Por mais imaginativos e hipotéticos que seus trabalhos possas parecer, muitos visionários criaram obras de arte admiráveis que miram além do ordinário e repensam a arquitetura e os espaços urbanos. Xinran Ma, designer e ilustrador de Nova Iorque, visualizou suas fantasias arquitetônicas e criou algumas séries de desenhos, duas das quais enviadas para o concurso Fairy Tales 2016 e 2017, organizado pela Blank Space.
Inspirando-se no artista italiano Giovanni Battista Piranesi, conhecido por seus desenhos labirínticos de Roma, e as obras colaborativas de Alexander Brodsky e Ilya Utkin, que produziram representações de vanguarda de cidades e paisagens, o ilustrador compartilhou mais uma vez suas criações conosco, expressando sua paixão “pela visualização de fantasias arquitetônicas que transcendem o tempo através de narrativas gráficas."
O modelo de habitação social parece uma utopia atualmente na Espanha. Sob o domínio de incorporadoras e imobiliárias, o país se vê imerso em uma política de Estado que não atende — nem nunca atendeu — ao problema da moradia.
Ao longo dos anos, promoveu-se a ideia de que alugar um imóvel era quase um crime, um desperdício de dinheiro que poderia ser investido na compra da casa própria. Boas-vindas ao maravilhoso mundo da especulação imobiliária. Com aluguéis abusivos, cujos preços são estipulados por imobiliárias ou particulares, sem qualquer tipo de regulação estatal ou provincial que os controle, o próprio sistema empurra a população a contrair hipotecas e a alimentar a incorporação privada. Se na década de 1950 mais de 50% das moradias na Espanha eram alugadas, esses números hoje estão muito distantes do declínio progressivo que nos trouxe ao cenário atual: quase 80% dos imóveis hoje são próprios, reduzindo a apenas 20% o total de habitações sob regime de aluguel.
Cristóbal Caro nos apresenta uma mostra fotográfica intitulada "Cadeiras, microarquitetura no espaço público", cujo conceito busca vincular os objetos dispersos na trama urbana aos símbolos e vestígios implícitos que contêm.
Cortesía de Colegio Oficial de Arquitectos de Madrid [COAM]
Com José Antonio Corrales e Ramón Vázquez Molezún, repete-se uma situação bastante comum na arquitetura espanhola posterior a 1950: a falta de projeção internacional de talentos da arquitetura, em grande parte devido à ausência de teoria. Além disso, um caráter intrinsecamente misterioso e enigmático permeia sua obra, profundamente reforçado pela atitude de ambos em relação à própria produção. Nunca se detiveram a explicá-la. Jamais demonstraram interesse em dotá-la de fundamentação teórica. Tudo isso dificulta extraordinariamente a compreensão de sua arquitetura, deixando inúmeras perguntas sem resposta, abertas apenas à interpretação de quem se propõe a refleti-las.
Corrales e Molezún colaboraram desde 1952 em diversos projetos. Eram personalidades muito distintas. José Antonio costumava se definir como uma “pessoa mais rigorosa”, enquanto Ramón aproximava-se mais do “gaie”, dotado de um toque mais leve, quase romântico. A dupla poderia ser vista como a personificação dos dois hemisférios cerebrais: o esquerdo — visual, verbal, linear, controlado, dominante, quantitativo — em Corrales; e o direito — espacial, acústico, holístico, contemplativo, emocional, intuitivo — representando mais fielmente Molezún. Mais uma dupla para a longa história da criação: Dom Quixote e Sancho Pança, Sherlock Holmes e Dr. Watson...
Se perguntado sobre conforto, qual é a primeira coisa que vem à mente? Acabamentos de luxo, cadeiras caras e interiores elegantes? Poucos pensariam em seu escritório, e o provável culpado é uma ignorância fundamental de uma definição alternativa de conforto. Quando definido como um estado de bem-estar físico derivado das disposições necessárias para que os ocupantes desempenhem tarefas específicas no espaço, é evidente que os arquitetos possuem um papel fundamental - e que o conforto não não diz respeito a apenas espaços confortáveis para atividades de lazer.
Arquitetos e designers são responsáveis pelas qualidades visuais, térmicas e acústicas dos espaços, sem mencionar a qualidade do ar interior dos nossos escritórios e residências. Isso é fundamental, considerando que o típico cidadão urbano do século XXI gasta em média 90% do seu tempo em ambientes fechados. Estamos constantemente experimentando as consequências físicas, psicológicas e fisiológicas do equilíbrio (ou desequilíbrio) dos desenhos nos espaços internos.
Com isso em mente, o conforto térmico parece óbvio (e é), mas infelizmente o conforto como objetivo holístico da arquitetura nunca foi levado a sério o suficiente. Além de medir os aspectos acústicos e visuais de um espaço construído, os arquitetos devem ter uma sólida compreensão dos conceitos subjacentes que orientam as melhores práticas. Uma compreensão sólida de como as seleções de materiais afetarão as avaliações qualitativas de salas de conferências, residências, teatros etc. melhora a tomada de decisões tectônicas básicas que podem, por sua vez, criar espaços mais confortáveis.
Frequentemente empregado em projetos residenciais e atuando como uma extensão da laje, o beiral abandonou na contemporaneidade a timidez dimensional e aplicação intimamente ligada a proteção das faces externas contra a chuva e, indo muito além, é reinventado, garantindo novos espaços de convívio, como a varanda por exemplo, que parece ressignificar o antigo alpendre bandeirista e cria uma extensão dos interiores quebrando os limites entre interno e externo.
À medida que 2018 chega ao fim, voltamos nossos olhos para os projetos que estamos mais aguardados de 2019. Muitos dos projetos listados aqui estão em andamento há anos, tendo já experimentado as frustrações inerentes de uma profissão que depende de investimentos significativos e longos prazos - para não mencionar as mudanças de políticas.
Como anunciado anualmente, o Pantone Color Institute divulgou há alguns dias a cor 2019: Coral Living. Com nuance vibrante, mas, ao mesmo tempo, suavidade, a cor que promete ser a tendência do novo ano, "nos acolhe com sua aura cálida e nutritiva, flutuando e reconfortando num ambiente em constante transformação". [1]
Ao longo de 2018, selecionamos milhares de projetos para publicação em nosso site. Desses, ocasionalmente destacamos alguns por diferentes motivos, seja pela inovação em técnicas e materiais, pela relação com o contexto ou pela aproximação com as comunidades. Ao trabalharmos diariamente com editores no Brasil, Estados Unidos, México, Chile, China e Irlanda do Norte, e graças à extensa rede que construímos com instituições no mundo todo, contamos com ferramentas que nos proporcionam um panorama muito mais amplo do que vem sendo produzido atualmente, não apenas no México, mas no mundo da arquitetura de modo geral.
As dinâmicas dos habitantes das cidades se moldam de acordo com seu cotidiano, o que inclui as atividades que realizam, seus horários e o meio de transporte que utilizam. Além disso, a condição física e mental sustenta a interação entre as pessoas e as ruas. Trata-se de uma experiência completamente subjetiva, associada à idade, à estatura ou a alguma condição física que implique a ausência de algum dos sentidos ou de parte do corpo.
As pessoas caminham, atravessam a rua quando o semáforo indica, enquanto ouvem, simultaneamente, uma playlist no celular. Conhecem as texturas porque as veem; sabem para onde o vento sopra através do olhar. Sabem que sentem a cidade, mas sem se aprofundar nas informações recebidas por meio de cada sentido.
Enfim chegamos ao último dia de 2018, um ano marcado por uma série de tendências arquitetônicas, novidades em propostas apresentadas a concursos, bienais e feiras de arquitetura, e sobretudo, pontuado por um mar de projetos que refletem inquietações por parte dos arquitetos que sugerem novos rumos a arquitetura. Posto isso, após 365 dias de muitas surpresas para o universo da arquitetura, é hora de festejar e agradecer por mais um ano e nada melhor do que curtir a chegada de 2019 ao som de músicas especiais, não é mesmo? Com isso em mente, nossa equipe editorial preparou uma seleção especial - com sons de Coldplay e John Lennon para emocionar, passando por Bruno Mars e Alok para festejar e chegando a clássicos brasileiros de Elis Regina e João Gilberto.
Conheça a lista completa de músicas para o Reveillon, a seguir.
Desde a sua mais tenra idade, Carlo Scarpa, aquele que se tornaria um dos mais importantes arquitetos italianos de todos os tempos, tinha muito presente o elemento fundamental que descreveria e fundamentaria sua obra muitos anos depois: a água. Enquanto brincava e se divertia por entre aquele emaranhado de vielas e canais, Scarpa vivenciava todo um universo de informações, especialmente a riqueza de estímulos que sua cidade natal o oferecia. Sua enorme sensibilidade para com o espaço è fruto dos estímulos que lhe proporcionava Veneza, sua mais bela inspiração. Sua devoção pelo simples, pelo despretensioso, exatamente o contrário da exuberância, do cenográfico e ostensivo, vai sendo construída pouco a pouco; a arte, o espaço e a história estavam presentes em suas leituras, em sua viagem em direção ao conhecimento.
Carlo Scarpa desenvolveu sua arquitetura à partir de sua extraordinaria cultura visual e de seu respeito pela tradição; percorrendo as evidências do passado e reinterpretando-as à sua manera, transformando-as em espaço arquitetônico onde todas as peças são unidades independentes mas bem orquestradas, uma narrativa espacial que, como ele mesmo dizia, poderia ser interpretada como uma música. Utilizava toda sua sabedoria e sensibilidade para se posicionar em relação ao passado, às preexistências. Mergulhando na história e interpretando o passado, construía suas obras de modo que valorizassem o contexto onde estavam inseridas.
Porque, para todos os projetos e edifícios inspiradores de todo o mundo, estaríamos perdidos sem os fotógrafos dedicados a compartilhar essa inspiração conosco. Apresentamos, a seguir, as fotografias de arquitetura mais inspiradoras do ano.
Rua Joel Carlos Borges, em São Paulo. Foto: Pedro Mascaro/WRI Brasil
A implementação de uma Rua Completa é uma conquista a ser celebrada em uma cidade. Um projeto que chega a se tornar realidade é uma indicação de que a mobilidade urbana da região está sendo pensada em prol do uso mais democrático do espaço e da segurança de todos os seus usuários. Mesmo assim, medir o impacto dessas intervenções é de vital importância para orientar futuras ações no local.
A primeira Rua Completa de São Paulo, a Rua Joel Carlos Borges, no Brooklin, passou por uma avaliação dois meses após sua implantação, a qual concluiu que 92% dos usuários da via aprovam o projeto e acreditam que as mudanças são benéficas.
https://www.archdaily.com.br/pt/908598/primeira-rua-completa-de-sao-paulo-tem-92-percent-de-aprovacaoWRI Brasil
Um mês após o evento, os diversos indicados ao World Architecture Festival de 2018 já retornaram às suas cidades de origem, deixando para trás a efervescência do encontro deste ano em Amsterdã. No entanto, isso não significa que o festival não tenha deixado um impacto duradouro.
https://www.archdaily.com.br/pt/1116763/vencedor-a-do-world-architecture-festival-compartilha-sua-experiencia-no-eventoKatherine Allen
A arquitetura não ilustra nem imita ideias nascidas da filosofia, da literatura, da pintura ou de qualquer outra forma de representação artística; mas, sim, constitui um modo de pensamento por direito próprio: o pensamento arquitetônico. Esse modo de discorrer, de fazer, necessita de suas próprias ferramentas como único meio para traduzir todas essas ideias em algo concreto, em algo real, capaz de se comunicar por si mesmo. Uma dessas ferramentas, talvez a mais indispensável, é o desenho.
O premiado arquiteto Steven Holl expressou seu descontentamento com a arquitetura contemporânea em entrevista à Metropolis Magazine. Embora o escritório Steven Holl Architects (SHA) tenha vencido recentemente o concurso de projeto para um edifício de acesso na University College Dublin e concluído novas obras em Londres, Houston, Virgínia e Richmond somente no último ano, o arquiteto está convencido de que, apesar de todo esse sucesso, “não é um grande momento, há muitos profissionais ruins na arquitetura”.
O nome de Jorn Utzon está, para a maioria das pessoas, indissociavelmente ligado à sua obra mais famosa: a Ópera de Sydney. Concluído em 1973, o projeto foi declarado Patrimônio Mundial em 2007, tornando Utzon apenas o segundo arquiteto (depois de Oscar Niemeyer) a receber tal honra em vida. Trata-se, indiscutivelmente, de uma das obras de arquitetura mais reconhecíveis e significativas do século XX, que continua à frente de seu tempo. No entanto, o detalhamento intransigente e o caráter futurista de seus projetos fizeram com que muitas de suas obras permanecessem não construídas ou desconhecidas até sua morte, em 2008.
https://www.archdaily.com.br/pt/1117460/concurso-utzon-unbuilt-lanca-nova-luz-sobre-as-obras-do-mestre-dinamarques-e-convida-o-publico-a-participarKatherine Allen
Com mais de quatro mil projetos publicados em 2018, nossos editores fecham este ano estimulante para a arquitetura com uma seleção dos melhores projetos de uma tipologia cara a todos nós: casas.
De paisagens remotas a ambientes urbanos; projetos vernaculares a automação e alta tecnologia, esta seleção de 100 casas destaca os exemplos mais instigantes de 2018 em termos de projeto arquitetônico, inovação em materiais e construção, topografias desafiadoras e desejos do cliente. Veja as melhores casas de todo o mundo. a seguir.
O ano de 2018 foi repleto de conquistas e surpresas no campo da arquitetura. À medida que este ano chega ao fim, percebemos a importância dos concursos para fortalecer a imagem que cada região ou país projeta para o mundo. O México não foi exceção, destacando-se com cerca de 18 reconhecimentos internacionais (incluindo bolsas de estudo, concursos, indicações, etc.) que mostraram ao resto do mundo quais são os temas de interesse e as metas para os próximos anos. Nessa seleção, destacamos a importante participação das arquitetas mexicanas Frida Escobedo e Rozana Montiel — que foram convidadas e premiadas em diversas ocasiões em alguns dos eventos mais importantes do setor —, bem como de projetos marcantes como o Centro Cultural Teopanzolco, de Isaac Broid + Productora, que recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais.
Há alguns meses o arquiteto Filipe Vasconcelos compartilhou conosco suas colagens digitais, que exploram a similaridade entre arquiteturas e objetos, criando cenas em que as obras são ressignificadas em situações absolutamente deslocadas de seus contextos e usos originais.
Com a missão de fornecer ferramentas e inspiração para arquitetos em todo o mundo, os curadores do ArchDaily estão constantemente em busca de novos projetos, ideias e novas formas de expressão. Nos últimos três anos, o ArchDaily apresenta as melhores descobertas do nosso ano e, nesta oportunidade, queremos compartilhar os melhores desenhos de arquitetura publicados durante este ano.
Qual é o papel do desenho contemporâneo na arquitetura? Abordamos a definição de desenho como projeto em si. Desenhos são usados para explicar princípios, fornecer idéias, para construir nova arquitetura e para documentar processos criativos.
Abaixo, você verá a seleção dos desenhos organizados em seis categorias: Contexto, Desenhos Arquitetônicos, Croquis e Desenho à Mão, Colagens Digitais, Desenhos e Diagramas Conceituais e Gifs Animados. Cada desenho escolhido reforça a construção proposta ou aprimora o trabalho construído.
Você também pode revisar as coleções de anos anteriores aqui ou outras postagens relacionadas a desenhos selecionadas pelos nossos editores no link a seguir.
O escritório chileno Biourban Arquitectos venceu a licitação para o projeto do novo terminal rodoviário de Castro, no extremo sul do Chile. O projeto será implantado no centro histórico da principal cidade da Ilha Grande de Chiloé e contará com estacionamento, supermercado, centro comercial e um mirante urbano.
"Parte do desafio da nova concessão é aproveitar os benefícios sociais e urbanos de estar em pleno centro da cidade, com boa acessibilidade a todos os serviços básicos", afirma a equipe de projeto.
O arquipélago catalão está conformado, em quase toda sua extensão, por uma pequena serra que o acompanha crescendo desde a linha da costa, tangente ao mar, formando falésias, até as poucas dúzias de quilômetros que conformam sua máxima expressão.
A própria arquitetura desta porção costeira tende a ser catalogada, recorrentemente, como arquitetura catalã; obviando e contaminando a arquitetura própria de terra, escura, sombria, pesada. Uma arquitetura - a interior - de digestões lentas, de luz de fundo e ar imóvel, que soa diferente.
Ao noroeste, encontramos uma região onde as faias permanecem imóveis e crescem a uma altura inferior a qualquer outra área do país. Onde a luz é mais suave, turva, onde as sombras são mais tênues e mais profundas. Onde chove diferente. Onde se fala diferente. Onde os campos são diferentes. Aqui vivem. Aqui trabalham. Falamos de Olot. Falamos de RCR.