, durabilidade e apelo visual são raros — e a ardósia natural da espanhola Cupa Pizarras é uma solução de destaque.