CUPACLAD® 201 VANGUARD. Imagem cortesia de Cupa Pizarras
A ardósia é uma rocha metamórfica natural composta por minerais argilosos, como mica e clorita, que lhe conferem uma textura laminada e tonalidades predominantes de cinza, preto e verde. Amplamente utilizada na indústria da construção, destaca-se por sua durabilidade e elegância singular, oferecendo um acabamento atemporal e sóbrio para coberturas e paredes externas. Com sua textura única, é capaz de transformar o aspecto de qualquer estrutura por meio do uso de peças retangulares—ou de outros formatos. Além disso, trata-se de um material altamente resistente às intempéries, ao fogo e aos poluentes ambientais, garantindo desempenho de longo prazo com manutenção mínima. Seu processo de produção ecológico, que envolve apenas a extração da matéria-prima e um processamento mínimo, reduz as emissões de CO₂, tornando-a a escolha ideal para a arquitetura contemporânea sustentável.
Casa Passiva Acorn Glade. Imagem cortesia de Tom Bassett-Dilley Architects
Ao abordar os grandes problemas globais — como a emergência climática, a crise energética e a escassez de moradia —, costumamos buscar soluções amplas e grandiosas que possam resolver tudo de uma só vez. Por mais atraentes que pareçam, essas ideias acabam esbarrando nas inúmeras complexidades e interconexões do nosso mundo. Mas e se buscássemos soluções mais descentralizadas e de escala doméstica? O escritório de Chicago Tom Bassett-Dilley Architects vem trilhando justamente esse caminho, concentrando-se em design sustentável, projetos livres de carbono e de alta eficiência energética para residências, edifícios históricos, instituições e empreendimentos comerciais. Em seu Manifesto: The New American Dwelling, defendem que a residência unifamiliar, outrora o grande sonho americano, precisa ser redefinida para enfatizar o minimalismo, a eficiência, a saúde, a conexão com a natureza, a durabilidade e a gentileza pessoal, distanciando-se de práticas de desperdício, artificiais e tóxicas. Conversamos com Tom Bassett-Dilley, FAIA, CPHC, LFA, fundador do escritório, sobre alguns aspectos do seu trabalho.
A noção de bem-estar vai muito além da ausência de doenças. Ela abrange aspectos físicos, emocionais, mentais e sociais, refletindo um estado de harmonia e equilíbrio em todas essas esferas. A busca pelo bem-estar é um processo contínuo que exige atenção e cuidado integrais com o corpo e a mente, no qual o contato com a natureza e os rituais de autocuidado desempenham um papel fundamental. De fato, no mundo acelerado de hoje, dominado por dispositivos digitais e pela vida urbana — onde desconectar-se de verdade é um grande desafio —, encontrar momentos de paz e conexão consigo e com a natureza tornou-se cada vez mais essencial. Integrar práticas de bem-estar a ambientes externos surge como uma solução atraente, que combina os benefícios terapêuticos dos cenários naturais com tecnologias de ponta voltadas à saúde. O resultado é um refúgio holístico que nutre o corpo e a mente, convidando as pessoas a relaxar e a se reconectar com o mundo ao seu redor.
“Em diversas regiões do planeta, a natureza impõe condições adversas ao corpo humano. Nesses locais, projetar um edifício é quase como criar uma vestimenta: um artefato que protege e oferece conforto. Esse desafio exige um desempenho tecnológico que deve estar aliado à estética. Fazer o ser humano sentir-se bem envolve mais do que apenas atender às noções de conforto e segurança; é também uma questão de trabalhar os espaços em suas dimensões simbólicas e perceptivas.” Este é o início da descrição para o projeto da Estação Antártica Comandante Ferraz, do Estúdio 41, localizada na Península Keller, onde o mar ao redor congela por cerca de seis a sete meses do ano, em que tudo e todos chegam por avião ou navio e a loja de ferragens mais próxima está a dias de distância. Se projetar uma edificação já apresenta inúmeras complexidades, não é difícil imaginar os desafios adicionais ao desenvolver algo em um ambiente extremo, como temperaturas muito altas ou baixas, ou em locais suscetíveis à corrosão, radiação, entre outros. Neste artigo, vamos explorar as dificuldades, as principais soluções e os materiais utilizados nesses contextos.
Não é exagero dizer que Renzo Piano é um dos arquitetos mais unânimes que existem no mundo da arquitetura. Com uma obra que mescla respeito ao contexto, leveza e tecnologia para criar estruturas ambientalmente conscientes e esteticamente agradáveis, sua abordagem combina materiais avançados com técnicas tradicionais. Em projetos de diversas escalas, o arquiteto genovês mantém um fio condutor essencial: a implementação de estratégias arquitetônicas passivas, destacando a importância desses métodos para a sustentabilidade e a eficiência energética. Isso é frequentemente explicitado em seus croquis, como uma preocupação inicial, e se concretiza claramente nas obras finalizadas. Veja, a seguir, alguns exemplos em projetos icônicos desenvolvidos pelo seu escritório nas últimas décadas.
Cobrir o solo dos jardins é essencial por diversos motivos. Ajuda a conservar a umidade do solo, reduzindo a necessidade de irrigação frequente, e controla o crescimento de ervas daninhas ao bloquear a luz solar necessária para sua germinação. Também auxilia na regulação da temperatura da terra, mantendo-a mais quente no inverno e mais fresca no verão, além de evitar a erosão causada pelo vento e pela chuva. Ademais, reduz a compactação do solo, facilita o crescimento das raízes, melhora a infiltração da água e proporciona um acabamento estético ao jardim.
Em Renca, comuna de Santiago caracterizada por um clima árido, é crucial encontrar formas de combater a aridez do solo para realizar renovações urbanas que melhorem o conforto térmico nas ruas e espaços públicos. Por essa razão, Cerámica Santiago, em parceria com a Prefeitura de Renca, desenvolveu um projeto pioneiro para revitalizar espaços urbanos utilizando pedrisco de tijolo de argila. Este material, denominado Pedrisco de Tijolo Princesa, provém da fabricação de tijolos e tem se mostrado uma solução eficaz para criar jardins de baixo consumo de água, transformando áreas degradadas em espaços verdes sustentáveis.
No turbilhão da vida moderna, marcado por prazos, metas e cobranças por desempenho, encontrar momentos de tranquilidade é essencial para manter o bem-estar geral e a paz de espírito. Esses momentos proporcionam uma pausa necessária nas tensões diárias, permitindo que a mente e o corpo se restabeleçam e os pensamentos se organizem. Rituais de relaxamento podem criar um santuário de calmaria em meio ao caos, promovendo uma sensação de equilíbrio e paz, proporcionando um estilo de vida mais saudável e harmonioso e contribuindo para uma melhor saúde física e emocional. No entanto, esses rituais não precisam ser caros ou complexos.
Atividades simples, como exercícios de respiração, uma caminhada na natureza ou um banho relaxante, podem ser extremamente eficazes. De fato, dedicar um tempo para vivenciar os efeitos calmantes e revigorantes da água pode aumentar significativamente a clareza mental, trazer novas ideias, proporcionar conforto e melhorar o humor.
Móveis feitos de materiais naturais são amplamente valorizados por sua beleza e textura, especialmente no caso da madeira, do bambu, do junco e do rattan. No entanto, eles costumam enfrentar desafios como danos causados pelas intempéries, infestações de pragas e altas exigências de manutenção, a exemplo de limpezas frequentes e tratamentos para evitar o desbotamento e o enfraquecimento estrutural. Além disso, a falta de uniformidade e de resistência desses materiais pode comprometer a consistência da qualidade, ao passo que a extração das matérias-primas pode causar impactos ambientais negativos. Esses problemas, somados à instabilidade na oferta e aos custos mais elevados, têm impulsionado inovações em materiais sintéticos que buscam replicar a estética dos produtos naturais, frequentemente utilizando componentes reciclados para promover a sustentabilidade.
A escolha de peças de porcelanato de 80x80 centímetros reflete a busca por uma estética moderna e minimalista, graças à sua capacidade de criar superfícies contínuas que ampliam visualmente os espaços. Ao permitir cobrir áreas maiores de forma mais simples, essas peças oferecem uma sensação de unidade e fluidez muito procurada no design contemporâneo. Seus desenhos geométricos, interpretações modernas de materiais naturais e padrões abstratos aproveitam as tecnologias avançadas de fabricação e impressão para projetar espaços únicos.
De estilos rústicos a contemporâneos, o porcelanato oferece opções que complementam e valorizam qualquer proposta de design, permitindo que designers e proprietários(as) realizem sua visão sem concessões. Sua aplicação se estende para além dos pisos, encontrando espaço em paredes, banheiros, cozinhas e fachadas.
O Tinnerbäcksbadet, um centro de lazer inaugurado em 1965 às margens de um lago em Linköping, na Suécia, já dava sinais de desgaste. Para revitalizar a área e atender a demandas em constante evolução, a cidade lançou um concurso internacional de arquitetura para uma nova instalação. O projeto vencedor, assinado pelo escritório dinamarquês 3XN, combina modernidade e funcionalidade. Essa integração com a paisagem urbana circundante, com a nova estrutura servindo como ponto focal em uma praça de bairro recém-reconfigurada, foi fundamental para o sucesso do projeto.
No entanto, é nos detalhes materiais e nas sutis ondulações do seu traçado que se revela a genialidade do projeto, conduzindo quem o visita e frequenta às áreas internas e às extensões verdejantes que cercam o lago de banho. O projeto emana acolhimento e sofisicação com sua paleta de cores naturais e terrosas, por meio do uso abundante de madeira aparente, concreto e revestimentos cerâmicos. Fabricadas pela Agrob Buchtal a partir de matérias-primas naturais, essas peças cerâmicas contribuem para a elegância do espaço, ao mesmo tempo que prometem longevidade — uma marca registrada de uma arquitetura verdadeiramente sustentável. Cobrindo 18.000 m², as superfícies cerâmicas desempenham um papel fundamental ao promover o conforto visual e unificar toda a estrutura.
O tijolo é um dos materiais mais antigos e versáteis na construção civil, indo além das simples paredes de alvenaria. Suas origens remontam a 7500 a.C., com exemplares cozidos em fornos surgindo por volta de 3000 a.C., representando um avanço tecnológico para edifícios mais resistentes. Espalhando-se pela Europa e Ásia por volta de 1200 a.C., substituíram materiais como madeira e pedra em regiões escassas. Os tijolos romanos, notáveis por seu formato comprido, foram amplamente utilizados na construção de suas cidades, perdurando ainda hoje. A história dos tijolos se entrelaça com a das civilizações, sendo um material de fácil produção, resistente e versátil, permitindo uma infinidade de aplicações e alcançando resultados impressionantes e inusitados.
Projetada pelo Coletivo de Arquitetos, a Residência Thai exemplifica as múltiplas possibilidades que o tijolo oferece na arquitetura contemporânea. Situada em uma área litorânea no estado de Sergipe, essa residência não só exemplifica a estética do material, mas também sua funcionalidade e adaptabilidade às condições locais. Uma das características mais marcantes do projeto é a implantação em dois blocos distintos. O pavilhão principal abriga a maior parte do programa da casa, enquanto um segundo bloco conectado abriga a área gourmet, serviços e garagem. Essa configuração proporciona uma distribuição inteligente dos espaços e uma integração harmoniosa com o entorno.
Felipe Savassi se destaca como um misto de projetista e comunicador no cenário da arquitetura brasileira. Ele divide sua paixão por arquitetura e sua visão empreendedora com seus milhares de alunos e seguidores nas redes sociais, com um conteúdo que busca impulsionar uma abordagem centrada na promoção da construção industrializada e modular. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pelo Instituto Isabela Hendrix em Belo Horizonte, sua atuação profissional é sustentada por quatro pilares essenciais: concepção e execução de projetos arquitetônicos, educação, mentorias e consultorias, além de um forte engajamento na comunicação e divulgação de conteúdo.
Future University of Hakodate (2005). Image Courtesy of Isao Aihara
Transparência, integração e limites são palavras chave para entender a obra de Riken Yamamoto. Vencedor do Prêmio Pritzker em 2024, o arquiteto japonês pode ser reconhecido por sua capacidade de estabelecer e desafiar conceitos espaciais de materialidade convencionais, criando espaços que promovem interações e conexões entre as pessoas e seu entorno. A transparência, seja na configuração física dos edifícios, na escolha dos materiais empregados ou na filosofia subjacente aplicada a todas as obras, emerge como um elemento central que perpassa toda sua carreira.
Nas próximas décadas, parece inevitável que os/as arquitetos/as se concentrem cada vez mais em reformas e reabilitações — especialmente em centros urbanos consolidados —, seja para modernizar estruturas obsoletas, seja para adaptá-las a novos usos e demandas da sociedade contemporânea. Um dos principais desafios ao executar esse tipo de projeto é obter uma base de trabalho verdadeiramente confiável, incluindo modelos 3D precisos e realistas. Realizar levantamentos pode ser uma tarefa hercúlea, que exige longas horas ou dias de trabalho em campo e um esforço considerável para organizar e interpretar as informações coletadas, resultando frequentemente em dados sem a precisão adequada.
Para simplificar esses processos, os avanços tecnológicos trouxeram uma solução: levantamentos baseados em nuvens de pontos e escaneamento 3D, que têm o potencial de revolucionar o processo de projeto. Nuvens de pontos são conjuntos de milhões ou bilhões de pontos de medição individuais na superfície de objetos, que podem ser obtidos por meio de scanners a laser, drones ou câmeras 3D. Cada ponto de medição contém coordenadas X, Y e Z, bem como outras propriedades ópticas (refletância, cor). Múltiplas posições de escaneamento são registradas (alinhadas ou "costuradas") para criar nuvens de pontos de um cenário completo, as quais podem ser carregadas em praticamente qualquer plataforma CAD para o trabalho de campo convencional.
Tijolos fazem parte do imaginário coletivo quando pensamos em construção. Tratam-se de materiais elementares, onipresentes, modulares, leves e confiáveis para erigir edifícios. No entanto, a fabricação tradicional de blocos cerâmicos depende da queima de argila em fornos a altas temperaturas, muitas vezes alimentados por combustíveis fósseis não renováveis, como carvão ou gás natural. Além disso, o processo de transporte aumenta significativamente sua pegada ambiental, por se tratarem de materiais pesados e volumosos. Com um interesse crescente em materiais de construção alternativos, que oferecem menor impacto ambiental e maior sustentabilidade, tijolos de solo cimento são um bom exemplo, apresentando uma pegada ambiental menor por utilizar matérias primas locais e dispensar o processo de queima, mas mantendo muitas das qualidades intrínsecas dos tijolos tradicionais.
Espaços públicos, sejam eles internos ou externos, públicos ou privados, caracterizam-se como locais dos encontros, das oportunidades, trocas de ideias ou mercadorias, e, em última análise, são o que conferem identidade às cidades. Contudo, com a ascensão da internet e das redes sociais, diversas dessas funções migraram para o ambiente virtual ou perderam parte de sua relevância e tivemos um baque nas relações durante o longo tempo de isolamento com a pandemia. Diante desse desafio, os arquitetos se deparam com a questão fundamental de como revitalizar esses espaços cruciais para a sociedade, sabendo de sua importância vital. Será que o design pode ser a chave para reavivar esses locais? Como tornar locais que são, ao mesmo tempo, de todos e de ninguém, realmente confortáveis para as pessoas permanecerem?
Casas pré-fabricadas de madeira têm uma história que remonta ao século XIX, quando as chamadas "casas de kit" se tornaram populares na América do Norte. Vendidas por empresas como a Sears, ofereciam opções de moradia acessíveis e convenientes, sobretudo para pessoas vivendo em áreas rurais, onde a mão de obra era escassa e cara. Os clientes tinham a escolha de alguns designs e dimensões, e os kits normalmente incluíam todos os materiais necessários para construir a habitação, incluindo madeiras numeradas e pré-cortadas, pregos, telhas e outros componentes necessários. Durante algum tempo, no entanto, casas pré-fabricadas foram encaradas como construções de menor qualidade ou prestígio, e junto à falta de flexibilidade destas soluções, entraram em declínio.
Hoje em dia, aliadas às tecnologias que dispomos, construções modulares e pré-fabricadas têm despontado como soluções de construção limpas, sustentáveis e eficientes energeticamente. Junto a isso, as inovações em torno da madeira engenheirada têm evidenciado as possibilidades deste sistema construtivo, o que inclui imensas possibilidades estéticas e estruturais. Foi nesta linha que o escritório UNA BV desenvolveu o projeto Modular 5.5, cujo objetivo era criar uma construção modular flexível, que pudesse ser montada em diferentes arranjos, permitindo a construção de casas com dimensões e necessidades diversas para terrenos diversos. Conversamos com Fernanda Barbara e Fábio Valentim sobre este projeto:
A crise global da habitação gera uma gama diversificada de desafios, abrangendo desde a situação de pessoas sem teto até a realidade de milhões que enfrentam condições habitacionais precárias, sobrelotação e aluguéis excessivamente altos. Enfrentá-la envolve vontade política, a união de Estado e iniciativa privada, mas principalmente soluções inovadoras que priorizem a acessibilidade, a sustentabilidade e mecanismos governamentais que propiciem isso. Uma coisa é certa: precisamos construir massivamente no futuro para melhorar essa situação. A implementação de métodos de construção eficientes, como pré-fabricação e construção modular, pode acelerar a criação de unidades habitacionais acessíveis, reduzindo custos e prazos de construção e a adoção de práticas de construção ecológicas, como a utilização de materiais reciclados e a concepção de estruturas energeticamente eficientes, não só contribuindo para a sustentabilidade, mas minimizando as despesas operacionais a longo prazo para os residentes.