A arquitetura romana, celebrada por sua grandiosidade, precisão e inovações técnicas, tem fascinado historiadores e entusiastas por séculos. Ao combinar funcionalidade e estética, ela transformou as paisagens urbanas da antiguidade e deixou um legado que continua a influenciar a arquitetura contemporânea. Estruturas icônicas, como o Coliseu, o Panteão e os aquedutos romanos, exemplificam a engenhosidade romana no uso de materiais como o concreto e na aplicação de técnicas avançadas, como o arco e a abóbada, que garantiam durabilidade e eficiência às construções. No entanto, grande parte da teoria e do conhecimento que sustentaram esses feitos extraordinários se perdeu ao longo do tempo, deixando lacunas intrigantes em nossa compreensão de seus métodos e práticas.
Eduardo Souza
Editor Sênior de Brands & Materials no ArchDaily. Arquiteto e Mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Decifrando a matemática da arquitetura romana por meio da modelagem 3D
Uma revolução biomimética Impulsionando a construção sustentável hoje e no futuro

Para alguns, a perfeição da natureza revela a assinatura de uma força divina, algo que desafia explicações racionais. Resultado de milhões de anos de adaptação e evolução, as estruturas e organismos naturais operam com uma eficiência difícil de não admirar. Cada forma parece ter um propósito preciso, exibindo uma engenhosidade onde funcionalidade e beleza coexistem harmoniosamente. Das folhas aos menores organismos, a natureza segue uma lógica impecável de economia e precisão, eliminando desperdícios. Demonstra que a simplicidade é, muitas vezes, a mais pura expressão de sofisticação.
As árvores, por exemplo, crescem de forma a maximizar a força e a estabilidade enquanto minimizam o uso de recursos. Essa eficiência estrutural é alcançada ao alinhar fibras ao longo dos caminhos de máxima tensão e ao modelar troncos e galhos para distribuir cargas de maneira ideal. Isso é uma prova de que a natureza, acima de tudo, é uma engenheira magistral.
Superfícies que dialogam com a luz, o espaço e a natureza

Uma superfície faz mais do que simplesmente cobrir um espaço — ela o transforma, infundindo personalidade, ritmo e alma. Deixa de ser um mero pano de fundo para se tornar um elemento ativo que molda a atmosfera por meio da interação entre material, forma e luz. O equilíbrio do toque, a espessura, as incisões, os tons e os reflexos luminosos podem transformar superfícies em experiências sensoriais. Texturas podem evocar estabilidade ou leveza, sulcos introduzem dinamismo, cores definem estados de espírito e a luz esculpe profundidade e movimento. A cerâmica, com sua versatilidade estética e funcional, é particularmente adequada para esse papel, oferecendo a arquitetos e arquitetas uma ampla paleta de possibilidades criativas.
Fachadas planas e curvas em harmonia com design, desempenho e sustentabilidade

Essencialmente, o projeto de fachadas deve aliar proteção, desempenho e impacto visual, tornando-se um elemento arquitetônico definidor. A evolução das fachadas reflete os avanços em materiais, tecnologia e flexibilidade de projeto. Antigamente, as fachadas utilizavam materiais simples como tijolo, pedra e madeira, oferecendo suporte estrutural ao mesmo tempo em que expressavam estilos regionais. Com o tempo, novos materiais como ferro e aço foram introduzidos, permitindo edifícios mais altos com fachadas de vidro contínuas que marcaram o início do modernismo nos centros urbanos. O século XX trouxe o concreto armado e o alumínio para o perímetro das edificações, possibilitando projetos mais leves e variados. Avanços recentes em materiais de alto desempenho, como os painéis compostos e revestimentos de base biológica, oferecem aos profissionais de arquitetura novas opções estéticas e de eficiência energética. A STACBOND exemplifica essa inovação, viabilizando soluções de projeto criativas e sustentáveis.
Democratizando a arte e redefinindo a experiência da galeria

A arte há muito tempo é percebida como elitista, uma imagem consolidada por seus profundos laços com o poder e a riqueza. Na Antiguidade, as obras de arte eram símbolos de status reservados a governantes e figuras religiosas, ao passo que o Renascimento marcou um período em que patronos abastados, como a família Médici, promoveram a arte como uma ferramenta de prestígio social e político. No século XVII, com a ascensão das academias de arte, estabeleceram-se padrões rígidos para o que era considerado "alta cultura", distanciando ainda mais a arte das massas.
No século XIX, o mercado da arte passou a ser moldado por colecionadores particulares e galerias comerciais que viam a arte como um produto de luxo, o que acentuou sua exclusividade e tornou a acessibilidade uma questão secundária. Movimentos artísticos como o Impressionismo, o Modernismo e a arte urbana desafiaram esse elitismo, ampliando o alcance da arte e questionando sua exclusividade institucional. Embora o sistema contemporâneo continue dominado por colecionadores ricos e por um mercado que prioriza o lucro em detrimento da acessibilidade, ainda existem iniciativas que buscam transformar essa dinâmica.
Construindo uma Arquitetura Resiliente para o Frio Extremo: O Design Orientado pelo Clima da BIOSIS

À medida que as preocupações globais com as mudanças climáticas crescem a cada ano — remodelando nosso cotidiano, cidades e paisagens —, algumas regiões enfrentam um desafio paradoxal: o frio extremo. Nas latitudes mais rigorosas do planeta, projetar edifícios sustentáveis e habitáveis exige mais do que abordagens convencionais; demanda inovação e um profundo respeito pelo meio ambiente local. Este é o compromisso do BIOSIS, um escritório de arquitetura sediado em Copenhague que assumiu o desafio de atuar em alguns dos climas mais extremos da Terra. Especializado em projeto orientado pelo clima (climate-driven design), o escritório adapta cada obra ao seu entorno, respeitando a natureza e colaborando com ela. Para os fundadores Morten Vedelsbøl e Mikkel Thams Olsen, com quem conversamos, essa abordagem representa mais do que resiliência estrutural: é uma forma de harmonizar as edificações com o entorno em regiões onde o frio extremo é uma realidade diária.
Um diálogo contínuo entre a madeira e o design através da obra de John Pawson

John Pawson é um renomado arquiteto e designer britânico, amplamente reconhecido por sua abordagem minimalista, que valoriza a simplicidade, a proporção e a autenticidade dos materiais. Em seu trabalho, explora o espaço e a luz com profundidade, depurando cada elemento até sua essência para criar ambientes que promovem tranquilidade e foco. Seu portfólio abrange residências privadas, galerias, igrejas e monastérios, cada um exemplificando sua dedicação à pureza material e à harmonia espacial. Ao equilibrar linhas limpas, texturas naturais e detalhes sutis, Pawson estabelece uma elegância moderna e uma qualidade atemporal que o consagram como um pioneiro do minimalismo arquitetônico.
O papel essencial das envoltórias modernas no equilíbrio entre sustentabilidade e estética

Tradicionalmente, o papel da arquitetura tem sido criar uma barreira entre os/as habitantes e as intempéries, proporcionando proteção e segurança. Mesmo com os avanços materiais e tecnológicos ao longo do tempo, essa função continua fundamental. Ainda dependemos de nossas envoltórias prediais para nos manter secos/as, seguros/as e confortáveis, permitindo-nos realizar nossas atividades diárias com facilidade. Hoje, as envoltórias de alto desempenho expandem essa função protetora ao utilizarem materiais e tecnologias avançadas, transformando-se em elementos essenciais de um design sustentável e resiliente. Elas não apenas protegem os interiores de fatores externos — como calor, umidade e poluentes —, mas também contribuem diretamente para a eficiência energética, a durabilidade e a estética da edificação. Compostas por fachadas, sistemas de sombreamento solar e esquadrias, essas envoltórias definem o caráter do edifício e desempenham um papel essencial em seu desempenho global.
Do Patrimônio Industrial à Inovação Verde: O Renascimento da Fábrica de Açúcar Domino

Nova York é uma cidade em constante transformação. Desde o final do século XVIII, quando se tornou um dos maiores portos do mundo, a metrópole se estabeleceu como um polo de inovação, comércio e diversidade cultural, atraindo imigrantes de todas as partes. A rápida industrialização do século XIX impulsionou a proliferação de fábricas, armazéns e bairros de classe trabalhadora, como o Brooklyn e o Lower East Side, que moldaram o crescimento urbano e econômico da cidade.
Espaço para mudanças: design de interiores que se adapta com estilo

Cores, materiais, iluminação e texturas são os pilares fundamentais que moldam a atmosfera e o tom de um espaço interno. Esses elementos devem trabalhar em harmonia para criar ambientes que influenciam profundamente a maneira como nos sentimos e interagimos com o espaço ao nosso redor. De residências serenas e tranquilas a escritórios dinâmicos ou espaços de hospitalidade acolhedores, as tendências de design evoluíram para atender às necessidades específicas de cada contexto, ao mesmo tempo em que o mercado oferece uma infinidade de combinações de produtos.
Nos últimos anos, essas tendências passaram por uma transformação significativa, com um foco crescente na flexibilidade, no design biofílico e na sustentabilidade. Essas três abordagens estão redefinindo a maneira como os espaços são projetados—não apenas em termos estéticos, mas também no que diz respeito à funcionalidade, ao bem-estar e ao impacto ambiental. Dominar a interação entre esses elementos tornou-se essencial para criar espaços que se alinhem com propósito e funcionalidade, oferecendo experiências imersivas e significativas para seu público-alvo.
O futuro da renderização com IA: aumente a eficiência e reduza custos com a ferramenta certa

A criação de imagens por meio da inteligência artificial (IA) nos surpreendeu há alguns anos. Utilizando algoritmos como redes neurais convolucionais (CNNs), esses sistemas são treinados para identificar padrões visuais em imagens do imenso banco de dados da internet, interpretá-los e gerar novas composições. Inicialmente, os resultados tendiam a ser rudimentares, frequentemente distorcidos e estranhos, mas com a evolução dos sistemas e dos métodos de treinamento, a IA passou a produzir imagens altamente detalhadas e visualmente impressionantes, desafiando os limites da criatividade digital. Na arquitetura, isso não tem sido diferente. À medida que o projeto de arquitetura evolui, as tecnologias que permitem a arquitetos e arquitetas dar vida às suas visões progridem no mesmo ritmo. As renderizações por IA estão transformando a maneira como visualizamos e conceituamos espaços, com potencial para reduzir significativamente os custos, aumentar a eficiência e melhorar a precisão, especialmente em termos de fidelidade de escala e representação espacial.
Um caminho tijolo por tijolo para conectar o passado e o futuro

O Factory 52, batizado em referência à produção de baralhos de 52 cartas que outrora ocorria no local, é um exemplo notável de reuso adaptativo, transformando uma antiga fábrica em uma vibrante comunidade de uso misto. Localizado em Norwood, Ohio, no antigo edifício da U.S. Playing Card Company, o projeto de renovação reimagina o patrimônio industrial ao integrar o design moderno sem perder de vista suas raízes históricas, incorporando áreas residenciais, comerciais e de lazer. O uso de revestimento de tijolos desempenha um papel crucial na conexão entre o passado e o futuro, oferecendo uma textura rústica que homenageia a história industrial ao mesmo tempo em que destaca as novas estruturas com seus tons singulares em um cenário contemporâneo.
Explorando a pré-fabricação: desafios e possibilidades com o Parkside Carvoeira

Toda inovação traz consigo fricções, disrupções e, acima de tudo, aprendizados. Na construção civil — um setor historicamente resistente a mudanças — novos sistemas construtivos costumam ser recebidos com certo estranhamento, exigindo uma análise cuidadosa dos desafios que surgem. O sistema wood frame, amplamente adotado em países como Estados Unidos, Japão e Alemanha, nunca se popularizou no Brasil, devido a fatores que mantêm o setor intensivo em mão de obra e fortemente vinculado aos métodos convencionais de alvenaria e concreto.
No entanto, com a diminuição da oferta de mão de obra e novas demandas por eficiência e sustentabilidade, o setor da construção civil tem, gradualmente, explorado alternativas inovadoras. Nesse contexto, o edifício Parkside Carvoeira, em Florianópolis, destaca-se como um marco de inovação, sendo o edifício em wood frame mais alto da América Latina. Desenvolvido em parceria entre a Parkside, o escritório Desterro Arquitetos e a construtora local Tecverde, o projeto pioneiro adota o sistema como uma solução sustentável e eficiente para atender às necessidades da construção contemporânea no país.
Projetos planos não bastam: por que o 2D precisa de uma terceira dimensão na arquitetura colaborativa atual

Dos desenhos a nanquim em papel vegetal aos modelos digitais 3D altamente detalhados, o papel do/a arquiteto/a evoluiu, e os softwares de projeto de última geração estão capacitando os/as profissionais de hoje com dados valiosos e flexibilidade projetual. No passado, o trabalho era meticuloso e exigia um enorme esforço manual, com cada linha e detalhe desenhados à mão com o auxílio de réguas e outros instrumentos. Com o tempo, programas como o Revit revolucionaram o campo ao permitir a criação de desenhos precisos e organizados digitalmente, simplificando edições e a replicação de componentes.
Flexibilidade em sua essência para sistemas de vitrines em museus

Espaços expositivos transmitem conteúdos cuidadosamente selecionados com o objetivo de educar, inspirar e engajar as pessoas que os visitam, utilizando objetos e suportes para contar histórias. Além de promoverem a educação, a preservação cultural e a apreciação estética, esses ambientes estimulam a criatividade e a interação. Por meio de experiências imersivas e interativas, eles permitem que o público estabeleça conexões significativas com novos conhecimentos, diferentes perspectivas e importantes patrimônios culturais, gerando um engajamento tanto intelectual quanto emocional.
Luz do Alto: Um Olhar Luminoso sobre a Arquitetura

O Panteão de Roma é uma verdadeira obra-prima arquitetônica e detém o título de maior cúpula de concreto não armado do mundo. Entre os seus elementos mais marcantes está o óculo central — uma abertura de 8,2 metros de largura no topo da cúpula que permite a entrada de luz natural. Essa abertura cria um jogo dinâmico de luz e sombra que se transforma ao longo do dia, realçando a grandiosidade da estrutura. Para além de sua função prática, o óculo estabelece uma conexão simbólica entre o terreno e o divino, refletindo o propósito original do Panteão como um templo dedicado a todos os deuses. De fato, a iluminação zenital — que introduz a luz natural vinda de cima através de claraboias, cúpulas ou outras aberturas superiores — contrasta com as janelas tradicionais, que captam a luz horizontalmente. Ao captar a luz solar direta, a iluminação zenital proporciona uma iluminação suave e difusa, criando ambientes mais acolhedores, com melhor eficiência energética e um impacto positivo no humor e na produtividade.
Fachadas de zinco que unem sustentabilidade, durabilidade e design moderno

No projeto de arquitetura, os materiais desempenham um papel crucial não apenas na definição da estética de um edifício, mas também em seu desempenho e na tradução das ideologias de quem os concebe. As megatendências arquitetônicas atuais são impulsionadas pela necessidade de sustentabilidade, resiliência e inovação de materiais, especialmente em resposta às mudanças climáticas e à conservação de recursos. O design focado no bem-estar também vem ganhando relevância, priorizando ambientes que promovam a saúde física e mental. Nesse contexto, materiais naturais, princípios biofílicos e uma melhor qualidade ambiental interna são cada vez mais utilizados para ampliar o conforto e estimular uma conexão mais profunda com a natureza. Entre esses materiais, o zinco-titânio destaca-se como uma opção versátil e sustentável, oferecendo durabilidade, apelo estético e potenciais benefícios para a saúde em aplicações arquitetônicas.
Curvas de Conforto: Lounges Ergonômicos de Sauna Infravermelha que Redefinem o Design de Bem-Estar

Com origem há mais de 2.000 anos no norte da Europa, as saunas foram inicialmente desenvolvidas como um método de purificação corporal. Na Finlândia, esses espaços eram venerados por sua higiene e frequentemente serviam como locais para a realização de partos. Enraizadas nas tradições nórdicas, as saunas se espalharam globalmente, levando consigo elementos de design característicos, como o uso abundante de madeira, linhas limpas, ornamentação mínima e uma estética despojada. Tradicionalmente, ofereciam um ambiente sereno com assentos limitados a simples bancos retos, permitindo que os/as usuários/as se sentassem ou se deitassem. Esse modelo tradicional ganhou ampla aceitação, com seus benefícios para a saúde defendidos por profissionais da área médica e seu valor reconhecido em diversas culturas.