Durante o período pós-guerra no século XX, o Sul Global esteve sob forte influência de profissionais de arquitetura do exterior, frequentemente convidados por governos locais para aportar sua expertise e visão inovadora. Vistos como símbolos de modernidade, edifícios projetados por "starchitects" elevaram a imagem dessas nações. Décadas mais tarde, mesmo com o avanço na capacidade das indústrias locais, o desejo pelo talento estrangeiro persiste. Trata-se de um resultado natural da globalização ou a presença contínua de escritórios internacionais no Sul Global reflete uma dependência persistente?
A água é um catalisador de experiências sensoriais: manifesta-se no contato direto pelo toque, em sua presença ao ser ouvida ou vista refletida, e em suas transformações—seja pela temperatura, do frio ao calor, ou pelo estado físico, do líquido ao vapor. Trata-se de um elemento fundamental no design para os sentidos, capaz de evocar atmosferas percebidas física e emocionalmente. Como sugere Juhani Pallasmaa, a arquitetura não se dirige apenas aos olhos, mas envolve todo o corpo e a memória sensorial. O banheiro, em especial, concentra grande parte da experiência física e emocional associada à água, abrindo possibilidades para criar ambientes que intensificam essa conexão sensorial. Diante disso, surge a questão: quais elementos ou conceitos devem moldar esse espaço para que a experiência do banho escape do comum?
https://www.archdaily.com.br/pt/1142838/o-despertar-do-banheiro-conceitos-de-design-contemporaneo-para-uma-experiencia-sensorialEnrique Tovar
Uma semana atrás, anunciamos os 15 finalistas do Prêmio Obra do Ano do ArchDaily em Espanhol, que celebra a melhor arquitetura da América Latina e da Espanha, convidando nossos leitores e leitoras a atuar como júri e escolher seus projetos favoritos entre os publicados ao longo do ano. Hoje, finalmente, chegou o momento de conhecer os vencedores do Prêmio Obra do Ano 2025.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142842/conheca-os-projetos-vencedores-do-premio-obra-do-ano-2025-do-archdaily-em-espanholArchDaily Team
Campus do College of Europe em Tirana. Imagem cortesia de MIR, projetado por Oppenheim Architects
Tirana, capital da Albânia, está passando por uma transformação notável, impulsionada por uma visão ambiciosa de futuro delineada no Plano Diretor Tirana 2030 (TR030). O plano, elaborado pelo renomado arquiteto italiano Stefano Boeri, visa a remodelar a cidade em um polo urbano sustentável, verde e inclusivo, com foco no adensamento e na melhoria da qualidade de vida de seus/suas habitantes. No centro dessa visão estão projetos como a criação de uma "floresta orbital" com dois milhões de árvores, a revitalização de rios com corredores verdes e o redesenho de espaços públicos como a Praça Skanderbeg, que se tornou a maior área de pedestres dos Bálcans. De acordo com o The Guardian, essas iniciativas buscam reverter o caos do crescimento urbano desordenado que se seguiu à queda do comunismo e acomodar uma população que quadruplicou desde 1992, ao mesmo tempo em que priorizam a qualidade de vida e a acessibilidade.
No centro da transformação de Tirana está um foco renovado na arquitetura como ferramenta de conexão, combinando identidade cultural e design contemporâneo para criar espaços que convidam à interação e ao engajamento público. Projetos recentes anunciados por arquitetos/as de renome e escritórios internacionais, como Coldefy, OODA, Oppenheim Architecture e CHYBIK + KRISTOF, mostram um fio condutor comum: a reimaginação da cidade rejuvenescida para o público. Essas propostas enfatizam a sustentabilidade social, referências culturais e espaços públicos acessíveis, redefinindo a forma como moradores/as e visitantes vivenciam a malha urbana de Tirana. De vilas verticais de uso misto e ruas voltadas para pedestres a campi ecologicamente conscientes e centros cívicos, esses novos empreendimentos destacam coletivamente a ambição da cidade de se posicionar como um modelo progressista de renovação urbana nos Bálcans.
Encontrar o emprego ideal — ou o/a candidato/a certo/a — na indústria de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC) pode ser um verdadeiro desafio. À medida que o setor evolui, tanto profissionais quanto empresas buscam formas mais eficazes de se conectar, colaborar e crescer. A AECO Space é uma plataforma de empregos e networking desenvolvida especificamente para profissionais de AEC. Ela oferece um espaço para que contratantes e talentos participem de um processo de recrutamento e conexão mais eficiente e focado no setor.
Desde sua inauguração em 1987, o Four Winds Field — casa do time da Minor League AA, o South Bend Cubs — passou por diversas transformações. Em cada uma delas, o tijolo permaneceu como um elemento arquitetônico central, evocando tradição, permanência e um caráter urbano marcante. Agora, com uma grande expansão em andamento, o estádio reafirma esse legado ao mesmo tempo em que adota técnicas construtivas inovadoras, com destaque para a integração do tijolo em plaqueta (thin brick) como uma solução contemporânea que honra o passado sem comprometer o desempenho técnico.
Buildner, em colaboração com a Autoridade de Estradas e Transportes de Dubai (RTA), convida arquitetos/as, designers e visionários/as de todo o mundo a participarem do Dubai Urban Elements Design Challenge. Este concurso internacional busca propostas inovadoras para elementos arquitetônicos de pequena escala que qualifiquem os espaços públicos e contribuam para a identidade urbana em constante evolução de Dubai.
No setor da construção civil, a busca por economia imediata durante as fases de projeto ou execução — seja pela contratação de profissionais menos qualificados/as, pelo uso de materiais de baixa qualidade ou pela modificação de sistemas construtivos sem embasamento técnico — pode resultar em prejuízos financeiros e retrabalho futuro, comprometendo o desempenho e a durabilidade do edifício. A Franklin Township Library, em Somerset, Nova Jersey, é um exemplo claro das consequências de escolhas inadequadas de materiais, especialmente no que diz respeito à eficiência energética e à pegada de carbono.
Durante sua construção em 2005, os painéis translúcidos de polímero reforçado com fibra de vidro (PRFV) da Kalwall originalmente especificados para a cobertura foram substituídos por painéis de policarbonato, visando uma economia inicial de US$ 90.000. Essa decisão, aparentemente inofensiva, logo se mostrou problemática, resultando em desafios operacionais significativos.
De novos métodos de viabilização para reaproveitamento adaptativo e estruturas de madeira engenheirada à fabricação digital, novas pesquisas visam fornecer orientação sobre métodos e tecnologias de construção emergentes. Imagem cortesia de Perkins&Will
A inovação assume diversas formas. O ano de 2025 promete ser marcado por avanços contínuos nas áreas de inteligência artificial, sustentabilidade e biotecnologia. Essas transformações costumam surgir da experimentação em setores como tecnologia e saúde, nos quais as empresas dispõem de equipes robustas de pesquisa e desenvolvimento, além de orçamentos significativos. Isso as capacita a gerar novos produtos e serviços que atendem às necessidades em constante evolução da sociedade.
Em um mundo confrontado por desafios complexos, a inovação na arquitetura desempenha um papel singular. Diferente de setores movidos por ciclos rápidos de inovação, a arquitetura precisa equilibrar criatividade com soluções práticas profundamente enraizadas na experiência humana. O que será necessário para que o setor da arquitetura aproveite plenamente seu potencial para moldar o futuro do nosso ambiente construído?
A arquitetura de hoje está vivendo um momento de profunda mudança. Os projetos são cada vez mais ambiciosos, os prazos mais apertados e as demandas de sustentabilidade mais exigentes. Diante deste cenário, os/as arquitetos/as não precisam apenas de criatividade: também necessitam de ferramentas que os/as ajudem a imaginar, testar e construir com mais rapidez, precisão e confiança.
Os softwares especializados —como AutoCAD, DaVinci, Revit ou Nuke— são hoje peças-chave no fluxo de trabalho de arquitetura. No entanto, seu potencial máximo é alcançado quando integrados a hardwares de alto desempenho e tecnologias emergentes como a inteligência artificial (IA), que elevam significativamente a capacidade de projeto, análise e execuçao.
Uma Bienal Pan-Africana de Arquitetura está prevista para 2026 em Nairóbi, no Quênia. Segundo o curador, o evento "representa uma oportunidade sem precedentes para recuperar a narrativa arquitetônica da África, reafirmando o papel do continente como líder global em resiliência urbana, sustentabilidade e expressão cultural."
Omar Degan, curador em parceria com a Architectural Association of Kenya, é arquiteto atuante, professor e educador. Ele lidera o escritório de arquitetura DO Architecture Group, fundado entre a Itália e a Somália — dois lugares profundamente conectados à sua identidade. Seu trabalho se concentra no que ele descreve como "contextos frágeis" ao redor do mundo, incluindo áreas afetadas por desastres naturais, campos de refugiados, urbanização de favelas e bairros periféricos e desassistidos.
Buildner, em colaboração com a fabricante de materiais de construção Kingspan, anunciou os vencedores da MICROHOME Kingspan Edition, que conta com um fundo de prêmios de 100.000 EUR.
A Fábrica Van Nelle, localizada em Roterdã, é um dos exemplos mais significativos da Arquitetura Industrial modernista. Projetada por Johannes Andreas Brinkman e Leendert van der Vlugt entre 1925 e 1931, com a colaboração de Mart Stam — pioneiro no design de mobiliário e na arquitetura modernista —, a fábrica foi concebida como um edifício progressista e funcional para o processamento de café, chá e tabaco.
Pensado como uma "fábrica de luz natural" (daylight factory), o complexo Van Nelle introduziu conceitos arquitetônicos e sociais revolucionários para a época. Ao integrar vidro, aço e concreto em um layout aberto e racional, o projeto demonstrou como o design poderia transformar os processos industriais e, ao mesmo tempo, melhorar a vida das pessoas em seu interior. Não se tratava apenas de um espaço de produção, mas de um símbolo de otimismo, que representava o potencial da arquitetura para remodelar indústrias e comunidades.
No design de sanitários públicos, a inovação vai muito além da estética — ela transforma toda a experiência de uso. Uma das tendências mais interessantes da atualidade é a integração de todos os elementos funcionais — secadores de mãos, torneiras, dispensers de sabão e de papel — atrás do espelho.
Essa abordagem cria uma estética mais limpa e minimalista, ao mesmo tempo em que otimiza o espaço e melhora a higiene. Todos os dispositivos permanecem totalmente funcionais, porém ocultos: basta aproximar as mãos do local indicado no espelho para que o equipamento seja ativado automaticamente — sem necessidade de contato físico.
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Cortesía de Cortesía de La Feria De Diseño Medellín
Fazer perguntas é o primeiro passo para questionar o que tomamos como certo e abrir novas possibilidades para planejar e construir. Essas perguntas, valiosas por si só, ganham ainda mais força quando compartilhadas e examinadas sob diferentes perspectivas. Ao cruzarem-se com as experiências de profissionais e marcas, tecem olhares que enriquecem a discussão. As feiras e eventos de design em todo o mundo tornaram-se espaços onde essas conversas ganham força, favorecendo as conexões e fomentando dinâmicas colaborativas. Nesse cenário, a Colômbia se consolidou como um ponto de encontro, funcionando como uma plataforma que impulsiona a arquitetura e o design na América Latina e no Caribe, ao mesmo tempo que projeta a voz da região no cenário global.
Nos últimos anos, a equipe de curadoria do ArchDaily vem revisitando obras arquitetônicas que merecem um olhar mais atento. Por meio de um post no Instagram chamado "Project Review", descreve-se o que se considera o principal atributo da obra. Ao mergulhar nas histórias dos projetos e nos elementos que os tornam verdadeiramente inspiradores, a curadoria destaca iniciativas que, de outro modo, poderiam passar despercebidas, estudando-as de perto e com atenção à localidade e ao contexto. O resultado é um conjunto de obras diversas, muitas vezes localizadas em áreas rurais ou suburbanas, que possuem uma função pública ou significado histórico.
Embora algumas casas façam parte da lista, a maior parte das análises se volta para centros culturais, bibliotecas, espaços de trabalho ou ambientes comerciais. Destaca-se também o fato de que muitas dessas obras são provenientes da Ásia, incluindo alguns projetos fundamentais na China rural. As escolhas são bastante diversas em termos de materialidade e linguagem de projeto; no entanto, todas propõem soluções arquitetônicas inovadoras e narrativas cativantes.
Ambientes úmidos apresentam alguns dos desafios mais complexos no projeto arquitetônico. Desde o período de monções tropicais no Sudeste Asiático ao calor equatorial da África Central, esses contextos exigem soluções que considerem a umidade intensa, as altas temperaturas e o combate constante ao mofo, à deterioração e à estagnação do ar. No entanto, há séculos, as comunidades dessas regiões desenvolvem técnicas arquitetônicas que não lutam contra a umidade, mas trabalham em harmonia com ela, aproveitando materiais locais, design responsivo ao clima e técnicas de resfriamento passivo para criar espaços sustentáveis e habitáveis. Ao considerar a atmosfera como um fenômeno sensorial e climático, arquitetos e arquitetas criarão espaços que não são apenas evocativos, mas também responsivos, adaptáveis e sustentáveis.
Em grande parte da China, o concreto continua sendo o material de construção predominante. Apesar das crescentes preocupações com seu impacto ambiental, o concreto segue alinhado às prioridades de incorporadores e clientes — por ser rápido, econômico e altamente durável. Como resultado, a maioria das tipologias edilícias na China ainda depende fortemente desse material. Essa dependência é ainda mais reforçada pela posição do país como o maior produtor mundial de cimento Portland. Uma cadeia de suprimentos profundamente consolidada, enraizada na fabricação de matérias-primas e na infraestrutura econômica, garante que o concreto continue sendo a escolha padrão do setor da construção.
Historicamente, contudo, a arquitetura chinesa se desenvolveu sobre uma rica tradição de construção em madeira. A Cidade Proibida é um excelente exemplo: além de ser emblemática para o patrimônio arquitetônico do país, ela abriga uma das maiores e mais bem preservadas coleções de estruturas de madeira antigas do mundo. Esse legado levanta uma questão crucial: a construção em madeira tem um futuro viável e significativo na indústria contemporânea da construção na China?
A fusão criativa entre arte e ativismo nos espaços urbanos impulsionou o coletivo britânico Led by Donkeys ao centro das atenções, acumulando milhões de visualizações com suas intervenções nas redes sociais. Suas ocupações visuais críticas — sejam mensagens em outdoors durante o dia ou projeções em grande escala à noite — levantam uma questão instigante: qual meio possui maior poder de persuasão? O livro "Led by Donkeys: Adventures in Art, Activism and Accountability" oferece um mergulho profundo em sua abordagem conceitual, mapeando sua rápida evolução ao longo de seis anos. O que começou como uma reação londrina ao Brexit expandiu-se para uma crítica global à hipocrisia política, abordando questões na Europa, no Oriente Médio e nas Américas. Para Peter Weibel, ex-diretor do ZKM Center for Art and Media em Karlsruhe, Alemanha, a fusão inovadora entre ativismo e arte — ou "Artivismo" — representa a primeira nova forma de arte do século XXI. Anos de experiência no ativismo ambiental proporcionaram ao grupo percepções cruciais sobre as engrenagens da comunicação política, a organização de intervenções públicas e os desafios para alcançar mudanças sociais significativas.
A infraestrutura há muito tempo define a espinha dorsal das cidades, conectando pessoas, paisagens e economias por meio de sistemas que frequentemente passam despercebidos até que falhem. Hoje, à medida que os desafios globais exigem respostas mais adaptáveis e focadas nas pessoas, profissionais da arquitetura estão repensando o que a infraestrutura pode ser: não apenas uma estrutura de mobilidade e utilidade, mas uma catalisadora de restauração ecológica, continuidade cultural e imaginação cívica. Os seguintes projetos não construídos, enviados pela comunidade do ArchDaily, exploram esse papel ampliado da infraestrutura, no qual aeroportos, pontes, parques industriais e redes de pedestres se tornam expressões arquitetônicas de conexão e cuidado.
Ao trabalhar com o lugar, e não contra ele, a exposição "Arquitetura é Cooperação", com curadoria de Josep Ferrando, enfatiza o valor da cooperação na essência da arquitetura. Apresentando o trabalho de profissionais, organizações e comunidades em projetos de cooperação promovidos a partir da Espanha, a instalação se materializa por meio de uma expografia em terra e madeira. Dessa forma, compreende-se a escolha desses materiais não apenas por sua estética ou simbolismo, mas por sua funcionalidade e compromisso com os princípios da economia circular. Até 30 de setembro de 2025, a mostra fica em exibição na Casa de la Arquitectura, em Madri, ressaltando a necessária atenção da arquitetura às demandas das sociedades e coletivos mais vulneráveis, alinhando a linguagem construtiva ao conteúdo da exposição.
A arquitetura vive um momento crucial. À medida que as cidades continuam a crescer sob o peso de pressões climáticas e sociais, os materiais e sistemas que as moldam estão sendo redefinidos. A inteligência artificial e a robótica, outrora utilizadas para acelerar os processos de construção, estão agora sendo repensadas como ferramentas de cultivo. Estruturas impressas que crescem, respiram e se decompõem. O cultivo, neste contexto, refere-se ao projeto com materiais biológicos, em que o crescimento e a decomposição são parâmetros ativos, fundindo precisão digital e inteligência ecológica. Essa evolução demonstra a transição da eficiência para a empatia, em que a arquitetura se torna um agente de reparação ativa. A introdução do micélio e de outros materiais naturais na impressão 3D apresenta um novo paradigma na arquitetura: a lógica do vivo. Um espaço onde a computação e a fabricação encontram a adaptabilidade biológica.
A IA e a robótica, antes associadas à eficiência industrial, abrem agora novos caminhos para o projeto. Primeiros exemplos, como os protótipos de habitação impressos em 3D da ICON, focavam na velocidade e na automação, mas ofereciam pouca resposta ao seu entorno. Projetos mais recentes, como o MycoMuseum na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025, reinterpretam essas ferramentas sob uma ótica biológica. Em vez de moldar o concreto, eles cultivam materiais vivos, marcando uma transição da pura otimização para a regeneração.