O espaço doméstico é um reflexo das atividades, condutas e comportamentos dos indivíduos, onde convive uma série de dinâmicas e processos que fazem parte do cotidiano. Embora cada residência conte com suas próprias lógicas de distribuição de acordo com o momento de sua concepção, as demandas de seus habitantes, as tecnologias da época, entre outros fatores, as reformas de interiores residenciais muitas vezes expressam o interesse em recuperar estruturas e fachadas antigas, reciclar mobiliário em desuso, restaurar elementos de qualidade em revestimentos e pisos, ou diretamente integrar novas soluções que permitam alcançar maior fluidez espacial, iluminação e otimização de suas superfícies.
Na busca por conservar certos traços arquitetônicos, históricos e culturais das habitações catalãs originais, a renovação de apartamentos é concebida como um meio de conexão entre o passado e o presente através da recuperação e/ou restauração de revestimentos, pisos, esquadrias, fachadas, entre outros. A história da cerâmica na Espanha evoluiu com o passar dos anos, atravessando períodos de florescimento produtivo e também de declínio. No entanto, a linguagem expressiva, a versatilidade e a adaptabilidade dos ladrilhos hidráulicos à tradição e ao futuro destacam-se na espacialidade interna e externa das residências, com sua ampla combinação de cores, texturas e padrões.
Para além da ampla variedade de particularidades paisagísticas, ambientais, econômicas, sociais e culturais que distinguem cada região da América Latina, a renovação dos espaços internos que compõem a vida doméstica geralmente apresenta uma abordagem focada em alcançar a maior integração possível dos ambientes, somada à busca por flexibilidade, amplitude e melhores condições de ventilação e iluminação natural. Com o objetivo de valorizar os espaços em desuso e/ou dar-lhes uma nova vida, as reformas se propõem a transformar os modos de habitar por meio de estratégias capazes de abranger a restauração de materiais, a preservação de estruturas, a manutenção de instalações, entre outras ações.
No turbilh&ilhão do dia a dia, a grande maioria dos centros urbanos se transforma para dar lugar a novas funções e/ou necessidades de suas populações, que buscam melhorar, renovar ou atualizar as infraestruturas, equipamentos, redes e espaços que viabilizam a vida em comunidade. Com o passar do tempo, diversas edificações que outrora cumpriam funções importantes de proteção ou abrigo começam a se tornar obsoletas. Contudo, o legado patrimonial que deixam testemunha a passagem do tempo e oferece um relato vivo de sua história, colaborando para a consolidação da identidade e para o reconhecimento de um sentimento de pertencimento.
Tomás Bravo foi selecionado para integrar as Novas Práticas ArchDaily 2024, destacando seu trabalho em relação ao diálogo entre a arquitetura e o território, e ao uso de tecnologias avançadas para analisar a natureza e o patrimônio a partir de um processo que constitui um projeto em si mesmo. Com origem na diversa e complexa geografia do Chile, propões o uso da representação arquitetônica clásica em combinação con ferramentas tecnológicas e metodologias de mensuração para aproximar o território e o patrimônio de profissionais da arquitetura e de seus clientes.
Até 14 de julho de 2024, estará aberto ao público o pavilhão ¡Qué faena(r)!, de Óscar Cruz García e Pablo Paradinas Sastre, na Puerta del Sol de Vigo. A estrutura é uma das duas instalações temporárias vencedoras da terceira edição do TAC! Festival de Arquitectura Urbana. Tendo como fio condutor a reflexão sobre os espaços públicos e a regeneração dos centros urbanos, a proposta reúne tradição e inovação. O processo envolveu produtores e artesãos locais e, ao mesmo tempo, reutilizou materiais considerados resíduos, como redes de pesca, “bombos” (boias metálicas) oxidados, madeira recuperada de bateias (plataformas flutuantes de cultivo) e blocos de granito que ganham uma segunda vida após cumprirem sua missão no mar.
Por volta de 1949, a cidade de Buenos Aires liderava a construção do Sexto Panteão no bairro da Chacarita. De caráter monumental e estilo brutalista, esta necrópole subterrânea revelou-se a primeira e maior experimentação de arquitetura moderna no âmbito funerário. Projetada por Ítala Fulvia Villa, uma das primeiras arquitetas e urbanistas argentinas, além de pioneira do modernismo sul-americano, juntamente com sua equipe formada por Leila Cornell, Raquel S. de Días, Gunter Ernest, Carlos A. Gabutti, Ludovico Koppman e Clorindo Testa, esta obra foi investigada por Léa Namer, que desenvolveu um profundo trabalho de estudo e análise, refletindo sobre o legado de uma utopia moderna e de uma releitura feminista da história.
No contexto da implementação de projetos de infraestrutura verde para a gestão da água na Bacia do México a partir de espaços públicos existentes, o Parque Hídrico La Quebradora surge como a primeira proposta de acupuntura hidrourbana. O projeto da equipe do Instituto de Pesquisas Sociais da UNAM, coordenado por Manuel Perló Cohen e Loreta Castro Reguera Mancera, propõe converter a infiltração do terreno em um marco de boa gestão da água, geração de espaço público e fortalecimento do tecido social a partir de quatro níveis: infraestrutura, parque, cidade e mirante. Ao resolver parte dos problemas hídricos e sociais enfrentados pelo território, a proposta transforma a infraestrutura urbana em um espaço público e recreativo para a comunidade, em uma área de alta densidade demográfica e escassez de espaços públicos.
Recentemente, o arquiteto Cristián Castillo Echeverría recebeu o Prêmio Nacional de Arquitetura 2024, uma distinção que reconhece e valoriza sua contribuição para a sociedade e para o habitar no Chile. Concedido pela Diretoria Nacional do Colégio de Arquitetos do Chile, o Prêmio Nacional de Arquitetura reconhece profissionais de arquitetura cuja trajetória e desempenho ético e profissional representam um exemplo para os demais colegas, atuem eles no campo da execução de obras arquitetônicas, em atividades acadêmicas, de classe, de serviço ou de gestão pública.
A história do uso da cal na indústria da construção civil remonta a milhares de anos, atravessando culturas e comunidades em âmbito global. De fato, por volta do ano 4000 a.C., os antigos egípcios já empregavam cal virgem misturada com água como material de construção para suas pirâmides. Embora a cal apresente múltiplas aplicações nas indústrias alimentícia, agrícola, química, mineradora, siderúrgica, entre outras, na arquitetura ela representa um dos principais materiais de construção. Isso se deve à sua versatilidade, aderência, impermeabilidade, trabalhabilidade, rendimento, tempo de pega e durabilidade, que permitem a elaboração de argamassas de alvenaria, rebocos internos ou externos, entre outras funções.
O ‘Prêmio Latino-Americano de Arquitetura Rogelio Salmona: espaços abertos / espaços coletivos’ busca reconhecer as obras de arquitetura construídas que criam espaços significativos para a cidadania, contribuindo para a consolidação de cidades mais acolhedoras. Diferentemente das edições anteriores, este ano foram estabelecidas duas categorias: América Latina e Colômbia.
“A cidade é cidadania, com sua gente, instituições, monumentos, sua cultura, sua arquitetura e espaço público, e com a fisionomia que foi adquirindo e construindo ao longo do tempo é a grande proposta civilizatória da humanidade.” - Rogelio Salmona
O conceito de permacultura refere-se a um sistema de design capaz de criar meios ambientes humanos sustentáveis com base em uma ética e em uma série de princípios de design ecológico, ambiental e de resiliência. Ao articular plantas, animais, construções e infraestruturas como água, energia e/ou comunicações, a permacultura analisa as relações possíveis entre esses elementos de acordo com seu posicionamento na paisagem. Seus 12 princípios de design podem ser aplicados em múltiplos projetos de arquitetura de diversas escalas e programas, colaborando, por exemplo, na difusão de novas maneiras de reduzir o consumo de energia nas residências, economizar água por meio da captação de água da chuva ou da reciclagem de águas cinzas para sistemas sanitários, hortas e afins, além de contribuir para a produção de alimentos, entre outras frentes.
Fundado pelos arquitetos Felipe Mesa e Federico Mesa, o escritório Plan:b arquitectos está sediado na cidade de Medellín, Colômbia, e reúne o projeto de edifícios, a participação em atividades acadêmicas e a construção de conceitos capazes de conectar a arquitetura com as realidades urgentes do cotidiano. Compreendendo o projeto arquitetônico como um pacto provisório, uma configuração permeável e uma expressão positiva dos condicionantes ecossociais, o escritório construiu, desde o ano 2000, uma grande quantidade de edifícios em diversas escalas e programas, abrangendo desde espaços públicos, educativos e esportivos até residências, escritórios, hotéis e instalações.
Diante das diferentes topografias e condições naturais presentes ao longo do território argentino, as obras de Luciano Kruk propõem uma arquitetura que trabalha em unidade com o entorno, a paisagem e a natureza onde se inserem, seja imersas em um bosque, sobre um terreno em declive ou uma planície rural, entre outras geografias. Tendo o concreto como material principal na maioria de seus trabalhos, sua intenção centra-se em potencializar a relação do interior da arquitetura com o exterior.
Ao assumir diversas possibilidades expressivas no design de interiores, o uso da madeira em regiões com uma ampla variedade de climas e temperaturas, como México, Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia ou Equador, permite criar espaços atraentes e cativantes que capturam a atenção de quem os utiliza ao contrastar, fundir-se ou integrar-se ao seu entorno circundante. Por ser um elemento natural e apresentar uma pegada de carbono negativa ao fim de seu ciclo de vida, a madeira oferece múltiplos acabamentos, texturas e tonalidades que podem ser associados ao estar ao ar livre e proporcionar, em algumas ocasiões, amplitude, aconchego e relaxamento ao mesmo tempo.
Santa Cruz de la Sierra localiza-se nas planícies orientais da Bolívia, às margens do rio Piraí. Sendo a cidade mais populosa do país, ela revela uma extrema complexidade social e cultural, cercada por extensas pampas e planícies. Além disso, representa uma das cidades mais desenvolvidas da Bolívia, contando com um elevado indicador municipal de desenvolvimento sustentável. Investigando a importância da arquitetura comunitária, a apropriação popular, o caráter de urbanidade e outros conceitos, este artigo explora a história por trás do Monumento à Cúpula das Américas a partir de uma série de narrativas, documentações, desenhos e imagens capturadas pelas lentes de Pino Musi.
Apartamento 43 / cli·ma arquitectura. Image Cortesía de cli·ma arquitectura
Diante das diversas formas de morar que caracterizam as sociedades contemporâneas e de seu grau de adaptabilidade a futuros usos na arquitetura, a presença de mezaninos representa uma oportunidade para projetar desde espaços de armazenamento e depósito até conceber ambientes de estar, estudo, lazer ou mesmo de descanso, tanto para seus habitantes quanto para possíveis visitas. Dependendo de suas escalas, tamanhos e proporções, esses espaços em altura permitem tirar proveito dos ambientes internos de apartamentos que, por vezes, carecem de área suficiente para abrigar esse tipo de função no plano principal, mas dispõem de pé-direito adequado para viabilizá-las.
Como a industrialização e a responsabilidade ambiental podem caminhar juntas? Que estratégias de implantação, tecnológicas ou construtivas podem ser desenvolvidas sem prejudicar a paisagem circundante? A aplicação do módulo na arquitetura vem sendo praticada há anos, com uma história que envolve a busca pela padronização e coordenação modular entre materiais, produtos e outros componentes. Com o passar do tempo, essa abordagem foi se complementando com diversos fatores ambientais, sustentáveis, ecológicos e econômicos, com o objetivo de alcançar a adaptabilidade e a funcionalidade desejadas por seus habitantes.