Types of Spaces - Espanha | Arquitetos: HANGHAR, Madri, Espanha; PALMA, Cidade do México, México. Imagem cortesia de Weinberger
O Brick Award é concedido a cada dois anos para homenagear a arquitetura de tijolos inovadora, sustentável e visionária em todo o mundo. A próxima edição, o Brick Award 26, será celebrada em junho de 2026. Arquitetos/as, designers e incorporadores/as são incentivados/as a enviar projetos que demonstrem criatividade e funcionalidade no uso de materiais de construção cerâmicos. Este prestigiado prêmio reconhece a excelência em várias categorias e oferece uma plataforma global para destacar a versatilidade e o potencial dos tijolos na arquitetura contemporânea. As inscrições para o Brick Award 26 estão abertas até 9 de março de 2025, oferecendo uma oportunidade única de reconhecimento internacional. A participação não exige o uso de produtos da wienerberger.
Historicamente, a arquitetura produziu muitos edifícios icônicos moldados por visões singulares — muitas vezes projetados de forma unilateral para usuários/as, comunidades e cidades. Se por um lado essa abordagem de cima para baixo (top-down) viabilizou uma forte coerência formal e clareza conceitual, por outro, ela priorizou a autoria em detrimento do engajamento. O resultado: projetos que podem ser celebrados como visionários, mas que frequentemente parecem desconectados das realidades cotidianas de quem os habita.
Projetar para o outro é inerentemente complexo. Na condição de arquitetos/as, frequentemente recebemos a tarefa de criar ambientes para comunidades com as quais podemos não ter nenhuma familiaridade pessoal ou cultural. Esse distanciamento, contudo, pode oferecer uma objetividade valiosa. Ele nos permite abordar perspectivas diversas com um novo olhar, analisando criticamente as necessidades e limitações de múltiplas partes interessadas. Por meio desse processo, a disciplina da arquitetura avançou — expandindo fronteiras no pensamento espacial, na inovação de materiais e na experimentação estrutural.
No momento de criar espaços de exposição, o design da experiência, a proposta de percurso ou a transmissão de certas percepções e sentidos contribuem para a criação de diferentes vínculos e conexões entre os objetos exibidos e seus visitantes. Compreendendo o caráter de um showroom como aquele espaço pensado para mostrar produtos e serviços de forma criativa e experiencial, que estratégias de design poderiam melhorar as experiências internas de seus usuários? Como o design de interiores dialoga com a arquitetura de exposição?
A Enel, líder global em energia renovável, lançou o "WinDesign", um concurso internacional que convida estudantes e profissionais talentosos/as das áreas de engenharia, arquitetura e design a imaginarem e projetarem novas turbinas eólicas. O objetivo é desenvolver projetos de turbinas que se integrem de forma mais harmoniosa às paisagens que as abrigam, impulsionando, assim, um papel mais amplo para essa tecnologia na transição energética.
A especificidade ressurgiu como uma linguagem central no discurso arquitetônico. Em um campo cada vez mais globalizado, no qual os projetos muitas vezes seguem modelos conhecidos independentemente do contexto, arquitetos/as voltam-se agora para abordagens enraizadas nas particularidades de cada local. Essa atenção renovada ao contexto reflete pressões sociais, climáticas e políticas mais amplas: as cidades enfrentam calor extremo, desafios ecológicos, mudanças demográficas e novas formas de vida coletiva que exigem respostas fundamentadas em suas condições imediatas.
A arquitetura situada descreve essa mudança. Refere-se a abordagens projetuais nas quais a forma, o programa e a materialidade emergem do ambiente específico que os produz: seus microclimas, estruturas culturais e rituais cotidianos. Em vez de partirem de modelos universais, essas práticas começam com a observação, a prototipagem e o engajamento direto com as dinâmicas locais. Essa lógica é visível nos experimentos climáticos e materiais do TAKK na Espanha, como o Portable Garden e a 10k House, que funcionam como protótipos leves ajustados a gradientes térmicos e ecológicos; no Art Pavilion M do Studio Ossidiana, moldado por camadas de solo e ciclos ecológicos nos Países Baixos; nas reinterpretações de objetos vernaculares por Izaskun Chinchilla e em seus experimentos posteriores com 100 Sillas e 3 Salones Urbanos; nos espaços domésticos guiados por narrativas do Common Accounts; e nas intervenções urbanas do Raumlabor, que respondem diretamente às especificidades da Berlim pós-industrial.
A 19ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza abriu oficialmente suas portas ao público no último dia 10 de maio, tornando-se um grande palco internacional para conhecer a atualidade da arquitetura mundial e propor discussões em torno dos desafios enfrentados hoje pela disciplina, tanto os compartilhados quanto os específicos de cada território. Sob o lema deste ano, "Intelligens. Natural. Artificial. Collective", a proposta do curador-geral, o arquiteto italiano Carlo Ratti, convida a refletir sobre la interconexão da arquitetura com outras disciplinas, como a arte, a inteligência artificial e a tecnologia, destacando também os territórios, as paisagens e, sobretudo, as pessoas que habitam e moldam coletivamente nosso ambiente construído.
No discurso arquitetônico contemporâneo, a escala é frequentemente confundida com influência. Grandes escritórios, projetos emblemáticos e planos diretores dominam a visibilidade, reforçando a ideia de que a ambição na arquitetura é medida por tamanho, alcance ou espetáculo. No entanto, na Índia e em contextos semelhantes, surge uma produção mais silenciosa, mas de igual relevância. Ela é liderada por escritórios pequenos, mas potentes, que atuam com recursos limitados, relações próximas com os clientes e uma compreensão profunda das condições locais.
Durante milênios, a argila tem sido a base de paredes, fachadas e revestimentos. Provavelmente não existe outro material fabricado pelo ser humano com uma história tão extensa quanto o tijolo. Sua permanência na arquitetura não se explica apenas por seus atributos técnicos, mas também por seu impacto social, sua eficiência construtiva e seu profundo enraizamento cultural na forma de construir cidades.
No Chile, a tradição do tijolo acompanhou historicamente o desenvolvimento da habitação, tornando-se um material associado a estabilidade, permanência e segurança para as famílias. Nesse contexto, a Cerámica Santiago celebra 45 anos de trajetória, consolidando-se como uma das referências nacionais no desenvolvimento de produtos cerâmicos para a construção, com um olhar que reconhece o papel social da habitação no desenvolvimento urbano do país. Desde as suas origens, a empresa busca integrar a tradição do ofício cerâmico com processos industriais modernos, inovação em design e novas exigências técnicas.
O modernismo tem uma longa história no Marrocos. Devido à proximidade com a Europa e ao domínio do Protetorado Francês, o país acompanhou de perto os desdobramentos arquitetônicos do movimento. Sua relativa estabilidade após a Segunda Guerra Mundial fortaleceu ainda mais esse papel, atraindo arquitetos e arquitetas europeus que buscavam um polo para novas ideias. No Marrocos independente, os/as arquitetos/as adotaram o modernismo ao assumirem a tarefa de construir a infraestrutura de uma nova nação. O arquiteto Jean-François Zevaco, nascido no Marrocos de pais franceses, atuou ao longo desses períodos formativos, desenvolvendo uma versão própria e expressiva da arquitetura moderna.
Exemplo das capacidades do Nested Floor System. Cortesia de Offsite Wood e Quebec Wood Export Bureau
O lançamento mais recente do Offsitewood.org marca um passo significativo para tornar a construção offsite em madeira mais acessível para arquitetos/as. A Versão 2.0 introduz um conjunto de recursos digitais voltados a ajudar profissionais de design e arquitetura a modelar, planejar e colaborar de maneira mais eficiente.
Bibliotecas gratuitas para download são um recurso central e em constante expansão no site. Além disso, novos aplicativos e serviços estão disponíveis, incluindo visualizadores de amostras digitais de madeira (e-samples), uma barra de ferramentas avançada de paginação de painéis e de estruturas (framing) para o Revit, além de um espaço de trabalho colaborativo para otimização de projetos.
Em diferentes geografias e gerações, profissionais da arquitetura estão repensando a ideia de lar, equilibrando expressão pessoal, sensibilidade ao contexto e clareza material. Estas propostas residenciais contemporâneas, enviadas pela comunidade do ArchDaily, revelam como a casa continua a evoluir tanto como manifesto arquitetônico quanto como um cenário íntimo para a vida cotidiana. Do escultórico e futurista ao enraizado e vernáculo, os projetos exploram como a forma construída se equilibra entre identidade, meio ambiente e estilo de vida em um mundo cada vez mais complexo.
Narrar uma obra de arquitetura é sempre um desafio. As imagens de um projeto, por mais precisas ou espetaculares que sejam, muitas vezes deixam de fora todo o processo que as tornou possíveis. O registro desses processos — os bastidores da arquitetura — é, sem dúvida, parte fundamental de qualquer obra. E torna-se ainda mais essencial quando tanto o projeto quanto sua metodologia de execução se afastam dos caminhos convencionais. Este é o caso da obra realizada por Susana, responsável por uma propriedade rural sem nenhuma experiência prévia em construção, que assumiu o desafio e o executou por conta própria, guiada unicamente pelas instruções que o arquiteto do projeto, Manuel Ocaña, lhe enviava pelo WhatsApp.
Todo ato de construir começa com a transformação de matérias-primas, energia e solo, o que inevitavelmente acarreta impactos ambientais. Isso engloba todas as alterações que um processo desencadeia no mundo natural: da extração de recursos às emissões de poluentes, do consumo de energia à perda de biodiversidade. Mensurar esse impacto é complexo, pois envolve múltiplas dimensões. O carbono consolidou-se como a métrica comum, traduzindo esses efeitos em emissões de gases de efeito estufa (equivalente de CO₂) diretamente ligadas ao aquecimento global. Essa padronização tornou o indicador onipresente e comparável entre diferentes materiais, sistemas e setores. Reduzir as emissões de carbono significa, portanto, atacar a raiz do aquecimento global — uma tarefa de urgência máxima para a indústria da construção, responsável por cerca de 39% das emissões globais. Em resposta a esse desafio, o MVRDV NEXT, divisão de inovação e ferramentas digitais do escritório de arquitetura holandês, lançou o CarbonSpace, uma plataforma aberta e gratuita que leva a contabilidade de carbono diretamente para a mesa de projeto, ainda na fase do rascunho em guardanapo.
Se no passado as cidades eram moldadas por estruturas simples que podiam se adaptar a novos usos, hoje elas estão repletas de habitações rígidas — muitas vezes projetadas para uma única finalidade e com layout e vida útil predeterminados. À medida que os prazos climáticos se estreitam, as comunidades exigem espaços mais resilientes e conscientes dos recursos, e os padrões de trabalho e moradia continuam a mudar, essa rigidez se torna um entrave. Quando as edificações se recusam a se flexibilizar, costumam ser tratadas como descartáveis, desencadeando ciclos de demolição, inatividade e desperdício. A adaptabilidade, outrora vista como uma conveniência adicional, está se tornando um imperativo — algo que a edição inaugural da Adaptable Building Conference (ABC), em Roterdã, pretende colocar em primeiro plano.
A arquitetura vai além de sua função fundamental de definir espaços e proporcionar proteção; ela molda a experiência das pessoas, influenciando sensações de conforto, amplitude e bem-estar. Entre os muitos elementos que compõem uma edificação, as aberturas desempenham um papel crucial ao conectar o interior e o exterior, equilibrando privacidade e transparência, além de permitir a entrada de ventilação e iluminação natural. Em especial, a luz natural transforma ambientes, define atmosferas e realça detalhes arquitetônicos, tornando os espaços mais dinâmicos e convidativos.
As janelas, que outrora eram simples aberturas nas paredes, evoluíram graças aos avanços em materiais e tecnologia, maximizando a eficiência e ampliando seu papel no projeto arquitetônico. Se a arquitetura gótica exibia vitrais maravilhosos através de imponentes janelas altas, a arquitetura moderna migrou para formas horizontais e fachadas totalmente envidraçadas, transformando a maneira como a luz do dia é integrada aos espaços. No entanto, depender exclusivamente do envidraçamento de fachada apresenta uma limitação: a luz natural muitas vezes fica confinada ao perímetro do edifício, deixando as áreas centrais na sombra. As aberturas zenitais, como claraboias e janelas para coberturas planas, superam esse desafio ao canalizar a luz natural para as profundezas dos espaços internos, reduzindo a dependência da iluminação artificial.
Localizado na extremidade do icônico Dakpark de Roterdã, o novo projeto Kop Dakpark, projetado pelos escritórios de arquitetura INBO e h3o, apresenta-se como um modelo inovador de habitação sustentável e inclusiva. Desenvolvido por Woonstad Rotterdam, este complexo residencial inclui 153 habitações acessíveis —63 sociais e 90 de faixa média— que não apenas respondem à demanda por moradia, mas também integram a natureza e a comunidade para qualificar tanto a paisagem urbana quanto a ecológica.
Os playgrounds urbanos estão evoluindo de simples balanços e escorregadores para paisagens urbanas dinâmicas e multifacetadas. Estes novos projetos são muito mais do que apenas locais de lazer; trata-se de espaços integrados de forma planejada que respondem aos desafios urbanos, promovem o senso de comunidade e inspiram a criatividade. Uma forte tendência é o uso intencional de cores e padrões. Projetistas utilizam zonas cromáticas vibrantes para segmentar diferentes áreas funcionais, criando uma experiência visualmente dinâmica que contrasta com o entorno natural. Essa abordagem também pode ser empregada para consolidar uma identidade urbana coesa, com paletas de cores cuidadosamente selecionadas que complementam a paisagem urbana existente.
Há mais de um século e meio, corporações periodicamente assumem o papel de construtoras de cidades. Bairros ou até mesmo assentamentos inteiros que existem na interseção entre o comércio e a vida cívica, as "company towns" (ou cidades-empresa) são tipologias urbanas recorrentes. A cidade corporativa há muito se remodela para se adequar ao espírito de cada época, seja por meio do idealismo pastoral da Inglaterra industrial ou do otimismo cinematográfico da América de meados do século XX. Em sua roupagem mais recente — o distrito de campus de renda mista —, a arquitetura torna-se uma linguagem de pertencimento, branding e persuasão silenciosa.
Inaugurado em 1991, o Teatro Estadual Maestro Francisco Paulo Russo de Araras é considerado um dos principais equipamentos culturais da cidade e da região. Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, um dos grandes expoentes do Movimento Moderno, o teatro foi dotado de toda a infraestrutura necessária para eventos culturais locais, nacionais e internacionais entre 1995 e 2005. Niemeyer deixou um legado cuja linha arquitetônica de formas livres se articula com influências de diferentes vertentes, sendo também capaz de dialogar com a identidade de um país tropical.
Uma análise anterior sobre marcos culturais no Oriente Médio projetados por arquitetos/as internacionais destacou temas recorrentes, como a arquitetura como uma extensão da paisagem, o desenho responsivo ao clima e a abstração de formas tradicionais. Esses projetos frequentemente introduziram soluções ambientais de alta tecnologia, utilizaram formas monumentais para reinterpretar a identidade local ou se posicionaram como marcos na paisagem urbana ou desértica mais ampla. Embora essas abordagens tenham definido muitas das instituições culturais mais reconhecidas da região, elas representam apenas um lado do discurso arquitetônico. Uma trajetória igualmente significativa, porém distinta, surge de arquitetos/as locais, que trabalham a partir de estruturas existentes, contextos históricos e ambientes habitados para criar instituições profundamente integradas ao seu entorno. Essa abordagem prioriza a continuidade, a transformação e a acessibilidade, garantindo que a arquitetura continue sendo parte viva do tecido cultural, em vez de se limitar a um objeto isolado.
Videos
Ecophon Solo™ Square. Image Cortesía de Volcan
Para além de sua estética, materialidade ou método de instalação, o papel dos forros na arquitetura contemporânea já não se limita apenas a ocultar estruturas ou instalações internas nos edifícios. Ao agregar qualidades funcionais como absorção acústica, isolamento térmico, eficiência energética, proteção contra o fogo, iluminação integrada ou facilidade de manutenção, as diferentes disposições de forros são capazes de combinar flexibilidade e versatilidade de acordo com as diferentes necessidades e usos de seus/suas ocupantes. Interiores de escritórios, restaurantes, consultórios, estabelecimentos comerciais e outros espaços ganham protagonismo por meio da aplicação de forros com intenções e mensagens claras a transmitir.
Criando espaços habitacionais em um mundo entre o ligado e o desligado. Imagem cortesia de GIRA
No debate arquitetônico recente, o design de interiores tem se concentrado em como os espaços moldam a experiência psicológica e atmosférica, e no que confere ressonância emocional aos ambientes internos. A atenção deslocou-se para os pequenos detalhes, em vez de se apoiar primordialmente na forma ou na estrutura. A luz, por exemplo, não é apenas um requisito técnico, mas também um material arquitetônico por direito próprio. Ela é capaz de estruturar o espaço, animar superfícies, definir texturas e moldar a atmosfera, ao mesmo tempo em que influencia o bem-estar. Paralelamente, as características entre o minimalismo e o maximalismo moldam a forma como as atmosferas são percebidas, instigando uma reflexão sobre como as abordagens voltadas à simplicidade ou à exuberância podem influenciar o estado de espírito. Longe de existirem como estéticas opostas, essas tendências investigam a maneira como os interiores interagem com os estados mentais, refletem a identidade pessoal e respondem às mudanças sutis na forma como as pessoas habitam e vivenciam o espaço.