A 19ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza abriu oficialmente suas portas ao público no último dia 10 de maio, tornando-se um grande palco internacional para conhecer a atualidade da arquitetura mundial e propor discussões em torno dos desafios enfrentados hoje pela disciplina, tanto os compartilhados quanto os específicos de cada território. Sob o lema deste ano, "Intelligens. Natural. Artificial. Collective", a proposta do curador-geral, o arquiteto italiano Carlo Ratti, convida a refletir sobre la interconexão da arquitetura com outras disciplinas, como a arte, a inteligência artificial e a tecnologia, destacando também os territórios, as paisagens e, sobretudo, as pessoas que habitam e moldam coletivamente nosso ambiente construído.
No discurso arquitetônico contemporâneo, a escala é frequentemente confundida com influência. Grandes escritórios, projetos emblemáticos e planos diretores dominam a visibilidade, reforçando a ideia de que a ambição na arquitetura é medida por tamanho, alcance ou espetáculo. No entanto, na Índia e em contextos semelhantes, surge uma produção mais silenciosa, mas de igual relevância. Ela é liderada por escritórios pequenos, mas potentes, que atuam com recursos limitados, relações próximas com os clientes e uma compreensão profunda das condições locais.
A água é um catalisador de experiências sensoriais: manifesta-se no contato direto pelo toque, em sua presença ao ser ouvida ou vista refletida, e em suas transformações—seja pela temperatura, do frio ao calor, ou pelo estado físico, do líquido ao vapor. Trata-se de um elemento fundamental no design para os sentidos, capaz de evocar atmosferas percebidas física e emocionalmente. Como sugere Juhani Pallasmaa, a arquitetura não se dirige apenas aos olhos, mas envolve todo o corpo e a memória sensorial. O banheiro, em especial, concentra grande parte da experiência física e emocional associada à água, abrindo possibilidades para criar ambientes que intensificam essa conexão sensorial. Diante disso, surge a questão: quais elementos ou conceitos devem moldar esse espaço para que a experiência do banho escape do comum?
https://www.archdaily.com.br/pt/1142838/o-despertar-do-banheiro-conceitos-de-design-contemporaneo-para-uma-experiencia-sensorialEnrique Tovar
https://www.archdaily.com.br/pt/1142844/trabalho-em-pequim-heli-architects-arquiteto-a-de-conceito-arquiteto-a-de-projeto-designer-de-detalhamento-de-interiores-estagiario-a韩爽 - HAN Shuang
Durante o período pós-guerra no século XX, o Sul Global esteve sob forte influência de profissionais de arquitetura do exterior, frequentemente convidados por governos locais para aportar sua expertise e visão inovadora. Vistos como símbolos de modernidade, edifícios projetados por "starchitects" elevaram a imagem dessas nações. Décadas mais tarde, mesmo com o avanço na capacidade das indústrias locais, o desejo pelo talento estrangeiro persiste. Trata-se de um resultado natural da globalização ou a presença contínua de escritórios internacionais no Sul Global reflete uma dependência persistente?
A arquitetura está sendo remodelada pela inteligência artificial, pelas mudanças climáticas e pelas transformações nas estruturas sociais. Na SCI-Arc, estudantes aprendem a enfrentar esses desafios de frente, utilizando o design como ferramenta para moldar um mundo em rápida mutação.
Neste semestre, os Ateliês Verticais (Vertical Studios) de nível avançado da SCI-Arc trazem o mundo para dentro da sala de aula. Cada um é liderado por um/a arquiteto/a atuante no mercado e na vanguarda da profissão — desde a fabricação experimental até o design urbano e ambiental. A partir de projetos reais e de sua experiência profissional, o corpo docente desafia os/as estudantes a se engajarem com as realidades do presente e a projetarem com precisão, empatia e imaginação.
Durante milênios, a argila tem sido a base de paredes, fachadas e revestimentos. Provavelmente não existe outro material fabricado pelo ser humano com uma história tão extensa quanto o tijolo. Sua permanência na arquitetura não se explica apenas por seus atributos técnicos, mas também por seu impacto social, sua eficiência construtiva e seu profundo enraizamento cultural na forma de construir cidades.
No Chile, a tradição do tijolo acompanhou historicamente o desenvolvimento da habitação, tornando-se um material associado a estabilidade, permanência e segurança para as famílias. Nesse contexto, a Cerámica Santiago celebra 45 anos de trajetória, consolidando-se como uma das referências nacionais no desenvolvimento de produtos cerâmicos para a construção, com um olhar que reconhece o papel social da habitação no desenvolvimento urbano do país. Desde as suas origens, a empresa busca integrar a tradição do ofício cerâmico com processos industriais modernos, inovação em design e novas exigências técnicas.
No momento de criar espaços de exposição, o design da experiência, a proposta de percurso ou a transmissão de certas percepções e sentidos contribuem para a criação de diferentes vínculos e conexões entre os objetos exibidos e seus visitantes. Compreendendo o caráter de um showroom como aquele espaço pensado para mostrar produtos e serviços de forma criativa e experiencial, que estratégias de design poderiam melhorar as experiências internas de seus usuários? Como o design de interiores dialoga com a arquitetura de exposição?
A Enel, líder global em energia renovável, lançou o "WinDesign", um concurso internacional que convida estudantes e profissionais talentosos/as das áreas de engenharia, arquitetura e design a imaginarem e projetarem novas turbinas eólicas. O objetivo é desenvolver projetos de turbinas que se integrem de forma mais harmoniosa às paisagens que as abrigam, impulsionando, assim, um papel mais amplo para essa tecnologia na transição energética.
Types of Spaces - Espanha | Arquitetos: HANGHAR, Madri, Espanha; PALMA, Cidade do México, México. Imagem cortesia de Weinberger
O Brick Award é concedido a cada dois anos para homenagear a arquitetura de tijolos inovadora, sustentável e visionária em todo o mundo. A próxima edição, o Brick Award 26, será celebrada em junho de 2026. Arquitetos/as, designers e incorporadores/as são incentivados/as a enviar projetos que demonstrem criatividade e funcionalidade no uso de materiais de construção cerâmicos. Este prestigiado prêmio reconhece a excelência em várias categorias e oferece uma plataforma global para destacar a versatilidade e o potencial dos tijolos na arquitetura contemporânea. As inscrições para o Brick Award 26 estão abertas até 9 de março de 2025, oferecendo uma oportunidade única de reconhecimento internacional. A participação não exige o uso de produtos da wienerberger.
Historicamente, a arquitetura produziu muitos edifícios icônicos moldados por visões singulares — muitas vezes projetados de forma unilateral para usuários/as, comunidades e cidades. Se por um lado essa abordagem de cima para baixo (top-down) viabilizou uma forte coerência formal e clareza conceitual, por outro, ela priorizou a autoria em detrimento do engajamento. O resultado: projetos que podem ser celebrados como visionários, mas que frequentemente parecem desconectados das realidades cotidianas de quem os habita.
Projetar para o outro é inerentemente complexo. Na condição de arquitetos/as, frequentemente recebemos a tarefa de criar ambientes para comunidades com as quais podemos não ter nenhuma familiaridade pessoal ou cultural. Esse distanciamento, contudo, pode oferecer uma objetividade valiosa. Ele nos permite abordar perspectivas diversas com um novo olhar, analisando criticamente as necessidades e limitações de múltiplas partes interessadas. Por meio desse processo, a disciplina da arquitetura avançou — expandindo fronteiras no pensamento espacial, na inovação de materiais e na experimentação estrutural.
Exemplo das capacidades do Nested Floor System. Cortesia de Offsite Wood e Quebec Wood Export Bureau
O lançamento mais recente do Offsitewood.org marca um passo significativo para tornar a construção offsite em madeira mais acessível para arquitetos/as. A Versão 2.0 introduz um conjunto de recursos digitais voltados a ajudar profissionais de design e arquitetura a modelar, planejar e colaborar de maneira mais eficiente.
Bibliotecas gratuitas para download são um recurso central e em constante expansão no site. Além disso, novos aplicativos e serviços estão disponíveis, incluindo visualizadores de amostras digitais de madeira (e-samples), uma barra de ferramentas avançada de paginação de painéis e de estruturas (framing) para o Revit, além de um espaço de trabalho colaborativo para otimização de projetos.
Em diferentes geografias e gerações, profissionais da arquitetura estão repensando a ideia de lar, equilibrando expressão pessoal, sensibilidade ao contexto e clareza material. Estas propostas residenciais contemporâneas, enviadas pela comunidade do ArchDaily, revelam como a casa continua a evoluir tanto como manifesto arquitetônico quanto como um cenário íntimo para a vida cotidiana. Do escultórico e futurista ao enraizado e vernáculo, os projetos exploram como a forma construída se equilibra entre identidade, meio ambiente e estilo de vida em um mundo cada vez mais complexo.
Dos pavilhões de Osaka e Veneza, às mesas-redondas de Belém, mais um ano chega ao fim. Dezembro nos convida a fazer uma pausa e olhar para trás, revisitando os momentos que definiram a arquitetura e as cidades em 2025. Refletir não é apenas um ato de memória, mas de prospecção — uma forma de compreender por onde passamos para imaginar os caminhos seguintes. Das narrativas culturais em transformação às inovações materiais e tecnológicas, o ano que passou destacou a importância da experimentação e da adaptação em todo o ambiente construído.
Este mês, o ArchDaily explora a Retrospectiva do Ano, reunindo as histórias, ideias e vozes mais marcantes dos últimos meses. Nossa cobertura revisita os projetos, entrevistas e ensaios que moldaram o debate, ao mesmo tempo que reconhece os/as arquitetos/as e pensadores/as que deixaram um impacto duradouro na disciplina. Além disso, lançamos um olhar para o futuro, identificando os projetos e temas mais aguardados para 2026 e os caminhos emergentes que eles sugerem.
Concursos de arquitetura há muito tempo oferecem um espaço para experimentação: plataformas onde ideias podem ser testadas, tipologias reimaginadas e questões críticas abordadas por meio do projeto. Livres de algumas das restrições das encomendas comerciais, as propostas de concursos frequentemente refletem visões ambiciosas de como a arquitetura pode responder a desafios ambientais, culturais e sociais. Quer estejam focadas em habitats futuros, instituições públicas ou infraestruturas comunitárias de pequena escala, essas propostas dão forma aos valores e prioridades que impulsionam o pensamento arquitetônico hoje.
A seleção de projetos não construídos deste mês reúne oito projetos premiados em concursos enviados pela comunidade do ArchDaily. Cada um deles conquistou o primeiro, segundo ou terceiro lugar em premiações locais e internacionais recentes. As propostas selecionadas abrangem uma ampla variedade de programas e geografias: uma biblioteca sustentável em Lima, um habitat marciano que explora sistemas de ciclo fechado, um orfanato para adultos projetado para o empoderamento na Índia, uma nova escola francesa em Atenas e uma iniciativa de placemaking em Singapura enraizada no folclore local. Embora variem em escala e escopo, todos eles destacam a capacidade da arquitetura de dialogar com o contexto, promover a inclusão e propor novas maneiras de habitar o espaço.
A Expo 67 do Canadá destaca-se como uma das exposições mundiais de maior sucesso da história, quebrando recordes e deixando um impacto duradouro na paisagem urbana de Montreal. Integrando as celebrações do centenário do Canadá, o evento proporcionou à cidade a oportunidade de apresentar suas conquistas culturais e tecnológicas em um cenário global. Com mais de 50 milhões de visitantes em apenas seis meses, o evento superou todos os recordes de público anteriores, alcançando a impressionante marca de 569.500 pessoas em um único dia — um feito inédito para uma feira mundial na época. Hoje, 58 anos depois, e com a iminente Expo Osaka 2025 projetada para mostrar como desenhar a sociedade do futuro, vale a pena revisitar o legado da Expo 67 e explorar as transformações urbanas que ela trouxe para Montreal.
Ao encerrarmos o capítulo de 2024, uma análise dos projetos no extenso banco de dados do ArchDaily destaca algumas tendências marcantes de design de interiores que definiram o ano. Entre elas está o uso do aço inoxidável, frequentemente combinado com concreto e tons de cinza, criando interiores com uma elegância industrial refinada. Este artigo se aprofunda no crescente protagonismo do aço inoxidável como elemento de interiores, explorando suas aplicações, combinações e seu apelo cada vez maior, a despeito de percepções persistentes sobre sua natureza fria e industrial.
Nos últimos anos, essa relação histórica começou a se transformar. As imagens de arquitetura não se tornaram apenas mais refinadas ou tecnologicamente avançadas; elas assumiram um novo significado social e institucional. À medida que extrapolaram os contextos profissionais e ganharam circulação pública, seu papel se expandiu. Deixaram de ser apenas métodos de comunicação interna da disciplina para se tornarem objetos de interpretação pública, debate e, por vezes, disputa. Isso marcou uma mudança sutil, mas profunda, na maneira como as representações visuais da arquitetura eram compreendidas e utilizadas.
Misturador Meta em Matte Black. Imagem cortesia de Dornbracht
Os espaços residenciais estão encolhendo? À medida que as cidades se tornam mais densas e a população global continua sua migração constante em direção aos centros urbanos — com projeção de atingir cerca de 70% até 2050 —, o espaço doméstico torna-se cada vez mais reduzido. O aumento dos preços dos terrenos, os altos custos de construção e o crescimento de domicílios de uma única pessoa impulsionam as incorporadoras a criar unidades menores e plantas mais enxutas. Ao mesmo tempo, mudanças culturais em direção à eficiência de recursos e a um estilo de vida minimalista apoiam esse movimento. Espaços residenciais reduzidos exigem menos materiais, consomem menos energia e incentivam as pessoas a viver de forma mais equilibrada com seus recursos.
Recentemente selecionado para participar da próxima edição da Bienal de Arquitetura Latino-Americana em Pamplona em 2025, o Práctica Arquitectura se consolida como um jovem e promissor escritório da região, especificamente no México. Sua produção arquitetônica centra-se na materialização de projetos que alcancem um alto nível de sensibilidade, tanto para quem os habita quanto para seu entorno imediato, seja ele qual for. Em estreita sintonia com as paisagens e terrenos, seus projetos ganham vida por meio de um desenho meticulosamente pensado em termos de materiais, estruturas e detalhes, garantindo, ao mesmo tempo, uma experiência sensorial e emocional nos espaços que criam.
Os espaços que habitamos são repletos de movimentos, atividades e encontros: a cozinha onde preparamos a comida, a sala onde nos reunimos, o escritório onde trabalhamos. No meio de tudo isso, alguns elementos passam despercebidos, mas conectam a nossa experiência com o entorno: interruptores, tomadas e placas elétricas. Esses dispositivos não apenas permitem a distribuição de energia, mas também estruturam e facilitam a interação com o espaço, atuando como nós que vinculam funções e fluxos, ao mesmo tempo em que reforçam a identidade estética dos interiores.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142694/alem-da-funcao-placas-eletricas-como-solucao-tecnologica-e-de-design-de-interioresEnrique Tovar
No mundo de hoje, o aprendizado não está mais confinado às salas de aula nem se define apenas pela educação formal; ele acontece em todos os lugares, de diversas formas. De salas de música e bibliotecas sensoriais a centros de treinamento em neurodiversidade e escolas públicas reinventadas, os espaços que apoiam o aprendizado estão se tornando tão variados quanto as maneiras como aprendemos. Esta seleção de projetos educacionais não construídos, enviados pela comunidade do ArchDaily, reflete essa mudança, explorando como a arquitetura pode acolher a diferença, cultivar a curiosidade e criar ambientes que atendam a um amplo espectro de necessidades cognitivas, emocionais e sociais.
Formuladores/as de políticas urbanas e incorporadores/as qualificam, cada vez mais, seus projetos como temporários, testando parques temporários, instalações artísticas e estruturas provisórias em cidades de todo o mundo. Essas iniciativas costumam ser apresentadas como intervenções experimentais voltadas à ativação de terrenos ociosos. Na prática, contudo, elas frequentemente funcionam como estratégias provisórias para gerir terras subutilizadas até que formas mais lucrativas de desenvolvimento se concretizem. O rótulo do temporário funciona como uma camuflagem urbana, ocultando agendas permanentes sob uma retórica provisória.