A Costa Rica é um pequeno país da América Central, internacionalmente reconhecido por seu turismo, biodiversidade e clima tropical. Diante deste contexto, as estratégias de design tropical voltadas ao projeto hoteleiro costumam ser mais estudadas, mas projetos de cabanas residenciais podem representar uma abordagem mais cirúrgica para a compreensão da paisagem. Muitas vezes situadas em áreas florestais ou de selva remotas, essas cabanas, além de incorporarem as estratégias comuns de design tropical, precisam priorizar a durabilidade de longo prazo e os baixos custos de manutenção, sobretudo em regiões onde o acesso para reparos é logisticamente complexo. Isso exige uma filosofia projetual que privilegie a resiliência tanto estrutural quanto climática.
Construir nesse contexto requer respostas de projeto precisas a dois principais estressores ambientais: a precipitação extrema e a alta umidade. O clima tropical da Costa Rica, embora varie conforme a altitude, geralmente apresenta uma média mensal de chuvas superior a 150 mm em várias regiões. Essa carga constante de água pode criar o efeito de "bulbo úmido", no qual o ar estagnado e saturado acelera a degradação dos materiais internos e causa desconforto fisiológico aos habitantes. Para projetar de forma eficaz sob tais condições, a arquitetura contemporânea de cabanas adota uma estratégia tríplice: intervenção mínima no terreno, criação de gradientes térmicos e mitigação climática passiva.
Casa com Sete Jardins / Civil Architecture. Imagem Cortesia de Civil Architecture
Durante séculos, a arquitetura residencial em toda a região do Golfo organizou-se em torno do pátio interno. As casas apresentavam espessas paredes externas e aberturas limitadas para a rua, voltando-se para o interior, em direção a um jardim sombreado que estruturava a vida cotidiana. Essa disposição espacial respondia tanto ao clima quanto à cultura local. O pátio trazia luz natural para o interior de plantas profundas, permitia a ventilação cruzada e proporcionava um ambiente externo protegido em meio a tecidos urbanos densos. Na House with Seven Gardens, em Diyar Al Muharraq, no Bahrein, o escritório sediado no país Civil Architecture — uma das práticas vencedoras do prêmio ArchDaily 2025 Next Practices Awards — revisita essa tradição espacial sob as condições da habitação suburbana contemporânea. Em vez de simplesmente reproduzir a casa-pátio como um modelo histórico, o projeto reinterpreta sua lógica ambiental dentro dos marcos regulatórios e das condições espaciais que moldam grande parte do desenvolvimento urbano atual no Golfo.
A elevação é frequentemente apresentada como progresso, alçando o movimento acima do atrito da cidade e suavizando a circulação em um fluxo ininterrupto. Cada ato de elevação produz uma condição secundária em seu rastro. Sob viadutos, linhas de metrô e viadutos ferroviários, surge um segundo solo — sombreado, ambíguo e raramente planejado com a mesma intenção daquilo que se move acima. Esses espaços não são sobras incidentais. São a consequência espacial de uma decisão de projeto que privilegia a velocidade, o gabarito livre e a eficiência, redistribuindo valor e visibilidade pela cidade nesse processo.
O que fica abaixo não está vazio. É estruturado, limitado e definido pela infraestrutura, porém deixado sem uma função clara. Estudos sobre rodovias elevadas descrevem consistentemente esses baixios como espaços residuais, formados quando os sistemas de transporte são concebidos de forma independente do solo que atravessam. Um relatório da Arup sobre espaços sob viadutos observa como eles frequentemente interrompem a continuidade de pedestres, ao mesmo tempo em que permanecem fora dos marcos regulatórios de planejamento formal. Da mesma forma, análises acadêmicas recentes sobre os ambientes sob viadutos destacam que essas áreas raramente são integradas às estratégias de desenho urbano. O resultado é uma condição peculiar: um espaço que está fisicamente presente e estruturalmente determinado, mas programaticamente indefinido.
Qualquer estudante de arquitetura sabe muito bem o que é passar noites em claro trabalhando sem parar, correndo para finalizar um projeto com o prazo final se aproximando. Revisando cada detalhe, dando os últimos retoques e torcendo pelo melhor. A recompensa? Ver o projeto finalizado, discuti-lo com colegas de classe e poder sonhar com a concepção ideal de como um espaço deve parecer e ser vivenciado.
Durante a seleção dos finalistas ao longo das últimas duas semanas, o júri do ArchDaily tinha plena consciência do que significa ser estudante de arquitetura. Composto por arquitetos e arquitetas, o comitê estudou, analisou e debateu cuidadosamente cada proposta, compreendendo o esforço dedicado a cada envio. O resultado é uma lista de finalistas que exemplifica o espírito do Student Project Awards e sua missão de reconhecer a criatividade e a visão de estudantes que estão redefinindo a prática e o discurso arquitetônico.
Em muitas cidades de alta densidade na Ásia, a escada costuma ser tratada como um mal necessário. Seja em edifícios de apartamentos, casas ou interiores comerciais, ela é frequentemente ocultada, recuada ou relegada às margens — um elemento a ser minimizado para que mais área possa ser destinada ao espaço "útil". Contudo, à medida que a densidade se intensifica e a metragem quadrada se torna cada vez mais escassa, arquitetos/as e designers são forçados/as a repensar esse enigma vertical.
A questão deixa de ser como ocultar a escada e passa a ser como potencializar sua função: seria ela capaz de se tornar uma adição produtiva ao interior — um dispositivo arquitetônico que vai além de conectar níveis, desempenhando funções duplas (ou múltiplas) em vez de simplesmente consumir área de piso?
Diagrama de instalações em Barba Jupiter. Imagem Cortesia de Géométral
Fundado em 2022 por Clément Masurier e sediado em Paris, na França, o Géométral é um escritório de arquitetura definido por estratégias de projeto integradas à paisagem, tratada como determinante primordial da forma. O estúdio, um dos escritórios vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, aborda cada projeto como um pequeno universo que combina programa, atmosfera e narrativas espaciais. Em vez de um estilo autoral único, o foco está na criação de atmosferas e situações sob medida para cada contexto e seus/as usuários/as.
Em seu início, diante da ausência de um portfólio de obras construídas, o estúdio respondeu com o desenvolvimento de "arquiteturas ficcionais" implantadas em topografias reais. Esse exercício não era uma mera busca estética, mas sim uma âncora metodológica, permitindo ao escritório estabelecer um processo rigoroso de análise do local e testes tipológicos antes de receber encomendas físicas. Ao tratar projetos imaginários com o mesmo rigor técnico das obras reais, o estúdio desenvolveu um repertório de respostas formais às restrições ambientais que agora orientam seus projetos construídos.
O Bethel Woods Art and Architecture Festival anuncia o BuildFest: Acts of Construction, uma iniciativa de três anos que ativa as dependências históricas do festival de Woodstock de 1969 por meio de instalações de madeira em grande escala e experiências multimídia. Cada edição anual é organizada em torno de um tema único, convidando designers e projetistas a colaborar em uma série interdisciplinar de "atos" que se baseiam uns nos outros para criar um conjunto interconectado de instalações, ativações e performances. O Act One: Staging está atualmente aceitando propostas de infraestrutura artística adaptável projetada para "preparar o cenário" para futuras ativações. A ele se seguirão o Act Two: Choreography, em 2027, e o Act Three: Performance, em 2028.
Sob as superfícies, atrás das estruturas ou mesmo entre as instalações, inúmeros sistemas de fixação e elementos adesivos compõem as conexões necessárias em fachadas, acabamentos e fechamentos de nossos edifícios. À medida que o passar do tempo evidencia a idade das construções e as tendências se modificam em ritmo acelerado, a atualização dos edifícios exige atenção ao seu desgaste, manutenção e melhoria de desempenho. Independentemente de suas metodologias de instalação, tecnologias ou ferramentas, os sistemas de fachadas ventiladas continuam transformando, hoje, a maneira de abordar o projeto e a estética dos edifícios.
O potencial de edifícios existentes para moldar cidades e comunidades em constante transformação por meio do reuso e da adaptação é o foco central do HouseEurope! e de seu ativismo: enfrentar o desafio premente em grande parte da Europa, onde costuma ser mais fácil, barato e rápido demolir edifícios do que renová-los. Durante décadas, as políticas de construção, as práticas industriais e as dinâmicas de mercado favoreceram os novos empreendimentos, frequentemente subestimando a importância cultural, social e ambiental das estruturas existentes. Por seu trabalho em prol de uma mudança sistêmica na arquitetura, o HouseEurope! recebeu o Prêmio OBEL 2025 sob o tema "Ready Made". Em conversa com o ArchDaily, Alina Kolar e Olaf Grawert, integrantes do coletivo HouseEurope!, discutiram a abordagem da organização em relação à arquitetura, às políticas públicas e à ação coletiva. Operando como um laboratório de políticas públicas sem fins lucrativos, o HouseEurope! conecta a prática arquitetônica com a legislação, a pesquisa e a participação pública. Seu trabalho começa pela análise do que já existe, traduzindo essas reflexões em diretrizes práticas para legisladores/as e profissionais da área. Projetos de conversão como a renovação de 530 moradias pelo escritório Lacaton & Vassal exemplificam essa "pesquisa pela ação", mostrando como o reuso adaptativo pode ser viável e, ao mesmo tempo, um motor para mudanças sistêmicas com benefícios sociais e ecológicos. Como explica Grawert:
E se as sobras industriais não fossem resíduos, mas o ponto de partida do projeto de arquitetura? Na sede da Rieder em Maishofen, na Áustria, mais de 1.300 metros cúbicos de madeira, 180 elementos de teto e centenas de fragmentos reciclados de concreto reforçado com fibra de vidro se unem em um edifício moldado tanto pelo reúso quanto pelo planejamento. O novo pavilhão de produção, projetado pelo escritório Kessler² Architecture, trata as sobras de materiais como recurso de projeto. Desenvolvido como parte de um investimento de longo prazo em manufatura sustentável, o edifício híbrido de madeira e concreto introduz uma técnica de fachada que inverte os fluxos de trabalho convencionais da arquitetura: em vez de projetar primeiro para depois produzir os componentes, o envelope do edifício é gerado a partir dos resquícios de materiais já disponíveis no local, estabelecendo uma nova linguagem para a arquitetura industrial.
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Metais Dornbracht Madison para o Brenners Park-Hotel & Spa em Baden-Baden. Imagem cortesia de Dornbracht
Em projetos de reforma, a substituição costuma ser preferida em relação à restauração. Componentes antigos são removidos, novos produtos são especificados e os prazos são garantidos. Especialmente em projetos de hotelaria, nos quais interrupções são dispendiosas e as operações seguem cronogramas rígidos, a instalação de novas peças parece ser a solução mais confiável. É mais rápida, fácil de coordenar e se alinha aos fluxos de trabalho estabelecidos. A restauração, por outro lado, funciona de maneira diferente. Ela exige uma desmontagem cuidadosa em vez do descarte, avaliação em vez de substituição e confiança na qualidade do que já está lá. Trata-se de uma abordagem que introduz complexidade em um processo concebido para ser eficiente.
A recente renovação do Brenners Park-Hotel & Spa, em Baden-Baden, demonstra que, sob as circunstâncias corretas, esse esforço adicional pode se tornar uma estratégia arquitetônica deliberada para projetos semelhantes, sobretudo quando os materiais originais nunca foram concebidos para serem temporários.
Em novembro de 2025, o ArchDaily lançou a primeira edição do seu Student Project Awards. A decisão de criar esta nova premiação surgiu de um sentimento de esperança; esperança nas próximas gerações de arquitetos/as, em seu talento e visão, e na importância de lhes dar visibilidade e reconhecimento. Afinal, o futuro da arquitetura está sendo moldado agora mesmo, em salas de aula, estúdios e oficinas por todo o mundo, e é fundamental apoiar quem o está moldando. A resposta foi extraordinária, com projetos enviados por estudantes de todos os continentes, demonstrando uma riqueza e amplitude de pontos de vista, soluções e visões.
Cinco meses após o lançamento da convocatória — e após o anúncio de uma lista longa de 104 projetos e de uma lista final de 20 semifinalistas —, nosso júri externo de arquitetos/as e profissionais do setor revisou cuidadosamente as propostas para selecionar os/as três vencedores/as e as quatro menções honrosas do ArchDaily Student Project Awards. Analisando cada proposta com cuidado, o júri olhou além dos resultados finais, concentrando-se nas ideias, questionamentos e posicionamentos que guiaram o trabalho. O resultado é uma seleção de projetos premiados que reflete tanto o espírito do prêmio quanto a mudança de prioridades que molda a arquitetura contemporânea.
Vencedor da Categoria Pequena Escala + Vencedor Estudantil: Architecture as Resilient Machine. Imagem cortesia de Buildner
Buildner lançou o Unbuilt Award 2026, a terceira edição de seu concurso anual, que oferece um prêmio total de € 100.000. Paralelamente, foram anunciados os resultados do Unbuilt Award 2025, marcando a segunda edição de uma série que celebra projetos de arquitetura ainda não realizados. A iniciativa oferece uma plataforma global para que arquitetos/as e designers apresentem seus projetos não construídos mais impactantes — sejam eles conceituais, publicados, inéditos ou totalmente desenvolvidos.
A Heimtextil Colombia 2026 reúne uma oferta internacional e uma agenda de conhecimento que evidenciam o deslocamento de valor para as categorias de casa e hospitalidade, onde designers da Colômbia e de toda a América Latina estão expandindo seu DNA criativo para escalar a pirâmide, diversificar receitas e competir em mercados globais.
O que acontece quando se escolhe o reuso em vez da demolição? Em Østbirk, na Dinamarca, um antigo galpão de madeira de 30 anos foi transformado em um hub de inovação de referência internacional, com 14.000 metros quadrados, voltado para a equipe de quase 500 profissionais da VELUX. Este artigo explora como o projeto da LKR Innovation House desafia as práticas convencionais de construção, preserva o legado dos materiais e oferece lições práticas para profissionais de arquitetura que trabalham com estruturas existentes. Um novo livro documenta esse processo por meio de ensaios, entrevistas e fotografias.
Em Gabrovo, na Bulgária, o município convida arquitetos e arquitetas a projetar o Centro de Arte Contemporânea Christo e Jeanne-Claude, transformando, adaptando e modernizando a antiga Escola Técnica Têxtil e seu terreno adjacente. Com cofinanciamento da União Europeia, um orçamento definido, um júri de especialistas e uma estrutura em duas fases, este concurso reflete o próprio espírito da prática artística de Christo and Jeanne-Claude: uma criação artística audaciosa e acessível. Mais do que a encomenda de um edifício cultural, a iniciativa exige uma proposta projetual que compreenda o caráter específico de sua obra, agregando uma dimensão curatorial ao que, de outro modo, seria um simples projeto de reuso adaptativo.
A arquitetura frequentemente recorre à história de um lugar, traduzindo narrativas locais em formas, materiais e experiências espaciais contemporâneas. Localizado na estância termal de Bad Orb, perto de Frankfurt, o ALEA RESORT HIDEAWAY segue essa premissa, inspirando-se no histórico de extração de sal da região.
Projetado pelo escritório PLAJER + FRANZ, o projeto de hospitalidade de 5.200 m² faz referência à geometria dos cristais de sal por meio de sua linguagem arquitetônica, ao mesmo tempo em que utiliza soluções de iluminação da OLEV para moldar a atmosfera de seus espaços internos. Nesta entrevista, o arquiteto Alexander Plajer discute a relação do projeto com seu contexto, o processo de concepção e o papel da iluminação.
Vencedor do Prêmio de Melhor Apresentação. Imagem cortesia de Buildner Unbuilt Award
Em um setor definido por códigos de obras, pela urgência climática e pelas pressões do mercado imobiliário, os concursos de arquitetura tornaram-se, de forma discreta, um dos espaços mais geradores da disciplina. Livres de orçamentos, clientes ou regulamentações municipais, as propostas enviadas a concursos permitem que arquitetos e arquitetas pensem no limite do que o ambiente construído poderia ser. Cada vez mais, esse trabalho especulativo é levado a sério como uma contribuição cultural e intelectual por si só. O Buildner's Unbuilt Award, atualmente em sua segunda edição, é uma dessas iniciativas, ao tratar o projeto não construído como uma plataforma para que profissionais de arquitetura e design compartilhem conceitos que desafiam fronteiras e inspiram possibilidades futuras. Desse modo, premiações como essa permitem que estudantes e profissionais da área apresentem ideias e visões que, mesmo sem serem executadas, refletem o espírito de exploração e engenhosidade na arquitetura.
Ao compreender o brincar como um transformador social e fator de influência na definição do espaço público, a vida urbana se vê atravessada por múltiplos sujeitos de diferentes idades, culturas, ideologias, afinidades, classes e grupos sociais. Pensar em como o brincar habita as cidades é pensar em todas as gerações, e na necessidade de construir espaços públicos com equipamentos urbanos pensados para durar e se manter ao longo do tempo.
O desempenho das estruturas lúdicas convida a revisar as diferentes etapas de seu ciclo de vida, juntamente com o seu impacto na configuração do ambiente urbano. Analisar o ciclo de vida dos brinquedos urbanos implica conhecer desde os materiais, durabilidade e manutenção até o papel das certificações e das tecnologias aplicadas em seu processo de produção, visando ambientes mais conscientes de seu impacto ambiental.
Na capital do Irã, Teerã, o movimento define a cidade. Todos os dias, milhões de pessoas navegam por uma paisagem moldada por rodovias, corredores de tráfego e quadras urbanas densas. Ao longo de décadas de rápida expansão, a infraestrutura tornou-se a linguagem dominante do desenvolvimento. As ruas priorizam os veículos, as calçadas funcionam como canais estreitos de passagem e muitos espaços públicos operam principalmente como rotas de trânsito, e não como locais de encontro. Em partes da Ásia Ocidental, os conflitos contínuos também remodelaram as paisagens urbanas da região, onde ambientes arquitetônicos significativos foram danificados ou transformados. Nesse contexto mais amplo, a preservação e a criação de espaços cívicos cotidianos tornam-se cada vez mais significativas. Reconhecido com o Prêmio Aga Khan de Arquitetura, o projeto da Jahad Metro Plaza, assinado pelo escritório KA Architecture Studio, demonstra como intervenções infraestruturais modestas podem remodelar a vida cívica de uma cidade.
A rede de metrô desempenha um papel central no cotidiano de Teerã. Ela conecta distritos distantes e sustenta o ritmo da metrópole. No entanto, os pontos de encontro entre a cidade subterrânea e a superfície raramente são concebidos como ambientes cívicos. As entradas do metrô costumam se apresentar como fragmentos de infraestrutura: escadas que descem ao subsolo, cercadas por grades, quiosques e caminhos de circulação improvisados. Funcionam de maneira eficiente como portais de transição, mas raramente como espaços de permanência.
A cada três anos, o Congresso Mundial da União Internacional de Arquitetos (UIA) desembarca em uma cidade diferente, sob um tema definido com anos de antecedência. Um rápido mapeamento dessas cidades-sede revela um padrão deliberado: ao longo das décadas, a UIA escolheu intencionalmente locais diversos em todos os continentes, transformando cada edição em um retrato do que era prioritário naquele lugar específico, naquele exato momento. Como resultado dessa rotação geográfica, consolidou-se um rico caleidoscópio de debates que analisam a profissão sob múltiplos ângulos e a adaptam às transformações do tempo. No entanto, o ano de 2026 marca um ponto de inflexão; desta vez, a UIA repete uma cidade-sede pela primeira vez em sua história: Barcelona, com o tema "Tornar-se. Arquiteturas para um planeta em transição".
As cidades do Sudeste Europeu não esperam para ser lidas. Elas acumulam, camada sobre camada, o planejamento socialista, a ruptura pós-socialista e o trabalho mais silencioso e menos legível de cidadãos e cidadãs que reconstroem o espaço a partir do zero. Aqui, o espaço e o legado impõem suas próprias condições. O que acontece com a pesquisa em arquitetura quando as cidades que observamos parecem já saber algo que nossa disciplina ainda não aprendeu a enxergar?