
Se no passado as cidades eram moldadas por estruturas simples que podiam se adaptar a novos usos, hoje elas estão repletas de habitações rígidas — muitas vezes projetadas para uma única finalidade e com layout e vida útil predeterminados. À medida que os prazos climáticos se estreitam, as comunidades exigem espaços mais resilientes e conscientes dos recursos, e os padrões de trabalho e moradia continuam a mudar, essa rigidez se torna um entrave. Quando as edificações se recusam a se flexibilizar, costumam ser tratadas como descartáveis, desencadeando ciclos de demolição, inatividade e desperdício. A adaptabilidade, outrora vista como uma conveniência adicional, está se tornando um imperativo — algo que a edição inaugural da Adaptable Building Conference (ABC), em Roterdã, pretende colocar em primeiro plano.
Por que as cidades não podem se dar ao luxo de ter edifícios estáticos
Para Cécile Faraud, diretora do Programa de Construção Limpa do C40 — uma rede global de prefeitos que lidera o futuro da ação climática urbana — e palestrante na ABC, a urgência é evidente. "Dependemos dos edifícios diariamente — eles são nossas casas, escritórios, escolas, hospitais —, mas eles também impulsionam significativamente a crise climática", afirma. As estatísticas sobre o tema são bem conhecidas: o concreto, por si só, responde por pelo menos 8% das emissões globais, consome matérias-primas escassas e vastas quantidades de água, além de reforçar as características de impermeabilidade e retenção de calor das áreas urbanas. Com a previsão de que mais 2,5 bilhões de pessoas vivam em cidades até 2050, esse impacto só tende a crescer, a menos que as construções existentes sejam utilizadas de forma muito mais inteligente. "Os governos locais precisam enfrentar essa questão complexa agora", diz Faraud, acrescentando que a prioridade deve ser maximizar o uso das edificações existentes, especialmente quando subutilizadas ou vazias.






